Mulher Pernambucana | Sônia Carneiro Leão*

 

A mulher pernambucana, quase uma santa

alimenta a sua prole com seu sangue

quando seca o mangue.

 

Não dá mole, não faz por pouco.

Espera a vez e dá o troco.

 

Atenta, tinhosa, ardilosa.

Bordadeira habilidosa.

Cozinheira de mão cheia.

Vai fazer seu pé de meia.

 

Enxerga as astúcias, sem pranto.

Penélope bordando o manto

confiando no amanhã.

 

Encara a seca mais braba, a ventania.

Pega na enxada, tange o gado.

Faz cafuné.

Faz poesia,

e tudo de muito bom grado.

 

Mas, não vai mexer com ela

pois ela vira serpente,

uma Eva em desvario

ou uma fêmea no cio,

paixão acesa e ardente.

 

Depois é só caridade

num veneno de cigana.

A mulher pernambucana:

Amor, Coragem, Vontade.

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* Sônia Carneiro Leão é, entre inúmeras atividades, escritora e poetisa. Contato: scarneiroleao@gmail.com