“Crônicas de um sereno em duas rodas”* |Tibério Pordeus

Apenas um escritor

 

Digam o que disserem afinal, com raras excessões, “o inferno são os outros”, mas não me sinto um fracassado e sim apenas um escritor; um desajustado, um deslocado, na maior acepção que esses adjetivos possam exprimir, ou seja, alguém que não foi, e nem será, moldado para este mundo, este lugar horrível, este pesadelo onde não encontro guarida, moradia ou “loca”.

A verdade é uma só, sou um poeta que escreve poemas, sonetos e crônicas, incapazes de gerar rendimentos, suficientes para minha sobrevivência nesta sociedade de proativos neuróticos e de sucesso.

Não adianta a necessidade, aquela senhora carrancuda, me empurrar para outras profissões laborais, porque eu não vou mudar, faz parte da minha essência, do meu ser e do meu espírito.

Portanto, sou um assumido “marginal” sim, pois não me encaixo nesta “engrenagem” que se diz dinâmica e saudável, quando na verdade é doentia, repleta de indivíduos bipolares, esquizofrênicos, egocêntricos, egoístas e insensíveis. Uma manada de normóticos rumando para sua auto destruição.

Já que não posso mudar esta humanidade que habita este planeta condenado, relatarei aos que vierem depois minha profunda decepção com os “humanos, demasiado humanos”.

 

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Extraído de Crônicas de um sereno em duas rodas. Tibério Pordeus. Recife: Ed. do Autor, 2018.