Círculo Poético de Xique-Xique (BA) – Maio, 2012 | July Ane

Desalento

 

Tanto de mim

Tantos versos.

Eu, aquela moça que nem sabe.

 

As palavras são um porto

Que aprisionam sentimentos

Trajetórias e retornos

De caminhos inseguros.

 

Unhas roendo a cova

De batalhas invencíveis,

 

Vencíveis

São os ossos

De tragédias tão curtas.

 

Roubada de mim

 

Quero lavar o rosto,

Esconder as feridas.

 

Quero sentir o gosto,

Quero viver mais vida.

 

E aquele retrato, e aquele medo

E o gozo que antes tinha?

 

O tempo roubou-me a filha

O direito,

A menina.

 

 

Do meu não-lugar…

 

Do desassossego

Brotam-se palavras,

Dos versos,

Insinua uma vida.

 

E desta casa tão grande…

 

Só ouço os espaços percorridos

As lembranças forjadas…

 

O eco de partilhas

Sonhos estraçalhados,

O sol descendo na tarde,

E lá se vai…

Mais um dia.

 

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* Enviado por Ricardo Nonato: ricnonato2000@yahoo.com.br