Sotto Mentite Spoglie – Francesco Piccione

 

I

 

Posso ancora avvenire, diradato negli anni obliqui,

Posso ancora salpare, vago,

Per ombre colorate del mondo, insicuro.

 

Non temo il passo profondo, i consumati rancori,

Se di rado, dai boschi di querce e di acque,

Un vento convince che irrequietezza si appaga.

 

Anni scomparsi ci attendono, ritrovati giorni di luce,

Nelle sere di sempre, nell’eco che torna,

Dalle vie di fuga un giorno guariti.

 

 

II

 

Io ti dico: la musica sei tu,

Traccia nell’aria il tuo braccio

L’indicazione di un cammino

Che popoli seguiranno per sempre.

 

Io ti sogno: fasciato di nero e di grigio,

Ubriaco di note, leggero anche tu.

Puoi salire e scendere dal basso all’acuto,

Saltando cieli e terre, dall’universo all’altro.

 

Da questo mondo all’immenso,

ogni nota vale un dolore

Di secoli. Vale una storia e millenni.

Non ci sono distanze, né ombre né limiti.

 

E l’ora vale l’eterno.

 

Sob Despojos Mentirosos

Francesco Piccione

Tradução: Patricia Tenório

 

I

 

Posso ainda acontecer, disperso nos anos oblíquos,

Posso ainda zarpar, vago,

Pela sombra colorida do mundo, inseguro.

 

Não temo o passo profundo, os consumados rancores,

Se raramente, de bosques de carvalhos e de águas,

Um vento convence o que a agitação apaga.

 

Anos idos nos aguardam, descobertos dias de luz,

Nas noites de sempre, no eco que volta,

Das vias de fuga, um dia curado.

 

II

 

Eu te digo: a música és tu,

Roça no ar o teu braço

A indicação de um caminho

Que povos seguirão para sempre.

 

Eu te sonho: enfaixado de negro e de amarelo,

Embriagado de notas, leve também tu.

Podes subir e descer do baixo ao agudo,

Saltando céus e terras, de um universo a outro.

 

Deste mundo ao infinito,

cada nota vale uma dor

De séculos. Vale uma estória

E milênios.

Não existem distâncias, nem sombras nem limites.

 

E agora vale o eterno.

 

 francesco.piccione@hotmail.com

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