Escrita Criativa em mim* | Patricia Gonçalves Tenório**

Capítulo 8 – Guetos e liberdade

            Acabo de escrever sobre 132 crônicas: Cascos & carícias e outros escritos,[1] da escritora paulista, nascida em Jaú, Hilda Hilst, para o módulo de agosto de 2021 do curso que ministro desde 2016, de maneira presencial e on-line, Estudos em Escrita Criativa.

            Hilda nos alerta da falta de reconhecimento dos seus escritos pela crítica literária da época – o livro contém crônicas de 1992 a 1995, publicadas no jornal de Campinas-SP, Correio Popular. Mas ela dá a volta por cima da falta de reconhecimento, e autoanalisa (e elogia) o próprio fazer poético, ficcional e dramático – Hilda também escreveu para o teatro.

            Tomando como exemplo essa mulher de coragem monumental – e estamos em março, o mês das mulheres gigantes –, olho para trás na minha caminhada literária e descubro muitos percalços, assim como a dama da Casa do Sol. Poucas mãos acreditaram na minha escrita, e se estenderam em minha direção, feito ondas brilhantes quebrando na largura infinita do mar. Mãos às quais serei eterna e profundamente grata.

            Mas, novamente, busco o sentido da Escrita Criativa em mim. Desde 2004, procuro o conhecimento, através de inúmeras oficinas literárias, ingressando em 2012 na universidade para beber da água viva da teoria e também da prática no mestrado (UFPE) e no doutorado (PUCRS), transcendendo os guetos que os seres humanos inseguros tentam forjar aos que buscam um (pequeno que seja) lugar ao sol, até chegar ao Monte da Resposta Perdida,[2] que foi para mim a PUCRS em Porto Alegre, com o acolhimento que nunca poderei agradecer o suficiente, de Luiz Antonio de Assis Brasil.

            E dar, enfim, um grito de liberdade.

Na defesa da tese Doze horas: o mito individual em uma autobioficção, 08/10/2018, ao lado, à esquerda, do professor e orientador Assis Brasil (PUCRS), da professora e orientadora de mestrado Maria do Carmo Nino (UFPE), da professora Tânia Ramos (UFSC), e, à direita, da professora Débora Mutter (ULBRA) e do professor Bernardo Bueno (PUCRS).

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* Coluna publicada mensalmente nos blogs www.veragora.com.br/tesaoliterario e www.patriciatenorio.com.br.

** Escritora, vinte livros publicados, sendo um em formato vídeopodcast, mestre em Teoria da Literatura (UFPE) e doutora em Escrita Criativa (PUCRS). Contatos: grupodeestudos.escritacriativa@gmail.com e https://www.youtube.com/estudosemescritacriativa       

[1] HILST, Hilda. 132 crônicas: Cascos & carícias e outros escritos. Prefácio: Zélia Duncan. Introdução: Ana Chiara. 1ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2018.

[2] Em A menina do olho verde (2016 e 2019 em 7 por 11, Raio de Sol, Recife – PE), a personagem Manuela sai em busca da Resposta Perdida (no Monte de mesmo nome) para as Perguntas Aleatórias dos seres humanos inseguros, e descobre, com a ajuda de Pedro, a própria Resposta Essencial.