“Cearassauro”, peça de Lúcio Cleto em foto de Glauco Sobreira

(Em homenagem a  Lúcio Cleto, cuja obra apresenta como matéria-prima as sucatas da Oficina Mecânica em que o “artista-metalista” trabalhara por mais de dez anos) 

O que a vida rejeita, coisa gasta,
O que se joga fora como inútil,
Ele acolhe e transforma, torna rútilo,
Vívido, e para tanto o pouco basta.

Se à coisa-bruta importa em nada a casta
E a distinção de classe é coisa fútil,
O Artista se revela o mais arguto
Por extrair do parco a obra vasta.

Do latão desprezado surgem bichos,
Gentes, seres em louca profusão,
Mutirão de artefatos que alucina!

Sendo o metal prazer e ganha-pão,
Não é vil que das peças vire nicho
O chão, e o ateliê, uma Oficina!

(Poeta de Meia-Tigela)

(Publicado na edição n. 3 da Revista PARA MAMÍFEROS (Fortaleza/Ano 3/2011) e extraído originalmente do “CONCERTO Nº 1NICO EM MIM MAIOR PARA PALAVRA E ORQUESTRA”, 2º Movimento, Livro 1, Seção 2)

 (Enviado pelo Poeta de Meia-Tigela: poetademeiatigela@yahoo.com.br)