Ensaio sobre o Selo

 

            Inspirado por suas experiências pessoais e motivado por um contato inicial ainda no período escolar em um colégio público estadual em Natal, capital do Rio Grande do Norte, Cleudivan Jânio de Araújo, seridoense nascido em Currais Novos em 1977 e radicado em Natal, despertou seu interesse pela filatelia. Um interesse que se em algum momento parecia esquecido, na verdade estava apenas adormecido e vez por outra despertava agitando os ideais do jovem estudante.

O segundo contato com o selo se deu logo no primeiro trabalho formal onde Jânio de Araújo fora admitido como estagiário na função de atendente em uma Agência dos Correios Franqueada. Este encontro ou reencontro marcou o início da coleção que culminou com sua participação em várias exposições filatélicas chegando a receber importantes premiações em algumas delas.

Mantendo e fortalecendo seu interesse pela filatelia, realizou concurso público para a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos na qual obteve êxito e atua desde 1997 se aproximando ainda mais dos pequenos, coloridos e valiosos pedacinhos de papel que já haviam se tornado objeto de coleção, passando a ser inspiração acadêmica e objeto da pesquisa monográfica que resultou tanto para história da filatelia quanto para história do Rio Grande do Norte e para educação escolar.

No livro “O Rio Grande do Norte nos Selos Postais do Brasil: Filatelia como fonte de conhecimento”, Cleudivan Jânio de Araújo não só propõe a utilização do selo como material didático auxiliar a ser utilizado em sala de aula para fomentar o conhecimento da história do Estado, como também, faz um resgate da história do Rio Grande do Norte através das estampilhas.

O autor inicia sua análise a partir da atividade que diferencia e caracteriza o homem em relação aos demais animais que é a capacidade da representação gráfica como forma de comunicar seu cotidiano e suas impressões, registradas inicialmente através das pinturas rupestres nas cavernas quando ainda vivia como nômade.

A história tem registrado os empreendimentos humanos entre os quais as viagens e aventuras que têm marcado os mais diversos períodos. Jânio explora um pouco destes fatos desde a descoberta da escrita; cita os mensageiros persas e a comunicação entre as satrapias e as viagens do italiano Marco Polo, até chegar “A gênese do selo postal”, na Inglaterra durante a primeira metade do século XIX. Em seguida narra “A origem da correspondência no Brasil”; a implantação do selo postal, onde registra, apresenta e comenta a partir das ilustrações os primeiros selos emitidos em terras brasileiras.

No último capítulo do livro, Jânio de Araújo discorre sobre “O Rio Grande do Norte nos selos postais brasileiros” e como o Estado é representado na filatelia nacional destacando-se conforme sua pesquisa os fatos ligados à aviação, algumas personalidades, eventos, monumentos artísticos e culturais que identificam simbolicamente a terra potiguar.

A publicação deste trabalho pioneiro do ponto de vista do estudo da filatelia no Rio Grande do Norte, (antecedido apenas por notas e artigos publicados em jornais locais) torna-se importante também pelo seu caráter formativo e informativo, podendo servir como ponto de partida não só para professores que desejam utilizar o selo como material didático, como também para futuras pesquisas, valorização e ampliação da divulgação dos potenciais turísticos e culturais do Estado.

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Enviado por David Leite: davidmleite@hotmail.com

** Extraído de Alguns Livros Potiguares, Chumbo Pinheiro. Mossoró, RN: Sarau das Letras, 2014.