Abralic 2020 | Simpósio Escrita Criativa para o século XXI

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Prezadas(os) professoras(es) e pesquisadoras(es),

 

É com imensa satisfação que convidamos para participarem do simpósio Escrita Criativa para o século 21, que será realizado pela Abralic no período de 22 a 26 de junho de 2020, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É o simpósio de número 28.

As submissões de comunicações para o simpósio devem ser encaminhadas até o dia 29 de fevereiro de 2020 por meio do link: http://www.abralic.org.br/inscricao/comunicacao/

 

 

Atenciosamente,

Luís Roberto de Souza Júnior,

Moema Vilela Pereira,

Patricia Gonçalves Tenório.

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SIMPÓSIO ESCRITA CRIATIVA PARA O SÉCULO XXI

 

Prof. Dr. Luis Roberto de Souza Júnior (PUCRS)

Prof(a). Dr(a). Moema Vilela Pereira (PUCRS)

Prof(a). Dr(a). Patricia Gonçalves Tenório (UNICAP)

 

Resumo: Em 2020, a mais antiga oficina literária do país em funcionamento contínuo completa 35 anos de existência, tendo formado numerosos escritores brasileiros e estrangeiros e estimulado a criação de um primeiro programa completo de graduação e pós-graduação em Escrita Criativa no Brasil. Em um cenário de crescimento da área no país, com aumento de pós-graduações oferecidas e também da procura de interessados por cursos e oficinas de criação literária, é fundamental investigar e debater as pesquisas desenvolvidas em ambiente acadêmico para pensar caminhos para a Escrita Criativa no século XXI.

O presente simpósio pretende investigar os caminhos dessa área de pesquisa relativamente jovem no Brasil. A origem da Escrita Criativa vem dos tempos ancestrais. Reza a lenda que a mãe de Virgílio, o autor da Eneida, sonhou quando grávida com um loureiro. Consultou um mágico e este revelou, para alegria da futura mãe, que o filho seria um grande poeta. Mas o mágico advertiu: ela deveria enviar Virgílio para Roma para que aprendesse com os grandes poetas da época. Escritores do mundo inteiro já falaram de suas técnicas de maneira incansável. Descobrimos nas Cartas exemplares que Guy de Maupassant bebia em Gustave Flaubert. Virgínia Woolf compartilha os segredos da sua escrita em O leitor comum. Henry James derrama a própria técnica em A arte da ficção. Edgar Allan Poe explica, de trás para frente, como escreveu seu poema mais conhecido, “O corvo”, em “A filosofia da composição”. Milan Kundera revela os bastidores de A insustentável leveza do ser em A arte do romance. Orhan Pamuk conta da profecia paterna quanto ao Prêmio Nobel de Literatura que recebeu em 2006 em A maleta do meu pai. Por outro lado, Franz Kafka declara que tudo o que escreveu foi para ser respeitado na sua nunca entregue longa Carta ao pai.

No segundo volume da trilogia Sobre a escrita criativa, o escritor e professor da PUCRS Luís Roberto Amabile traça um panorama da área no exterior: “No meio acadêmico, as oficinas deram origem a um campo de estudos nos Estados Unidos, na década de 1930-40: a Escrita Criativa, que floresceu após a II Guerra. E naquele momento, em meados da década de 1980, quase todas as universidades norte-americanas e muitas europeias possuíam seus programas de Creative Writing. Além disso, em países da América Latina, como México e Argentina, crescia o número de oficinas de criação, mesmo sem vínculo acadêmico” (AMABILE, 2018, p. 257).

No Brasil, data de 1962 um dos primeiros cursos dessa natureza (LAMAS/ HINSTZ, 2002), ministrado pelo escritor e professor Cyro dos Anjos, na Universidade de Brasília (UnB). Quatro anos depois, Judith Grossmann fundou, na Universidade Federal da Bahia, as oficinas de criação literária. Na década seguinte, em 1975, no Rio de Janeiro, ocorreu uma oficina ministrada por Silviano Santiago e Affonso Romano de Sant’Anna (este último participou do Program in Creative Writing, iniciado pela Iowa University). E desde 1985, funciona, de maneira ininterrupta e inserida no Programa de Pós-Graduação em Letras, a Oficina de Criação Literária da PUCRS, ministrada por Luiz Antonio de Assis Brasil.

Chegamos ao cerne do simpósio: quais as possibilidades de desenvolver pesquisas sobre a Escrita Criativa em ambiente acadêmico? Em abril de 2019, Assis Brasil publica o livro Escrever ficção, resultado de sua experiência na área. Em agosto do mesmo ano, na aula inaugural da Especialização Lato Sensu em Escrita Criativa Unicap/PUCRS em Recife, Assis Brasil aponta o crescimento da área no país, com aumento expressivo de Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu e Lato Sensu em Escrita Criativa.

Os alunos-escritores das pós-graduações em EC – tendo como pioneiro no país o caso da PUCRS, com graduação (2015), mestrado (2006), doutorado (2012), cursos de extensão e a especialização em parceria com a Unicap (2019) – se alimentam do fazer artístico dos escritores clássicos e contemporâneos, assim como da teoria da literatura, e outras áreas de conhecimento (filosofia, psicanálise, semiótica), outras artes conjugadas (cinema, fotografia, artes plásticas), que o ambiente acadêmico proporciona e facilita.

Em 21 lições para o século 21, o Ph.D. em História pela Universidade de Oxford, e atualmente professor na Universidade Hebraica de Jerusalém, Yuval Noah Harari, nos alerta da necessidade de estarmos sempre nos recriando, porque, no futuro, as profissões serão líquidas, as vocações, mutáveis, os cenários, imprevisíveis. Nada mais pertinente, nos 35 anos da oficina idealizada e conduzida por Luiz Antonio de Assis Brasil, trazermos para o XVII Congresso Internacional da Abralic “Diálogos Transdisciplinares”, em Porto Alegre, a capital brasileira da Escrita Criativa, trabalhos que abordem as mais diversas possibilidades da área neste século e além.

 

Referências bibliográficas:

AMABILE, Luís Roberto. Escrita criativa, a aventura começa. In Sobre a escrita criativa II. Organização: Patricia Gonçalves Tenório. Prefácio: Bernardo Bueno. Recife: Editora Raio de Sol, 2018.

ASSIS BRASIL, Luiz Antonio. Escrever ficção: Um manual de criação literária. Colaboração de Luís Roberto Amabile. São Paulo: Cia das Letras, 2019.

FLAUBERT, Gustave. Cartas exemplares. Tradução: Carlos Eduardo Lima Machado. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2005.

HARARI, Yuval Noah. 21 lições para o século 21. Tradução: Paulo Geiger. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.

JAMES, Henry. A arte da ficção. Tradução e prefácio: Daniel Piza. Osasco, SP: Novo Século Editora, 2011.

KAFKA, Franz. Carta ao pai. Tradução: Marcelo Backes. Porto Alegre: L&PM, (1919 in) 2007.

KUNDERA, Milan. A arte do romance. Tradução: Teresa Bulhões C. da Fonseca e Vera Mourão. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988.

LAMAS, Berenice Sica; HINTZ, Marli Marlene. Oficina de criação literária: um olhar de viés. 2ª ed. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2002.

PAMUK, Orhan. A maleta do meu pai. Tradução: Sérgio Flaksman. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

POE, Edgar Allan. A filosofia da composição. In Poemas e ensaios. Tradução: Oscar Mendes e Milton Amado. Revisão e notas: Carmen Vera Cirne Lima. 3ª ed. revista. São Paulo: Globo, 1999

WOOLF, Virgínia. O leitor comum. Tradução: Luciana Viégas. Rio de Janeiro: Graphia, 2007.

Minibiografia dos coordenadores:

Luís Roberto de Souza Júnior (Amabile) (Assis/SP, 1977) estudou Teatro e Jornalismo na USP e trabalhou na imprensa paulistana por mais de uma década. É mestre em Letras e doutor em Teoria da Literatura na PUCRS, onde atualmente cursa o doutorado e é professor da graduação em Escrita Criativa. Teve contos e peças incluídos em antologias no Brasil, em Portugal e na Espanha. O amor é um lugar estranho (Grua, 2012), seu livro de estreia, foi finalista do Prêmio Açorianos 2013. O livro dos cachorros (Patuá, 2015) havia anteriormente vencido a chamada para publicação do Instituto Estadual do Livro do RS. Também colaborou com Luiz Antonio de Assis Brasil em Escrever ficção: Um manual de criação literária, que a Companhia das Letras lançou em 2019. Contato: luisrobertoamabile@gmail.com

Moema Vilela Pereira é Doutora em Escrita Criativa pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Professora adjunta na Escola de Humanidades da PUCRS, lecionando nos cursos de Escrita Criativa e de Letras. Uma das coordenadoras do curso de Especialização Lato Sensu em Escrita Criativa Unicap/PUCRS. Mestra em Letras – Estudos de Linguagens (Linguística e Semiótica) pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e em Letras (Escrita Criativa) na PUCRS. Graduada em Comunicação Social (Jornalismo) pela UFMS. Autora dos livros Ter saudade era bom (2014), finalista do Prêmio Açorianos, Guernica (2017), Quis dizer (2017) e A dupla vida de Dadá (2018). Publicou contos, poesias, artigos e ensaios em diversas antologias e revistas literárias brasileiras.

Contatos: moemavilela@gmail.commoema.pereira@pucrs.br

Patricia Gonçalves Tenório (Recife/PE, 1969) escreve prosa e poesia desde 2004. Tem dezesseis livros publicados, com premiações no Brasil e no exterior, entre elas, Melhor Romance Estrangeiro por As joaninhas não mentem (em outubro, 2008) e Primo Premio Assoluto por A menina do olho verde (em outubro, 2017), ambos pela Accademia Internazionale Il Convivio, Itália); Prêmio Vânia Souto Carvalho (2012) da Academia Pernambucana de Letras (PE) por Como se Ícaro falasse, e Prêmio Marly Mota (2013) da União Brasileira dos Escritores – RJ pelo conjunto da obra. Mestre em Teoria da Literatura (UFPE), doutora em Escrita Criativa (PUCRS), organizadora e ministrante dos Estudos em Escrita Criativa (2016 a 2019.1). Uma das idealizadoras e coordenadoras do curso de Especialização Lato Sensu em Escrita Criativa Unicap/PUCRS, e ministrante, em março de 2020 (juntamente com a Profa. Moema Vilela Pereira), da disciplina Empreendedorismo Literário.

Contatos: patriciatenorio@uol.com.brwww.patriciatenorio.com.br