Da dor, entenda-me, falarei apenas da noite passada,

Dos ritos adiados, dos risos quase salvos, flagrados

Nos lábios tímidos, impressos na frialdade do instante.

 

Da noite, contenho-me, falarei tão só da tarde anterior,

Dos casais enamorados, dos amores quase calmos, rescaldos

Nos olhos úmidos, egressos da banalidade do restante.

 

Da tarde, compreenda-me, falarei somente do dia pretérito,

Das sombras esgarçadas, dos luares quase calvos, cravados

Nas madrugadas ínfimas, sonhados na lealdade do amante.

 

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* Poema publicado em 11/08/2013 no Jornal O Mossoroense, Mossoró – RN.

** Clauder Arcanjo é poeta, editor e amigo das águas… Contato: clauderarcanjo@gmail.com