A volta de um”A menina do olho verde” | Patricia (Gonçalves) Tenório

A ALVORADA

(Extraído de A menina do olho verde, Recife: Editora Raio de Sol, 2016)

Os dois se olhavam através da Alvorada. Manoela, no deserto, adivinhava o rosto de Pedro na janela da casa de professora Mariana, de onde ele não saía mais. E Pedro sentia a menina do olho verde com o toque dos raios de Sol em seu rosto envelhecido.

Eles haviam envelhecido, cada qual no próprio Tempo. Mas possuíam ainda um coração de criança, um sentimento de menino e menina da cachoeira. Sabiam-se um ao outro pertencentes, sabiam-se um ao outro congruentes, e venciam aquele abismo de Tempo e Espaço só com a força do pensamento.

O pensamento os salvara de não se sentirem sós. Apesar da distância, apesar do silêncio, sabiam estar entre si conectados, entre si apaixonados, mesmo havendo o Mestre Desconhecido. Manoela não se lembrava mais do encontro com o Mestre Desconhecido. Parecia que havia acontecido com outra pessoa, com uma estranha, que buscava a origem do prazer. Mas o prazer pode assumir tantas formas, e mais se aproxima da plenitude quando se aproxima do Amor.

A menina-mulher resolveu subir o Monte das Respostas Perdidas. Não podia mais adiar. Que houvesse perigos, riscos e informações contraditórias: a todos enfrentaria. É preciso escolher um destino, escolher um caminho a seguir. E então, sem medo, sem qualquer arrependimento, subir o Monte, passo a passo, pé a pé.

Fez para si um sapato confortável para o Monte escalar. Era feito de fibras de algodão colhido no deserto que agora deserto não era mais. Manoela vivia na abundância e a abundância de sentido buscaria. Não mais temor de não ser suficiente, pois suficiente nunca se é. Nos aproximamos do suficiente, roçamos o suficiente, mas a nós alguma coisa sempre faltará.

E é nessa falta que se insere a Criação. É na falta mais intensa, na falta mais sofrida que a Palavra se apresenta como a salvação derradeira. Manoela sabia disso, aprendera isso naqueles dias no deserto, na solidão mais profunda. Aprendeu que veio só e voltará só para detrás da cachoeira. Mas antes de voltar para o lugar de onde veio havia uma missão a cumprir. E essa missão se completa em comunidade, não se completa só.

A subida do Monte era íngreme e lembrava Manoela uma subida anterior. Havia se esquecido de fatos antigos, de histórias que vivera como se houvesse escrito em um outro livro. E esse livro esquecido, o Livro da Vida Anterior da menina do olho verde precisava ser resgatado, para ao Passado entender, ao Presente aplicar, no Futuro encontrar o seu destino.

Na metade da subida parou para descansar um instante. Era dali muito bela aquela vista. O Espaço Imaginário criado por Manoela. E era tão bom criar… Um calor brotou de seu peito ainda jovem, ainda cheio de esperança da Resposta Perdida encontrar. E a encontraria, a menina afirmou no meio daquele Espaço, no meio da subida árdua que havia começado na Alvorada.

 

L’Alba

(Estratto dal’La bambina dagli occhi verdi, Milano: IPOC, 2016, Traduzione: Alfredo Tagliavia)

I due si guardavano attraverso l’Alba. Manoela, nel deserto, indovinava il viso di Pedro in finestra a casa della maestra Mariana, da dove non era più uscito. E Pedro sentiva la bambina dagli occhi verdi attraverso le carezze dei raggi di Sole sul suo viso invecchiato.

Erano invecchiati, ognuno nel proprio Tempo. Ma avevano ancora un cuore da bambini, il sentimento di quel bambino e di quella bambina del ruscello. Sapevano che appartenevano l’uno all’altra, sapevano che erano fatti l’uno per l’altra, e vincevano quell’abisso di Tempo e Spazio solo con la forza del pensiero.

Il pensiero li salvava dal sentirsi soli. Nonostante la distanza, nonostante il silenzio, sapevano stare insieme, innamorati, anche se c’era il Maestro Sconosciuto. Manoela non si ricordava più dell’incontro con il Maestro Sconosciuto. Sembrava fosse successo con un’altra persona, con un estraneo, che cercava l’origine del piacere. Ma il piacere può assumere tante forme diverse, e si avvicina alla pienezza quanto più si avvicina all’amore.

La bambina-donna salì il Monte della Risposta Perduta. Non poteva più rimandare. Ci fossero stati pericoli, rischi, e informazioni contradditorie : avrebbe affrontato tutto. È giusto scegliere un destino, scegliere un cammino da seguire. E dunque, senza paura, senza nessun pentimento, scalare il Monte, passo dopo passo, piede dopo piede.

Preparò per sé scarpe confortevoli per scalare il Monte. Erano fatte di fibra di cotone colto nel deserto che ora deserto non era più. Manoela viveva nell’abbondanza e cercava abbondanza di senso. Non più timore di non essere all’altezza, perché mai lo si è. Ci avviciniamo alla completezza, sfioriamo la completezza, ma qualcosa sempre ci mancherà.

Ed è in questa mancanza che si inserisce la Creazione. È nella mancanza più intensa, nella mancanza più sofferta che la Parola si presenta come la salvezza estrema. Manoela lo sapeva, lo aveva imparato in quei giorni nel deserto, nella solitudine più profonda. Imparò che era venuta dal ruscello e là sarebbe tornata. Ma prima di ritornare aveva una missione da compiere. E questa missione si compie in comunità, non da soli.

La salita al Monte era ripida e a Manoela ricordava una salita precedente. Si era dimenticata di fatti antichi, di storie che aveva vissuto come fossero state scritte in un altro libro. E questo libro dimenticato, il Libro della Vita Precedente della bambina dagli occhi verdi doveva essere riscattato, per capire il Passato, applicarlo al Presente, incontrare il suo destino nel Futuro.

A metà della scalata si fermò per riposare un istante. Da lì la vista era molto bella. Lo Spazio Immaginario creato da Manoela. E era così bello creare… Un calore bruciò il suo petto ancora giovane, ancora pieno di speranza di trovare la Risposta Perduta. E l’avrebbe trovata, la bambina disse in mezzo a quello Spazio, nel mezzo dell’ardua salita che aveva cominciato all’Alba.

 

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(A menina do olho verde na Livraria Cultura do Shopping RioMar – Recife – PE)

* BookTrailer:

* Livro físico: www.livrariacultura.com.br/p/a-menina-do-olho-verde-46286777?id_link=8787&adtype=pla&gclid=CJKZ2MX7mM4CFYUGkQodyYcEWw

* Livro virtual: www.livrariacultura.com.br/busca?N=102281&Ntt=A+menina+do+olho+verde