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Índex* – Janeiro, 2018

As palavras

Fizeram um acordo

Com a minha boca

E dela não saem mais

Fizeram um acordo

Com os olhos

E eles vão ler

Silenciosos

Com os ouvidos

E eles vão escutar

Estrelas

*

Porém

As palavras

Não conseguem

Adormecer 

As minhas mãos

Acordar com as minhas mãos

Uma página em branco

*

As mãos

São o instrumento 

Que me faz

Sentir humana

E sonhar

E perceber 

E escrever

A imensidão 

Do meu vazio

(“O ser e o nada”, Patricia Gonçalves Tenório, 14/01/2018, 17h55)

 

Uma página em branco a ser preenchida no Índex de Janeiro, 2018 no blog de Patricia Gonçalves Tenório.

Um conto | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

“Contos de areia” | Chico Alves d’Maria (RN – Brasil).

“Rio de Fogo” | Bruno Lacerda (RN – Brasil) & David de Medeiros Leite (RN – Brasil).

Estudos em Escrita Criativa – 2018 | Diversos.

Agradecemos a atenção e o carinho, a próxima postagem será em 25 de Fevereiro, 2018, grande abraço e até lá,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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Index*, January, 2018

The words

Made a deal

With my mouth

And they do not leave it any more

Made a deal

With the eyes

And they will read

Silent

With the ears

And they will listen

Stars

*

However

The words

They can not

Fall sleep

My hands

Wake up with my hands

A blank page

*

The hands

They are the instrument

That makes me

Feel human

And dream

And realize

And write

The immensity

Of my emptiness

(“Being and Nothing”, Patricia Gonçalves Tenório, 01/14/2018, 05:55 PM)

 

A blank page to be filled in the Index of January, 2018 in the blog of Patricia Gonçalves Tenório.

A tale | Patricia Gonçalves Tenório (PE – Brasil).

“Tales from the sand” | Chico Alves d’Maria (RN – Brasil).

“River of Fire” | Bruno Lacerda (RN – Brasil) & David de Medeiros Leite (RN – Brasil).

Studies in Creative Writing – 2018 | Miscellaneous.

Thanks for the attention and the affection, the next post will be on February 25, 2018, big hug and until then,

 

Patricia Gonçalves Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** Um verão em cor na praia de Boa Viagem – Recife – PE. A summer in color on Boa Viagem beach – Recife – PE.

Um conto | Patricia Gonçalves Tenório*

Saiu de casa bem cedo. Deixou a irmã e a mãe viúva dormindo. Pensou que hoje seria um dia bom.

Atravessou a avenida Boa Viagem com o carrinho cheio de guarda-sóis e cadeiras de praia. A maré cheia. A areia fininha.

Começou a armar um guarda-sol e duas cadeiras a cada metro no espaço que para si era reservado. O rapaz da barraquinha de côco já lhe deu bom dia e aguardavam os turistas chegarem, escolherem um lugar, divertirem-se com a festa do verão em cor.

Eram duas meninas. Clara e Letícia. Uma de nove anos; a outra, cinco. Brincavam na beira do mar, a mãe lia um livro de poemas. Alberto Caeiro e O guardador de rebanhos.

 

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do universo…

Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,

Porque sou do tamanho do que vejo

E não do tamanho da minha altura…[1]

 

O rapaz da barraquinha de côco lhe chamou, e foram juntos atender a pequena família. A mãe sentou, pediu uma água de côco, e ficou refestelando-se com o verão em cor. As meninas brincando na beira do mar, pareciam saber as noções de uma boa natação.

Pareciam.

Ouviu o grito com os nomes e virou-se advinhando o perigo. Letícia, a mais nova, sendo arrastada pela correnteza, e Clara ia no mesmo caminho. Buscou com os olhos um salva-vidas, mas não havia ninguém lá. Resolveu ir por conta própria e tentar salvar as criancinhas.

Quando ouviu o segundo grito, os pés, as pernas, os braços começavam a adormecer, como se não fosse mais acordar, como se houvesse engolido toda a água do mundo, e, as últimas coisas que viu do mundo foram as duas menininhas chorando e sendo retiradas do mar pelo par de salva-vidas.

E, lá longe, e mais longe, o amigo da barraquinha de côco com as mãos para cima, praguejando pelo ar.

(baseado em fatos reais)

(“O dia em que eu engoli o mundo”, Patricia Gonçalves Tenório, 20/01/2018, 20h02)

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Patricia Gonçalves Tenório (Recife/PE, 1969) escreve prosa e poesia desde 2004 e tem onze livros publicados, com premiações no Brasil e no exterior, entre elas, Melhor Romance Estrangeiro (2008) por As joaninhas não mentem, e Primo Premio Assoluto (2017) por A menina do olho verde, ambos pela Accademia Internazionale Il Convivio (Itália); Prêmio Vânia Souto Carvalho (2012) da Academia Pernambucana de Letras (PE) por Como se Ícaro falasse, e Prêmio Marly Mota (2013) da União Brasileira dos Escritores (RJ) pelo conjunto da obra. Mestre em Teoria da Literatura pela UFPE, atualmente é doutoranda em Escrita Criativa na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

(1) PESSOA, Fernando. O guardador de rebanhos. In Poesia completa de Alberto Caeiro. Edição: Fernando Cabral Martins e Richard Zenith. São Paulo: Companhia das Letras, 2005, p. 27.

“Contos de areia”* | Chico Alves d’Maria

JOÃO DA SEREIA

 

João da Sereia era um humilde pescador de um povoado praieiro no município de Areia Branca, no Rio Grande do Norte. O povoado consistia em no máximo uma centena de casas, não mais; e boa parte delas construída de palhas de coqueiro, como era o caso do casebre de João. Outra boa parte era feita de taipa e uma outra de tijolos. Havia ainda uma bodega que, além de cachaça, servia as mercadorias básicas da população: farinha, feijão, arroz, açúcar, sal, etc.; uma pequena capela, onde o padre aparecia uma ou duas vezes ao ano para rezar uma missa, e um pequeno cemitério. O povoado era cercado de alvas dunas que frequentemente se deslocavam de lugar sob o uivante vento marinho, com seu doloroso lamento, que principalmente à noite arrepiava as palhas dos coqueirais que, em noites sem luar, pareciam fantasmagóricos dançarinos.

A sua casa de chão de terra consistia em três cômodos: uma sala, um quarto e uma cozinha. A área de serviços ficava numa latada na parte de trás e o banheiro ficava do lado de fora. Na cozinha uma velha e pequena mesa com quatro tamboretes, um pote com água e um fogão de barro que cozinhava à lenha – e na parede da cozinha algumas panelas penduradas. No quarto, uma rede de casal e uma bacia para asseio.

João era casado com Francisca Silva, que recebia o apelido de Chica, e tinham dois filhos pequenos, Manoel e Raimundo, de nove e sete anos respectivamente, e ainda dividiam a casa com um pequeno cão, Duque.

A maioria dos moradores vivia da pesca. Além da pesca, algumas mulheres faziam renda e também ajudavam os maridos na confecção de redes e tarrafas. Havia ainda um ou outro que cultivava pequenos roçados de sobrevivência, onde se plantava principalmente feijão, melancia e jerimum.

João era conhecido por sua bondade com os vizinhos, menos favorecidos, como Dona Carmelita, viúva que tinha um casal de filhos pequenos e uma saúde frágil e cuja renda obtida com os trabalhos de rendeira nem sempre era suficiente para sustentar os filhos; e era comum João dividir com esse povo o produto de sua pesca. Mas João era famoso também por suas histórias de pescador. Histórias essas em que a maioria da população não acreditava.

A pesca era realizada em pequenas jangadas, em redes colocadas ao longo da praia, tarrafa ou linha. João pescava de tarrafa numa tarefa diária, que se iniciava de madruga, em extensa caminhada ao longo do litoral.

Um dia João chegou de volta da pescaria com um enorme tubarão que trazia arrastado nas costas com imensa dificuldade, pois se tratava de um peixe com mais de dois metros. Descarregou o peixe na frente da bodega de Alfredo sob o olhar curioso e espantado dos demais.

– Meu Deus, onde é que você arranjou esse peixe, João? – perguntou Alfredo espantado.

– Pesquei, depois de duas horas de luta!

– Mas, homem, que história é essa, não está vendo que você sozinho não tem condições de lutar com uma fera dessas? Conte essa história direito! – ponderou outro pescador.

– Mas é a pura verdade!

Outro pescador que observava mais de perto o tubarão questionou:

– Olhe, tem um buraco de arpão nas costas do peixe, João, e você não tem arpão!

– Tenho, sim! Encontrei outro dia um arpão velho na beira da praia e guardei. Ainda bem que estava com ele na hora que o tubarão quis me pegar!

– E onde está esse arpão?

– Homem, deve ter se largado no mar, na hora em que eu consegui prender o peixe com a tarrafa!

– Mas esse peixe já está fedendo. Esse peixe não foi morto hoje!

Outro pescador acudiu em favor de João:

– Tudo pode ser. Ouvi dizer que em Areia Branca um pescador conhecido como Chico Nogueira também pegou um tubarão enorme sozinho, com uma tarrafa, à beira da praia.

E enquanto a discussão se acalorava em torno do peixe, João botou o bicho nas costas e partiu a caminho de casa. Se o tubarão foi para a panela ou se foi enterrado em algum lugar, devido, segundo alguns, ao estado avançado de decomposição, ninguém sabe. Nem a pobre da viúva Carmelita, que dessa vez não recebeu nenhum naco do peixe.

Certo dia, depois da pescaria, João chegou a casa com alguns peixes diferentes.

– João, e esses peixes, tu arrumaste onde?

– Eu pesquei!

– Mas tu pescaste como, se esse tipo de peixe só dá em alto mar?

– Ah! Esse segredo não posso contar!

– Mas por quê?

– Se eu contar quebra o encantamento e eu não vou poder pescar esse tipo de peixe!

E vez em quando João chegava com uns peixes diferentes. Passaram-se uns dias e certa tarde um pescador passou em frente à casa de João, e Dona Chica estava sentada em um banquinho que existia na frente.

– Bom dia, Dona Chica!

– Bom dia, Seu Amaro!

– João está?

– Não, ele foi comprar umas bolachas na bodega de Alfredo!

– E a senhora, nunca mais foi tomar banho de mar de madrugada?

– Eu?

– Mas não era a senhora que eu vi mergulhando com ele lá perto das pedras?

– Mas que história é essa?

Seu Amaro gaguejou e tentou desconversar.

– Então eu acho que me enganei, estava escuro. Deviam ser outras pessoas e eu confundi com João e a senhora.

Quando João chegou a casa, Dona Chica estava num pé e noutro.

– João, que história é essa de você estar mergulhando na praia com uma mulher de madrugada?

João, pego de surpresa, ficou um tempo paralisado e, depois de titubear um pouco, questionou por fim:

– Mas quem lhe disse isso?

– Não importa quem me disse, eu quero é que você explique!

João sentou-se no tamborete e falou com a voz um tanto engrolada.

– Descobriram o encantamento!

– Mas que diabo de encantamento é esse?

– Eu lhe conto: Já fazia tempo que, quando eu estava pescando lá perto das pedras, eu escutava um gemido nos ouvidos que até parecia uma mulher cantando; e quando eu me virava para o lugar de onde vinha a voz, ela silenciava. Eu achava estranho, mas pensava que devia ser o vento – João parou pouco para respirar, olhou para o horizonte e continuou. – Outro dia, quando ainda estava meio escuro, eu escutei o gemido novamente e quando olhei eu vi a água se mexendo, como se alguma coisa tivesse mergulhado lá no local. Daí não despreguei os olhos do local e foi quando eu vi uma mulher branca que nem um peixe e vestindo uma roupa que parecia feita com escama de camarupim e um cabelo esverdeado que parecia feito de algas saindo da água. Ela botou os olhos em mim e os seus olhos brilhavam que nem duas pérolas. As minhas pernas pesaram e eu não conseguia nem me mexer. E aí ela apontou para um lugar no mar e eu não entendia o porquê. De repente começaram a pular uns peixes no lugar para que ela estava apontando, daí eu entendi. Criei coragem e joguei a tarrafa no local. Foi quando comecei a pegar os peixes que só dão em alto mar.

Dona Chica ouviu aquela história fantástica e não sabia o que dizer. Certamente, pensou que devia ser mais uma das histórias de João. “Mas, e os peixes, como explicar?”, ponderava.

Chica não dormiu bem à noite. No outro dia comentou com a vizinha que achou a história muito estranha. “Mas, e os peixes, como explicar?”, ponderou.

A história se espalhou rapidamente e a partir desse dia João passou a ser conhecido como João da Sereia.

Passaram-se uns dias, quando, certa vez, Dona Chica recebeu a visita de uma comadre que morava no outro extremo do povoado. Conversa vai, conversa vem, quando em certo momento a comadre comentou:

– Eu soube da história da sereia – e alertou Dona Chica. – Toma cuidado, Chica, com teu marido. Estão dizendo por aí que a mulher de Zé Manso anda se encontrando nas altas horas da madrugada com ele, depois que o marido vai para o alto mar pescar, e é ela quem leva para ele os peixes que o marido pesca.

O mundo desabou na cabeça de Dona Chica. – “Ah! Desgraçado!”, pensou possessa.

Quando o marido chegou do mar encontrou Chica emburrada.

– O que houve, mulher?

– Nada! Só uma dor de cabeça! – nisso, Dona Chica estava pensando já no dia seguinte em fazer um flagra nos dois.

De madrugada, enquanto João da Sereia arrumava a tarrafa para partir, começou a trovejar e relampejar, o vento uivava forte. Logo que João da Sereia saiu, começou a chover. Dona Chica pensou que seria melhor esperar que o tempo melhorasse para poder sair, mas o tempo fechou: chuva, vento, relâmpagos e trovoadas.

Amanheceu o dia e o céu clareou. E, à medida que o tempo passava, a raiva de Dona Chica transformava-se em preocupação. “E João que não chega!”

Cansou de esperar e pediu a um vizinho para procurá-lo. Uma hora depois o pescador trouxe a notícia: havia encontrado o corpo de João da Sereia sem vida na areia da praia.

A notícia se espalhou. Comentários, lamentações e o inevitável preparo para o sepultamento. Improvisaram um caixão. Chica se lembrou do desejo de João de, quando um dia morresse, ser velado em frente ao mar aberto. Decidiram que o corpo seria velado numa latada à beira do mar que os pescadores usavam para o descanso e a guarda de alguns materiais. O enterro seria no dia seguinte.

Chegou a noite e os visitantes do velório foram se despedindo. Ficaram Dona Chica e mais dois amigos de copos do falecido. As rajadas de vento começaram a aumentar e no horizonte já se podia ver o relampejar.

– Dona Chica, vá para casa descansar. Pode deixar que a gente fica aqui velando o corpo até amanhã.

Dona Chica aceitou o conselho e os dois pinguços ficaram a velar o corpo e a secar o copo. E, à medida que a garrafa secava, o vento, os trovões e os relâmpagos aumentavam. O mar se agitava e as ondas cada vez mais avançavam com violência.

Meia hora depois adentraram os dois na bodega de Alfredo. Olhos arregalados e sem fôlego, esfalfados da carreira que deram da praia até a bodega.

– O que foi que houve? Parece que viram assombração!

E os dois contaram sem muita clareza do vulto que viram se aproximar da latada e da aparência que tinha.

– Era uma mulher branca que nem um peixe e vestindo uma roupa que parecia feita com escama de camurupim e um cabelo esverdeado que parecia feito de algas… Nós corremos e ela ficou lá velando o defunto!

Comenta-se que os dois abandonaram o defunto quando acabou a cachaça e a tempestade aumentou, então inventaram aquela história.

No outro dia pela manhã, quando levavam o caixão de João da Sereia pela praia, de repente alguém gritou:

– Olha, gente, o que eu encontrei enterrado na areia da praia!

E mostrou para todos um velho arpão que trazia nas mãos.

Até hoje, sempre que o vento uiva no povoado durante a noite, os mais antigos costumam dizer que é o lamento da Sereia.

 

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Extraído de Contos de areia. Chico Alves d’Maria. Mossoró, RN: Sarau das Letras, 2017.

 

“Rio de Fogo”* | Bruno Lacerda & David de Medeiros Leite

Quixote hodierno

 

De Touros a Maracajaú,

de Perobas a Punaú.

Eis o nordestino quadrilátero

Do Quixote de nossos dias.

 

Moendo a hodierna

energia eólica,

em suas hélices gigantes,

os moinhos de ventos

estão postos:

ajaezados para

abundantes combates.

 

E a marcha do guerreiro

se dará sobre dunas,

sob o sol que embeleza

alvos e ebúrneos caminhos.

 

O Rocinante ressurgirá

travestido de possante quadriciclo.

A dulcíssima Dulcineia quiçá

espere-o em um dos recônditos

da encantada praia de Pititinga.

 

Só será difícil reinventar

o contemporâneo Sancho

: a fidelidade anda escassa.

 

Quijote actual

 

De Touros a Maracajaú

de Perobas a Punaú.

Es el nordestino cuadrilátero

del Quijote de nuestros días.

 

Moliendo la actual

energía eólica,

en sus hélices gigantes,

los molinos de viento

están puestos:

enjaezados para

abundantes combates.

 

Y la marcha del guerrero

se dará sobre las dunas,

debajo del sol que embellece

albos y ebúrneos caminos.

 

Rocinante resurgirá

como poderoso cuadriciclo.

Una dulcíssima Dulcinea, quizá,

lo espere en uno de los recónditos lugares

de la encantada playa de Pititinga.

 

Solo será difícil reinventar

un Sancho contemporáneo

: la fidelidad anda escasa.

 

 

Escrutínio

 

Nossos pés

se encontram

em águas rasas.

 

Os meus,

vindos do mar

: mareados.

Os seus, da terra

: azoados.

 

No apear,

escrutinamos

abastanças e arrastados.

 

 

Escrutinio

 

Nuestros pies

se encuentran

en aguas bajas.

 

Los míos

venidos del mar

: mareados.

Los suyos, de tierra

: aturdidos.

 

En el parar,

escudriñamos

abundancias y arrastados.

 

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* Extraídos de Rio do Fogo. David de Medeiros Leite. Fotos: Bruno Lacerda. Tradução: Juan Angel Torres Rechy. Natal, RN: 8 Editora; Mossoró, RN: Sarau das Letras, 2017.

 

Estudos em Escrita Criativa – 2018

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Escrita criativa para ampliar horizontes
Curso orienta sobre a técnica e estimula o prazer de escrever

Em tempos de redes sociais e muita tecnologia, restabelecer o prazer da escrita é um desafio que a premiada escritora pernambucana Patricia Gonçalves Tenório decidiu enfrentar. Para isso, criou os Estudos em Escrita Criativa (EEC), que promove este ano uma série de encontros mensais para discutir, estimular e difundir a técnica.

A primeira cidade a ser contemplada é Recife, PE, e os encontros serão realizados na Livraria Cultura do Paço Alfândega, sempre aos sábados, das 10h às 13h, mesclando conteúdos teóricos, exercícios práticos e apresentação de autores locais e seus processos criativos. Cada evento abordará um tema independente – possibilitando a participação não sequencial do público – e específico: O tempo (10/03); O mito (07/04); A viagem (12/05); A música (09/06); O amor (11/08); O sonho (01/09); A imagem (06/10) e O fogo (10/11).

Encantada pela Escrita Criativa, Patricia Tenório diz que o curso é voltado a todos que têm aproximação com a literatura e interesse na construção de ensaios teórico-poéticos, contos, romances, poemas. “A participação é ampla e irrestrita, sem limitação de idade, escolaridade ou qualquer outro impedimento”, explica.

Informações de inscrições pelo e-mail grupodeestudos.escritacriativa@gmail.com. Os interessados devem enviar uma pequena biografia, com dados para contato, produção de conteúdo (1 ou 2 contos/poesia) e responder à pergunta: Por que se interessa em participar do EEC?. Outras informações serão disponibilizadas, ainda, nas redes sociais Facebook e Instagram(@estudosemescritacriativa).

A autora – Patricia Gonçalves Tenório (Recife/PE, 1969) escreve prosa e poesia desde 2004 e tem onze livros publicados, com premiações no Brasil e no exterior, entre elas, Melhor Romance Estrangeiro (2008) por As joaninhas não mentem, e Primo Premio Assoluto (2017) por A menina do olho verde, ambos pela Accademia Internazionale Il Convivio (Itália); Prêmio Vânia Souto Carvalho (2012) da Academia Pernambucana de Letras (PE) por Como se Ícaro falasse, e Prêmio Marly Mota (2013) da União Brasileira dos Escritores (RJ) pelo conjunto da obra. Mestre em Teoria da Literatura pela UFPE, atualmente é doutoranda em Escrita Criativa na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).