Especialização em Escrita Criativa – Unicap/PUCRS e EEC de Junho, 2019

Sonho de uma Escrita Criativa

Patricia Gonçalves Tenório[1]

Junho, 2019

 

Em abril de 2017, eu tive um sonho. O sonho não era só meu, mas também do escritor, professor e orientador de doutorado Luiz Antonio de Assis Brasil.

Sonhei em trazer para Recife um pouco do tanto que apreendia sobre a arte do bem escrever ficção, poesia, ensaios teóricos com os colegas e professores do Programa de Pós-Graduação em Escrita Criativa da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, a PUCRS.

Então acontecem: o I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco com o apoio da Bienal Internacional do Livro e da PUCRS, de 13 a 15 de outubro de 2017; os quinze encontros temáticos e mensais dos Estudos em Escrita Criativa (os EECs) na Livraria Cultura de Recife e de Porto Alegre, em 2018, novamente com o apoio da PUCRS e também da UBE-PE; os cinco encontros (temáticos e mensais) dos EECs em forma de curso de Extensão na Universidade Católica de Pernambuco, a Unicap, no primeiro semestre de 2019.

Muito além das instituições citadas neste artigo, existem pessoas que acreditaram no sonho, juntaram-se a ele, quer seja apoiando e/ou participando como escritores convidados, quer seja escrevendo textos de qualidade durante os encontros – mesmo sendo no tempo exíguo de quinze minutos. Textos que demonstram a necessidade da escrita como ferramenta na elaboração e na conexão dos sentidos, áreas de conhecimento e artes.

E o sonho se faz real com a aprovação da primeira Especialização Lato Sensu em Escrita Criativa do Recife sob a parceria da PUCRS e da Unicap, no segundo semestre de 2019. Parceria que trará os escritores gaúchos Assis Brasil, Bernardo Bueno, Moema Vilela, Altair Martins, Arthur Telló, Natalia Polesso, Julia Dantas para se juntarem com os nossos Lourival Holanda, Robson Teles, Adriano Portela e essa sonhadora que vos escreve.

Porque, como já dizia Glauber Rocha, e que, desde 2004, recito tal qual um mantra: “O sonho é o único direito que não se pode proibir.”

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[1] Escritora, doutora em Escrita Criativa (PUCRS, 2018), ministrante do curso de Extensão da Unicap Estudos em Escrita Criativa (2019.1), e participante, com Profs. Robson Teles e Moema Vilela, na coordenação da Especialização Lato Sensu em Escrita Criativa PUCRS/Unicap (2019.2). Contatos: patriciatenorio@uol.com.br e www.patriciatenorio.com.br

Artigo DP 240619

Diário de Pernambuco, coluna Opinião, 24/06/2019

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Inscrições: http://www.unicap.br/home/especializacao-em-escrita-criativa-unicap-puc-rs/

 

Estudos em Escrita Criativa – Unicap – Junho, 2019

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NO DIA PRIMEIRO DO MÊS DO SÃO JOÃO

Bernadete Bruto

Contato: bernadete.bruto@gmail.com

 

Muitas aulas se passaram, como num lindo sonho, na rua o príncipe! Os livros indicados se acumularam na cabeceira da cama e depois de lidos organizados na prateleira como uma joia rara guardada numa caixa. Muitas listas de tarefas se fizeram presentes marcando o que teríamos para estudar, para aprofundar. Para o ato de escrever, a condição era no agora e em quinze minutos!

Nesse período, muitos encontros de preferências, de alma, de conhecimento foram todos conduzidos pela luz da lamparina, daquela menina encantada, que projetando na tela, de forma tão atraente, nos fez percorrer uma grande viagem pelo mundo da literatura, e durante todo esse tempo, como hoje, na retrospectiva, meu coração preenchido suspirou:

 

NO SILÊNCIO DA CRIAÇÃO

O SUSSURRO DO VAZIO

BROTANDO DO CORAÇÃO.

 

Recife, 1º de junho de 2019.

 

 

Elba Lins

Contato: elbalins@gmail.com

 

Língua Inglesa

(Estados Unidos, Inglaterra e Canadá)

Portugal

Brasil

Leste Europeu

Ásia

ATWOOD

PESSOA

ALLAN POE

 

Inglaterra, Estados Unidos, Canadá

Viajo pela distopia de Atwood

Pela poesia de Dickinson

Pelo mistério de Edgar Allan Poe

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AS LISTAS

Faço listas sem fim.

Me embriago ao som do Jazz

Faço listas

De romances, poemas, ensaios…

Me embriago de mar

Mergulho em Pessoa

Nos mares de Sophia

Descubro um mundo novo.

Chego um dia à Bahia

Tão perto de Pernambuco

Que recebeu Clarice.

Depois, por terra, caminho…

Buscando ouro e Minas

As terras, os prados de Adélia.

E mesmo que, de minha terra,

Eu possa ver o mundo todo

Recebo uma mensagem

E singro em direção ao resto do mundo…

 

 

A Patricia Gonçalves Tenório

Quinze Minutos

João Alderney Pires

Contatojoaoalderney@hotmail.com

 

O cara trabalhou a vida toda, desde os quinze prestava serviços à empresa industrial do pai, fornecedora de pluma de algodão, quando ia às indústrias de tecido pernambucanas resolver assuntos negociais, eram quase vinte existentes, à época, todas fechadas, hoje, devido ao surgimento das fibras sintéticas e ao avanço tecnológico chinês redundando em concorrência impraticável. Naquele tempo os tecidos preferidos pelo grande público eram de algodão, o afamado ouro branco, o nordeste era produtor mundial dos mais respeitáveis, o sertão viveu período afortunado, porquanto.

Aos dezoito deu o grito de independência, fez concurso e conseguiu excelente emprego no Banco do Brasil, tida, até então, como carreira de futuro promissor, hoje nivelada com os demais bancos.

Único dos doze filhos a não depender do “pai rico” para se emancipar e se graduar.

Depois deu guinada, fez concurso para Auditor Tributário o que lhe garantiu posição de destaque. Nesse ínterim, haja atividades paralelas: comerciante; pequeno industrial; empresas de serviços, numa delas representante exclusivo em PE/ PB de fabricante de elevadores sociais do Rio Grande do Sul.

A grande cartada veio na qualidade de corretor de imóveis quando conseguiu, com a cara e a coragem, comprar lado de rua nobre, terreno invadido pertencente ao INSS, quando pleiteia e consegue baixar o valor da entrada, estabelecido no edital de concorrência, de vinte para dez por cento do preço mínimo. Entretanto tudo que possuía era o apartamento residencial que representava apenas cinco por cento. Bem, devolver os cinco por cento conseguidos por empréstimos com amigos e bancos, indenizar quase cinquenta posseiros e pagar os noventa por cento restantes ao vendedor estatal são outra história.

Ao mesmo tempo, cursou e concluiu Ciências Econômicas na UFPE.

Família, três filhas do casamento, separação, filho de novo relacionamento, nova separação, a partir daí, haja casamentos. A idade avança.

Aquele homem que sempre respirou negócios, dá adeus a eles, agora, pra sempre.

Apaixonou-se pela arte poética, escreveu cerca de mil poemas.

Escreveu contos.

Edita livros.

Com recursos próprios, construiu museu em honra à memória do pai.

Hoje, só vê à sua frente literatura, poesia, criações.

Que bom que existe Raimundo Carrero. Que bom que existe Patrícia Tenório. Que bom que eles disponibilizam cursos de Escrita Criativa. Salve!

 

 

Fada de xale

Osmar Barbalho

Contatoosmarbarbalho@gmail.com

 

Perguntei ao vigilante onde seria o Seminário de Escrita Criativa? Ele fez uma cara que não entendeu e perguntou “…é o Seminário?…é no final do corredor!” apontando com o braço. Eu tinha acabado de tomar um espresso e vi que o corredor era longo. Não parecia que depois daquela porta no final do corredor iria se falar de Escrita Criativa. Com o pique que o espresso me deu caminhei, abri a porta e vi várias pessoas de costas entretidas com o conteúdo das pastas. Tinha várias cadeiras com pastas. Eu quase desisto de fazer o Seminário. Li no JC (Jornal do Commércio) sobre o Seminário e fui comprado pelo o que ele se propunha a entregar. Quando enviei o e-mail solicitando a inscrição veio a primeira frustração: não havia mais vagas. Ficaria na lista de espera. No outro dia: “…tem vaga, mas você precisa vir a Unicap para fazer a inscrição e pegar o boleto para pagar…”. O primeiro boleto não consegui pagar. O próprio caixa do Itaú informou que o código de barras não estava “…cadastrado!”. Me deram o segundo boleto. Também não. O terceiro, também não… Com muita simpatia, a Coordenação disse que eu poderia começar o Seminário e depois pagava. Quando Mirella veio me abordar, toda solícita, para assinar a Lista de Presença, o meu nome não estava lá! Mas eu tava lá e era tarde para desistir. A minha decisão foi certa porque a cada sábado dos cinco previstos, ouvi várias vezes em vários momentos as palavras “Amo” ou “Amei” da Fada que sempre estava de xale!

Aí eu AMEI!!!

 

 

Para Patricia

Raldianny Pereira

Contato: raldianny.pereira@gmail.com

 

O desassossego de Pessoa. De cada pessoa.

O mar de Sophia. O mar de Recife. O mar de todos nós.

O personagem de Assis. Um Brasil de personagens.

O teatro de Binho. Todos nós feitos personagens.

O que ficou.

O que ainda falta?

Poemas de Szymborska, que faltei.

Amor à primeira vista. Meu amor à primeira vista, que foi embora.

Futuros estudos

em escrita criativa.

Porque o livro… da vida

está sempre aberto. No meio.