Porque não era mais criança. Mas desejava ser. E desejando continuava. Desobedecia, teimosa no arrumar dos talheres.


A mesa posta, e os talheres malpostos. De propósito, para que notassem. É certo, porque devo ser certa. Correta. Perfeita.


Ela joga o cabelo e jogando o cabelo para trás perde culpa. Novamente os talheres malpostos. Porque ainda não era adulta, pedia licença para crescer, o Mundo não permitindo. Havia de se tornar o que já está feito. Pronto. Pleno. Na felicidade não se cria. Na dor, sim. Toca essência, revela mistérios.

(Trecho do livro “Grãos”, de Patricia Tenório)