Diálogos | Bernadete Bruto*, Carlos Sierra**, Elba Lins*** & Patricia Gonçalves Tenório

Hoje

Eu escrevi um

Poema

Que você disse

Que não gostou

Que você disse

Que não provou

O sabor da

Eternidade

 

Mas o que é

A eternidade

Para quem nunca

Amou?

Para quem jamais

Sonhou

Com uma vida

Lado a lado

Com uma história

Dentro de uma

História

Que o abismo

Do amor

Nos dá?

 

Que a vertigem

Do amor

Coloca

Em nossa

Imaginação fértil

Em uma

Composição tardia

Que nasce

Agora das minhas mãos

Assim

Como um poema

Morto

Assim

Como um beijo

Torto

Que você jamais

Provou

 

(“Poema sujo”, Patricia Gonçalves Tenório, 09/08/2017, 20h29)

 

Se perfeita a linha

Traçada com sentimento

e conhecimento

É poema limpo

Límpido

Lindo

Estampado

Na pura caligrafia

Do consentimento

De quem

Careceria?

 

(“Sobre um Poema Limpo”, Bernadete Bruto, 14/08/2017, 12h01)

 

Quando o último homem

Descobriu que estava só

Que a sua raça seria esquecida

Teve a necessidade de dar testemunho

De escrever a bíblia

Enxergou nos frutos luminosos

Do passado

E descobriu que sua longa vida

Foi uma forma de suicídio

Uma linha mal costurada

No tecido do infinito

 

(“Linha”, Carlos Enrique Sierra, 14/08/2017, 08h31)

 

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O poema

Gritou comigo

Lutou

Bradou

Para que

Eu não o deixasse

Preso

Na gaveta

 

Veio o vento

E o espalhou

Nos quatro cantos

Do planeta

A semente

Lutou

Brotou

E nasceram

Flores raras

Poemas em folhas

Claras

Iluminando o meu

Dia

Aliviando a minha

Noite

E me fazendo

Dormir

 

(“Flores raras”, Patricia Gonçalves Tenório, 16/08/2017, 06h56)

 

Para Patricia por seu poema “Flores raras”

O poema gritou com ela

E seus ecos chegaram até mim

Eram estampidos

Os sons de gavetas se abrindo

Gavetas jogadas ao chão

De onde saiam

Folhas coloridas

Repletas de poesias

Que voavam pela casa

Fugiam pelas janelas

Batiam em portas fechadas

E se faziam borboletas

Coletando pólen

De novos poemas

De novas flores

Que se espalhavam

Pelo mundo

Que coloriam o cinza dos tristes

O cinza das horas

E davam novas cores

A quem ousasse tocá-los.

 

(“De poesia, cores, borboletas e gavetas violadas”, Elba Lins, 20.08.2017, 09h50)

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* Bernadete Bruto (Recife/PE, 1958) é bacharel e licenciada em Sociologia, com especializações na área de Recursos Humanos e Direito Administrativo. É analista de Gestão do metrô de Recife e poeta performática. Membro da União Brasileira de Escritores-UBE, da Associação dos Amigos do Museu da Cidade do Recife – AMUC, parceira da Cultura Nordestina Letras e Artes e participa  da Confraria das Artes e do Grupo de Estudos em Escrita Criativa. Tem três livros publicados, todos coletâneas de poesias: Pura impressão (2008), Um coração que canta (2011) e Querido diário peregrino (2014), participação em antologias, assim como diversas apresentações poéticas e performáticas. Contatos: bernadetebruto@gmail.com e www.bernadetebruto.com

** Carlos Enrique Sierra Mejía (Itagüí, Colômbia, 1967) é poeta, narrador, crítico, jornalista cultural e editor colombiano. Obras publicadas, entre outras: Habitación desnuda (Fondo Editorial Ateneo, Medellín, 1997), La estación baldía (Secretaría de Educación y Cultura de Medellín, 1998), Noticias del Espejo (Transeúnte Editor, Medellín, 2008), Do amor e da guerra, Antologia poética Português – espanhol (Mangue Editora, Recife, 2015). Prêmios:  Prêmio de Poesia León de Greiff, Alcaldía de Medellín, 1997, Prêmio de Poesía Ciudad de Itagüí, 2006, Beca de investigação em crítica literária, Ministério de Cultura, 1998, Menção “Melhor comentarista de livros de Colômbia”, Câmara Colombiana del Libro, (pelos seus trabalhos no jornal El Colombiano), 1994, Beca de Investigação em Artes Escénicas, Colcultura, 1994, Prêmio de Estímulos a Publicações Culturais, da Alcaldía de Medellín, 2007 y 2009. Como artista plástico foi co-diretor  do grupo de Performance R-Acción e atualmente, trabalha com o escritor Sidney Nicéas no grupo Mangue Cultural onde tem dado continuidade a esse trabalho. Contatos: sierracarlosenrique@gmail.com

*** Elba Santa Cruz Lins (Monteiro/PB, 1957) é formada em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Pernambuco (1979), fez MBA em Gestão de Negócios (EAD) pela PUC-PR. Trabalhou durante 34 anos na área de Telecomunicações da CHESF (Companhia Hidroelétrica do São Francisco). Atualmente aposentada, dedica-se à escrita. Fez curso de Contação de Histórias no Zumbaiar (Recife). Faz poesias e há um ano participa do GEEC – Grupo de Estudos em Escrita Criativa, sob a coordenação de Patricia Tenório. Lançará em Outubro, 2017 seu primeiro livro, Do outro lado do espelho: O feminino em estado de poesia. Contatos: elbalins@gmail.com