httpv://www.youtube.com/watch?v=eX5TplZK9Tg([1])

 

Revoada([2]) 

As mãos que dão tchaus

São pássaros que erguem voos

 

Não seria injusto, para os homens de letras, proibir-lhes divertimentos que se permitem a todas as condições? Pois seus divertimentos, afinal, podem ser úteis, e um leitor com um pouco de bom senso pode tirar mais proveito deles, às vezes, que das obras pomposas de muita gente. ([3]) 

 

Ninguém salva ninguém. ([4]) 

 

Sentimental([5]) 

Um dia ela recebeu um buquê de flores (com abelha e tudo)

Agradeceu e foi para o quarto chorar a dor da florzinha cortada no talo

 

Tal como os deuses dos poetas, que, quando os mortais estão prestes a perder a vida, os aliviam por alguma metamorfose, também eu transformo os velhos que estão à beira do túmulo e os trago de volta, tanto quanto posso, à idade feliz da infância. ([6]) 

 

– A dúvida foi maior que a sua pintura. ([7]) 

 

Dislexia([8]) 

9

Eu queria ser um poeta

De verdade

10

Mas sou um poeta

De mentiras.

 

Nas grandes coisas, é suficiente ter ousado.  ([9]) 

 

– Quando corremos riscos, às vezes perdemos. Quando não corremos riscos, perdemos sempre. ([10]) 

 

Vozes([11]) 

Vinha uma voz subindo a ladeira

“Algodão doce olha aê olha!”

Subia furando os tijolos

“Uma garrafa um algodão doce”

Aquela voz era o sol da Gervásio Pires

(O sol e a chuva, casamento de viúva).

 

Sim, quanto mais os homens se entregam à sabedoria, mais se distanciam da felicidade. Mais loucos que os próprios loucos, eles esquecem então que são apenas homens e querem ser vistos como deuses; amontoam, a exemplo dos Titãs, ciências sobre ciências, artes sobre artes, e servem-se delas como outras tantas máquinas para fazer guerra à natureza. ([12])

 

Colagem

 

Nós somos fragmentos de nós mesmos

                             Procurando onde está o pedaço                                 

Em que podemos nos encontrar          

E repousar de nossa essência.

Eu dou minhas mãos

Para lhe ajudar neste banho

De água rápida, viva, purificante.

Você não me percebe   

Porque minhas mãos

Minhas tão dolorosas mãos

Vos desmontam sempre 

E não há nada que eu possa fazer.

  

Collage

 

Nous sommes des fragments de nous-mêmes

Cherchant la part

Où nous pouvons nous rencontrer

Et reposer de notre essence.

Je donne mes mains

Pour vous aider au bain

De l’eau vide, vive, purifiante.

Vous ne me percevez pas

Parce que mes mains

Mes très douloureuses mains

Vous vous défaites toujours

Et il n’y a rien que je puisse faire.

 ([13]) 

_____________________________________
* Conversação entre o filme Xeque-Mate (Joueuse. França, 2009. 97 min. De Caroline Bottaro. Com Sandrine Bonnaire, Kevin Kline, Jennifer Beals, Dominic Gould), As plantas crescem latindo, de Helder Herik, U-Carbureto, 2009 e Elogio da Loucura, Erasmo de Roterdam, L&PM.

(1) Xeque-Mate. Joueuse. França, 2009. 97 min. De Caroline Bottaro. Com Sandrine Bonnaire, Kevin Kline, Jennifer Beals, Dominic Gould.

(2) Trecho de Que twiter comeu a sua língua, de As plantas crescem latindo, de Helder Herik, U-Carbureto, 2009.    

(3) Trecho de Elogio da Loucura, Erasmo de Roterdam, L&PM.       

(4) Trecho de Xeque-Mate. Joueuse. França, 2009. 97 min. De Caroline Bottaro. Com Sandrine Bonnaire, Kevin Kline, Jennifer Beals, Dominic Gould.     

(5) Trecho de Quem me contou foi quem me diria, de As plantas crescem latindo, de Helder Herik, U-Carbureto, 2009.    

(6) Trecho de Elogio da Loucura, Erasmo de Roterdam, L&PM.    

(7) Trecho de Xeque-Mate. Joueuse. França, 2009. 97 min. De Caroline Bottaro. Com Sandrine Bonnaire, Kevin Kline, Jennifer Beals, Dominic Gould.         

(8) Trecho de Quem me contou foi quem me diria, de As plantas crescem latindo, de Helder Herik, U-Carbureto, 2009.    

(9) Trecho de Elogio da Loucura, Erasmo de Roterdam, L&PM.    

(10) Trecho de Xeque-Mate. Joueuse. França, 2009. 97 min. De Caroline Bottaro. Com Sandrine Bonnaire, Kevin Kline, Jennifer Beals, Dominic Gould.            

(11) Trecho de Desenterrando sapos, de As plantas crescem latindo, de Helder Herik, U-Carbureto, 2009.    

(12) Trecho de Elogio da Loucura, Erasmo de Roterdam, L&PM.  

(13) Colagem (Collage) extraído de Grãos, Patricia Tenório, 2007.