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Índex* – Outubro, 2020

Quando leio

Os olhos teus

Têm passagens preciosas

Cenas misteriosas

De um tempo

Que não é

Meu

*

Eu caminho

Por veredas

Inesperadas

Vales

Montanhas

Escarpadas

E posso

Com a ponta

Dos meus dedos

Sentir a pele

Das palavras

De quando

A tua história

Se escreveu

(“Quando a escrita visita a leitura”, Patricia Gonçalves Tenório, 02/10/2020, 05h34)

Quando a escrita visita o Índex de Outubro, 2020 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Estudos em Escrita Criativa On-line – Outubro, 2020 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) & Companhia.

Escrita Criativa em mim – Capítulo 3 – Literatura e outras artes | Patricia Gonçalves Tenório.

Poema Trilingue de Antonio Aílton (MA – Brasil).

Poema de Cilene Santos (PE – Brasil).

Sinos = Campanas | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

Perfume de Elba Lins (PB/PE – Brasil) | Patricia Gonçalves Tenório.

apaguei a playlist / comecei a dançar | Fernando de Albuquerque (PE – Brasil).

E os links do mês:

“Corruíras” de Alcides Buss: http://www.alcidesbuss.com/

Curso de Narrativas de Terror com Andrezza Postay e Bibiana Simionato (RS/PE – Brasil): https://www.sympla.com.br/narrativas-de-terror__969064

Salomé, de Iaranda Barbosa (PE – Brasil): www.catarse.me/salome

Arte Agora – Entrevista de Patricia Gonçalves Tenório para Alexandre Santos e Bernadete Bruto (PE – Brasil):  https://youtu.be/VyB69WRZQX0

Obrigada pela atenção e pelo carinho de sempre, a próxima postagem será em 29 de Novembro, 2020, abraço bem grande e até lá,

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* October, 2020

When I read

Your eyes

There are precious passages

Mysterious scenes

From a time

That is not

Mine

*

I walk

By unexpected

Paths

Valleys

Rugged

Mountains

And I can

With the tip

Of my fingers

Feel the skin

Of words

Of when

Your story

Was wrote

(“When writing visits reading”, Patricia Gonçalves Tenório, 10/02/2020, 05h34 a.m.)

When writing visits the October Index, 2020 on Patricia Gonçalves Tenório’s blog.

Online Creative Writing Studies – October, 2020 | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil) & Company.

Creative Writing in Me – Chapter 3 – Literature and other arts | Patricia Gonçalves Tenório.

Trilingual Poem by Antonio Aílton (MA – Brasil).

Poem by Cilene Santos (PE – Brasil).

Bells = Campana | Clauder Arcanjo (RN – Brasil).

Perfume of Elba Lins (PB/PE – Brasil) | Patricia Gonçalves Tenório.

I deleted the playlist / started dancing | Fernando de Albuquerque (PE – Brasil).

And the links of the month:

“Corruíras” by Alcides Buss: http://www.alcidesbuss.com/

Horror Narratives Course with Andrezza Postay and Bibiana Simionato (RS / PE – Brasil): https://www.sympla.com.br/narrativas-de-terror__969064

Salomé, by Iaranda Barbosa (PE – Brasil): www.catarse.me/salome

Arte Agora – Interview by Patricia Gonçalves Tenório to Alexandre Santos and Bernadete Bruto (PE – Brasil): https://youtu.be/VyB69WRZQX0

Thank you for your attention and affection, the next post will be on November 29, 2020, big hug and until then,

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma
questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Quando a escrita visita a leitura dos livros bons. When writing visits reading of good books.

Estudos em Escrita Criativa – Outubro, 2020

Os italianos

Patricia Gonçalves Tenório*

No sétimo módulo dos Estudos em Escrita Criativa On-line apresentamos o conceito do mise-en-abîme, inaugurado por André Gide, que, por sua vez, tomou emprestado da heráldica, “em que a reprodução de um escudo ad infinitum, um dentro do outro, gera a sensação de espelhamento que encontramos em dois espelhos um diante do outro, ou na impressão de ‘não acabar jamais’ de se extrair” das mamuskas.

Quando se termina a última página de Por que ler os clássicos, do escritor italiano, apesar de nascido em Santiago de las Vegas, Cuba, Italo Calvino (1923-1985), sente-se um mesmo estranhamento. Ou melhor, sente-se uma vertigem que nos acompanha antes, durante e depois da leitura do livro, assim como nos acompanha na leitura de certos livros bons.

Vem-nos à mente duas conexões. A primeira é com o livro já mencionado nos nossos Estudos, Mimesis: a representação da realidade na literatura ocidental, do filólogo alemão, nascido em Berlim, Erich Auerbach (1892-1957). A segunda tem a ver com um livro do próprio Calvino, Se um viajante numa noite de inverno.

Quando abrimos a primeira página de Se um viajante numa noite de inverno, do escritor “italiano”, “apesar de nascido em Cuba”, Italo Calvino, ficamos tontos,  presos em uma vertigem: o autor inicia afirmando que estamos começando “a ler o novo romance de Italo Calvino, Se um viajante numa noite de inverno”…

Feito em um jogo de espelhos, Calvino numera os doze capítulos que serão o fio condutor da narrativa, e intitula os seguintes com os nomes dos romances que vão sendo desfiados, que vão sendo apontados de um romance para o outro, sem contudo passar do primeiro capítulo.

E viajamos uma última vez no tempo e no espaço e encontramos a ubiquidade entre o medo e o desejo da viagem no quarto romance do diretor, cofundador da escola de escrita criativa Scuola Holden (Holden, de O apanhador no campo de centeio), escritor, nascido em Turim, Itália, Alessandro Baricco (1958): Seda.

Finalizamos o oitavo módulo e os Estudos em Escrita Criativa On-line 2020 com um exercício de desbloqueio a partir dos autores elencados, a sugestão de filmes relacionados com os italianos e a Escrita Criativa, e nos perguntamos: O que encontraremos a seguir? Que viagem empreenderemos em 2021? Que escritores nos guiarão? Continuem comigo, conosco, nessa busca sem fim por uma voz própria, uma expressão que abarque a imensidão de eternidade que existe dentro de nós…

E até a próxima!

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* Escritora e doutora em Escrita Criativa (PUCRS). Contatos: grupodeestudos.escritacriativa@gmail.com e http://www.estudosemescritacriativa.com/

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Módulo 8 – Aula 1:


Módulo 8 – Aula 2:

Módulo 8 – Aula 3:

Módulo 8 – Aula 4:

Exercícios de desbloqueio:

Módulo 4 – Leste Europeu:

Luciana Beirão de Almeida

Contato: lubeirao@hotmail.com

POESIA SEM COR

A realidade nua e crua

Escancarada na nossa frente.

Bofetada na cara,

Soco no estômago,

Pedra no coração.

*

Gerando um mal-estar,

Vergonha do ser humano,

Vergonha de ser humano.

*

Um grito suspenso no ar,

Forte,

Sufocante.

Onde foi parar a poesia?

*

Módulo 5 – Japão:

Luciana Beirão de Almeida

IMPROVISO

O desassossego leva Macabéa até a esquina, onde encontra o corvo.

Silêncio.

Sua alma, antes pesada, sai da carcaça e põe-se a sonhar.

*

Módulo 6 – Os russos:

Luciana Beirão de Almeida

Focalização

Eu

Tu

Ele.

Ela.

Onipresente,

Onisciente.

Paciente.

Independente.

Simplesmente

Ardente,

Desesperadamente

Consciente.

Consistente ou Inconsequente?

*

Módulo 7 – Os franceses:

Luciana Beirão de Almeida

(IM)POSSÍVEL VIAJAR NO TEMPO?

A alma viaja.

*

Uma foto,

Uma música,

Uma memória

*

Basta fechar os olhos e se está lá.

*

O corpo não viaja?

*

O coração bate mais forte.

As mãos tremem,

A lágrima insistindo para vir à tona.

*

Podemos viajar no tempo, sim.

Revivendo com todas as forças o que passou.

Imaginando com igual deleite o que está por vir!

*

Somos donos do nosso destino?

*

Módulo 8 – Os italianos:

Bernadete Bruto

Contato: bernadete.bruto@gmail.com

AO FIM DA VIAGEM

Como no Gênesis, no princípio de tudo era a escuridão do pensamento. Um silêncio profundo habitava o espírito das ideias. As palavras surgiam partidas, jogadas na angústia do tempo marcado que não aguarda a concatenação do pensamento. Depois, já aparece o conteúdo no jardim florido, um pomar de ideias que se tornou aquele lugar semeado por diversas nacionalidades de expressões. Um coral afinadíssimo de palavras ensaiando interessantes acordes. Hoje, já se colhe alguns bons frutos. Há luz na escuridão.

Também no princípio era o verbo, a fagulha inicial da criação, timidamente escondida, a receber um abano mensal transformando-se em fornalha criativa. Era a história prefigurada nos apóstolos da escrita alimentando o fogo criativo, agora semente germinada. Assim ela pensou ao desligar o áudio e ligar o cronômetro no celular. Esboçar um agradecimento por todo esse tempo, neste dia, escrever uma resposta à professora, caprichando para fazer sentido com o que foi ensinado, para em seguida digitar em letra bem bonita, porque, assim corrida no papel, a grafia está feia e é ininteligível.

Agora, no final da viagem, aparece uma escrita que se apropria de uma imagem para descrever o agradecimento, que surge em um avião no aeroporto da Itália aterrissando seu carinho. Na pista, como no filme Dio comme ti amo, em que Gigliola Cinquenti encontra com o ser amado, a aprendiz oferece um fraternal abraço, em gratidão após tantas viagens realizadas, mesmo neste espaço limitado, mesmo em tempos tão reclusos. E para encerrar a história dentro da história, retorna à Bíblia, recolhendo palavras do Evangelho segundo São Mateus: “Vós sois o sal da terra…” (…), para oferecer a flor da escrita à professora, aquela que traz luz ao mundo dos alunos com seu amor às letras.

Recife, 15 de Outubro de 2020.

*

Elba Lins

Contato: elbalins@gmail.com

Borboleta púrpura

Oh, alma minha!

Te queria leve.

Pluma suave.

Borboleta púrpura.

Voando pelos ares.

*

Por que não deixas

Este casulo?

Este tirano…

Que te mantém.

Mente insana

Que te impede de voar.

*

Vem, alma minha.

Singrar mares.

Romper os ares.

Em descobertas fatais.

*

Vem, alma minha.

Também quero viajar.

Nas tuas asas macias.

Na tua pele de seda.

Te dar meu beijo suave.

Impulsionar teu salto.

Para fora desta redoma.

*

Vem, alma minha,

Navegar comigo.

*

Deixa que eu infle as velas,

Enquanto abre tuas asas.

Singremos mares,

Por ti nunca navegados.

*

Joel Martins Cavalcante

Contato: jmartinscavalcante@gmail.com

A hora de Pedro

No dia que ele decidiu tirar a vida não choveu na cidade. Há dias, como é normal no mês de junho, chuvas fortes desciam em Alagoinha. Época de colheita de milho e feijão verde, festas dos santos mais devotados do Nordeste, como São Pedro, nome pelo qual foi batizado por sua mãe, uma devotada católica.

No dia que ele decidiu tirar a vida, como por essas coincidências do destino, a filha ligou para o orelhão da esquina de onde morava. Fazia tempo que não se falavam.

– Alô, pai, benção!

– Deus te abençoe, minha filha – respondeu a Marta.

– Como o senhor vai?

– Bem, com a graça de Deus.

– Pai, quero voltar aí no final do ano. Rever o senhor, os amigos, tia Júlia.

– Tudo bem, minha filha. Mas minha saúde não anda muito boa. Não sei se estarei vivo até dezembro – disse, rindo em seguida.

Falaram mais algumas coisas. A ligação não durou mais de dois minutos. Ela não citou como estava o irmão, João, que havia acabado de tornar-se pai pela segunda vez.

Desde que Maria, sua esposa morreu, há dez anos, que os dois únicos filhos partiram para o Rio de Janeiro, levando apenas poucas coisas nas costas, e querendo deixar os traumas da bebedeira do pai para trás. Marta havia acordado naquele dia com algum pressentimento. Ligou, antes de falar com o pai, para João. Ouviu do irmão o relato da noite insone e dos pesadelos que teve nos poucos momentos que conseguiu pregar os olhos. Mas ele não queria saber do pai.

Ele não bebeu no dia que decidiu tirar a vida. Acordou cedo. Foi na pocilga ver como estavam os porcos. Depois de colocar a lavagem para alimentar os animais, foi tomar banho. Colocou a melhor roupa que tinha no armário, comprada para a celebração do Crisma dos filhos gêmeos há quinze anos. Perfumou-se. Saiu pelas ruas da cidade.

– Pedro, tem carne de porco já?

– Não. Não venderei mais. Vou me matar – respondeu a um freguês, mas não foi levado a sério.

Chegou no principal bar no centro da cidade, perto do açougue onde vendia a carne suína. Pediu uma Coca-Cola.

– Tá de brincadeira, né? Não beber cana hoje? – perguntou o dono do bar.

– Vou me matar. Não quero ser encontrado com cheiro de cachaça, disse.

– Arrumado do jeito que tá você deve ter algum encontro.

– Com minha morte – respondeu, não sendo levado a sério.

A carne de porco que vendia era a melhor da região. Mas fazia muito tempo que havia se entregado ao alcoolismo. Já bebia antes de Maria morrer. Mas aumentou muito depois que os filhos foram embora. Diziam as más línguas que o câncer que ceifou a esposa foi causado pelas brigas e surras constantes que ela levava dele. Nem conseguia matar mais os animais. Nos últimos tempos pagava para alguém ficar vendendo em seu lugar.

– Até mais, Severino. Qualquer coisa a gente se encontra no outro lado da vida – disse após pagar a conta e sair do bar.

Foi em direção ao antigo prédio de um armazém abandonado. Pegou a corda escondida há três dias. Era por volta de duas e meia da tarde. Pouco movimento na rua. A maioria das pessoas tiram a soneca após o almoço, despertando por volta das três horas, com o toque do sino da igreja, convidando para o terço da misericórdia.

Amarrou a corda em um ferro alto perto da lavanderia do velho armazém. Pegou um tamborete. Subiu nele. Colocou a corda no pescoço. Rezou uma ave-maria, se benzeu, pediu perdão a Deus, e pulou para a sua viagem eterna.

Pouco depois, uns adolescentes que iam para o quintal do velho armazém pegar goiabas tiveram um susto ao ver o homem pendurado. Saíram correndo. Primeiro encontraram Severino, já que o bar ficava perto.

– Pedro tá pendurado no armazém – disseram.

Severino foi lá. Constatou. Aos poucos a notícia foi se espalhando na pequena cidade. Curiosos e conhecidos viram Pedro enforcado. Uns choravam, outros só comentavam da tristeza que ele expressava nos últimos tempos. O dono do bar falou do suicídio anunciado, mas ele não havia acreditado. Um pouco mais adiante o sino da igreja começou a repicar. No alto-falante da matriz começou a reza: “Pela sua dolorosa paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro.”

*

Luciana Beirão de Almeida

Uma Viagem Inesquecível

Oito módulos,

Oito meses.

Viajando no tempo e no espaço.

Respirando arte,

Banhando-me em cultura.

Mamuskas, Macabéas, Kareninas,

Entre travesseiros e corvos eu sonho.

Embarco nessa viagem com muita curiosidade.

Vamos juntas trilhando

Caminhos repletos de beleza e novidades.

Chego ao destino final

Com a certeza de que há muito ainda a se explorar.

Me pergunto quando será a próxima aventura,

E duas palavras saem voando do meu peito

Para pousar no papel

Em forma de poesia.

Obrigada, Patrícia!

*

Paulo Roberto de Jesus

Contato: poujesus@hotmail.com

Vestida de noiva

Muitas dúvidas na cabeça de Jorge. Pensava que o dia em que passasse dessa para outra esfera teria certeza das coisas, dos conhecimentos, mas que nada.  O casamento marcado com Virna tinha tudo pra dar certo. Isto dito no duplo sentido. O casamento enquanto vivência a dois, ou seja, a vida de um casal que se ama e o casamento enquanto festa. Sim. Estava tudo finalizado para os comes e bebes. Igreja, salão de festas, comidas, bebidas e tudo o mais estava providenciado.

Jorge foi à casa de Virna para passar algumas horas com a noiva. Faltava uma semana para o casamento. Virna era só alegria. Jorge chegou de supetão e viu Virna experimentando o vestido de noiva. Fazendo os últimos ajustes com o auxílio da mãe Josélia. A mãe de Virna disse para Jorge sair porque não é de bom agouro que o noivo veja a noiva com o vestido de noiva antes do casamento. Jorge deu uma sonora gargalhada e disse pra sogra que isto é bobagem, superstição, coisa de gente que acredita em mula-sem-cabeça. Josélia respondeu que acreditava porque, como diz o povo, onde há fumaça há fogo, e não é de bom tom brincar com a sabedoria popular.  Jorge não deu ouvidos e inclusive ajudou a sogra a ajustar o vestido da amada. Aproveitava a ocasião para dar uns leves beliscões em Virna com o intuito de provocá-la.  A noiva também não gostou da ideia de Jorge ajudar no ajuste do vestido, mas como o noivo teimava em ficar, concordou.

Após o ajuste, lancharam e dona Josélia deixou o casal a sós. Trocaram beijos e carícias antes de Jorge retornar à casa.  Ao se despedir, o jovem beijou a noiva, subiu em sua moto e dirigiu-se para casa. Andava tranquilo e dentro da velocidade da via. A neblina, serração como chamamos em Curitiba, era alta e não deixava Jorge ter visibilidade do que estava a sua frente. O rapaz seguia tranquilo quando de repente bummmm. Tudo apagou. Tudo ficou escuro. Então Jorge viu a moto toda torta com a batida e um corpo estendido no chão. O corpo parecia ser o seu. Não entendia direito o que havia acontecido. Viu uma caçamba de resíduos deixada no meio da via e viu que a falta de visibilidade o impediu de ver a caçamba e, embora estivesse na velocidade recomendada, o choque foi o suficiente pra retirar-lhe a vida.                

Via o corpo no caixão sendo velado na capela. Via sua noiva inconsolável. A sogra e os amigos chorando. Todos lamentando o acontecido. Pensou quem será o infeliz que colocou aquela caçamba fora de lugar e provocou o fim de sua vida e o enorme sofrimento da noiva? De repente um silencio total e Jorge vê Josélia dizer para Virna e um grupo de pessoas que a rodeavam que ela havia prevenido o genro que não é de bom agouro ver a noiva com o vestido de casamento antes do casamento. O teimoso não acreditou.

Escrita Criativa em mim* – Outubro, 2020 | Patricia Gonçalves Tenório**

Capítulo 3 – Literatura e outras artes

“– Três gerações de mulheres são convidadas a salvar o Rei do Amor Perfeito. Ele está preso na mais alta torre da Vila do Castelo. Ariana é convidada a entregar-se a esse abismo, onde se ama e se é amado.”

Assim começava o espetáculo teatral As joaninhas não mentem, cuja estreia aconteceu em maio de 2011, no Palco Giratório do SESC de Casa Amarela, e depois seguiu, em junho do mesmo ano, para o Teatro Joaquim Cardozo no Derby.

No capítulo 2 de Escrita Criativa em mim, apreendemos em outra língua a maneira como Balzac, e Flaubert, e Baudelaire, e Proust construíam seus textos grandiosos. Fomos na fonte de alguns dos maiores autores da Literatura Ocidental, para nos alimentarmos, e fazermos crescer a nossa própria escrita.

Mas não somente de textos alimentamos a Escrita Criativa. Ela também é provocada (e muito) pela leitura dos quadros e das esculturas nos museus do mundo inteiro. E dos espetáculos de música, dança e teatro. Como eu disse, neste mês de outubro de 2020, em entrevista para a poetisa e escritora Bernadete Bruto (PE – Brasil):

“A escrita, por ser também uma arte, está ligada, inexoravelmente, às outras formas de expressão. Não consigo dissociá-la da música, das artes plásticas, do cinema, da fotografia. Para mim, elas provocam umas às outras, ajudam umas às outras a ampliarem as suas fronteiras. Por fazerem parte de um todo só.”

Então retornamos ao espetáculo teatral As joaninhas não mentem. As mesmas joaninhas que lançamos em Paris, na Librairie Portugal, no 146, Rue du Chevaleret. A proposta era adaptar para uma hora de espetáculo um livro de cem páginas.

A adaptação correu por conta e risco meus. O diretor Jorge Féo me convenceu de adaptar o texto para espaço e tempo reduzidos, e confesso que sofri muito cortando falas, modificando, na minha imaginação, o perfil físico e psicológico dos personagens, para se encaixarem nos jovens atores e atrizes que os interpretavam. Foram seis meses de ensaios, e cortes de falas pelos próprios atores e atrizes, até eles vestirem a pele dos personagens e nunca mais eu conseguirei ler meu livro sem pensar nessa montagem, como afirmo no vídeo abaixo.

O próximo capítulo desta coluna irá percorrer os corredores dos concursos literários, na busca pelo reconhecimento da Escrita Criativa em mim.      

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* Coluna publicada mensalmente nos blogs www.veragora.com.br/tesaoliterario e www.patriciatenorio.com.br.      

** Escritora, dezessete livros publicados, sendo um em formato vídeo-podcast, e mais três no prelo, mestre em Teoria da Literatura (UFPE) e doutora em Escrita Criativa (PUCRS). Contatos: grupodeestudos.escritacriativa@gmail.com e https://www.youtube.com/estudosemescritacriativa     

    

Poema Trilíngue de Antonio Aílton*

* Antonio Aílton (Bacabal-MA, 1968) é poeta, ensaísta, professor. Graduado em Letras Português/Francês e mestre em Educação (Cultura e Imaginário) pela UFMA. Doutor em Teoria da Literatura pela UFPE (2017), com a tese Martelo e flor: Horizontes da forma e da experiência na poesia brasileira contemporânea (EDUFMA, 2018). Recebeu prêmios em livros de poesia e ensaio, tais como Prêmio Literário e Cultural Cidade de São Luís e o Prêmio Cidade do Recife – Prêmio Eugênio Coimbra Júnior, 2006. Livros publicados: Cerzir (Poesia, Penalux, 2019), Compulsão agridoce (Poesia, Paco Editorial, 2015); Os dias perambulados & outros tOrtos girassóis (Poesia, Fundação de Cultura do Recife, 2008); As habitações do minotauro (Poesia, Fundação Cultural de São Luís, 2001); e Humanologia do eterno empenho (Ensaio, com o qual recebeu o Prêmio Cidade de São Luís, 2003). É membro da Academia Ludovicence de Letras – ALL (Academia de Letras da cidade de São Luís – Maranhão). Contatos: ailtonpoiesis@gmail.com e www.antonioailton.wordpress.com

Poema de Cilene Santos*

SUSSURROS DE UM PASSADO

12/10/2020

*

Essas tardes…

Essas tardes de sábado

Trazem-me lembranças 

Tão antigas

Tao fortes

Tão presentes

Que sinto-as hoje

Como se fossem de hoje

As lembranças

Resistiram ao tempo

A distância

Às intempéries da alma

O coração se alegrava

O pensamento te trazia

Enquanto te esperava

Chegavas!

Trazias brilho ao meu olhar

Sorrisos ao meu rosto

Eras festa em minha vida

Agora só saudades!

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* Cilene Santos, escritora, poeta, cordelista. Professora graduada em Letras, com especialização em Língua Portuguesa. Membro da Academia Caruaruense de Literatura de Cordel, ocupando a cadeira nº 08, e tem como patrono Dimas Batista. Publicou Branca de Neve e os Sete Anões em Versos e A vida de Joel Pontes, em cordel. Participou dos Estudos em Escrita Criativa 2018 de Recife. Contato: cilenecaruaru2013@gmail.com

Sinos = Campanas* | Clauder Arcanjo**

Quero a brevidade da arte, que se

eterniza nos dobres de um sino e no

ombro do pássaro fugaz.

*

Quiero la brevedad del arte, que se

eterniza em los repiques de uma campana

y en el hombro del pájaro fugaz.

(Clauder Arcanjo)

Sinos de espanto

*

Na manhã, palco das hóstias do sol

Ouvi o espanto de outra partida

: melada de entrega, fé e silêncio

Benta por lágrimas de dor maior.

*

O sino de vidro repicava o espanto

Convite para o acalanto da morte

No cemitério, arrepiava-me, seria

Plantada a semente de mais um anjo.

*

Campanas de temor

*

En la mañana, palco de las hóstias del sol

Oí el temor de otra partida

: pegajoso de entrega, fe y silencio

Bendita por lágrimas de gran dolor.

*

La campana de vidrio repicaba el temor

Invitación para el canto de cuna de la muerte

En el cementerio me escalofriaba, como

Plantada la simiente de otro ángel.

*

Sinos de maio

*

De onde me vem este cheiro de maresia,

Se meu mundo é sertanejo, árido e seco?

De onde me surge este azul nos olhos,

Se minha tristeza é cinza, pó e brejeira?

De onde me surge este verso de encanto,

Se minha dor só pune e fere, tal carpideira?

*

No calendário, a folhinha de maio balança,

Ao som dos sinos, festivos neste maio incomum.

*

Campanas de mayo

*

¿De dónde me sienten este olor de marea,

Si mi mundo es sertanejo***, árido y seco?

¿De donde me surge este azul en los ojos,

Si mi tristeza es ceniza, polvo y nostalgia?

¿De donde me surge este verso de encanto,

Si mi dolor sólo castiga y hiere, tal plañidera?

*

En el calendario, la hojita de mayo balancea,

Al son de las campanas, festivas em este mayo inusual.

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* Sinos = Campanas. Clauder Arcanjo. Tradução: Alfredo Pérez Alencart. Fotografias: José Amador Martín, Marcão Melo, Ricardo Chrisóstomo. Mossoró: Sarau das Letras; Salamanca [Espanha]: Trilce, 2019.

** Clauder Arcanjo nasceu em Santana do Acaraú, Ceará, graduado em Engenharia Civil. Editor-Executivo da editora Sarau das Letras, produz e apresenta, na TCM Telecom, o programa Pedagogia da Gestão. Membro da Academia de Letras do Brasil (ALB), da Academia Norte-rio-grandense de Letras (ANRL), da Academia Mossoroense de Letras (AMOL), bem como de outras entidades. Autor dos livros de contos Licânia (2007), Lápis nas veias (2009), Separação (2017) e Mulheres fantásticas (2019); além de Novenário de espinhos – poemas (2011), Uma garça no asfalto – crônicas (2014), Pílulas para o silêncio/Píldoras para el silencio (2014) – aforismos poéticos –, vencedor do Prêmio Geir Campos, da União Brasileira dos Escritores/RJ, do romance Cambono (2016), da novela O Fantasma de Licânia (2018), e d’A província em exílio – discursos (2019). No prelo, Carlos Meireles: ofício de bibliófilo – resenhas literárias.

** Clauder Arcanjo nació en Santana do Acaraú, Ceará, formado en Ingeniería Civil. Editor-Ejecutivo de la editorial Sarau das Letras, produce y presenta, en la TCM Telecom, el programa Pedagogía de la Gestión. Miembro de la Academia de Letras do Brasil (ALB), Academia Norte-rio-grandense de Letras (ANRL), Academia Mossoroense de Letras (AMOL), igual que de otras entidades. Autor de los libros de cuentos Licânia (2007), Lápiz en las venas (2009), Separación (2017) y Mujeres fantásticas (2019); además de Novenário de espinhos – poemas (2011), Una garza sobre el asfalto – crónicas (2014), Pílulas para o silêncio/Píldoras para el silencio (2014) – aforismos poéticos –, vencedor del Premio Geir Campos, de la Unión Brasileña de Escritores/RJ, de la novela Cambono (2016), de la novela El Fantasma de Licânia (2018), y de La provincia en el exilio – discursos (2019). En prensa, Carlos Meireles: oficio de bibliófilo – reseñas literarias.

*** sertanejo: hombre que tiene origen y que vive en el agreste del Nordeste del interior de Brasil.

Perfume de Elba Lins* | Patricia Gonçalves Tenório**

Outubro, 2020

Tímida, ela vem em minha direção. É uma noite de julho de 2011, ao final do último espetáculo teatral As joaninhas não mentem. Traz consigo o livro de mesmo nome para eu autografar.

Alguns dias se passam. Abro a caixa de entrada e encontro um e-mail de Elba Lins sobre o impacto que a leitura do meu segundo livro lhe causara. Naquele instante epifânico, nasce o nosso diálogo.

“Hoje só desejo estar neste pequeno quarto e amanhã despertar, com o sol batendo na minha janela.

Hoje não preciso de amigos, não quero amantes, quero acordar bem cedo e lavar minhas mágoas, minha face e minha alma; colocar meu chapéu de palha e sair ao sol.

Vou percorrer campos de girassóis e firmar na minha retina as cores do mundo para poder transpô-las para as telas de linho dispostas na minha varanda, à espera da luz das cores adormecidas no branco inerte das telas. Nelas vou colocar a beleza dos campos, os detalhes de todas as coisas e a dança luminosa que só eu percebo nelas.

Mesmo que me isole do mundo e me torne um louco na visão dos outros, ainda assim, surpreenderei a todos com a beleza da minha obra.”[1]

Elba lê todos os meus livros e me transmite paz. Não a paz dos cemitérios, mas aquela plena de vida, e luz, e cores, e arte, reverberando em todas as células, em todos os cantos do ser.

“Queria voar como estes pássaros que esperam minha morte.

Queria fluir livre no céu azul

Encontrar minha tribo perdida

Minha paz

Mas meu sangue flui para esta terra seca

E estes pássaros não me deixam voar

Preciso lutar!

Preciso fugir!

Preciso viver!”[2]

O barro do poema, da prosa ficcional ou teórica já existiam em Elba Lins, guardados em um oráculo precioso, bastando apenas o afeto, as leituras dos clássicos, o dar-se as mãos em dança circular de amigas para se criar confiança, dar os primeiros passos – os mais difíceis – e deixar-se queimar no fogo primevo da criação, feito uma fênix desmesurada.

“Fogo primevo!

Que queima, me molda

E funde o barro amorfo.

Fogo criador,

Que me transforma

Em ser vivente.

*

Fogo selvagem!

Que me levou um dia

Pelas asas da paixão…

Que me inflou por dentro

E me fez

Brasa que queima.

*

Fogo lento!

A aquecer

Meus dias,

Minhas noites,

Doces e serenas.

*

Fogo, companheiro do fim

Que queima o que criou…

O que ontem foi meu corpo ardente

E hoje frio e sem vida

Arde contigo

No nosso encontro final.”[3]

Elba percorre os caminhos tortuosos da escrita, tantas vezes difíceis de se trilhar. Mas ela não se encontra só. Ela reconhece companheiros e companheiras de mesma dor, mesma luz, mesma busca de sentido que a verdadeira arte nos dá.

Oh, lume!

Oh, luz sagrada!

Alumia o meu caminho

Já percorri estradas

Já escalei montanhas

Sem nada encontrar

Cheguei a rios

Mas tive medo de mergulhar

Dancei cirandas fados e tangos

Me perdi nos passos

Do eterno buscar

Fiz poemas

Escrevi dor

Fugi por ruas escuras

Com alma em brasa a me perturbar 

Falei línguas, teci histórias

Deixei de falar

Me escondi de mim

Garimpei pelos caminhos

Pelos atalhos, rios, riachos

Buscando pedras preciosas e gema brilhante

Não pude alcançar

Parei de correr

Parei de andar

Olhei para dentro de mim

E encontrei a semente

Da flor de criar[4]

E, com a estatura de mulher inteira, escritora plena, aroma de primavera desabrochando no verão nordestino brasileiro, entre borboletas e girassóis, Elba Lins encontra-se pronta para voar, para lançar palavras ao vento, papel e tinta, amiga de Ariana, a Rainha do Amor Perfeito dos próprios versos, contos e reflexões.

Borboletas

Luz pálida

Orvalho

Grama verde

Sorriso

Corais

Madrepérola

Tuas mãos

Flor de algodão

Beija-flor

Cor lilás

Nuvem de pó

Flauta doce

Amanhecer

Abelha

Pérolas

Cristal

Raio de luz

Tua pele

Arrepio

Arco-íris

Cetim

Papel em branco

Girassol[5]


* Elba Santa Cruz Lins (Monteiro/PB, 1957) é formada em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Pernambuco (1979), com MBA em Gestão de Negócios (EAD) pela PUC-PR. Trabalhou durante 34 anos na área de Telecomunicações da CHESF (Companhia Hidroelétrica do São Francisco). Atualmente aposentada, dedica-se à escrita. Fez curso de Contação de Histórias no Zumbaiar (Recife). Faz poesias, há cinco anos participa dos Estudos em Escrita Criativa, sob a coordenação de Patricia Gonçalves Tenório, e cursou a primeira turma da Especialização Lato Sensu em Escrita Criativa – Unicap/PUCRS (2019.2/2020.2). Lançou em 2017 seu primeiro livro de poemas, Do outro lado do espelho: O feminino em estado de poesia. Participou com textos teóricos da trilogia Sobre a escrita criativa (2017, 2018, 2020). Destaque Literário (projeto de Bernadete Bruto) da Cultura Nordestina (Salete do Rêgo Barros) no mês de outubro, 2020. Contato: elbalins@gmail.com

** Escritora, dezessete livros publicados, sendo um deles em formato vídeo-podcast, e mais três no prelo, mestre em Teoria da Literatura (UFPE) e doutora em Escrita Criativa (PUCRS). Contatos: grupodeestudos.escritacriativa@gmail.com e https://www.youtube.com/estudosemescritacriativa

[1] Elba Lins, 06/09/2016, “A luz das cores”. Texto escrito a partir da observação de um postal, exercício do grupo de Estudos em Escrita Criativa, composto por Bernadete Bruto, Elba Lins e Patricia Gonçalves Tenório.

[2] Elba Lins, 19/08/2017, 12h31, a partir da capa de Chão arejado, de Marcos Torres, Interpretações gráficas de Uilian Novaes, Guaratinguetá, SP: Penalux, 2017, no encontro de agosto, 2017, do grupo de Estudos em Escrita Criativa, composto por Bernadete Bruto, Elba Lins, Luisa Bérard, Patricia Gonçalves Tenório e Talita Bruto.

[3] Elba Lins, “Fogo – Do Barro à Pira, Companheiro de Vida”, 20/08/2017. Poema escrito no último encontro dos Estudos em Escrita Criativa 2018, aberto ao público na Livraria Cultura do Shopping RioMar, Recife, em 10/11/2018.

[4] Elba Lins, “Buscando o sentido da vida”, 06/04/2019. Poema escrito na aula sobre o Brasil do curso de extensão Estudos em Escrita Criativa na Unicap.

[5] Elba Lins, “Leveza”, 01/08/2020. Exercício de desbloqueio em quinze minutos do módulo sobre o Japão dos Estudos em Escrita Criativa On-line. Elba utiliza uma de suas técnicas favoritas: as listas de Sei Shônagon.

apaguei a playlist / comecei a dançar* | Fernando de Albuquerque**

logo acabou a infância

veio aquele desejo louco de ir embora

quis ser padre frade noviço rebelde

sempre apaixonado pelo padre amaro

ele era doce e hostil

como devem ser as paixões do eça

*

daí foi só cultivar o bigode

cavanhaque costeletas

cabelo grande ou curto

há sempre uma estratégia certa ereta

incerta

o assanhado começou a me dar um ar

de adulto sedutor

que nunca tive

Fernando de Albuquerque

Deve-se ler este primeiro livro de Fernando de Albuquerque como quem está apaixonado. Ele utiliza o eu-lírico não só para revisitar seus desejos, mas também para colocar os pingos nos is e se elevar. Ele trabalha com a memória da guerra interior, depois da paz estabelecida.

Quando a gente lê apaguei a playlist / comecei a dançar, músicas vão se amplificando nas páginas e nos sentimentos do leitor. Dá vontade de fechar os olhos depois de cada poema, só para reconstituir cada passo. Dois pra lá, dois cá. Ou levantar e dançar numa pista imaginária.

O livro é erguido sobre o que restou dos escombros afetivos e de seu repertório sofisticado. Personagens e eventos de outrora desfilam pelos versos, sempre trazendo uma reflexão filosófica, ora pra botar o dedo na ferida, ora para aliviar a dor, como uma espécie de merthiolate.

Nos poemas, Fernando tem um cuidadoso trabalho com a linguagem e o faz a partir de um olhar inusitado, que surpreende e foge do lugar comum. Um bom exemplo é o poema “AHTÓH YÉXOB”, no qual uma atriz entra em cena com um cavalo e dispara frases aparentemente desconexas para a plateia. O humor e a ironia estão presentes em todos eles.

Os poemas são como pequenos monólogos destinados a uma plateia de homens: o vizinho, o drogado, o prostituto, o boy lixo, o pintoso, o da rua. Fernando tocou meu coração e, agora, vai tocar o seu.

Cleyton Cabral

ouvindo menino do rio, na voz de baby,

enquanto escrevia estas linhas.

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* apaguei a playlist / comecei a dançar. Fernando de Albuquerque. Prefácio: Cleyton Cabral. Ilustrações: Márcio Junqueira. Projeto Gráfico: Fred Caju. Recife: Castanha Mecânica, 2020.

 ** Eu nasci em 1984, quando ainda se chorava a morte de Clara Nunes. Entrei para a faculdade de jornalismo querendo fazer Letras e foi lá que conheci meus melhores amigos. Li César Leal, João Cabral de Melo Neto, Carlos Pena Filho, Ascenso Ferreira e Cyl Galindo ouvindo New Order, The Clash e Portisehad.