Projeto Pasárgada nos jardins da Academia* | Marly Mota**

A chuva ameaçando cair não dispersou os que participavam na Academia Pernambucana de Letras, da tarde festiva em celebração ao dia Nacional do Escritor. Um trabalho transparente, de colaboração, que reuniu centenas de livros para distribuição que estavam guardados, ocupando grande espaço fora das estantes. A iniciativa de fazer circular edições de qualidade e conteúdo diverso partiu do esforço de uma equipe de excelência, sob o comando da presidente Margarida Cantarelli, ao lado de Luzilá Gonçalves e Ana Maria César. Na saudação ao público, Margarida esclareceu a oportunidade de partilhar e difundir esse acervo, enfatizando que as obras foram editadas com o dinheiro público. Um trabalho dadivoso ver a alegria das pessoas para obterem um kit ou uma um das muitas sacolas coloridas com livros, para suas estantes.
Nos jardins da Academia, cadeiras enfileiradas davam boas-vindas aos acadêmicos, convidados e representantes do poder legislativo de Pernambuco e de diversas instituições na área da educação e cultura. A Secretaria de Educação do Estado, através da Escola Técnica Estadual José Alencar Gomes da Silva, localizada no Janga, Paulista, levou grupo com vinte jovens alunos uniformizados, exibindo em faixa: “Biblioteca Geninha da Rosa Borges – Sarau Poético Projeto Pasárgada.” Bela homenagem à minha amiga Geninha, escritora, grande atriz, história viva do teatro Pernambucano.

Sob a orientação da professora Fabrícia Gomes, que usando da palavra com clareza e competência fez surgir o lirismo na apresentação do grupo, confraternizando na intimidade com Pasárgada e Manuel Bandeira. Poesias da grande Cecília Meirelles, despertou a imagem de minha mãe, ambas nascidas em 1901 pela semelhança, olhos azuis e pelo canto: “Canto porque o momento existe.” Os poemas de Solano Trindade, recitado em seguida. Ouvimos o nome de Mauro Mota e, a sua poesia dita por uma bela estudante, acelerou o meu coração. Lembro-me: “Vou em busca do ter ido / Desapareço no espaço / Fico de novo perdido / Procuro-me, e não me acho. /” Emocionada, fui ao encontro do jovial grupo, declarando-me viúva de Mauro Mota numa extensão de alegria, de abraços, de retratos tirados com todos eles. Para Fabrícia Gomes e a turma dos jovens interpretes, farei chegar, até vocês, um CD de Mauro Mota por ele mesmo. Já escurecia, quando me despedi daquele final de tarde, nos jardins da Academia.

 

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* Publicado em 23/08/16 no jornal Diário de Pernambuco.

** Marly Mota é Membro da Academia Pernambucana de Letras.  Contato: marlym@hotlink.com.br