Maudie e Mamãe em 2017 | Bernadete Bruto*

(…) as esperanças vão conosco à frente e os desenganos vão ficando atrás…

(Trecho do poema CONTRASTE de Pe. Antonio Tomaz)

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Talvez, por “coincidência”, tenha assistido neste dia, 14 de dezembro de 2017, ao filme Maudie (2016) ou fiz uma associação imediata entre ela e minha mãe (Gracinha), porque sinto saudades da mamãe e muito mais hoje. Se viva estivesse seria o dia de seu aniversário, por isso a saudade bate mais forte hoje e vem com lágrima saltando nos olhos.

No filme, um primor de fotografia, que mais parece um cartão postal, a protagonista, uma mulher (artista), com corpo e mãos retorcidos pela artrite, transforma a vida cotidiana em arte, colorindo todo o espaço ao redor.  Esta mulher se chamava Maud Dowley e existiu realmente, tornando o filme ainda mais belo.

Bem ao final do filme, Maud responde a uma amiga sobre o que a motiva: Eu não quero muito. Enquanto eu tiver um pincel na minha frente eu não ligo. (…) É sempre mais a plenitude da vida já enquadrada. Bem ali.

Maudie e a visão sobre a vida, assim como os olhos brilhantes de minha mãe perante a existência. Ah, Dona Gracinha, como Maud, você enxergou a beleza na tela da vida, que tanto nos descrevia e para nós “pintava” todo santo dia: Repare naquele céu tão azul! Naquele mar, não é lindo? Esse vento que sopra. Este sol tão brilhante!  E quando não recitava pela casa o poema de Pe. Antonio Tomaz, de cuja frase fazia quase um mantra, muitas vezes pedia para tocar no violão a música Porque Deus é amor  para cantarmos juntos:

 

♪♪ Você sabe por que o céu é azul sem confim,

você sabe por que o mar nunca há de secar,

você sabe por que o sol  de sempre brilhar,

porque Deus é amor…♫

 

Assim como Maud, Gracinha, minha mãe, uma artista, nos mostrava a beleza da vida enquadrada bem ali à nossa frente e acredito, conseguimos, ainda hoje, contemplar a vida, assim colorida, porque foi assim, para nós, através de sua voz, pintada. Gratidão, Mamãe!

 

Recife, Salve, 14 de Dezembro de 2017!

 

Gracinha 14/12/1917

+ 20/08/2005

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* Bernadete Bruto (Recife/PE, 1958) é Bacharel e Licenciada em Sociologia, com Especializações na Área de Recursos Humanos e Direito Administrativo. É Analista de Gestão do Metro do Recife e Poeta Performática. Membro da União Brasileira de Escritores-UBE, da Associação do Amigos do Museu da Cidade do Recife – AMUC, parceira da Cultura Nordestina Letras e Artes e participa de grupos como a Confraria das Artes e Grupo de Estudos em Escrita Criativa. Tem quatro livros publicados, três coletâneas de poesias, Pura Impressão (2008), Um Coração de Canta (2011) e Querido Diário Peregrino (2014), e  o livro infantil bilíngue A menina e a árvore  (2017). Participou de antologias, assim como diversas apresentações poéticas e performáticas. Contatos: bernadetebruto@gmail.com e www.bernadetebruto.com