Cilene Santos* & Roland Barthes

Manhã de Sol

No meu quintal
O varal virou uma vitrine
Viva e colorida.
Esvoaçam as roupas
Diáfanas.
Nuvens brancas, baixinhas,
Passeiam
E confundem-se ao sol
Com a alvura dos lençóis
Que voam felizes.
Num momento te vejo
Entre as asas flutuantes
Do linho.
Ah! Uma delas tem a cor
Do mel do teu olhar.

 

“Leio em “Bouvard et Pécuchet” esta frase, que me dá prazer: “Toalhas, lençóis, guardanapos pendiam verticalmente, presos por pregadores de madeira a cordas estendidas”.”

(O prazer do texto, Roland Barthes. São Paulo: Perspectiva, 2008, p. 34)

 

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* Contato: cileneportugues@hotmail.com