TINTEIROS DO TÉDIO

O que sonhamos
além da partitura
– humanos de partida
não será o destino em chispada?

Não, não será…
e vejamos a guinada!
Nossos olhos tristes
(rumorejar distante de tudo)

E o tempo a atropelar
outros destinos
declinados:
choro de Deus
no horizonte
sem pressa
– céus do suspiro,
banjo de dor –
todos os rios
sem rumo
em declive
como a vida
ainda a explodir
cá dentro de nós,
onde a atmosfera
é um raio
de saudade
ensurdecida?
Chuvas do amanhã,
nuvens e pássaros…

Não, a nossa prece
emoção audível
– harpa ao longe
e intercalada
por mistérios
é um rosto reflexo,
aventura íntima
de uma travessia
oceânica
e incompleta.

O homem, à deriva,
o mar, o abismo,
as tréguas da alma:
o sol
fogo em debandada,
punhalada do tédio,
a mapear tinteiros
e poemas
extremamente
azuis.

Ó desesperados
ambulantes do amor
como as fugas
romeiras
na paisagem!

======================

TINTEIROS DA PASSAGEM

Tinteiros de pena doída
são os meus nervos
de veia e sangue
contraídos

=====================
TINTEIROS DA MÁGOA

Era tarde, nas escrituras da alma,
noite escura de mágoa,
quando escrevi poemas
sobre a dor
– essa sensação que sempre
me persegue recomposta
de luzes súbitas!
Aves arrebatadas de desejos
e os meus livros que são missais
de sonhos desconsolados:
metafísicas, candelabros, gravidades.

A palavra, ora destino,
é a miséria verdadeira
dos caminhos destampados
de tristezas vulcanizadas:
meu ressentimento terrível,
meus versos de música desigual,
minhas notas de uma solidão supina.
Poeta – trovador dos passos –
espantalho na aurora cravejado
de sombras que verdejam.

 

_______________________________

Poemas de Diego Mendes Souza

_______________________________

* Contatos: diego_mendes_sousa@hotmail.com https://diegomendessousa.wordpress.com