Poemas* de Bernadete Bruto**

 

CERTA FRAGILIDADE

 

Algumas vezes

falta-me aquele ombro

onde possa descansar

encostar a cabeça

depois da labuta.

 

Certos momentos

um abraço

para sentir-me segura.

Acolhida!

 

Tantas vezes

um beijo carinhoso

e um corpo gostoso

para me fundir na humanidade

e entregar sem reservas

toda essa fragilidade!

 

 

ALMA VIAJANTE

 

Quando surge a saudade de alguém

Meu coração não cabe neste apartamento

É só lamento!

Falta espaço na casa

Não encontro paradeiro

Sinto-me água numa represa

Presa em tanta incerteza

Na varanda para fora

uma alma para o alto

ampliada inteira

onde só se encontra consolo

ao contemplar as estrelas!

 

VERSOS AMENOS

 

Ainda escreverei

Versos desencanados

Engraçados

Porque a vida é assim!

No geral

Há muita graça

No particular

Fica a desgraça

Sem sentido

Tudo enrustido

Inventado

Porque no certo

Na verdade

Tudo é belo a fluir

E é tão simples

E tão banal

Que dá vontade de rir!

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* Poemas extraídos de Um coração que canta, Bernadete Bruto. Recife: Comunigraf, 2011.

** Bernadete Bruto  é  poetisa, cantora, atriz… e uma grande amiga! Contato: bernabruto@hotmail.com