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Índex* – Março, 2018

Quem espera

É um coração 

Valente

Que não cansa

De sonhar

Que não deixa 

De lutar

Por um pedacinho 

De sol

Um lugarzinho 

Que possa

Chamar de seu

E revele

A imensidão

De sua

Escrita

(“Quem espera não se cansa”, Patricia Gonçalves Tenório, 17/03/18, 10h50)

 

Um coração valente no Índex de Março, 2018 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Estudos em Escrita Criativa – Março, 2018 – Recife – PE | Com Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil), Bernadete Bruto (PE – Brasil), Cilene Santos (PE – Brasil), Ina Melo (PE – Brasil), Gabi Cavalcanti (PE – Brasil), Inalda Dubeaux Oliveira (PE – Brasil), Maria Eduarda Tenório de Oliveira e Silva (PE – Brasil).

Poema de Alcides Buss (SC – Brasil).

Encontros entre poetas: as cartas de Geraldino Brasil (AL/PE – Brasil) e de Jaime Jaramillo Escobar (Colômbia) | Organização Beatriz Brenner (PE – Brasil).

Cadê Miguel? | Carol Bradley (PE – Brasil).

Branca de Neve e os sete anões: Uma releitura em versos | Cilene Santos (PE – Brasil).

Agradeço a atenção e o carinho, a próxima postagem será em 29 de Abril, 2018, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index* – March, 2018

 

Who waits

Is a brave

Heart

That does not get tired

From dreaming

That does not leave

To fight

For a little bit

Of Sun

A little place

That can

Call your own

And reveal

The immensity

Of your

Writing

(“Who waits does not get tired”, Patricia Gonçalves Tenório, 03/17/18, 10h50)

 

A brave heart in the Index of March, 2018 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

Studies in Creative Writing – March, 2018 – Recife – PE | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil), Ina Melo (PE – Brasil), Gabi Cavalcanti (PE – Brasil), Inalda Dubeaux Oliveira (PE – Brasil), Maria Eduarda Tenório de Oliveira e Silva (PE – Brasil).

Poem by Alcides Buss (SC – Brasil).

Encounters among poets: the letters from Geraldino Brazil (AL/PE – Brasil) and from Jaime Jaramillo Escobar (Colombia) | Organization Beatriz Brenner (PE – Brasil).

Where’s Miguel? | Carol Bradley (PE – Brasil).

Snow White and the Seven Dwarfs: A Rereading in Verses | Cilene Santos (PE – Brasil).

Thank you for the attention and the affection, the next post will be on April 29, 2018, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Um pedacinho de sol para chamar de seu (Recife – PE, Brasil). A little piece of sun to call your own (Recife – PE, Brasil).

Estudos em Escrita Criativa – Março, 2018 – Recife – PE

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O primeiro encontro dos Estudos em Escrita Criativa em Recife – PE foi surpreendente. Sabíamos da demanda por um curso nesse formato, mas não esperávamos encontrar tantas pessoas interessadas, inteligentes e criativas em um mesmo espaço-tempo.

Tratamos do tempo em nosso primeiro encontro. Com teóricos e artistas relacionados ao tema na primeira parte do encontro, a apresentação de escritos próprios e de outros autores clássicos da literatura brasileira pela escritora e professora Flávia Suassuna, na parceria com a UBE, na terceira parte do encontro.

E os textos produzidos na segunda parte do encontro. Trago hoje alguns exemplos do “verdadeiro celeiro da nova literatura pernambucana” (Laura Cortizo).

Convidamos a participarem dos nossos próximos encontros de abril, 2018, tanto em Recife quanto, com a novidade da parceria com a PUCRS, também em Porto Alegre.

Agradecemos a atenção e o carinho, grande abraço e até breve,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

 

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Bernadete Bruto

Contato: bernadete.bruto@gmail.com

 

NA CADÊNCIA DO TEMPO        

 

Olhou o relógio, restavam 15 minutos. A angústia lhe tomou a alma e lhe arrastou a mente para o vazio… Olhos parados, boca seca, daquelas onde um bom copo de água amainaria sua sede de histórias, sem muita complicação e num compasso do tempo em ritmo de valsa. Ah, um Danúbio Azul para se escrever ou uma Primavera…

Sente essa falta, com o peito arfando, a caneta deslizando no papel e os conceitos se misturando na cabeça. A autoestima ou sei lá o quê tolhe os sentidos. Talvez escrever seja um motivo para se mostrar importante, interessante aos olhos alheios…

Será que lutar contra o tempo nessa angústia compensa as cores do ócio? Não sabe. Está imersa numa roda viva que o caos da modernidade lhe carregou já faz 10 anos. O tempo, sempre o tempo…

Neste momento, ouve que tem mais cinco minutos! Então, larga a caneta. Sorrindo, deixa o papel assim mesmo rabiscado, porque sabe que tem uma vida inteira para aprender sem compromissos com o tempo. Uma existência na qual o tempo passará na cadência que seu coração bater.

 

Recife, 10 de março de 2018.

 

Cilene Santos

Contato: cilenecaruaru2013@gmail.com

 

Te Vi

 

Num momento

Criei a tua imagem

E te vi, vindo ao meu encontro.

Te abracei, senti-me amparada

E, abraçando-te,

Também fui abraçada.

Mas foi tão lépido

O tempo em que te tive

A tua imagem em mim

Se esvaiu.

E sumiste na estrada

Que criei.

Guardei em mim os pedaços do momento

Em que’stavas no mundo que inventei.

Olho o relógio,

Minha hora está chegada.

Quinze minutos eu tive

Pra pensar

Que o teu amor ainda era meu.

 

 

Gabi Cavalcanti

Contato: gabi.vieira.araujo@gmail.com

 

Acordar do desmaio foi estranho.

Primeiro vieram os sons, ainda confusos na escuridão de meus olhos fechados – as sirenes, os gritos de diferentes pessoas proferindo diferentes palavras, o sonoro cair das gotas de chuva.

A luz que invadiu minha visão poderia ter me cegado – os postes na beira da rua, a luz vermelha das ambulâncias e o brilho nos olhos daqueles que me rodeavam. E talvez hoje eu desejasse que a luz tivesse, sim, me cegado, para que não guardasse na memória a imagem aterrorizante do carro capotado, dos vidros quebrados em cacos que se espalhavam em solidariedade com os pedaços do meu coração. Meu coração, estilhaçado ao sentir a ausência daquele que estivera ao meu lado antes da chuva levá-lo para longe de mim.

Quem sabe, se tal visão não estivesse tão pregada em meus olhos – tão concentrados no passado – eu pudesse olhar para o futuro com a alma mais leve.

 

Ina Melo

Contato: inamelo2016@gmail.com

 

A Menina e o Tempo

Imagem de Ina Melo

Nina surgiu entre as flores do jardim. Branca como a luz da manhã! Leve como a brisa suave da Primavera! O cheiro exalado do pequeno corpo, lembrava os campos de alfazema. Trazia nas mãos morangos silvestres,  que vez por outra mordiscava deixando os lábios vermelhos. Pássaros arrulhavam ao redor e o riso fácil explodia naquele amanhecer, onde o tempo, de ontem, hoje e amanhã surgia abraçado numa só felicidade!

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O Tempo

 

O tempo pra mim é o momento. O hoje. O agora. Nele eu vejo passar o filme de toda uma vida. Da infância à maturidade, logo seguindo para o entardecer que é finalmente, a velhice. O tempo é vida. É prazer. É luz e acima de tudo, o tempo é amor! (Escrita Criativa. 10/03/018)

 

Inalda Dubeux Oliveira

Contato: inaldaoliveira@uol.com.br

 

O RESULTADO DA PRESSA

 

Era uma tarde de verão e eu chegara da feira, cansada, ainda sentindo o cheiro dos legumes, frutas, peixes e demais componentes do que seria consumido por todos.

Na sala, logo percebi a bagunça normal e feliz deixada pelos meus dois filhos de 7 e 9 anos. Brinquei um pouco com eles e percebi que tinha pouco tempo para me preparar para o casamento ao qual deveria comparecer à noitinha.

Vestido longo, sapato alto, cabelo penteado, escolhi um perfume mais cítrico. Gostei de ver que o tecido do vestido era macio e não facilmente “machucável”.  Quase pronta! Como todo marido, o meu ficou pronto antes e desceu para tirar o carro da garagem.  Logo começou a buzinar impacientemente.

Quando já ia descer, claro que os dois meninos pegaram uma briga com tapas e pontapés que logo tive que apartar. Nova buzinada. Pego minha bolsa e corro.

Chego à igreja me achando linda: desfilo feliz da vida pela nave central, cumprimento os conhecidos, encontro meu lugar num banco e deposito minha bolsa ao meu lado. E levo um susto: entre mim e meu marido está uma bolsa de feira de vime, grande, quadrada e com alças de cordas. Pergunto ao marido – “de quem é esta bolsa?” – embora já saiba a resposta. Com a calma da inocência masculina ele responde: ”É sua, é claro. Você acabou de botá-la aí”.

Quase morta de vergonha, descubro que ao apartar a briga dos filhos e na pressa para descer correndo, peguei a bolsa de feira em vez da bolsa de toalete. E pensar que desfilei pela nave central da igreja….!

Ainda bem que o marido concordou em sair e levar a maldita bolsa a tiracolo para escondê-la no carro.

 

Maria Eduarda Tenório de Oliveira e Silva

Contato: duda.tenorio@hotmail.com

 

Sentada no chão, me proponho a criar através da presença. Esta presença, porém, tem resquícios do presente do passado, com a sugestão que me foi feita de escrevê-la. Ao me propor escrever sobre o que acontece agora, para ser lido no futuro do presente, que é, no mais profundo, apenas especulativo, observo diversos pensamentos que me atravessam para me tirar daqui e outros que estão diretamente conectados com o que está acontecendo agora.

Sinto um profundo bem-estar e expansão da minha percepção a agir sem só me jogar para frente, mas sim para dentro.

Me questiono quão para dentro posso ir, com um intenso pedido de que seja muito. Se estou aqui, que eu esteja aqui. Muito aqui. Sinto em minha mão meus músculos e nervos sendo trabalhados por escrever continuamente, sinto a posição do meu corpo inteiro e as sensações que dele emanam. Minhas pernas estão em uma posição que sempre gostei de ficar – percebo como esse agrado é uma ponte entre o passado e o presente – minhas costas estão confortáveis e minha respiração me massageia por dentro.

Percebo também as cores que meu campo de visão alcança. Sinto uma sensação muito aconchegante dos meus pés. É engraçado o exercício de escrever o presente antes que vire passado. É um bom tipo de história para se construir. Volto às cores. A capa da apostila amarela, contrastando com o misto de roxo em tons claros e escuros e azul do chão que me deixa feliz. Amarelo me remete à alegria, e roxo me remete à profundidade. Essa mistura combina com o que sinto ao fazer esse exercício. Mistério. Roxo também é mistério. O mistério do eterno agora e o caminho dentro dele. A empolgação, e alegria, e a leveza do amarelo para temperar. Cores unidas e alegria, como uma música que ouvi no passado, mas se integra com o que acontece. E mais uma – passado presente, participo sendo o mistério do planeta.

 

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Programação – Recife e Porto Alegre:

Cartaz A3

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Sala de imprensa:

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Poema de Alcides Buss*

NO FIM DAS CONTAS

Poetas raramente creem na eternidade,
mas acreditam na imortalidade
das palavras.

Sim, das palavras!

Mais do que a si próprios,
bendizem os seres
e simulacros feitos de palavras.

De tal maneira enamoram-se
que por elas se deixam conduzir
e que elas mesmas digam
o que sonham
ou pensam de viver.

Não fossem igualmente tão mortais,
fariam deles, os poetas, seus arautos
eternos.

* Contatosalcides-buss@hotmail.com e www.alcidesbuss.com

Encontro entre poetas: as cartas de Geraldino Brasil e de Jaime Jaramillo Escobar* | Organização Beatriz Brenner

Ponto de partida

 

Em 13 de novembro de 2010, assistia à conversa do autor convidado, Benjamin Moser, sobre a biografia que escrevera de Clarice Lispector, intitulada Clarice,. O momento fazia parte da programação da VI FLIPORTO – Festa Literária Internacional de Pernambuco, que acontece, anualmente, na cidade de Olinda.

A vibração de Moser, enquanto respondia as perguntas que lhe fazia o interlocutor, era tão forte, que me alcançou na plateia. Fui tocada.

Naquele instante, decidi escrever também uma biografia. Mas logo a pergunta: sobre quem? Gerou-se um certo esforço para que a resposta viesse à tona. Os sons das palavras vibrantes de Moser se misturavam aos meus pensamentos embaralhados. Finalmente, a luz! O biografado seria o poeta Geraldino Brasil, pensei quase em voz alta… Ele que esteve meu pai, enquanto seu período na terra. Nada mais justo.

Senti-me preenchida de certezas e profunda alegria, já que à minha vida, a partir daquele momento, havia sido acrescido mais sentido psicológico. E que sentido!

Alguma explicação ao leitor, no entanto, é necessária, para que compreenda sobre como foi possível prosseguir com a ideia. Em 1996, logo após a partida de papai, contratei a bibliotecária e amiga Lúcia Moura para catalogar o vasto arquivo do poeta. Quis evitar qualquer extravio do material de valor inestimável. E, como era e ainda sou a única representante da família no Brasil, senti-me redobradamente responsável.

Para iniciar a pesquisa, pensei em ir a Alagoas, aos lugares por onde passou, no Engenho Boa Alegria, onde nasceu. Até fiz alguns contatos. Porém, em meio às minhas elucubrações (que não foram poucas”, “algo” me levou até as cartas, em especial as que meu pai trocara com o também poeta e seu tradutor colombiano, Jaime Jaramillo Escobar. Lendo-as por cima, percebi que as informações de que precisava estavam ali. Acheia-as preciosas por estarem, claro, escritas na primeira pessoa. Ou seja, eles mesmos desvelariam suas próprias histórias:

– Em 1933 tinha eu 7 anos. Nasci no campo, vim para a cidade quando você nascia. Morei em muitas ruas em Maceió…

 

– Region escarpada y pobre, en Antioquia – donde nascí – la vida es violenta y azarosa. La aridez y la avaricia de sus gentes y su utilitarismo corresponden a la psicologia de un país de asesinos y ladrones…

Que maravilha! Só faltava organizar meu tempo e mergulhar na leitura, agora atenta, das cartas. Leitura que me permitisse selecionar trechos cujos assuntos se inter-relacionassem. Até aí, não tinha a menor ideia de como iria compor o livro.

A correspondência com o poeta Jaime havia sido arquivada em duas pastas distintas: “Cartas masculinas/Emitidas – Jaime Jaramillo Escobar” e “Cartas masculinas/Recebidas – Jaime Jaramillo Escobar”. As “Emitidas” eram em cópias-carbono, costume que papai adotava sempre que escrevia a alguém. No total, foram consultadas 131 cartas: 73 enviadas a Jaime e 58 recebidas de Jaime; inúmeros postais e bilhetes.

Bem, para evitar ferir os valiosos originais, providenciarei a reprodução de todo esse material.

À medida que lia, me deslumbrava. Os assuntos abordados eram atualíssimos e de grande alcance, além de serem expostos com transparência, abertura e humor! Mas, para que esse deslumbre não viesse a interferir em meu trabalho, precisei ter um diálogo comigo mesma. Inquietava-me pensar que, o que quer que eu fosse produzir, não deveria ser movido por qualquer excesso de emoção. Geraldino e Jaime fluiriam livremente. Afinal, foram 16 anos – de 1979 a 1995 – de troca de cartas. Um longo período que lhes foi agraciado, para que amadurecessem. Amadurecessem ao ponto de se tornarem amigos e confidentes, motivo que os levou a ultrapassar os limites do campo da poesia, razão maior pela qual o destino os uniu.

Nunca se viram pessoalmente, porém a sensação era de se conhecerem há muito tempo – e sobre isso se expressa papai em sua carta de 24 de agosto de 1982:

Já te disse tantas vezes, não nos conhecemos apenas desde 1979.

Para não ocupar o tempo do leitor, tampouco espaço, neste livro, com questões corriqueiras, selecionei trechos que viessem a instigá-lo a uma reflexão, ou mesmo que viessem a surpreendê-lo pela originalidade das percepções dos poetas.

Outra decisão importante foi a de conservar as missivas com o mesmo frescor dos idiomas com os quais eles se comunicaram em suas respectivas línguas-mãe.

A decisão surgiu a partir da crença de que os que fossem ler este livro seriam capazes de compreender não apenas os idiomas em si, mas, principalmente, teriam a possibilidade de penetrar nos sutis meandros das expressões dos poetas. Sim, a pontuação, ortografia e eventuais erros gramaticais também foram respeitados.

Muitas outras cartas foram catalogadas por Lúcia em pastas diversas. Cartas de/para poetas, leitores, jornalistas e críticos literários, entre tantas outras. Material tão rico, que poderia se tornar um compêndio literário, caso optasse em dedicar o resto de minha vida para fazê-lo…

Uma lástima, no entanto, que esse modo de nos correspondermos esteja em extinção com o advento e a supervalorização da tecnologia. A sensação gostosa da expectativa da chegada do carteiro – e como curtíamos a vibração do nosso pai! A renovação que as cartas lhe traziam. A alegria de escrever a alguém e de imaginar este alguém recebendo, tocando, abrindo e até querendo sentir os cheiros do outro, não há comparação. Essa dinâmica humana está longe de ser resgatada…

Foi graças ao intercâmbio epistolar entre meu pai e Jaime que cada uma de nós – mamãe, a mana Moema e eu – pôde vivenciar uma experiência de poucos. Experiência essa que até hoje repercute e que ao longo da elaboração desta obra, me emocionou por várias vezes.

Por meio de alguns relatos, cheguei a sentir as dores que meu pai sentira quando menino, jovem e adulto, algumas das quais eu ainda desconhecia, como as suas alegrias também. Em outros momentos, sorri, até gargalhei. Xinguei, falando alto com algumas das situações e com quem nelas estava envolvido. Conversei com ele, e até me surpreendi com certas observações que fez sobre mim em particular. “O que, papai?! Você pensava assim!?”, exclamei várias vezes…

O mais incrível foi que, ao ler as cartas, revisitei momentos de grande intensidade e significado de minha própria vida. Jovem, sonhadora, atenta ao futuro e, ao mesmo tempo, contida e eufórica diante das descobertas do presente. Foi a esse meu ambiente psicológico que a experiência de meu pai se somou e dela tirei uma das mais puras, plenas e sinceras lições de vida.

Por isso, e muito mais, tenho pelos poetas Geraldino e Jaime uma gratidão enorme, sem contar com a afinidade e amor que sinto por ambos. Eles me ensinaram que uma verdadeira e rica amizade pode ser, sim, fortemente mantida, nutrida e perpetuada mesmo com a dificuldade assinalada por uma distância física de cerca de 4600 quilômetros.

Com amor,

Beatriz Brenner

Bairro das Graças, Recife

Janeiro de 2014

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Extraído de Encontro entre poetas: as cartas de Geraldino Brasil e de Jaime Jaramillo Escobar. Organização: Beatriz Brenner. Recife: Cepe, 2016.

Cadê Miguel?* | Carol Bradley**

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* Extraído de Cadê Miguel? Carol Bradley. Ilustração: Leonardo R. Malavazzi. 1ª ed. Recife, PE: Ed. do Autor, 2017.

** Carol Bradley nasceu no Recife, Pernambuco. É formada em Direito e Jornalismo pela UNICAP e autora dos livros “Nunca é Tarde para Recomeçar” e “Um conto por dia”. É casada com Valério Veloso e mãe de Theo. Gosta de observar a realidade e transformar em literatura o que vê, ouve e imagina.

Atenta à forma com que as crianças lidam com a tecnologia, com olhos vidrados nos joguinhos, deixando muitas vezes de contemplar a natureza ou interagir com as pessoas, para fixarem-se nas telinhas coloridas, decidiu escrever essa história para alertá-las sobre a importância de também prestar atenção à realidade que nos cerca.

Contato: carol.bradley@frigorificoxinguara.com.br

Branca de Neve e os sete anões: Uma releitura em versos* | Cilene Santos**

Algumas palavras

 

No princípio seria um cordel, mas as ideias foram brotando e transformou-se em um livro, obedecendo ao modelo cordeliano de versificação.

Tomara que esta roupagem diferente, na apresentação deste clássico da Literatura Infantil, desperte na criança o gosto pela leitura e contribua para a formação de mentes críticas, capazes de entender e transformar o mundo.

 

Cilene Santos

 

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* Branca de Neve e os sete anões: Uma releitura em versos. Cilene Santos. Recife, PE: Editora da Universidade Federal de Pernambuco, 2017.

** Contato: cilenecaruaru2013@gmail.com