“O Major – Eterno é o Espírito”*| Patricia Tenório**

 

Capa Major José Tenório - Patricia Tenório - Maior

 

 

 

 

 

 

 

O Major – Eterno é o Espírito

Biografia Romanceada, 2005

Edição do Autor

288 páginas

 

“A apaixonante história do Major José Tenório, um Dom Quixote que desbravou as fronteiras da Zona da Mata canavieira de Alagoas e deu origem a uma das mais influentes famílias da região: a Família Tenório.

A viagem da neta, Patricia Tenório, às suas raízes, e a descoberta de que a plenitude só é possível quando encontramos a quem pertencemos…”

 

Presente***

Novembro, 2005

 

Sempre gostei muito de livros. Ler, escrever esteve entre minhas atividades prediletas. Isso foi tão marcante na minha vida que em 2001 resolvi abrir uma livraria – a Domenico Livraria. Funcionou de março de 2002 a março de 2004. Lidei com autores, editores, artistas, mestres da área.  Eram ministradas no auditório da Domenico cursos, palestras, oficinas. Mas havia um em especial que me despertava uma inveja – saudável, é verdade. A inveja de ver o Mestre e seus pupilos conversando sobre a arte das palavras. A Oficina Literária Raimundo Carrero.

O dia-a-dia da livraria me consumia as horas e impedia que mergulhasse naquele universo mágico. Mas como em tudo na vida, aconteceu na hora certa. Ao fechar a Domenico, bateu uma vontade enorme de escrever. Era compulsivo, um caos se instalou em meu ser e tornou-se inevitável. Ou escrevia ou a morte. Meio trágico assim, mas que descobri, no primeiro dia de aula na Livraria Nobel, Agosto de 2004, ser essa mesma dor, agonia que todo escritor passa. Então as torneiras se abriram, e jorrou de tudo. Minha vida, angústias, questionamentos. E com toda a paciência de um sábio, Carrero foi me guiando, ensinando o caminho das pedras, um caminho tortuoso na maioria das vezes, em que somente o autor pode descobri-lo, fracasso e glória própria.  A eterna orgia.

Dezembro de 2004. Antologia – livro coletânea de diversos contos, alunos da Oficina Raimundo Carrero, Editora Bagaço, Recife, Pernambuco. A constatação de que é possível, existe uma luz realmente no fim da teimosia nas palavras. Não havia mais volta, minha sina estava traçada, desejava mais do que tudo na vida. Escrever, escrever, escrever. Participei com o conto “Lentes Cor-de-Rosa”. Nessa mesma época recebi o convite de minha família e a idéia do jornalista e consultor cultural Ênio Lins de escrever uma biografia – escolhi que fosse romanceada – do meu avô, em homenagem ao seu centenário, aconteceria no ano de 2005. Além do prazer em fazer meu primeiro livro, existia uma missão maior que era unir a família em torno de seu patrono, por isso também o Memorial, a Fundação, com a participação de Carmem Lúcia Dantas, museóloga, Wilma Nóbrega, bibliotecária, Roseane Torres, psicóloga, Gisela Abad, designer gráfica.

Novembro de 2005. O livro está pronto. Ele é meio o que vejo, meio o que sou. Vivi o eterno sofrimento de lapidar, levar o ferro ao torno, moldar, lutando contra inimigos inexoráveis: o tempo, o aprendizado do ofício e a maturidade artística.  Escrito em prazo menor que o ideal (seis meses sendo dois meses para cada etapa, entrevistas, escrevendo,  revisão), fiz a escolha de sacrificar a perfeição em detrimento do presente que gostaria de dar para ele, “O Major”, meu querido avô, em 05 de Novembro de 2005 – data de seu aniversário. O meu melhor presente – o que podia, tinha condições no momento.

Mas o maior presente de todos, sem dúvida alguma, foi minha volta à casa paterna. O ser humano só é pleno, inteiro quando retorna às suas raízes, quando descobre a quem pertence, aceitando as diferenças, orgulhando-se do mesmo sangue, raça, obstinação, teimosia, força. Fé. Abraçar minha família, pais, irmãos, primos, tios não tem, jamais terá preço. É um prazer único, para sempre carregado em lugar especial de meu mais que íntimo âmago.

E a meu avô, o Major José Tenório, presente em cada mínimo instante dessa minha primeira viagem no mundo das palavras…

 

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O Major José Tenório

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*Menção honrosa em ficção no Prêmios Literários Cidade do Recife, 2005.

** Patricia Tenório escreve poesias, romances, contos desde 2004. Tem oito livros publicados: O major – eterno é o espírito, 2005, biografia romanceada, Menção Honrosa no Prêmios Literários Cidade do Recife (2005);  As joaninhas não mentem, 2006, fábula, Melhor Romance Estrangeiro da Accademia Internazionale Il Convivio, Itália (2008); Grãos, 2007, contos, poemas e crônicas, Prêmio Dicéa Ferraz – UBE-RJ (2008); A mulher pela metade, 2009, ficção; Diálogos, contos, e D´Agostinho, poemas, 2010; Como se Ícaro falasse, ficção, Prêmio Vânia Souto Carvalho – APL-PE (2011), lançado em novembro de 2012. Recebeu o Prêmio Marly Mota, da União Brasileira dos Escritores – RJ, pelo conjunto de sua obra, e lançou em Paris Fără nume/Sans nom, poemas, contos e crônicas em francês e romeno, pela editora romena Ars Longa (outubro de 2013). Mantém o blog www.patriciatenorio.com.br, no qual dialoga com diversos artistas, em diversas linguagens. Atualmente (2014) se prepara para cursar o mestrado em Teoria da Literatura, linha de pesquisa Intersemiose, na Universidade Federal de Pernambuco – UFPE com o projeto O retrato de Dorian Gray: um romance indicial, agostiniano e prefigural. Contato: patriciatenorio@uol.com.br.

*** Presente é a última página de O Major – Eterno é o Espírito.