Uma nova carta de Newma Cynthia*

 

Querida Patricia,

Reapareço, enfim, depois de ler e reler “A MULHER PELA METADE”.

Em busca do novo, confesso que demorei a entender o sentido da percepção da artista com uso de sensações como instrumento da escrita, de forma positivista até o alcance do consciente.

Esperei por cenas, cenários e diálogos mais definidos, e os encontrei dando acepção as passagens de tempos e personagens cheios de conflitos, inseridos num mundo real coberto por catarses, miséria, violência e amor.   

Séphora, a pseudo-heroína trágica passa da felicidade para a infelicidade em função das próprias desmedidas, os mundos apresentados pela avó, Augusto e Sahra confundem-se a um só mundo, cabendo ao leitor desvendar a história.

Antagônico do inicio ao fim, sagrado e profano, Deus no centro do universo, fé e esperança silenciados pelo inusitado e a dor.

O livro escrito em sustenido se torna bemol quando finalmente “As guerras não existem mais. Não existem mais armas, brotam flores nos tanques, usinas nucleares extintas, servindo de museu para que nunca esqueçamos, pois é preciso lembrar que a ferida existe, mesmo depois de curada, mesmo depois de quase transparente, mas continua ferida, contínua, contínua, contínua.”

Patricia nos presenteia com livro incomum de belíssimas fotografias, poesias e música. Parabéns por transformar a experiência em Paris em algo tão instigante e inovador.

Impossível mudarmos o passado, mas o presente cabe a nós mesmos alterá-lo para que o futuro, ah, o futuro, sejam as flores que sonhamos.

Abraços afetuosos,

* Newma Cynthia é escritora. Contato: newminha@hotmail.com