O rato roeu

o resto que

o rei me deu,

e morreu

 

eu sou o rato

e o resto sou eu…

 

(Clébio Duarte)

 

Faço poesia com teus olhos

e com tudo de ti

daquilo que não existe

e do que poderia

 

não sei rimar

não quero rimar

 

rimar é o meu reverso

de poema

 

a não ser que

a rima rime por mim

 

apenas

quero tocar

o mundo

fazer amor com

as palavras

 

como quem

deseja

deseja

deseja

 

(Alessandra Bessa)

 

 

Jogo

 

Apitos atordoados levitam entre espelhos

Uma neblina interrogativa nos chama ante o vazio do viver

Velhos dados evacuados

 

(André Álcman)

 

 

esboço de poema anotado em uma partitura

 

o meu amor

é bandolim

afinado em ré

e o que sou

quando junto dela:

uma valsa

tocada em si bemol

 

(não falo de amor:

toque-desejo-posse

falo de harmonia:

acordes que se completam)

 

(Léo Prudêncio)

 

 

TELEGRAMA

 

SOU AQUELE QUE PROCLAMA

“NUNCA CHEGAREI A MIM”

MAS PRA ME DESDIZER VIM

HOJE NESTE TELEGRAMA

 

(O POETA DE MEIA-TIGELA)

 

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Extraídos de Multirão. Diversos. Organização Poeta de Meia-Tigela. Fortaleza, CE – Brasil: Expressão Gráfica e Editora, 2014.

** Contato: http://opoetademeiatigela.blogspot.com.br/