A partir de um exercício da Oficina “Visitas de improviso: a escrita criativa como forma de contato entre literatura e artes visuais” ministrada pela Prof. Dra. Laura Rabelo Erber (UNIRIO) no XXX Seminário Brasileiro de Crítica Literária e III Encontro Nacional de Escrita Criativa da PUCRS, Porto Alegre (18 a 20/10/16), tenho o prazer de apresentar um diálogo travado com a escritora Maria Cláudia Gastal Ramos, no qual trocamos fotografias e prosa poética.

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(Fotografia de Patricia (Gonçalves) Tenório)

“Uma parte deslumbrante do privilégio de uma vista ensolarada se esvai na sua falta de cor. Mas se o gélido do azul e o viço do verde não me são revelados, me satisfaço com a contemplação luminosa da areia, a vontade de mar e a saudade do verão.”

Maria Cláudia Gastal Ramos

Contato: claudiagastal@gmail.com

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(Fotografia de Maria Cláudia Gastal Ramos)

“Maria caminhava na floresta em busca de João. As árvores pareciam convidativas, atrativas, cheias de nuances nunca antes vistas à olho nu, ou mesmo olhos vestidos de óculos.

Sem os óculos não podia enxergar as flores que brotavam na ponta dos galhos. Sentia um aroma longínquo, e  tentava se aproximar para perceber mais, para sentir mais.

João não pode brincar desse jeito comigo. Aposto que está com o meu par de óculos novinhos no meio da floresta, distribuindo as pedrinhas diminutas pelo chão, e eu aqui só olhando para as árvores sem enxergá-las, só buscando nas árvores o aroma de jasmim, e, quem sabe, um índice para se encontrar irmãos perdidos.”

(“Vemos cada vez menos”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 19/10/16, 10h40)