Literatura: A mulher pela metade

Fernando Py

Fonte: Tribuna de Petrópolis, Caderno Lazer: http://www.e-tribuna.com.br

Sex, 06 de Maio de 2011 12:00

Na novela A mulher pela metade (Rio de Janeiro: Calibán, 2009), a  pernambucana Patricia Tenório, autora do romance As joaninhas não mentem (2006) e dos textos poéticos de Grãos (2007), realiza a análise dos amores e conflitos existenciais da protagonista da história, Séphora, estudante brasileira em Paris. Ela está sempre sujeita a dúvidas e incertezas não só quanto aos amantes que possuiu e a possuíram, mas também quanto à própria vida e suas ligações com o aprendizado de artes e o idioma francês, objeto de suas preocupações. Na verdade, a moça procura se impor uma disciplina (ou escolha) dentre as experiências que viveu e ainda vive. No posfácio do livro, Patricia Tenório mostra que sua própria experiência vivida em Paris, entre setembro de 2006 e janeiro de 2007, lhe serviu não apenas para criar Séphora (uma espécie de alter-ego) mas praticamente o texto inteiro. Recorrendo à Fenomenologia da percepção, de Merleau-Ponty, ela nos informa ter procurado “dialogar com a experiência da escrita francesa” no período passado na capital francesa, devido à necessidade de se expressar numa língua estrangeira, e assinala que, assim, descobriu um mundo novo, “repleto de infinitas possibilidades”. Desse modo, considera que o texto de A mulher pela metade se formou em seu subconsciente até aflorar ao nível consciente já bem adiantado. Seja como for, o resultado dessa experiência se passou no nível inconsciente e espontâneo da linguagem, linguagem que ora é servida ao leitor, a quem caberá “a tarefa de decifrá-la e lhe impor sentido.” Mãos à obra, portanto, que vale a pena.