Setembro de 2011. Disposta a seguir os passos de escritores do calibre de Ernest Hemingway, Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir (entre inúmeros outros), me transportei para a Paris do século XXI com o intuito de iniciar a escrita de Como se Ícaro falasse, meu sétimo livro, a releitura do mito do primeiro homem a voar.

Ícaro nasceu do desejo de transformar em ficção os atores e atrizes que, no primeiro semestre de 2011, transmutaram em realidade cênica meu segundo livro, a fábula As joaninhas não mentem (2006) – em 2006, habitei por quase seis meses a mesma Paris, participando de uma oficina literária na Sorbonne.

O processo de criação era relativamente simples: a cada dia, após o café da manhã, saía do hotel de escritores na Rue du Bac, e me deslocava para o Café de Flore, Deux Magots, Café de La Paix… e procurava escrever, em um caderno grande e azul, cerca de dez páginas em dez dias, entre capuccinos e quiches, madeleines, e coups de champagne. À tarde, navegava pelos museus parisienses, sempre em busca de inspiração para a escrita do dia seguinte. Ao chegar exausta à noite ao hotel, passava a limpo no laptop as páginas escritas à mão e fazia as primeiras correções do texto.

O resultado foi um livro que ganhou o Prêmio Vânia Souto Maior da Academia Pernambucana de Letras em janeiro de 2012, lançado em novembro de 2012 e que abriu asas para o mundo inteiro.