Fim de um ciclo que começou em outubro de 2017 com o I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco

Todo fim de ciclo causa um vazio, uma sensação de perda do que foi bom, até mesmo uma dor profunda.

Assim afirmava Clarice Lispector, na famosa entrevista de 1977, sobre o vazio do último livro escrito em vida, A hora da estrela:

– Como se eu estivesse falando de dentro do meu túmulo.

Guardadas as devidas proporções, escrevo a minha última participação no Ver Agora, com o mesmo sentimento da escritora nascida na Ucrânia, mas que se sentia a maior das brasileiras.

Talvez sintamos esse vazio porque o texto não é mais nosso, o livro ganhou o mundo e se tornou independente, como os nossos filhos – mães e pais entenderão o que estou dizendo.

Mas os filhos sempre retornam à casa materna/paterna. Os livros também. Lançamos em garrafinhas (hoje em dia virtuais), atingem pessoas leitoras pelo mundo inteiro, e travamos amizades literárias que, de outra forma, nunca realizaríamos.

E o vazio é propício à criação. Lembro sempre em minhas aulas a frase do filme Fim de caso, de Neil Jordan, que o personagem de Ralph Fiennes (Maurice Bendrix) proclama quando está vivendo o amor proibido com a esposa de um diplomata (Henry Miles, interpretado por Stephen Rea), Sarah (Julianne Moore):

– O que escrever na felicidade? Nada!   

Penso que na plenitude, tanto da felicidade quanto da tristeza, não há espaço para a criação. Quem sabe, no vazio que o término da minha participação nesta coluna – para a qual fui gentilmente convidada pelo queridíssimo Sidney Nicéas – abre em minhas veias, um novo ciclo nasça na Escrita Criativa em mim?