Pontes*

Patricia Tenório

06/11/2010

“Dei conta de repente de que gostava de palavras, de que queria mexer com palavras. Não só com a casca delas, mas com a gema também.”

 “Seria a vivência de um escritor, e não um olhar de empréstimo, o que poderia imprimir voz própria ao que ele escreve. Só isso.”

 “Só desequilibrados é que descobrem que este mundo não tem importância. O bom senso seria uma prisão.”

 “Em literatura, quando você lê um texto que não toca o coração, é que alguma coisa está indo pras cucuias. Na minha opinião.”

 “Mas quando um escritor faz a exposição da sua teoria, para suprir de significados uma poética que não consegue falar por ela mesma, acontece aí um evidente desajuste. A poética pretende ser revolucionária por desestruturar a linguagem convencional, só que seu autor, para explicá-la, acaba se socorrendo da mesma linguagem que usamos pra pedir um copo d´água, o que é o fim da picada.”

 “Obsceno é toda mitificação. Obsceno é dar um tamanho às chamadas grandes individualidades que reduz o homem comum a um inseto.”

“Os temas que elegemos, o repertório de palavras que usamos, além de outros componentes da escrita, tudo isso passa pela triagem dos nossos afetos.”

“Hoje minha vida é fazer, fazer, fazer, no âmbito da fazenda evidentemente, num espaço em constante transformação, o que não deixa de ser uma outra forma de escrever.”

Pontes, Patricia Tenório

Filmando em Cannon 7 D

Editado em Final Cut Program

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* Diálogo entre “Entrevista com Raduan Nassar no Cadernos Literários”, Instituto Moreira Salles e Pontes, de Patricia Tenório.