“Acalanto – Entre o amor e o desencanto”* |Siomara Reis de Teixeira

Utopia

 

Talvez fosse o desconhecido a lançar ao léu

A inexatidão de sentidos e emoções torpes.

Ignotas rotas de um destino, onde os caminhos

Contorcem-se em labirintos espelhados,

Refletindo um brilho obtuso e hipnotizador.

São os ímpetos do âmago despertados

Pela cruel mágica da criada ficção

A idealizada satisfação do humano alienado

Construindo redes a fecharem-se em ação

Ao redor do ideal, outrora projetado!

 

 

Ciclos

 

Não é o ponteiro dos minutos

Do relógio na parede

Que lentamente gira, fechando as horas.

Observe com atenção!

São os ciclos da vida

Não importando agora, ato ou ação.

Se a atuação foi contida

Ou de grande explosão.

Concluída, a nova fase convida

A consagrar nova emoção!

 

 

Teu corpo

 

Do teu corpo

Sei de cor cada pedaço

Sem sequer fechar os olhos

Relembro de ti, cada traço.

Pois mapeado estás

Em minha mente,

Cada minúsculo espaço teu

Como herança na lembrança

De todas as vezes em que fostes meu.

 

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Acalanto – Entre o amor e o desencanto. Siomara Reis de Teixeira. Madri, Espanha: Mundi Book Ediciones, 2015.