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Índex* – Março, 2021

Nasce

Em mim

O amor

Pelo mundo

Inteiro

*

Feito

A florzinha

Que não pede

Ao mato

Para brotar

*

Feito

A água da

Cachoeira

Que não pede

À pedra

Para tombar

*

Feito

O navio

Que não pede

Ao mar

Porque

Navegar,

Navegar,

Navegar

(“Porque viver também é preciso”, Patricia Gonçalves Tenório, 03/03/2021)

Nasce o amor pelo mundo inteiro no Índex de Março, 2021 do blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Estudos em Escrita Criativa On-line – Março, 2021 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) & Diversos.

Coleção Quarentena | de Patricia Gonçalves Tenório | por Bruno Vinícius (PE – Brasil).

Escrita Criativa em mim | Patricia Gonçalves Tenório.

Poema de Altair Martins (RS – Brasil).

Flor de Resistência | com Alves de Aquino (CE – Brasil) & Carlos Nóbrega (CE – Brasil).

Poema de Cilene Santos (PE – Brasil).

Curso de João Augusto Lira (PE – Brasil).

Links do mês:

Entrevista com Alves de Aquino: https://vimeo.com/375940476

Texto de Homero Fonseca (PE – Brasil):

https://homerofonseca.medium.com/homenagem-%C3%A0-mulher-brasileira-d2968aed9e64

Sarau Proso-poético no Londrix (com Patricia Gonçalves Tenório & Diversas):

Agradeço a atenção e o carinho, a próxima postagem será em 25 de Abril de 2021, grande abraço e até lá,

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* March, 2021

It borns

In me

Love

For the whole

World

*

Like

The little flower

That doesn’t ask

To the bush

To sprout

*

Like

Water from

Waterfall

That doesn’t ask

The rock

To tip over

*

Like

The ship

That doesn’t ask

To the sea

Because

To sail,

To sail,

To sail

(“Because living is also necessary”, Patricia Gonçalves Tenório, 03/03/2021)

Love for the whole world is born in the March, 2021 Index of Patricia Gonçalves Tenório’s blog.

Online Creative Writing Studies – March, 2021 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) & Miscellaneous.

Quarantine Collection | by Patricia Gonçalves Tenório | by Bruno Vinícius (PE – Brasil).

Creative Writing in Me | Patricia Gonçalves Tenório.

Altair Martins’ poem (RS – Brasil).

Resistance Flower | with Alves de Aquino (CE – Brasil) & Carlos Nóbrega (CE – Brasil).

Poem by Cilene Santos (PE – Brasil).

Course by João Augusto Lira (PE – Brasil).

Links of the month:

Interview with Alves de Aquino: https://vimeo.com/375940476

Text by Homero Fonseca (PE – Brasil):

https://homerofonseca.medium.com/homenagem-%C3%A0-mulher-brasileira-d2968aed9e64

Prose-poetic soiree at Londrix (with Patricia Gonçalves Tenório & Miscellaneous):

I thank you for your attention and affection, the next post will be on April 25, 2021, big hug and until then,

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** O cuidado com o outro na praia vazia de Boa Viagem (Recife, PE – Brasil) durante a pandemia de Covid-19. Caring for others on the empty beach of Boa Viagem (Recife, PE – Brasil) during the Covid-19 pandemic.

Estudos em Escrita Criativa On-line – Março, 2021

No mês de março de 2021, investigamos o universo pungente do poeta, crítico de arte e escritor de São Luís do Maranhão, Ferreira Gullar.

Primeira Aula do Módulo 3:

Na primeira aula do módulo, compreendemos com Ferreira Gullar que o corpo é uma casa que morre; narramos uma breve biografia de Ferreira Gullar e algumas cidades que habitou (São Luís, Rio de Janeiro, Buenos Aires); apresentamos o componente imagético e a manifestação sinestésica na poesia do autor; detectamos a transformação das palavras sujas (urina, lepra, podre, ferrugem, mijo, lama) do poeta estudado em pedra, ouro, sol e mar, através de uma quebra de sentido, como se fosse um murro no estômago; e constatamos uma relação entre a escrita de Ferreira Gullar e a arte de René Magritte com sua quebra de sentido das palavras.

Segunda Aula do Módulo 3:

Continuação da análise de algumas técnicas encontradas nos poemas de Gullar além da limpeza das palavras sujas, em especial, as listas de Sei Shônagon, o refrão “bom dia” em “Ocorrência” e novamente Edgar Allan Poe visto em Manuel Bandeira; o conceito de objeto que encontramos em Romances de cordel, “A casa” e “Poema” do livro Dentro da noite veloz, relacionando com a letra órfã de pai ausente do discurso de Jacques Rancière no seu Políticas da escrita, além da indicação de filmes sobre Ferreira Gullar e a aplicação do exercício de desbloqueio.

Terceira Aula do Módulo 3:

E é com imensa alegria que convidamos para a live com o poeta, escritor, doutor em Teoria da Literatura (UFPE), o também maranhense Antonio Aílton, na próxima quarta-feira, 31/03/2021, a partir das 19h, no nosso canal do YouTube. Não percam!

https://www.youtube.com/watch?v=El8Bip298pg

Exercícios de desbloqueio:

Módulo 1 – Osman Lins:

Diego Felipe

Contato: diegopereiranoleto@hotmail.com

Marina abriu apressada a porta do quarto. O corpo agitado, o rosto saliente para a sala, e sua voz retumbante: “alguém me chamou?”, disse. Em outro tom, em outras palavras: “Mãe, o que é?”.

Foi invadida por um silêncio de domingo, uma apreensão de igreja, e já dava umas passadas e pisou num chão úmido e escorregadio. É provável que Anita estivesse a limpar os cômodos. Sentiu o cheiro de pinho e lavanda. Estacou culpada da imundície dos seus pés olhando as prateleiras na sala.

Quem lhe dera? Admirada pelo pequeno jarro sob a cômoda. Um tampo de barro avermelhado, e um talo verde a subir a apontar o forro. Quis tocar-lhe o tronco, talvez agora mais robusto, mas aquela casca fria e espinhenta, umas pontas finíssimas e luminosas pelo claro da manhã. Apenas curvou-se, o rosto cuidadoso, uma alfinetada de uma lembrança dolorida, a mão ingênua no cacto.

Agora dava com aquele verde, o vermelho do pote, um prato forrando-lhe, em contraste com as tábuas de madeira tão assim amarelas? Achou feio. E como era que não notara antes, essa dissonância? Quando cortava o cabelo curto demais, logo o semblante se contorcia no espelho, que para coisas feias nada se basta. Um dia nublado se nota e se cansa, ou uma mancha em roupa alva, ou os móveis fora do lugar, e logo se percebe assim a mudança das coisas, e ela, nem tão bonita, não se conforma com a feiura. No entanto, não dera com aquilo, e quis chamar Anita, não, melhor a mãe, não, que ela mesma o fizesse. Mas o quê?

Teve medo.

Postaram aquela planta sobre a mesa, um broto tão inofensivo, a mãe a colher uns grãos de terra, a tia a sorrir de tão desajeitada criatura. O que era?, perguntara, e a mãe lhe negara o nome, olhos sérios, o dedo ríspido: “Não toque”. Mas ela gostava daquilo, um bicho verde, um animal de estimação, e pôs a mão firme, fechou com força e tanto ímpeto, que demorou para que gritasse, e mais alguns segundos para saber que dela partia aquele turvo sonoro alto e fino, como são os gritos de uma menina. A mão úmida e vermelha, uma revoada de mulheres, como patas desvairadas, e o primeiro choro de dor.

Ouvira uns passos em outro cômodo. Arrastavam-se uns pés de coisa grande e pesada. Um suspiro de força e cansaço.

“Anita?”. Confusa, ela deixou escapar. “Mãe?”, com uma força mais para quem sabe romper uma parede, e diante daquele vazio só o pequeno cacto, já protuberante e altivo que lhe respondeu. Fora em silêncio, imóvel como tantas outras coisas por ali, espalhadas e vivas, coisas que tinham formas e cores, ela notava, e a casa como um grande baú cheio, as lembranças que brincavam com ela tão títere e sozinha.

“Tens quantos anos”, disse em tom piegas, mas rapidamente repreendido, o dedo em brasa para a ponta da planta. Espetou-lhe com um remorso ardente de dor, e conteve a custo o grito, achando-o um tanto assim tão lindinho.

“Mãe? Anita?”, forçara a garganta, e no instante seguinte só lhe veio um eco lá de dentro.

Módulo 2 – Manuel Bandeira:

Cilene Santos

Contato: cilenecaruaru2013@gmail.com

A RUA 15 DE NOVEMBRO

                                                                 QUERO A DELÍCIA DE PODER SENTIR AS COISAS MAIS SIMPLES.

(MANUEL BANDEIRA)

Era ali que acontecia a grande Feira de Caruaru, cantada e decantada pelo compositor Onildo Almeida e pelo cantor Luiz Gonzaga. A rua que me viu crescer. Ou foi o contrário? Eu que a vi crescer. Bem, caminhamos juntas. Aos nove anos de idade, era comum, aos sábados, dia da feira, acompanhar mamãe nas compras de frutas, legumes, hortaliças e outros mantimentos para abastecer a nossa casa. E tomávamos o melhor caldo de cana do mundo.

Logo no início da rua, ficava a Feira de Panelas (de barro). Grande era o meu deslumbramento diante daquela exposição de obras de arte. Um sortimento de objetos, cores e formatos produzidos pelos artesãos do Alto do Moura. Entre eles, o ilustre Mestre Vitalino que comercializava as suas obras, inclusive o famoso Boi de Vitalino. Do barro, veio toda a mobília da minha casinha de bonecas. Caminhando um pouco, encontro a casa número duzentos e quinze, onde ficava o consultório e a residência do Dr. Geminiano Campos, a quem procurei aos doze anos. Foi ele quem atestou que eu estava “apta a submeter-me aos exames de Admissão ao Ginásio.”

Aos quinze anos, senti despertar os primeiros sonhos do amor romântico. Nas festas de final de ano, que ocorriam na mesma rua, com as amigas desfilávamos ao redor da praça, com olhares fugidios para os rapazes que, em grupos, soltavam galhofas, quando passávamos. E ficávamos contentes.

Também na Rua Quinze, encontrei o meu primeiro emprego formal e o Colégio Santa Inês, que me deu “régua e compasso” com que tracei os meus caminhos. Ao concluir o Curso Pedagógico, ali mesmo iniciei a minha jornada como professora. Lembro bem que na rua havia um alto-falante que divulgava notícias e músicas, A canção francesa F… Comme Femme, do cantor belga Salvatore Adamo faz parte, até hoje, da minha trilha sonora. Aquelas notas musicais inundavam o ar e caiam macio, nos corações apaixonados das meninas da minha geração.

Continuando e concluindo a minha saga pela Rua Quinze de Novembro, em dois mil e vinte, aos setenta anos, fui empossada como membro da Academia Caruaruense de Cultura Ciências e Letras, sediada na Rua Quinze, no mesmo casarão onde consultei o Dr. Geminiano Campos, aquele que me liberou para cursar o Ginasial. E o inesperado foi que assumi a cadeira treze, cujo Patrono é o Dr. Geminiano Campos. Por todas essas eventualidades, a Quinze de Novembro é a rua da minha vida.

Diego Felipe

Hoje, ele precisou lembrar. Como dizia o poeta, “uma flor que desabrocha no asfalto”, e entre pés, pedras, o asfalto negro e pneus aquele botão de flor. Já adulto, não há tanto encanto, mas, quando criança, nunca sonhara assim com algo tão inesperado. Aquele primeiro rasgo, aquela fissura, desencadearia a chegada deles? Sim, e numa tarde, Miguel correra de porta em porta para dizer que eles estavam chegando, que a primeira pedra estava plantada para todos.

Só nesse momento que lhe deu saudade daquela rua. Os meninos correndo, com a água da chuva descendo o córrego, e seus barcos de papel, e a volta pela ladeira em que havia a neve dos pequenos insetos alados, uns pequenos insetos, a lhes mostrarem o caminho de volta. Quando dobraram a esquina, tão visíveis e úmidas as fachadas das casas, corriam para chegar primeiro, as grades do portão de enlaço, um abraço do corredor cheirando a móvel velho, a sala do fundo, quente como um útero.

Ele e os outros meninos saíram das suas portas, um dia o seu fim de janeiro, aquele bordado cinza sob o cume das casas e das árvores, e lá na esquina as senhoras e os cachorros velavam a pedra.

Era ali que costumávamos patinar. O veludo negro do asfalto a lhe acariciar os pés desde tempo imemoriais, muito antes de toda sua infância, como uma herança. Perguntara certa vez em casa desde quando aquele chão ali repousara, quem o lhe havia posto, se um homem só ou um bando; mais curioso, quis saber até onde ia o fim daquela estrada. Na casa do Antônio, três quadras depois, o Sérgio e a Amélia lá pras bandas da ruela Vila. Na cabeça que o mundo lhe parecia mais vasto, as distâncias davam sempre um prazerzinho, um gosto de desconhecido. Lamentava, nesse instante, ter crescido tanto a ponto de se tornar cético.

Ele agachou-se, tocou a lasca de asfalto. Era uma pedra quente, os dedos grudando e manchados de visco. Dentro, um tanto assim de pontos luminosos, e o prazer de apalpar um pedaço de céu, que, como agora, sufocara um sentimento. Aquele pedaço que se deslocava do chão, de todos ali, e por tanto tempo, foi transposto de mão em mão. Primero, as crianças, vigorosas e a voracidade em comer; depois os adultos e velhos, curiosos, satisfeitos e de olhos de lamento, de uma tristeza daquela flor tão bela ser tragada de dentro, toda raiz, todo encontro.

Não passava de pedra, que, por algum motivo, foi corroendo-se por dentro e se abria em frestas, que nos pareciam sorrisos, mas depois largos demais, profundos, as caras a mapear tristezas, e ele procurava explicar para si mesmo porque Bruno fora embora, e dos outros que logo também tomariam outros caminhos, sem nada, mesmo hoje depois de tantos anos.

Falou, assim, vagamente, da rua onde morava e de como algo mudara naquela tarde em que um pedaço de chão se partira. Sentia agora, abandonado no sofá, que ali não fora o fim, mas um começo, e que logo se dispersaram, rumo a seus lares.

Elba Lins

Contato: elbalins@gmail.com

À MODA DOS ORIXÁS

Dancei um dia!

Dancei!

Eu,

Mesmo branca de neve,

Mesmo sem lugar de fala

Na dança me espalhei.

E sem descer dos meus saltos

Dancei para todos os deuses

Fui rainha orixá.

A pele da cor de prata

O corpo girando em círculos

Me fez cigana bonita

De pele da cor de ouro.

Meu vestido era vermelho

E com uma espada de fogo

Eu girava sem parar.

Depois me desfiz em vento

Sempre a rodopiar.

Sem temer raio ou trovão

Continuei a dançar.

Só quando a música cessou

Quando a noite virou dia

É que findou a magia

E eu parei de girar.

Fabíola Lucena

Contato: falucena@gmail.com

Declaração de amor ao carnaval do Recife

Essa noite eu sonhei que estava em Recife, havia chegado de Portugal onde vivo e desembarcava para as prévias do carnaval. No sonho, eu caminhava nas ruas no entorno do mercado de São José e Cais de Santa Rita onde os camelôs disputam espaços. De lá segui caminhando pelas velhas calçadas da rua Nova, rua Direita, igreja do Carmo, Dantas Barreto. Ali vão vendendo o colorido do nosso carnaval naquela bagunça pitoresca típica do centrão do Recife que, ao mesmo tempo, assiste o galo a ser montado na ponte Duarte Coelho onde corre por baixo o velho Capibaribe, testemunha ocular da cidade. Sigo andando por entre as pontes de um lado para o outro, apresso-me pela Aurora para conferir as novidades carnavalescas da rua Imperatriz. Atravesso de volta a ponte mais uma vez até chegar à Casa da Cultura e aproveito para comprar alguns artesanatos para minha casa. Lembro que esse ritual de ir dias antes do carnaval é um preparo para minha alma carnavalesca, é uma espécie de confirmação cultural de que ao menos durante essa época o recifense deixa de lado os inúmeros problemas sociais e econômicos para viver a magia do carnaval pernambucano. Um simples ambulante sorrir, exibe seu produto com orgulho porque ele também sente com a alma essa época. Desconfio que só quem cresceu em Recife entenderá esse meu sentimento. O sábado de Zé Pereira era o pontapé do meu carnaval. Os poucos anos que faltei deixaram-me um nó na garganta, uma espécie de carnaval não validado. Naquelas ruas castigadas do Recife eu sentia minha raiz, minhas cores, meu brilho, meu orgulho de ter nascido ali. E esse sentimento, mesmo a quase 8000 km de distância da cidade, me visitou em sonho. A dor da ausência de estar nas ruas do Recife Antigo, de encontrar as pessoas mascaradas e fantasiadas, de ir ao encontro na rua do Bom Jesus dos blocos antigos, citados em muitas músicas carnavalescas que parecem que nem existem mais, mas existem sim, muitos ainda estão lá. Como dizia o Maestro Nelson Ferreira: “Bloco das Flores, Andaluzas, Pirilampos, Apois Fun, dos carnavais saudosos”. No sonho eu via o colorido das fantasias, pinturas, máscaras com tanto detalhe que podia garantir que fui teletransportada. Acordo em pleno sábado de inverno com uma dor no peito, uma dor de saudade! O que me conforta é que a magia do carnaval em Recife não vai acabar e um dia eu estarei lá novamente e esse sonho vai ser uma mera lembrança que hoje resolveu me assaltar.

Ilana Kaufman

Contato: ilakau7@gmail.com

À noite, ou de dia, caminhar até a orla de Ipanema, em Porto Alegre, é um espetáculo à parte. A partir da rua Déa Coufal, se avista umas Aroeiras-saldos e uns Hibiscus dispersos. É reconfortante andar pelas ruas deste bairro tão acolhedor. Ao chegar à avenida Guaíba, o rio se apresenta manso e límpido. Costumava sentar-me por longos e tranquilos minutos em um banco de pedra que facilitava a observação mais prolongada da paisagem. Como era agradável continuar o percurso encontrando plantas, aves e casas enobrecendo o horizonte. Algumas vezes, se deliciar com um picolé fazia parte daquela rotina.  Ao voltar para casa, depois de um dia de trabalho, nuvens rosas acompanhavam o trajeto.

Maria Clara Lima e Silva

Contato: clara.limas07@hotmail.com

Módulo 3 – Ferreira Gullar:

Bernadete Bruto

Escrita Breve

Ilana Kaufman

Por que respeitar?

 Tem gente que não admite ser gente

 Vive passando por cima de tudo e de todos

 Inconsequentemente.

Por que respeitar?

Comprar exacerbadamente,

Falar demasiadamente,

Fingir complacentemente.

Até quando e quantos sucumbirão por atos de tantos impunemente?

Coleção Quarentena | de Patricia Gonçalves Tenório | por Bruno Vinícius

Escrita Criativa em mim* | Patricia Gonçalves Tenório**

Capítulo 8 – Guetos e liberdade

            Acabo de escrever sobre 132 crônicas: Cascos & carícias e outros escritos,[1] da escritora paulista, nascida em Jaú, Hilda Hilst, para o módulo de agosto de 2021 do curso que ministro desde 2016, de maneira presencial e on-line, Estudos em Escrita Criativa.

            Hilda nos alerta da falta de reconhecimento dos seus escritos pela crítica literária da época – o livro contém crônicas de 1992 a 1995, publicadas no jornal de Campinas-SP, Correio Popular. Mas ela dá a volta por cima da falta de reconhecimento, e autoanalisa (e elogia) o próprio fazer poético, ficcional e dramático – Hilda também escreveu para o teatro.

            Tomando como exemplo essa mulher de coragem monumental – e estamos em março, o mês das mulheres gigantes –, olho para trás na minha caminhada literária e descubro muitos percalços, assim como a dama da Casa do Sol. Poucas mãos acreditaram na minha escrita, e se estenderam em minha direção, feito ondas brilhantes quebrando na largura infinita do mar. Mãos às quais serei eterna e profundamente grata.

            Mas, novamente, busco o sentido da Escrita Criativa em mim. Desde 2004, procuro o conhecimento, através de inúmeras oficinas literárias, ingressando em 2012 na universidade para beber da água viva da teoria e também da prática no mestrado (UFPE) e no doutorado (PUCRS), transcendendo os guetos que os seres humanos inseguros tentam forjar aos que buscam um (pequeno que seja) lugar ao sol, até chegar ao Monte da Resposta Perdida,[2] que foi para mim a PUCRS em Porto Alegre, com o acolhimento que nunca poderei agradecer o suficiente, de Luiz Antonio de Assis Brasil.

            E dar, enfim, um grito de liberdade.

Na defesa da tese Doze horas: o mito individual em uma autobioficção, 08/10/2018, ao lado, à esquerda, do professor e orientador Assis Brasil (PUCRS), da professora e orientadora de mestrado Maria do Carmo Nino (UFPE), da professora Tânia Ramos (UFSC), e, à direita, da professora Débora Mutter (ULBRA) e do professor Bernardo Bueno (PUCRS).

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* Coluna publicada mensalmente nos blogs www.veragora.com.br/tesaoliterario e www.patriciatenorio.com.br.

** Escritora, vinte livros publicados, sendo um em formato vídeopodcast, mestre em Teoria da Literatura (UFPE) e doutora em Escrita Criativa (PUCRS). Contatos: grupodeestudos.escritacriativa@gmail.com e https://www.youtube.com/estudosemescritacriativa       

[1] HILST, Hilda. 132 crônicas: Cascos & carícias e outros escritos. Prefácio: Zélia Duncan. Introdução: Ana Chiara. 1ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2018.

[2] Em A menina do olho verde (2016 e 2019 em 7 por 11, Raio de Sol, Recife – PE), a personagem Manuela sai em busca da Resposta Perdida (no Monte de mesmo nome) para as Perguntas Aleatórias dos seres humanos inseguros, e descobre, com a ajuda de Pedro, a própria Resposta Essencial.

Poema* de Altair Martins**

44. O PLANETA COM ÓCULOS RAY-BAN
A notícia de que o vírus
pode alcançar os animais de casa
assustou as algas azuis
e fez ridículos os nossos territórios.

Talvez o planeta nos tenha mesmo demitido,
despejado. Somos vagabundos
e isso que vivemos são os efeitos
da dedetização e das igrejas.

Já não escondemos nosso banquinho de criança
nem nossos ossos que chamam os pais
sob o medo de que nos cubra
o folhiço que cai no pátio.

E é fato que o planeta não tem ano-novo
e no entanto exigimos um março de progresso
enquanto, no escuro, fomos atores de revista
que só excitavam os bolores.

Nossos marcos de porta,
nossos medicamentos e a excessiva fertilidade
com que escrituramos quadrados de terra
— nada disso merece um abano de cauda de baleia.

Também nossas moedas
acusam a dor e a febre,
e só beberão da chuva os que souberem abrir as mãos
em concha.

Com certeza o planeta não gosta de nossos corredores
e por isso as milícias do limo sempre avançam
sempre avançam, mesmo que pisem sobre o aço
ou sobre a camisa da confederação brasileira de futebol.

Talvez o planeta não tenha eleito nosso genocida.
Talvez não se contente com sobras,
nem com risadas de tartaruga,
nem com a bandeira de Israel.

O mérito e a mão invisível do mercado
têm esse mau cheiro depois da escama.
Talvez o planeta, neste momento,
esteja lavando as mãos.

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AUDIO-2021-03-24-15-22-21 – Altair 2

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* Poemas postados no Jornal Nova Folha, Guaíba, RS. Fotografia: Valmir Michelon. www.novafolha.com.br/altair-martins

** Altair Martins (Porto Alegre, 1975). Bacharel em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) — ênfase em tradução de língua francesa —, mestre e doutor em Literatura Brasileira na mesma universidade. Ministrou a disciplina de Conto no curso superior de Formação de Escritores da UNISINOS entre 2007 e 2010. É professor da Faculdade de Letras e de Escrita Criativa da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), atuando no Programa de Pós-graduação. Coordena o projeto de pesquisa O fantástico em tradução. Tem textos publicados em Portugal, na Itália, França, Argentina, no Uruguai, na Espanha, Hungria, em Luxemburgo e nos Estados Unidos. Ganhou, entre outros prêmios, o São Paulo de Literatura (2009, com o romance A parede no escuro) e o Moacyr Scliar (2012, com os contos do Enquanto água). A peça teatral Hospital-Bazar(Porto Alegre: EdiPucrs, 2019) e o romance Os donos do inverno (Porto Alegre: Não editora, 2019) são suas últimas publicações. Ministrante, em setembro de 2019, da disciplina Oficina de Poesia na primeira turma de especialização Lato Sensu em Escrita Criativa Unicap/PUCRS (2019.2). Contatos: altairt.martins@pucrs.br; www.altairmartins.com.br

Flor de Resistência | com Alves de Aquino & Carlos Nóbrega

Poema de Cilene Santos*

EU, MULHER

Para celebrar a data
Dedicada às mulheres
Vesti-me de poesia
Me enfeitei até o pé
Pus nos lábios um sorriso
E um brilho novo no olhar
Segui o meu pensamento
E deixei-o me levar
A um mundo colorido
Construído só pra mim
Feito um jardim florido
Com cheirinho de alecrim
E o perfume se espraiou
Pelo ar da noite morna
A luz argêntea da lua
Aquele mundo adorna
E após esse deleite
Que me deixou tao faceira
Eu volto à vida contente
Sou grata ao que ela é
Por ter me favorecido
Com a sorte de ser MULHER

AUDIO-2021-03-08-19-50-03 – Cilene Santos

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* Cilene Santos, escritora, poeta, cordelista. Professora graduada em Letras, com especialização em Língua Portuguesa. Membro da Academia Caruaruense de Literatura de Cordel, ocupando a cadeira nº 08, e tem como patrono Dimas Batista. Publicou Branca de Neve e os Sete Anões em Versos e A vida de Joel Pontes, em cordel. Participou dos Estudos em Escrita Criativa 2018 de Recife. Contato: cilenecaruaru2013@gmail.com

Curso de João Augusto Lira