Baladas para violão de cinco cordas* | Léo Prudêncio**

Balada para violão de cinco cordas

I

 

essa é a história de chico

mais um dentre tantos

que ardem por justiça

chico era homem casado

(de uma mulher só)

pai; amigo; xadrezista; filósofo e sonhador

cansou sem grandes alardes da vida

dizia que

– viver é uma atividade repetitiva e cansativa

Um belo dia

disse à mulher e aos filhos que iria se encontrar com

Deus.

no mesmo dia

voltando para casa

chico ao atravessar a avenida

foi engolido por um caminhão

não resistiu

 

Os poetas

(poema redundante)

I

 

os poemas são as chaves para se desvendar

a vida e a vida segue o ritmo das ondas do mar

(clichê não?)

as palavras existem para criar mundos

foi com a palavra que Deus criou o mundo

por falar em Deus

o poeta é um profeta enviado por Jah

 

eu e minha pequena

(na vitrola: George Harrison: I’d Have You Anytime)

I

 

me eternizo nos olhares que deixo

me eternizo nas roupas que visto

e te eternizo por te levar em mim aonde eu vou

(eu e minha pequena

fazendo um doce dueto em um fim de tarde)

agora tem chovido excessivamente ao final da tarde

é por isso eu ouço aquelas velhas canções de roque

 

(dos anos 60)

 

e em cada acorde ouço velhas

rebeldias de jovens (hoje idosos)

carregamos sem querer

a inevitável certeza de que somos

momentâneos

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Poemas extraídos de Baladas para violão de cinco cordas, Léo Prudêncio. Guaratinguetá: Penalux, 2014.

** Léo Prudêncio me foi apresentado pelo Poeta de Meia-Tigela. Contato: poetademeiatigela@yahoo.com.br