Tempo do quase nada* | David de Medeiros Leite**

A François Silvestre

 

Somos rebentos (que desgastam

as mãos da parteira),

expelidos por um tempo de frivolidade.

 

De um tempo

onde o ideal

– redundantemente utópico –

sucumbe a forças indolentes

causando náuseas

pelo apequenado

e  confuso  conhecimento.

 

De um tempo

ornado de pragmatismo

protótipos estereótipos

– pobres em efígies –

desalterando

corações serenos em selvagens.

 

De um tempo

que nos faz confundir

visões ampliadas

com  pororocas  humanas.

 

De um tempo

onde a  mansidão

transfigura-se em  birutas de ares revoltos

nos levando como papelote usado

por parecermos pouco ou quase nada.

 

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Publicado em http://www.jairolima.org/#!david-de-medeiros-leite/c1ytf

** David de Medeiros Leite é escritor, poeta e editor. Contato: davidmleite@hotmail.com