Estudos em Escrita Criativa – Abril, 2019

Os Estudos em Escrita Criativa de Abril, 2019 na Unicap foram indescritíveis.

Desembarcamos de volta ao Brasil no Recife, Pernambuco, com a ukraniano-brasileira Clarice Lispector, desbravamos as Minas Gerais de Adélia Prado, Guimarães Rosa, e trouxemos do pampa gaúcho um dos pais da Escrita Criativa no país, Luiz Antonio de Assis Brasil, com o primeiro lançamento nacional do seu Escrever ficção.

E fomos brindados, mais uma vez, com textos maravilhosos dos nossos participantes.

O quarto encontro dos nossos Estudos, que acontece no próximo sábado 04/05/2019 na Unicap, teremos a honra de viajar para o Leste Europeu com Milan Kundera e Wislawa Szymborska, e de receber dois escritores maravilhosos para falarem do seu fazer-fazendo da Escrita Criativa. Geórgia Alves (PE) e Arthur Telló (RS).

Desejo uma boa viagem e leitura, grande abraço,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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O tao de Beatriz

Bernadete Bruto

Contato: bernadete.bruto@gmail.com

 

Frase: ‘Tudo havia passado, porque nada passa,  é agora que tudo é.”

SINOPSE

Beatriz é uma mulher madura que mora em Recife junto com sua filha Tita e as netas gêmeas, Bela e Flor,  vivendo um relacionamento conflituoso. Beatriz  é uma mulher madura que tem o costume de conversar com o livro aberto. Um dia ela observa que o livro tem uma com diferente e ao colocar a mão na página, descobre um portal que faz retornar ao passado. Faz algumas viagens, até que o livro escreve o final, não dando mais acesso para essas viagens. Beatriz tinha descoberto o segredo do agora.

Inicio :

Abre o livro, nele o desenho de Bodidharma e o pensamento sobre o agora…!isso me lembra aquela frase da Adélia Prado: Tudo havia passado, porque nada passa,  é agora que tudo é.”- pensa Beatriz.

Meio:

O livro

Faz 3 Viagens ao passado em tempos diferenciados.

O agora

Final:

Beatriz abre o livro naquela manhã, lê a frase escrita em letras douradas. O desenho do DARUMA que inicialmente estava com os olhos em branco, agora está preenchido. Ela compreende o ocorrido. Fecha o livro e respira o momento eterno.

 

 

Buscando o sentido da vida

Elba Lins

Contato: elbalins@gmail.com

 

 

Oh lume!

Oh luz sagrada!

Alumia o meu caminho

Já percorri estradas

Já Escalei montanhas

Sem nada encontrar

Cheguei a rios

Mas tive medo de mergulhar

Dancei cirandas fados  e tangos

Me perdi nos passos

Do eterno buscar

Fiz poemas

Escrevi dor

Fugi por ruas escuras

Com alma em brasa a me perturbar

Falei línguas, teci histórias

Deixei de falar

Me escondi de mim

Garimpei pelos caminhos

Pelos atalhos, rios, riachos

Buscando pedras preciosas e gema brilhante

Não pude alcançar

Parei de correr

Parei de andar

Olhei para dentro de mim

E encontrei a semente

Da flor de criar

 

EU CAÇADOR DE MIM

Inalda Dubeux Oliveira

Contato: inaldaoliveira@uol.com.br

 

A tarefa do curso de Escrita Criativa hoje era escrever,  em 15 minutos, uma síntese para um conto, mas o que me inspirou foi a música de Milton Nascimento e fiz a reflexão abaixo.

Caçador de mim: caçada interminável. A minha começou há 79 anos e não parece estar mais próxima ao “mim”. Cada etapa acrescenta uma nova camada a um núcleo multifacetado.

Comecei, como todos nós,  buscando “ser parte de”:  ser aceita, ser amada, pertencer. Para isso, achei que tinha que ser do jeito que os outros queriam: certinha, previsível, obediente, correspondendo a todas as expectativas.  O pronome que me regia era o PORQUÊ. Tudo tinha uma razão, uma explicação racional, pois se assim não me comportasse, não seria aceita. Durou algum tempo essa etapa, até a panela de pressão explodir. Briguei com tudo e todos. Acho que até chutei o cachorro!

Fui mudando e passei a perguntar PARA QUE, buscando minhas motivações. “É preciso necessidade para as coisas acontecerem” . Esta frase de Maria Adélia Prado foi importante nesta minha reflexão, pois ao perguntar “para que”, eu encarava meus sentimentos. Fiz análise, busquei me conhecer, e pouco a pouco, as coisas começaram a acontecer. Joguei fora muita tralha que carregava no meu barco de vida e passei a buscar novos valores. Fiquei mais leve, mais autentica. Passei a rir mais. Descobri a beleza de poder dizer o que quero de uma maneira cordial, que não fere os outros, mas que respeita minha forma de ser.  Continuo “certinha” em parte, pois o núcleo está lá, mas perdi muitos de meus medos.

Passei do “para que” para o “PORQUE NÃO?” Porque não iniciar um mestrado aos 58 anos? Porque não ir fazer um intercâmbio na França aos 73?  Por que não escrever algumas crônicas, mesmo não sendo escritora? Porque não encarar novos desafios?

E continuo buscando: continuo caçando meu “mim”.

Mas, como no meu percurso, descobri a importância do humor, quero terminar com uma anedota que remete ao tema.  Sou psicóloga e, como quase toda nossa categoria, somos chegadas a falar “psicologês” (palavra inventada por mim) quando nos encontramos. Uma vez, indo para um cinema com uma amiga engenheira, paramos na casa de uma psicóloga, pois era seu aniversário. Lá estavam várias outras psicólogas e o papo era “a busca da identidade”. Pra frente e pra trás, como todo o psicologês, que não acabava nunca. Ao final, impaciente, a engenheira perguntou: Por que tanta confusão? Não dá para fazer uma 2ª via?

Talvez, com a 2ª via, minha caçada termine.

 

Clarice, Betânia, Mary

– Quinze Minutos –

João Alderney

Contato: joaoalderney@hotmail.com

 

Assisti à entrevista de Clarice Lispector, creio que a última. Mulher verdadeira, profunda, talentosa, produtiva, criadora de acervo literário em poesia e em prosa que todos encanta, tantos apaixona, a despeito de ser pessoa simples, direta. Declara, na ocasião que receber estudantes em casa é prazer, alegria.

Não é ligada em fama, em glória, é ligada na vida.

Ex minha, obcecada pela escrita de Clarice, apaixonada pela literata precocemente encantada, contou-me certa ocasião sobre encontro casual da cantora Maria Betânia, em aeroporto, com a autora de A Hora da Estrela e, vibrante como é, quais seus fãs consigo, fez alarde ao chamar de “Minha deusa” e ajoelhar-se aos pés da ídolo, motivo de constrangimento e repulsa da escritora que tinha na discrição fundamento da personalidade.

Amo Clarice, amo Betânia, não sei fazer análise dessa cena. Espontaneidades não devem ser passíveis de julgamento.

Enquanto a diva de Restos de Carnaval diz, naquela entrevista, estar falando do próprio túmulo, lembrei de MaryElizabeth Frye que verseja: “Não chorem no meu túmulo, não durmo lá, nem tampouco me abrigo; sou brisa, trago o perfume da flor; sou brilho de diamante, sou luz do sol que germina a semente. Não parem lá, eu não morri.”

Mary falou por si, falou por Clarice, falou por Betânia, as três vivem, tornaram-se imortais!

 

Osmar Barbalho

Sinopse Vuco vuco

Contato: osmarbarbalho@gmail.com

 

Sinopse (de um conto)

Uma Rua que é um “vuco vuco”! (o mesmo que confusão, suruba)

Resumo

Uma Rua é o personagem. Ela é importante porque tem vida do início do dia ao final da tarde. Uma Rua ocupada por vendedores  ambulantes. Muitos camelôs. Se vende de tudo. Água Mineral, roupas íntimas, amoladores de tesouras, produtos chineses e acessórios para celular. E muito mais… Uma pessoa homem sai as 5h da sua casa longe dessa Rua. Ele tem de chegar, ir no depósito onde estão guardados os seus produtos e chegar cedo na rua para ocupar o seu  espaço. A Rua não está em nenhum guia. Mas ela é intensa, porque outros fazem o mesmo movimento. Durante o dia o personagem trabalha gritando o que vende. Se aborrece com seus vizinhos. Ele vê pessoas, muitas pessoas passarem pela Rua para irem ao Mercado de São José, comprar sulanca ou ir tomar a bênção de São Félix na Penha (Basílica da…). Vive o ciclo do dia que acaba quando não existe mais ninguém na Rua. Às vezes sai vitorioso porque vendeu, apurou! Às vezes irritado porque não vendeu nada!

Em tempo: esta Rua é a Tobias Barreto, fica no bairro de São José cortando o Camelódromo, uma de suas extremidade é a Casa da Cultura e a outra é a Rua das Calçadas.

 

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Recife, 06/04/2019

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Foto João Alderney

Escrita Criativa

 

Olha onde se entrosou João Alderney

em meio à estrelas da literatura

mas, há planaltos e planícies, sei

estava lá em busca de cultura.

 

O Assis Brasil, o Carrero, a Patrícia

a fina flor da Escrita Criativa

não se pode perder a hora propícia

nem desdenhar da energia impulsiva!

 

Salve! Oh, bons mestres, vivas e carinho

o intrínseco mister de vossas almas

traz tesouros imersos. É o caminho

do nascer de outros astros. Haja palmas!

 

Obrigado, queremos lhes dizer

satisfeitos, sinceros, com prazer!

 

João Alderney, 2019.

 

Próximo e último encontro dos EECs 2019

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