“Vupa”* | José Juva

deixo na boca

a sugestão da tempestade

 

lúcido como uma navalha

só ponta

 

anoto

os haicais

da chuva

 

e recolho

o horizonte

do antebraço

 

estendido sobre o cais.

 

perdido

entre não ter asas

e não saber nadar

 

coisas da pele

 

a fresta

a farpa

 

ver com o corpo

o corpo iluminado

 

azul somente.

 

estar nu

nu como um dente

 

estar coisa

cio S/A

 

estarestar

 

estar éter.

 

 

eu quero o verde de todos séculos.

 

tragam rosa

colher na boca e outros poemas

o silêncio dos minerais azuis

e o abraço cego

do poeta aproximado

 

acendam um lampião

e risquem a minha cabeça

no chão da linguagem iluminada

 

bebam o vinho sangue

essa palavra doce

que escorre cedo

pela foice da lembrança

 

durmam longe da noite

na véspera do abismo

 

eu ficarei no incêndio.

 

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* Poemas extraídos de Vupa, de José Juva. Livrinho de Papel Finíssimo Editora. Recife, 2012.

Contatos: jose.juva@hotmail.com e www.josejuva.blogspot.com