Estudos em Escrita Criativa On-line | Dezembro, 2021

E chegamos ao fim do curso on-line e gratuito “Os mundos de dentro”, curso que faz parte dos Estudos em Escrita Criativa em 2021. No mês de dezembro, nos deslocamos pelas casas de oito escritores brasileiros, aterrizamos na Porto Alegre de Mario Quintana, visitamos o hotel Majestic e a casa da poetisa performática, escritora, atriz, diretora de teatro, mestre e doutoranda em Escrita Criativa pela PUCRS, a gaúcha-carioca Gisela Rodriguez.

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Primeira Aula do Módulo 12:

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Na primeira aula do módulo 12, descobrimos que Os mundos de dentro de Mario Quintana nos ajudam a sair para Os mundos de fora; degustamos a tranquilidade profunda de seus poemas; confirmamos a temática da casa permeando sua escrita com a professora Tania Carvalhal; nos encantamos com o quanto o autor valorizava a obra acima da própria vida; percebemos o isolamento de Quintana na casa-hotel Majestic como metáfora para o mergulho nos mundos de dentro de nós, escribas, especialmente, durante a pandemia;

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Segunda Aula do Módulo 12:

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Na segunda aula do módulo 12, acompanhamos a entrevista de Mario Quintana para Edla Van Steen e a impressão de fluxo simultâneo na escrita do autor gaúcho; traçamos diálogos possíveis com a poesia de Quintana: Alberto Caeiro, Carlos Pena Filho, Hermann Hesse; visitamos virtualmente antecipando a visita presencial à casa de Quintana no Hotel Majestic; constatamos a dificuldade de Quintana em sair para o mundo, após uma infância enclausurada por questões de saúde, semelhante ao que vivemos na pandemia; sugerimos filmes e o último exercício de desbloqueio.

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Terceira Aula do Módulo 11:

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E foi com imensa alegria que fechamos com chave de ouro, na quarta-feira 15/12/2021, em Porto Alegre, o nosso curso na casa da queridíssima Gisela Rodriguez, com direito a sarau poético, lançamento da coletânea Estudos em Escrita Criativa (abaixo) e da novela policial Rio a quatro mãos (em outro post) e a presença de dois escritores convidados de Os mundos de dentro: Altair Martins (Manuel Bandeira) e Adriano Portela (Osman Lins). Agradecemos a atenção e o carinho de todos e todas vocês, continuem trilhando esse caminho tão lindo da Escrita Criativa, nos mundos de dentro e nos mundos de fora da literatura e da poesia mundial e brasileira! No post “As casas”, vocês podem conferir um vídeo de retrospectiva do curso preparado com todo carinho pelas meninas super poderosas Jaíne Cintra, Juliana Aragão e Mariana Guerra! Boas viagens!

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https://www.youtube.com/estudosemescritacriativa

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Exercícios de desbloqueio:

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Módulo 10 – Carlos Drummond de Andrade:

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Elba Lins

Contato: elbalins@gmail.com

Bom dia, Drummond

Mesmo te conhecendo desde cedo através de alguns poemas, nunca me senti à vontade para conversar contigo como se conversa com um amigo íntimo. Jamais pensei em um papo descontraído num dos bancos da calçada de uma praia no Rio de Janeiro – jamais! Sempre me intimidou tua presença altiva e distante de mim.

Agora tive a oportunidade de te conhecer um pouco mais e mesmo assim tenho receio de parecer inconveniente. E mais agora, que te sei “triste, orgulhoso, de ferro” como as calçadas da tua Itabira. Mesmo agora, te vejo inacessível aos simples mortais, talvez por estares no cume da montanha, da qual ainda tentamos vencer as pedras do meio do caminho.

Mas apesar de tudo, te escrevo, e aproveito para perguntar: E agora, Drummond?

Com esta tarefa, só me resta voltar no tempo e te dizer que por aqui as coisas não mudaram muito e, com a pandemia, nunca foram tão verdadeiras as suas palavras:

“o povo sumiu,

a festa acabou

a luz apagou

o povo sumiu”

Sim, Drummond, nunca foi tão atual esta incerteza, esta desesperança – a cada dia tentamos escalar montanhas, mas ligamos a TV e caímos de volta ao fundo do poço.

É a COVID,

A variante Delta,

A Amazônia em chamas,

O Pantanal deserto.

É o Ômicron,

É a fome,

O desgoverno – Tinha realmente uma pedra no meio do caminho…

Só nos resta esperar,

Por um novo dia – que por enquanto, tarda a chegar.

Pois é, caro Drummond:

O dia não veio,

O bonde não veio

O riso não veio,

Não veio a utopia

E tudo acabou.”

E agora, Drummond?

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Módulo 11 – João Guimarães Rosa:

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Elba Lins

Exercício de desbloqueio relativo ao mês de novembro de 2021

Sinopse

Jovem narra a história de sua vida, sua relação com as palavras, e a dificuldade em lidar com o afastamento da natureza depois de ter sido resgatada ainda criança do local em que viveu com sua mãe surda-muda.

Personagem

Luna é jovem, dona de um corpo esbelto, forte e flexível e sua voz é doce, mas cortante. Viveu até os oito anos na floresta onde aprendeu a se movimentar como os animais. Sua voz doce, tem notas cortantes, pois até o resgate tudo que aprendeu veio do convívio com os pássaros e com a observação das feras.

Lista de Providências e Planejamento –

Desenvolver o personagem e planejar como será sua relação com as pessoas que lhe resgataram.

Assistir ao filme Nell com Jodie Foster para observar alguns traços da personagem exposta ao mesmo ambiente que Luna.

A questão essencial do personagem

A questão essencial do personagem é que só teve uma única forma de aprendizado – a observação dos animais e da natureza.

Lista de Providências e Planejamento –

Recolher exemplos sobre como este aprendizado era feito. Exemplo: dançar – através da observação dos pássaros, das águas, do vento e do fogo. Cantar – através do canto dos pássaros e rugir das feras.

Assistir a alguns episódios sobre animais e sua vida na floresta.

O conflito da narrativa

O conflito vai surgir quando Luna precisar se relacionar com as pessoas e desenvolver novas formas de aprendizado. Já que tudo era feito a partir da observação dos animais e da natureza e com bastante tempo para observar, Luna estranhará a pressa como deve aprender a partir de agora e sempre dependendo de outra pessoa para lhe ensinar.

O enredo e a estrutura

O enredo é a trajetória de Luna e mostrará a partir de sua própria escrita todas as dificuldades em aprender a se comunicar, aprender novos signos, novos sinais. É a construção de uma nova forma de vida. Sua decisão de colocar em papel sua história é outro desafio para Luna.

A estrutura da narrativa será fragmentada levando o leitor e a própria autora a uma viagem do presente ao passado, a uma expectativa de como será seu futuro. Neste trajeto da escritura Luna avaliará o caminho trilhado até aqui e as possíveis bifurcações.

A focalização

Será interna na 1ª pessoa quando se tratar do tempo passado e dos planos para o futuro.

Será externa na 3ª pessoa quando se tratar do presente.

O espaço

Lista de Providências e Planejamento –

Tipo de espaço de cenário a ser utilizado em cada cena da época atual e da infância.

O tempo 

O tempo do passado será medido pelas estações e o presente será medido em minutos gastos nas atividades.

O estilo  

A escrita deverá ser bem compacta quando ela fala no presente e bastante completa quando relembra do passado. A estrutura deverá ser diferente do esperado. Agora que ela dispõe de maior vocabulário ela falará de forma racional e suscinta e quando fala do passado ela descreve tudo com detalhes vibrantes. É como se ao invés de usar os recursos gramaticais e ortográficos agora disponíveis, ela buscasse traduzir o que está na sua alma quando fala de cada situação.

Módulo 12 – Mario Quintana:

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Bernadete Bruto

Contato: bernadete.bruto@gmail.com

CRÔNICA SOBRE UMA VIAGEM NÃO REALIZADA

                                                           Será simplesmente o tempo ou

                                                a memória do homem que transforma

a história em lenda?

(Richard Henning)

            Passeio os dedos pelo teclado para escrever sobre uma viagem, como tarefa final dessa também viagem pelos mundos de dentro proporcionada pela escrita e conto sobre o que se segue. Houve viagens inesquecíveis, no Brasil ou no exterior, repleta de histórias bem interessantes. Todas, frutos de sonhos realizados. Mas houve uma em particular que foi sonhada num tempo passado e que não foi concretizada. Esta é a crônica para a pretensa viagem à Ilha de Páscoa e acerca de sonhos não realizados.

           Sempre me interessei por história. Qualquer história! E se ela vem com castelos de contos de fadas desenhados em nossa imaginação, ou monumentos sobre o qual possa ver no concreto (e imaginar) outras histórias, que maravilha! A Ilha de Páscoa tem muitos desses monumentos imponentes que nos fazem sonhar, pensar o que verdadeiramente significavam. Aquelas imensas figuras encravadas na ilha, os moais, pela disposição, pareciam estar protegendo o povo. Como alguns povos antigos, restaram a nós esses monumentos e pouca história, o que nos faz sonhar, especular e imaginar sobre aquele espaço. Um pedacinho da Polinésia perto da América do Sul.

           Recordo que por volta do final dos anos setenta, ao assistir o filme Eram os deuses astronautas, filme baseado no livro de Erick Von Daniken, fui tocada pela curiosidade acerca daquela ilha, a sua magia. Bateu a curiosidade de ver de perto aquelas criaturas rochosas imensas!!!! Uma feitiçaria despertada também pelas leituras do livro que havia recebido no Natal me falava sobre os enigmas do universo. Mas, somente após muitas viagens realizadas, chegaria o momento de estar bem perto e ir ou não ir à Ilha de Páscoa.

           Faz alguns anos que viajo com amigas durante o carnaval. Fugimos da folia e vamos conhecer outras coisas nesse momento, apesar de amarmos nosso carnaval. Assim, em 2013, entrou nos planos a viagem à Santiago do Chile. Foi quando voltou a ideia de aproveitar para conhecer a Ilha de Páscoa. Estaríamos separadas por apenas mais um voo. Do trio ou quarteto dessas viagens, restamos duas. Então propus a esticada à ilha. No entanto, minha amiga explicou que teríamos pouco tempo para fazer mais uma viagem, não tinha vontade de conhecer a ilha e, como não era algo que justificasse eu me separar um período para poder ir ver a ilha e voltar, escolhi não ir. Penso que as escolhas sempre são de nossa responsabilidade e que uma amizade e um planejamento conjunto sobre qualquer atividade deve ter concessões de ambas as partes e assim foi. A viagem a Santiago foi inesquecível! Cheia de histórias interessantes que merece outra crônica. E, acredito, que só assim aconteceu porque tivemos o tempo necessário lá. Afinal eram somente oito dias.

           Mal podia imaginar que tanta coisa me esperava, embora fosse com o coração cheio de poesia para encontrar com o admirável poeta Neruda! E ele não me decepcionou! Ao visitar suas casas reencontrei suas poesias, lá bem nos seus mundos de dentro! Houve o engraçado encontro (mais de uma vez) com grupos de brasileiros (recifenses) também fugindo do carnaval….,  o encontro com Nossa Senhora da Concepcion no Morro de Santa Lucia e o futuro milagre na vida da minha amiga; o muito mais engraçado “Valentine Day” que participamos em um jantar “romântico” minha amiga e eu , quando descobrimos a comemoração;  o gosto ainda na boca da empanada e tortilha que trocamos  na hora de experimentar, mas provamos um pouco do gosto  da civilização andina nos tocando;  e a vinícola Concha e Toro e a história do Casillero del Diabo…. a música nas ruas, na feira, escutando de Roberto Carlos ao Condor passa!

           Mas foi em Valparaíso, aquele outro local que sempre sonhei ver, somente por conta de Neruda, que tudo aconteceu. Receber a maresia ventando no rosto; o passeio à casa da praia do poeta, entrar no seu quarto, olhar a mesma vista… Quantas histórias numa só viagem! Até que me deparei com um MOAI sacado da ilha. O guia explicou porque ele foi para lá…sinceramente, não me recordo mais porque, mas recordo de ter aperreado para descer e fui até lá para ver de perto aquele imenso ser rochoso: eu VI de perto um MOAI!!!!!  Já havia visto os de madeira, mas aquele foi especial. E como se não bastasse, perto de voltar, já em Santiago, fui àqueles shows feito para turista ver e tive a grata surpresa de assistir a várias danças folclóricas do povo da Ilha de Páscoa. As belas dançarinas encantaram a todos, mas os homens, ah, aqueles vigorosos homens tomaram o lugar das dançarinas e nunca mais esquecerei da dança vigorosa dos homens da Ilha de Páscoa!  E também da exclamação da minha amiga que me confessa: Berna, estou viva!  Estávamos vivas, alegres e dançantes naquele prazeroso encontro. Diz o ditado: “Se Maomé não vai à montanha”…. Pois foi assim: a ilha veio até mim naquela bela viagem a Santigo do Chile. Dei-me por satisfeita. Sou sempre feliz por tantos sonhos realizados. Alguns que não realizei, eu sei bem o porquê. No que dependeu de mim, sinto-me feliz do que pude ter. Não lamento o que não pude, deixo que a vida se encarregue de me mostrar o melhor caminho e sigo feliz. E sou feliz quando outro (a) realiza seus sonhos. Por quê? Porque a felicidade e a infelicidade não são exclusivas de ninguém e a todos pertencem. Foi nesse entendimento que escrevi, em 2014, o poema “Mea Culpa”:

Nunca houve real empecilho

Nesta minha via

O que não fui

– por falta de ousadia –

O que não fiz

– por covardia –

Não posso apontar ninguém

Foi tudo por opção

Escolha

Responsabilidade

Ou exclusivamente

Culpa minha!

            O livro que recebi no Natal de 1975 se chamava Os grandes enigmas do universo de autoria de Richard Henning. Na dedicatória, o pai de nossas amigas, nossas vizinhas lá em Olinda, me estimulava a procurar meu caminho profissional. Um dos caminhos que ele apontava foi o que segui inicialmente e que me serve até hoje na minha antropologia da poética. Talvez, por muitas dessas experiências, penso que sonhos e boas palavras é o que devemos deixar para os outros. Aquelas palavras ainda hoje estão comigo! A infelicidade particular reservo uma boa expurgação poética e deixo-a lá com parte minha.

            Quanto à viagem à Ilha de Pascoa que pude experienciar em Santiago do Chile, bastou para mim. A memória encantou essa viagem não realizada. Não me arrependo por esta escolha e, como diria minha amiga, quando, em nossas viagens, não vale o esforço de fazer algo em nossa programação: Dei por visto! Assim, no ponto final despeço da viagem não realizada com aquela canção de Santiago do Chile que diz assim: Adios, Santiago querido, me voy, me voy! E vou por aqui, compartilhando sonhos, histórias e na poesia da vida, enquanto durar minha viagem rumo ao desconhecido.

                                                                               Recife, 18 de Dezembro de 2021.

                ÁLBUM DA VIAGEM NÃO REALIZADA


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Elba Lins

Mundos de dentro

Paredes fechadas

Espaços que explodem

Em possibilidades.

Sonhos

Mídias

Pensamentos

E eu vôo para onde não sei

Para espaços que me sugam

Ou para situações que me lançam

Num tempo só meu.

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Às vezes me comprimo

Em interstícios –

Precipícios,

Espaço-tempo cortante

Grutas e labirintos…

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Busco pelo espaço

Espaço vazio

Amplidão

E fantasio a saída

Para tecer a vida

Fora de mim

Para navegar

Em nuvens de possibilidades

Escalar estrelas encobertas

Mergulhar em pensamentos profundos

Ou saltar de paraquedas

No tempo-livre do sonho

Ou no mergulhar de cabeça

No espaço concreto

Da realidade em construção

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Elenara Leitão

Contato: arqstein@gmail.com

A verdadeira arte de viajar…

A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,

Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.

Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali…

Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!

Mário Quintana

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Rompendo com a estagnação me diz a carta do tarot. Tudo bem que é jogo virtual como tudo o que fazemos hoje. Viramos nós as nuvens que confundimos com as ânsias de vida que nos percorrem. Nossas perguntas, nossas respostas todas viram dados em números binários. Será que se entrecruzam com outros dados em um metaverso, já que o nosso se tornou tão virulento?

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Romper com a estagnação, diz a carta, enquanto ouço a voz de Mario Quintana falando do desamparo do anjo Malaquias. A janela que enquadra o mundo já se torna prisão. Hora de romper com as inércias, abrir portas e percorrer os mundos de fora.

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Olho o globo, presente de meu pai. O mundo é vasto. Lembro que vou fazer 65 anos em 2022. Qual melhor presente que me presentear com uma viagem? Qual melhor maneira de romper amarras que deixar de lado o virtual e seguir passo a passo em outras paragens?

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Aonde ir?

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Giro o globo. Talvez apenas isso, girar e deixar o dedo apontar.

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E se cair no meio do oceano? Se pousar no Everest? Se acabar voltando ao lar?

Para aonde ir?

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Cabo-verde aponta o dedo matreiro.

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Cabo-verde? Não sei nada sobre Cabo Verde. Mais fácil Holanda e Bélgica onde moram amigos queridos. Portugal com a mesma língua. Alemanha de onde partiu o avô missionário…

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Uma rápida passada pelo Google me mostra um arquipélago com lindas praias. Colonização portuguesa, a língua crioula cabo/verdiana falada por lá não deve ser tão difícil de entender. Quem quer comunicar sempre dá um jeito, aprendi na vida.

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Uma viagem começa por uma possibilidade. Diria mais, começa em uma curiosidade. Antes da decisão, há que se pesquisar. O que conhecer em determinado lugar? Qual o mês mais adequado? Qual a comida e os costumes. Como vive a gente de lá? Uma viagem começa bem antes da decisão. Bem antes de marcar passagens e hotéis. Há que se projetar. Não tudo, que é preciso deixar espaço para o imponderável. Afinal viajar é se lançar ao mundo. Deixar o porto seguro, içar velas feito marinheiro que descobre novos mundos.  

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Sorrio ao pensar que, depois de dois anos de vida reclusa, imaginar o mundo assim tão aberto é alguma ilusão. Ou muita. A vida gira como o globo. Talvez nossas nuvens interajam com as nuvens virtuais. Talvez não. Talvez a vida se faça de sortes ao acaso, como um dedo pousado em um globo determinando uma rota. Talvez eu me negue. Talvez eu me abra. Talvez a derradeira viagem esteja ao meu lado, esperando para me embalar em seus sonhos de promessas nunca realizadas. Talvez apenas esteja esperando que eu abra as portas e rompa as estagnações. Talvez  

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Viagem futura

Um dia aparecerão minhas tatuagens invisíveis:

marinheiro do além, encontrarei nos portos

caras amigas, estranhas caras, desconhecidos tios mortos

e eles me indagarão se é muito longe ainda o outro mundo…

Mario Quintana