Uma escrita coletiva | Patricia Gonçalves Tenório*

Dizem que a Odisséia, um dos textos atávicos da literatura ocidental, foi recolhida de histórias da narrativa oral e inscrita sob a égide de Homero.

Em 2013, estava eu na Universidade Federal de Pernambuco como ouvinte/aluna especial na disciplina A poética do ensaio, sob os cuidados de Prof. Lourival Holanda (PE). Estava me preparando para a seleção do Mestrado em Teoria da Literatura, linha de pesquisa Literatura e Intersemiose, orientada pela Prof. Maria do Carmo Nino (PE). Contava com colegas brilhantes e acolhedores, que, além de teóricos, eram belíssimos poetas, ficcionistas. Entre eles, Ricardo Nonato (BA), Antonio Aílton (MA), Hudson Silva (PI), Cassiana Grigoletto (RS), Fernando Ivo (PE), André Santos (RJ), Vinícius Gomes (PE), Ingrid Rodrigues (PE), Adriano Portela (PE), Cilene Santos (PE), Joanita Baú (PA), Fernando de Mendonça (SP/PE), e tantos outros, compartilhando os ensinamentos de Holanda, e nos provocando. Estimulando a escrita de textos teóricos, mas, principalmente, poético-ficcionais. Nascia na época o Coffee-Break, grupo de Facebook onde criávamos, quase que diariamente, poemas, contos, de maneira individual, mas mergulhados nessa alma coletiva.

Em 2016, me lancei a outras pairagens. Dessa vez como ouvinte/aluna especial no doutorado do Programa de Pós-graduação em Escrita Criativa da PUCRS, ingressando como aluna vínculo em 2017. Sob a batuta do Prof. Luiz Antonio de Assis Brasil (RS) nas suas Oficinas de Criação I – Narrativa, conheci poetas e ficcionistas do Brasil inteiro, mas principalmente do Rio Grande do Sul, tais como Alexandra Lopes da Cunha (DF/RS), Gustavo Melo Czekster (RS), Annie Müller (RS), Luís Roberto Amabile (SP/RS), María Elena Moran (Venezuela/RS), Daniel Gruber (RS), Guilherme Azambuja Castro (RS), Tiago Germano (PB/RS), Débora Ferraz (PE/RS), Júlia Dantas (RS), Andrezza Postay (RS), Camilo Mattar (RS), Fred Linardi (SP/RS), Gisela Rodriguez (RS). E tantos outros, e muitos mais, que também me acolheram e descortinaram esse infinito de possibilidades da Escrita Criativa em Ambiente Acadêmico no país.

Duas cidades. Dois universos tão próximos graças ao amor à literatura, ao desejo extremo do bem escrever. E esses meus dois amores me impulsionaram a tentar uní-los, a realizar em outubro de 2017, em parceria com a XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, na figura de Rogério Robalinho (PE), e com a PUCRS, nas figuras dos Profs. Assis Brasil, Maria Eunice Moreira (RS) e Cláudia Brescancini (RS), o I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco, trazendo autores gaúchos para conhecer, e trocar, e começar a construir juntos com autores pernambucanos esse meu sonho-ponte de uma Pós-graduação em Escrita Criativa no Recife.

Para tentar tornar real aquilo que prefigurei em A menina do olho verde (2016) no capítulo A cidade universitária: “Foram derrubados os muros da cidade. O Muro Alto não existia mais. Plantaram jardins conjuntos, escreveram livros para uns aos outros ler. Era bom aquele começo, com a esperança no coração”.

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* Patricia Gonçalves Tenório (Recife/PE, 1969) escreve prosa e poesia desde 2004. Tem onze livros publicados, com premiações no Brasil e no exterior, entre elas Melhor Romance Estrangeiro por As joaninhas não mentem (em outubro, 2008) e Primo Premio Assoluto por A menina do olho verde (em outubro, 2017), ambos pela Accademia Internazionale Il Convivio, Itália); Prêmio Vânia Souto Carvalho (2012) da Academia Pernambucana de Letras (PE) por Como se Ícaro falasse, e Prêmio Marly Mota (2013) da União Brasileira dos Escritores – RJ pelo conjunto da obra. Mestre em Teoria da Literatura (UFPE) e, a partir de outubro de 2018, doutora em Escrita Criativa (PUCRS). Contatos: patriciatenorio@uol.com.brwww.patriciatenorio.com.br