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Índex* – Outubro, 2016

Que o mais breve dia

Pareça o 

Leve farfalhar do

Espírito

(“Axioma 1”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 26/10/16, 05h30)

O leve farfalhar da Palavra no Índex de Outubro, 2016 no blog de Patricia (Gonçalves) Tenório (PE – Brasil).

“La bambina dagli occhi verdi” | Patricia Tenório.

“‘O retrato de Dorian Gray’, de Oscar Wilde: Um romance indicial, agostiniano e prefigural” | Patricia Gonçalves Tenório.

Fernando Py (RJ – Brasil) & “A menina do olho verde”.

Entrevista con Luis Raúl Calvo (Argentina) en “Generación Abierta” – 18/10/16.

“Ancoradouros” | Kiko Alves (RN – Brasil).

Um diálogo com Maria Cláudia Gastal Ramos (RS – Brasil).

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – 30/10/16 | Bernadete Bruto (PE – Brasil) & Elba Lins (PB/PE – Brasil).

Agradeço a participação e carinho, a próxima postagem será em 27 de Novembro de 2016, grande abraço e até lá,

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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Index* – October, 2016

That the shortest day

Seem the

Rustle of

Spirit

(“Axiom 1”, Patricia (Gonçalves) Tenorio, 26/10/16, 5:30 a.m.)

 

The rustle of the Word in the Index of October 2016 on Patricia (Gonçalves) Tenório‘s blog (PE – Brasil).

“La bambina dagli occhi verdi” | Patricia Tenório.

“‘The Picture of Dorian Gray’ by Oscar Wilde: An indicial, Augustinian and prefigural novel” | Patricia Gonçalves Tenorio.

Fernando Py (RJ – Brasil) & “The green eye girl”.

Interview with Luis Raul Calvo (Argentina) in “Generación Abierta” – 10/18/16.

“Mooring” | Kiko Alves (RN – Brasil).

A dialogue with Maria Cláudia Gastal Ramos (RS – Brasil).

Group of Studies in Creative Writing – 10/30/16 | Bernadette Bruto (PE – Brasil) & Elba Lins (PB / PE – Brasil).

I appreciate the participation and caring, the next post will be on November 27, 2016, big hug and see you there,

 

Patricia (Gonçalves) Tenório.

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* Índex foi traduzido (a maior parte) apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated (most of it) into English only as a matter of the extension of the post.

** “O observador”, DS Tenório (PE – Brasil), Aquarela, 24/10/16. “The observer”, DS Tenório (PE – Brasil), Watercolor, 10/24/16.

Contato/Contact: https://m.facebook.com/profile.php?id=1712916668938186&tsid=0.8382744737900794&source=typeahead 

“La bambina dagli occhi verdi” | Patricia Tenório*

 

La bambina dagli occhi verdi

 

Patricia Tenório

Favola Lúdico-Adulta, 2016

IPOC (Italian Path Of Culture) – Milano, Italia / Milão, Itália

Tradução / Traduzione: Alfredo Tagliavia

ISBN: 978-88-6772-170-2

Preço / Prezzo: 15 euros

82 pagine / páginas

 

Inoltrandosi nelle pagine di questa “favola ludico-adulta”, il lettore concorderà, forse, nel pensare che la filosofia è di casa nella scrittura della brasiliana Patricia Gonçalves Tenório.

Non sempre, in un piccolo testo d’ispirazione fiabesca – denso di  importanti contenuti di riflessione sul mondo e sulla vita – si trovano con facilità riferimenti filosofici e metafisici diretti, quasi obbligati, come si può puntualmente verificare nel caso dello scritto in questione, che potrebbe anche definirsi una “favola esistenziale”.

(Alfredo Tagliavia)

Entrando nas páginas dessa fábula lúdico-adulta, o leitor concordará, talvez, em pensar que a filosofia está em casa na escrita da brasileira Patricia Gonçalves Tenório.

Não sempre, em um pequeno texto de inspiração fabulista – cheio de conteúdos e reflexões importantes sobre o mundo e a vida – se acham com facilidade referências filosóficas e metafísicas diretas, quase obrigatórias, como pontualmente pode-se verificar no caso do livro em questão, que poderia se definir também uma “fábula existencial”.

(Alfredo Tagliavia)

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* Patricia (Gonçalves) Tenório escreve prosa e poesia desde 2004. Tem dez livros publicados, O major – eterno é o espírito (2005), As joaninhas não mentem (2006), Grãos (2007), A mulher pela metade (2009), Diálogos e D´Agostinho (2010), Como se Ícaro falasse (2012),  Fără nume/Sans nom (Ars Longa, Romênia, 2013), Vinte e um/Veintiuno (Mundi Book, Espanha, abril, 2016), e A menina do olho verde (livros físico e virtual, Recife e Porto Alegre, maio e junho, 2016), traduzido para o italiano por Alfredo Tagliavia, La bambina dagli occhi verdi, publicado em setembro, 2016 pela editora IPOC – Italian Paths of Culture, de Milão.  Defendeu em 17 de setembro de 2015 a dissertação de mestrado em Teoria da Literatura, linha de pesquisa Intersemiose, na Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, “O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: um romance indicial, agostiniano e prefigural”, com o anexo o ensaio romanceado O desaprendiz de estórias (Notas para uma Teoria da Ficção), sob a orientação da Profª Dra. Maria do Carmo de Siqueira Nino, a ser publicada em outubro de 2016 pela editora Omni Scriptum GmbH & Co. KG / Novas Edições Acadêmicas, Saarbrücken, Alemanha. Contatos: patriciatenorio@uol.com.br e www.patriciatenorio.com.br

 

 

“‘O retrato de Dorian Gray’, de Oscar Wilde: Um romance indicial, agostiniano e prefigural” | Patricia Gonçalves Tenório*

 

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O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: Um romance indicial, agostiniano e prefigural

 

Patricia Gonçalves Tenório

Ensaios, 2016

Novas Edições Acadêmicas / OmniScriptum GmbH & Co. – Saarbrücken, Alemanha

Português

ISBN: 978-3-330-74553-7

Preço: US$ 44,00

220 páginas

 

Pesquisa realizada entre 2014 e 2015, tendo como objetivo relacionar o romance O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, com três pilares teóricos: o índice fotográfico de Charles Sanders Peirce, o tempo de Agostinho de Hipona e a prefiguração no conceito de figura de Erich Auerbach. A cada capítulo, outros teóricos são convidados a dialogar, tais como John R. Searle, Susan Sontag, Philippe Dubois, Roland Barthes, Albert Einstein, Henri Bergson, Georges Didi-Huberman e Gaston Bachelard.

 

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* Patricia (Gonçalves) Tenório escreve prosa e poesia desde 2004. Tem dez livros publicados, O major – eterno é o espírito (2005), As joaninhas não mentem (2006), Grãos (2007), A mulher pela metade (2009), Diálogos e D´Agostinho (2010), Como se Ícaro falasse (2012),  Fără nume/Sans nom (Ars Longa, Romênia, 2013), Vinte e um/Veintiuno (Mundi Book, Espanha, abril, 2016), e A menina do olho verde (livros físico e virtual, Recife e Porto Alegre, maio e junho, 2016), traduzido para o italiano por Alfredo Tagliavia, La bambina dagli occhi verdi, publicado em setembro, 2016 pela editora IPOC – Italian Paths of Culture, de Milão.  Defendeu em 17 de setembro de 2015 a dissertação de mestrado em Teoria da Literatura, linha de pesquisa Intersemiose, na Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, “O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: um romance indicial, agostiniano e prefigural”, com o anexo o ensaio romanceado O desaprendiz de estórias (Notas para uma Teoria da Ficção), sob a orientação da Profª Dra. Maria do Carmo de Siqueira Nino, a ser publicada em outubro de 2016 pela editora Omni Scriptum GmbH & Co. KG / Novas Edições Acadêmicas, Saarbrücken, Alemanha. Contatos: patriciatenorio@uol.com.br e www.patriciatenorio.com.br

Fernando Py & “A menina do olho verde”

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Entrevista con Luis Raúl Calvo en “Generación Abierta” – 18/10/16

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“Ancoradouros”* | Kiko Alves

Brotação

 

Pela manhã

Um coração sereno

Ao meio-dia

Um coração faminto

No fim da tarde

Um coração ameno

Bem à noitinha

Um coração felino

Quando me deito

Um coração moreno

Quando acordo

Um coração menino

 

Desencontro

 

O relógio é circular

O ponteiro passa sempre na hora marcada

Mas o tempo nunca está

 

Pintura

 

Pintou a vida com arte

Nas cores que ele quis

Pintou de prata a noite

Pintou o dia feliz

As manhãs pintou listradas

As tardes azuis anis

E no dia de sua morte

Pintou o céu com um giz.

 

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Ancoradouros. Kiko Alves. Mossoró, RN: Sarau das Letras, 2016.

Um diálogo com Maria Cláudia Gastal Ramos*

A partir de um exercício da Oficina “Visitas de improviso: a escrita criativa como forma de contato entre literatura e artes visuais” ministrada pela Prof. Dra. Laura Rabelo Erber (UNIRIO) no XXX Seminário Brasileiro de Crítica Literária e III Encontro Nacional de Escrita Criativa da PUCRS, Porto Alegre (18 a 20/10/16), tenho o prazer de apresentar um diálogo travado com a escritora Maria Cláudia Gastal Ramos, no qual trocamos fotografias e prosa poética.

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(Fotografia de Patricia (Gonçalves) Tenório)

“Uma parte deslumbrante do privilégio de uma vista ensolarada se esvai na sua falta de cor. Mas se o gélido do azul e o viço do verde não me são revelados, me satisfaço com a contemplação luminosa da areia, a vontade de mar e a saudade do verão.”

Maria Cláudia Gastal Ramos

Contato: claudiagastal@gmail.com

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(Fotografia de Maria Cláudia Gastal Ramos)

“Maria caminhava na floresta em busca de João. As árvores pareciam convidativas, atrativas, cheias de nuances nunca antes vistas à olho nu, ou mesmo olhos vestidos de óculos.

Sem os óculos não podia enxergar as flores que brotavam na ponta dos galhos. Sentia um aroma longínquo, e  tentava se aproximar para perceber mais, para sentir mais.

João não pode brincar desse jeito comigo. Aposto que está com o meu par de óculos novinhos no meio da floresta, distribuindo as pedrinhas diminutas pelo chão, e eu aqui só olhando para as árvores sem enxergá-las, só buscando nas árvores o aroma de jasmim, e, quem sabe, um índice para se encontrar irmãos perdidos.”

(“Vemos cada vez menos”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 19/10/16, 10h40)

Grupo de Estudos em Escrita Criativa – 30/10/16 | Bernadete Bruto & Elba Lins

O punctum

No meio do mundo

Mordeu minha língua

Extravasou

Meu ser imundo

Lavou-me a alma

Aquietou a calma crescente

De solidão

E dor

Queria ser

Aquele ponto

Onde tudo começou

Mudar o destino

Da minha humanidade

Da mãe

Do pai

Dos meus irmãos

Fazendo-nos ser

Família

Fazendo-nos ser

Respeito

Fazendo-nos ser

União

O punctum

No meio do mundo

Nunca mais será o mesmo

Nunca mais verei o mar

Tombar os braços nos meus braços

Enxugar as lágrimas de sal

Em ondas no meu rosto

Inundar o peito

De esperança

E cor

Para dar luz

A uma nova era

Sem laços

Sem fronteiras

Sem guerras

Nem religiões

Deus passando por mim agora

Fez tudo isso

E disse que era bom

(“Punctum”, Patricia (Gonçalves) Tenório, 07/06/12)

 

O escritor, semiólogo, crítico literário, filósofo francês, nascido em Cherbourg, Roland Barthes (1915-1980), já dizia em A câmara clara[1] que o punctum de uma fotografia “é esse acaso que, nela, me punge (mas também me mortifica, me fere)”.[2]

A partir de um exercício de ekphrasis dupla – relembrando, ekphrasis é a representação verbal de uma representação visual –, em que haveria uma representação verbal de uma(s) fotografia(s) tirada(s) pela participante, e a escrita de um texto poético/ficcional provocado pela(s) mesma(s) fotografia(s), apresento as produções das escritoras-poetas Bernadete Bruto e Elba Lins do mês de outubro de 2016, no Grupo de Estudos em Escrita Criativa.

 

Patricia (Gonçalves) Tenório

 

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Bernadete Bruto

bernadete.bruto@gmail.com

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pitanga-2

Estava tão madurinha… Alguém iria me colher, saborear com todo gosto, para depois, me deixaria peladinha. Só um carocinho. Várias sementes para voltar para terra e recomeçar o ciclo da pitangueira. Ser uma nova árvore, produzir novos frutos, tão bonitos e vermelhos como eu.

Que pena! Veio um vento, balançou os galhos e eu tão madurinha, me segurei como pude, mas escorreguei e plic! Cai na rua!  No asfalto estou ali espatifada. Não vou servir para mais nada! Não vou virar outra árvore… O ciclo foi interrompido! Parece que neste local, cada dia ficará mais difícil para qualquer semente brotar.

Uma mulher passa por mim e me olha, consegue enxergar nesse tapete cinzento.

 – Que pena! Uma pitanga tão pequena! A única neste asfalto! Perdemos a natureza…  

Diz a mulher. Sou eu que penso tudo isso, ou ela que imagina?

Caminho pela rua. Diariamente me obrigo a fazer caminhadas noturnas. Caminhadas me deixam mais calma. Parece que os pensamentos se reorganizam. Me deparo com a cena. No chão cinzento da minha rua, uma pitanga. Tão pequenininha! Tão madura! Deu água na boca! Faz algum tempo que não encontro uma… Hoje aquele pontinho vermelho, me recorda que já não é tão abundante como era na minha infância… Que vida levamos! Que civilização é esta que nos afasta da natureza? A nossa natureza esmagada no concreto, enterrando para sempre nossas esperanças de um mundo mais natural.

E continuou o caminho pensativa.

O final, quem sabe? Nem a mulher, nem a pitanga. Pode um carro passar e esmagar o resto da coitadinha. Pode, também, a chuva alagar a rua e levá-la para um canto que ainda tenha uma terra bem fresquinha e ela brote recomeçando um ciclo repetido há muito tempo atrás. Quando o homem falava guarani e pisava na terra batida. As árvores cobriam seu caminho, sombreando sua passagem como túneis verdes. A brisa soprando gostosa, naquele dia ensolarado.  Naqueles tempos, a frutinha vermelha ganhou o nome de pitanga. Ybá de fruta, pytang de vermelha…Tempos da simplicidade na vida.

Aí, chegou a civilização. O português desbravou essas terras e construiu outro mundo. Um protótipo do atual… O homem escolheu o concreto, fez da vida o cimento armado, o amianto pelo caminho e para nosso espanto, criou algo tão irreal que no final dessa história… o narrador num lamento só CHOROU PITANGAS!

 

Recife, 7 de outubro de 2016.

 

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Elba Lins

elbalins@gmail.com

 

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Olho minha varanda, enquanto tomo o café da manhã…

Este café que já foi suco, café e agora novamente suco…

E não é que tenha deixado de amar o café, cujo sabor descobri no passado…

E sim, porque se passaram vinte e oito anos…

Mas, não estou aqui hoje, para falar de café…

O que visualizei, é que nestes vinte e oito anos, o tempo passou rápido enquanto tomo o meu café,

E já não consigo ver o mar e nem aquele navio no horizonte que dividia comigo a mesa no ritual matutino…

Hoje tirei uma foto e aquela faixa de mar não está mais ali…

Hoje ao enquadrar a máquina para a foto eu me vi num aquário, mas não de água…

Um aquário de prédios, pois enquanto eu tomava o café da manhã pelo menos sete destas torres brotaram ao meu redor…

 

(Vinte e Oito Anos, Café e Navios no Horizonte.

Escrito para o Grupo de Estudos em Escrita Criativa a partir da observação da Foto 1

Elba Lins, 06.10.2017)

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(1) BARTHES, Roland. A câmara clara. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980 (in 2011)

(2) BARTHES, Roland. Op. cit., 1980 (in 2011), p. 36.