Porque a noite suave não trará em seus olhos a cor descontente de nossos pulmões* – Uirá dos Reis**

 

Porque a noite suave não trará

em seus olhos a cor descontente de

nossos pulmões e nem a dor profunda,

física, que temos aqui nesse engodo que

chamamos peito se destruirá.

 

Partir, partir para longe,

remar o destino anguloso e deixar

as cores aqui

Os elevadores estão no enguiço e nos-

sas paixões delicadas revelam-se bem

mais delinquentes agora que estamos no

chão, que pisamos a areia morna, que

 sentimos as cavidades enervadas da Ter-

ra: O leite, o sulco, o fetiche e nós três.

A lua, a porta, a cidade e eu, que luto

contra a força animal do vento, contra a

brutalidade dos homens, que remo con-

tra as ondas até o final, até depois do

horizonte, eu que pensei sobre a cidade e

tive medo de dormir.

 

(Nossas iluminações,

elas deterão a coisa toda)

 

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* Extraído de An, Editora Corsário, 2009.

** Uirá dos Reis é escritor carioca com morada em Fortaleza. Contato: srhiena@hotmail.com