O que estão falando sobre “A menina do olho verde”*, de Patricia (Gonçalves) Tenório**

Comentário sobre a su“A Menina do Olho Verde”

 

A história infantil, ingênua e romântica a princípio evoluiu como mensagem abrangente, universal e filosófica. Os substantivos comuns apresentados com letras maiúsculas, para diferenciá-los, deram personalidade e importância a coisas como Tempo, Espaço, Passado, Presente, conferindo originalidade à obra.

Manoela, “A Menina do Olho Verde”, não come e nem gasta tempo com coisas humanas, não é gente, é uma menina-anjo, uma espécie de profeta que traz mudanças transformadoras. Pedro, o seu amor é um menino-adulto, que tem crises existenciais.

A perda da inocência de Manoela com o Mestre machuca Pedro, que também não é totalmente humano, pois vê e sabe de coisas à distância. O tempo não corre igual para todos. Ora acelera, ora corre devagar. Os personagens da pequena cidade parecem não ser corpóreos, sendo espectros, que de alguma forma interferem no andamento da história dos meninos e depois dos jovens, Pedro e Manoela. Ele é filho do carteiro, aquele que traz livros. Estes, assim como a cultura e a professora Mariana são fatores de modificação da sociedade e isso fica claro. A obra acaba sendo, em parte, uma ode ao saber.

[…]

Engana-se quem pensa que o livro, por ter poucas páginas, desenhos e personagens algo mitológicos possa ser classificado como superficial. Após “O Fim” ter outro capítulo chamado “O Início” demonstra que uma boa história não se acaba, mas permanece, assim como o mistério e a curiosidade despertados por ela.

“A Menina do Olho verde” contém ensinamentos que não podem ser facilmente decifrados, ou banalizados. É para ler, reler e reter.

Mara Narciso, Escritora, Montes Claros – MG, 15/07/16

 

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Ler o seu “A menina do olho verde” foi um gosto. A ideia de escrever romance no molde de fábula e como se fora para criança, é sempre muito atraente. Acresce, a meu ver, nessa sua retomada, a grande sacada de trazer à cena problemas característicos da atualidade, com os quais, portanto, somos obrigados a conviver. Assim os muros altos, assim a tendência ao pensamento único, a rotina quase “fordiana”, etc. de nossa vida em sociedade. Mas você cria os personagens que: extrapolam o muro; pensam e se portam de modos diversos; acolhem o diferente, etc. e constroem outro mundo, para o que foi preciso desconstruir o anterior. Tudo expresso através de bem construídas metáforas, tecendo uma estória inteligente, séria e, ao mesmo tempo, leve, delicada, graciosa e instigante, para alegria de nosoutros, os adultos-crianças de todas as idades. Seu livro é lindo (inclusive capa e diagramação) e – permita-me – eu adoraria tê-lo escrito. Se prosear soubesse.

Parabéns e siga em frente, mocinha! Abraço-a,

 

Rizolete Fernandes, Poeta, Natal – RN, 05/07/16

 

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Patricia (Gonçalves) Tenório, minha caríssima,

a capa dura em P&B, com um pequeno detalhe (título em verde que te quero ver[de]), já nos indica o esmero que se faz no texto – na leitura já iniciada, nesta viagem meio-naif, nesta viagem pelas verdes angústias e fantasias de uma menina que se faz maior que a pedra [Pedro] em que, de certo modo, se apóia nas primeiras horas da ‘clorofila invadindo o mundo’.

Agradeço pelo mimo: objeto e escrita.

O objeto: esmero gráfico-estético que as minhas mãos não cansam de acariciar. Meus olhos lambem com voracidade o miolo geo-figurativo.

a escrita: já estou a viajar…

Caríssima, agradeço pelo embelezamento do mundo criado pelas suas obras.

Parabéns! Evoé!!!

 

Luciano Bonfim, Professor & Poeta, Sobral – CE, 29/06/16

 

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Nossa. Hoje fui ao lançamento do livro “A menina do olho verde”, da minha amiga e também colunista do portal Parlatório, Patricia Tenório. De volta pra casa, fui direto à rede e me agarrei com a obra; motivado, confesso, principalmente pela provocação da segunda capa “Este livro pode ser lido como se fosse um filme de 90 minutos”. Aceitei o desafio e o li em 70.

Ao término da leitura, lembrei-me de uma frase da minha professora e orientadora Ermelinda Ferreira: “Os escritores não escrevem mais sobre o amor”. Este pensamento acabou de morrer em minha mente. O livro de Patricia, se fosse para ter um título clichê, seria “O livro do amor”. A obra é fantasticamente linda; parece que a autora se transportou para outra esfera e a produziu. Personagens incríveis, metáforas e alegorias muito bem planejadas e estrategicamente colocadas. Na leitura parece que eu também encontrei, finalmente, um entendimento para o movimento da estrela cadente: “Elas se esvaziam de sentido. Não têm por que existir. Não têm por que persistir presas ao Mapa Astral. Elas se abandonam de si mesmas, são estrelas suicidas. E se jogam no abismo do Céu para a Terra, assim, num piscar de olhos”. (TENÓRIO, 2016, p. 39).

Bom, não vou escrever mais nada. Esse é um livro que não precisa de crítica, precisa ser lido. Por favor, não deixe de degustá-lo. Ah… e a ilustração de Duda Tenório também é sensacional. Você vai amar! Parabéns, Patricia!

 

Adriano Portela, Professor, Produtor Cultural & Escritor, Recife – PE, 29/05/16

 

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Só agora “parei”, deixei a agitação,  para me deter na leitura do seu livro.

Você tem um dom de contadora de histórias. Desde a leitura de “As Joaninhas Não Mentem” que me chamou a atenção o tom, o ritmo, que você imprime nos seus escritos. …ao ler parece que estamos contando (ou ouvindo uma história). Tanto é que ao iniciar esta leitura da “A Menina do Olho Verde” fiquei lembrando da minha professora de contação de histórias e sua forma de escrever, cheia de fantasia e  criatividade.

Naveguei nesta bela fábula que tão bem reflete a vida, a maneira como nos posicionamos diante dela e como só nós podemos desenhar o que queremos para nós. Se queremos nos conformar com a cidade onde todos são iguais,  onde todos têm olhos pretos, onde tudo acontece da forma prevista ou se teremos coragem de desafiar esta situação de comodidade e antes que nossos olhos se tornem pretos como os dos demais, decidamos sair e buscar a resposta que está em “Nós Mesmos”.

Lembrei em alguma parte dela o final do poema de F. Pessoa (Eros e Psiquê)

“…e viu que ele mesmo era a princesa que dormia…”

Somente nós temos condições de decidir se queremos buscar a resposta nos rituais da Ancestralidade como Manoela ou recriar estes rituais da forma mais pertinente a si como fez Letícia. O importante é seguirmos nosso caminho,  reconhecê-lo, não deixar que ele se perca entre os tantos caminhos que a sociedade nos tenta impingir.

Grande abraço.

Elba Lins, Poeta, Recife – PE, 10/02/16

 

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Capa A menina do olho verde - Menor

* BookTrailer:

* Livro físico: www.livrariacultura.com.br/p/a-menina-do-olho-verde-46286777?id_link=8787&adtype=pla&gclid=CJKZ2MX7mM4CFYUGkQodyYcEWw

* Livro virtual: www.livrariacultura.com.br/busca?N=102281&Ntt=A+menina+do+olho+verde 

 

** Patricia (Gonçalves) Tenório escreve prosa e poesia desde 2004. Tem dez livros publicados, O major – eterno é o espírito (2005), As joaninhas não mentem (2006), Grãos (2007), A mulher pela metade (2009), Diálogos e D´Agostinho (2010), Como se Ícaro falasse (2012),  Fără nume/Sans nom (Ars Longa, Romênia, 2013)), Vinte e um / Veintiuno [Mundi Book, Espanha, lançado em 11 (Lisboa) e 13 (Madri) de abril de 2016], e A menina do olho verde (livros físico e virtual lançados na Livraria Cultura RioMar Recife em 28 de maio de 2016 e na Livraria Cultura Bourbon Country Porto Alegre em 11 de junho de 2016).  Defendeu em 17 de setembro de 2015 a dissertação de mestrado em Teoria da Literatura, linha de pesquisa Intersemiose, na Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, “O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: um romance indicial, agostiniano e prefigural”, com o anexo o ensaio romanceado O desaprendiz de estórias (Notas para uma Teoria da Ficção), sob a orientação da Profª Dra. Maria do Carmo de Siqueira Nino, a ser publicada no segundo semestre de 2016 pela editora  Omni Scriptum GmbH & Co /Novas Edições Acadêmicas, Saarbrücken, Alemanha. Contatos: patriciatenorio@uol.com.br e www.patriciatenorio.com.br