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Índex* – Agosto, 2015

“Era uma vez uma palavra que não saiu da boca de Alice. Ele então ruborizou diante daquele nada.

A palavra era um Nome, um Nome tão querido que Alice não pôde sustentar entre a língua e os dentes e deixou cair no chão.

Ele foi de uma gentileza pois a Alice entendeu, a Alice ofereceu o seu melhor sorriso.

E assim os dois sozinhos, cada qual em sua estrada, seguiram com o aroma um do outro e a lembrança daquele nada.”

(“Quando o Nome emudeceu”, Patricia Tenório, 15/08/15, 06h50)

 

A palavra muda diante da Beleza no Índex de Agosto, 2015 no blog de Patricia Tenório.

O retorno de “O desaprendiz de estórias (Notas para uma Teoria da Ficção)” | Patricia Tenório (Recife, PE – Brasil).

Festas de agosto: devoção, cultura, tradição e família | Mara Narciso (Montes Claros, MG – Brasil).

É hoje!: Teatro Intinerante | Marcondes Mesqueu (Rio de Janeiro, RJ – Brasil).

TINTEIROS | Poemas de Diego Mendes Souza (Parnaíba, Piauí – Brasil).

E os links do mês:

Danuza Lima (Recife, PE – Brasil) com o conto Verdejar na coluna PalavraTório do blog Parlatório de Adriano Portela (Recife, PE – Brasil): http://parlatorio.com/verdejar/ 

Poemas de Rizolete Fernandes (Natal, RN – Brasil) no blog Crear en Salamanca: http://www.crearensalamanca.com/poemas-ineditos-de-la-brasilena-rizolete-fernandes-traduccion-de-alfredo-perez-alencart/ 

A nova página de Maria Eduarda Tenório de Oliveira e Silva (Recife, PE – Brasil): https://m.facebook.com/pages/DS-Tenório/1712916668938186

Agradeço o carinho e a participação, a próxima postagem será em 27 de Setembro de 2015, um abraço bem grande e até lá,

Patricia Tenório.

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Index* – August, 2015

“Once upon a time there was a word that did not come out of Alice’s mouth. He then blushed before that nothing.

The word was a Name, one Name so dear that Alice could not sustain between the tongue and teeth and dropped to the ground.

He had such a kindness because to Alice he understood, to Alice he offered his best smile.

And so the two alone, each in own road, followed with the scent of each other and the memory of that nothing. “

(“When the Name was speechless”, Patricia Tenorio, 8/15/15, 6:50 a.m.)

The silent word before Beauty in the Index of August, 2015 in the blog of Patricia Tenorio.

The return of “The unlearner of stories (Notes for a Theory of Fiction)” | Patricia Tenorio (Recife, PE – Brasil).

Festivities of August: devotion, culture, tradition and family | Mara Narciso (Montes Claros, MG – Brasil).

It is now!: Itinerant Theater | Marcondes Mesqueu (Rio de Janeiro, RJ – Brasil).

Inkstand| Poems from Diego Mendes Souza (Parnaíba, Piauí – Brasil).

And the links of the month:

Danuza Lima (Recife, PE – Brasil) with the short story Verdejar in the column PalavraTório in Parlatório blog  from Adriano Portela (Recife, PE – Brasil)http://parlatorio.com/verdejar/

Poems from Rizolete Fernandes (Natal, RN – Brasil) in the blog Crear en Salamanca: http://www.crearensalamanca.com/poemas-ineditos-de-la-brasilena-rizolete-fernandes-traduccion-de-alfredo-perez-alencart/

The new page of Maria Eduarda Tenorio de Oliveira e Silva (Recife, PE – Brasil): https://m.facebook.com/pages/DS-Tenório/1712916668938186

I appreciate the kindness and participation, the next post will be on September 27, 2015, a big hug and until then,

Patricia Tenório.

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foto 1 (4)

 

foto 2 (5)

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* Índex foi traduzido apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated into English only as a matter of the extension of the post.

**Quando Patricia Tenório emudeceu… When Patricia Tenório was speachless… 

É hoje! : Teatro Intinerante | Marcondes Mesqueu*

Marcondes

 

Felicidades

Marcondes Mesqueu

(021) 964523908 ( ID 24*16314 )

(21) 965216662 – TIM / 995265106 – VIVO / 986338884 – OI / 968504072 – CLARO   

Saiba mais:

www.teatroitinerante.blogspot.com e teatroitinerante.rua1@gmail.com

                          Te aguardo no Facebook                            

https://www.facebook.com/MARCONDESTEATRO Marcondes Mesqueu

O retorno de “O desaprendiz de estórias (Notas para uma Teoria da Ficção)”* | Patricia Tenório**

(…)

A solidão nos faz imaginar as pessoas que não conhecemos feito velhos amigos nossos, onde as qualidades são as nossas, os defeitos, os esquecemos, os escondemos, para não nos vermos por inteiro, para não nos vermos em um espelho.

Meu novo amigo era mais do que um amigo imaginário, porque era feito de carne e osso, e habitava a cela ao lado. Ele não fazia barulho durante a noite, não falava comigo durante o dia. Mas quando cruzávamos o olhar, as poucas vezes em que cruzávamos o olhar, era feito a eternidade existisse por um segundo, ou mesmo o tempo não houvesse mais.

(…)

Uma amizade recomeçada é o vaso trincado em mil pedaços, e mesmo assim inteiro e pode-se ver através de cada rachadura. É preciso um bocado de humildade para reconhecer as fissuras, e que a culpa não é de um só, é de cada um em movimento com o outro, o que se quebrou foi a dança do amor infinito, que é a mesma dança do ódio que se acabou.

Quando se perde tudo, quando não se tem mais nada, sentimos o vazio apaziguar a alma, preencher fissuras, e o peso de nossos corpos sobre a esteira fina de palha aquece os nossos corações.

(…)

Há duas semanas não escrevo. É sempre mais difícil recomeçar do que insistir no treino diário. É preciso lapidar o tempo inteiro o diamante, é preciso polir todos os dias a pedra de mármore, para que se faça nascer a escritura.

Muitas vezes o que se encontra não é válido para mostrar nem aos amigos, não vale o esforço que se gastou. Mas o movimento da mão que escreve sobre o papel grosso manipula uma parte escondida do cérebro que somente a experiência constante promove, somente o exercício diário traz à tona. Uma parte que costumo chamar de coração.

(…)

Um diálogo é feito do inesperado, é feito do imprevisível, ao mesmo tempo em que usamos toda a nossa bagagem na teia que está sendo tecida. Não sabemos o que diremos no instante seguinte, porque precisamos da palavra do outro a ser enlaçada com a nossa palavra, e promover significado, e conceder explicação.

Feito em um circo, em um número de acrobacias, quando não sabemos como os artistas farão para manter o equilíbrio e não cair, ou mesmo os malabares com bolas-palavras trocadas pelo ar, soltas pelo ar correndo o risco de tropeçarem umas nas outras e provocarem um encontro mortal.

Cuidávamos de nossas palavras, eu e o meu companheiro de diálogo, como se fôssemos esses malabares que, com os pés no chão, olhavam para o alto, olhavam para as suas bolas-palavras navegando pelo ar, flutuando pelo ar em busca de sentido.

(…)

Será possível o futuro se comunicar com o passado? O tempo ocupar dois lugares ao mesmo tempo? Se nesta frase que acabei de escrever ele ocupa o princípio e o final, porque não poderia ocupar lugares bem distantes do planeta, momentos diferentes que se fazem simultâneos, apenas pela sensibilidade do ser que o percebe? O artista seria esse grande captador de momentos diversos, afastados entre si anos, séculos, vidas, mas sempre pronto para toma-los para si feito pequenas conchas e tecer todo um oceano de sentidos apenas com o manusear da palavra escrita.

(…)

Quando se entra em um livro de maneira tão intensa, de maneira tão inteira se mergulha nas palavras, se permanece imerso nas palavras como se não houvesse tempo, como se não houvesse espaço, e se deixa transformar em outro ser humano. A escrita e a leitura se confundem, feito duas setas contrárias da mesma flecha: do sentido para quem escreve, do sentido para quem lê.

E neste balé imaginário, nesta troca de fluidos entre corpos nasce a inspiração, que não é a das musas, não provém dos deuses, mas das partículas aceleradas desses corpos em movimento.

Quando se fecha um livro, tudo se desfaz, tudo desaprende para se aprender de novo, tudo se libera do passado original, para ser original com uma nova cor, um novo rosto, um novo roçar dos meus olhos nesta frase que se encerra.

(…)

A morte é a desaprendiz da vida, e tudo o que vivemos se reverte em seu contrário. Tudo o que pensamos garantir com o trabalho, com o dinheiro, com o poder, está sendo gasto para sempre, está sendo posto para sempre no mundo de Hades, e coberto para sempre com o esquecimento.

Desaprendemos para poder viver. Não nos lembramos, pois já não suportamos mais o peso das mortes cristalizadas dos atos que eu fiz, de quem eu magoei, dos erros que cometi. Só existe um porém para a morte, só existe uma saída para todo esquecimento. Uma saída que é água para o fogo, paz para a guerra, bálsamo para a ferida. Uma saída que se chama amor.

(…)

 

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Trechos de O desaprendiz de estórias (Notas para uma Teoria da Ficção), Patricia Tenório.

** Patricia Gonçalves Tenório é escritora de poemas, contos e romances desde 2004, tem 8 livros publicados e é mestranda em Teoria da Literatura pela Universidade Federal de Pernambuco, linha de pesquisa Intersemiose, com o projeto O retrato de Dorian Gray: um romance indicial, agostiniano e prefigural, sob a orientação da Prof. Dra. Maria do Carmo de Siqueira Nino. Contatos: www.patriciatenorio.com.br e patriciatenorio@uol.com.br.

Festas de Agosto: devoção, cultura, tradição e família | Mara Narciso*

Duas pessoas da minha família desfilaram este ano no Terno de Nossa Senhora do Rosário, de Mestre Zanza: Marcos Narciso e Lílian Amaral. Índios, negros e portugueses denominados caboclinhos, catopês e marujos, respectivamente, além da corte imperial, rezando para Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e o Divino Espírito Santo são o motivo das Festas de Agosto em Montes Claros há 176 anos, 18 antes da emancipação.

Nem sempre os devotos festejaram seus santos na mesma época, mas como as chuvas atrapalhavam, um padre decidiu juntá-las num período sem chuvas. As pessoas simples, de pouco estudo, sem posses, e ricas em fé e obstinação, carregaram as festas ano após ano, mesmo quando era impossível. Muitas vezes elas ameaçavam acabar, mas o amor pelos santos era maior, e lá adiante surgiam os catopês, marujos e caboclinhos, descendo as ruas, muitas vezes de pés descalços, ou até com fome, numa imagem de desvalidos, contrapondo-se com a sinceridade das suas vozes e os ritmos febris da sua devoção.

Neste ano os Correios imortalizaram os seis mestres dos ternos das Festas de Agosto em selos de circulação nacional. A classe média ajuda financeiramente, sendo festeiros que garantem a alimentação e vestem os filhos de reis e rainhas, ainda que muitos estejam participando dos ternos. A valorização e o apoio asseguram a manutenção da tradição. Durante cinco dias a cidade se mobiliza pelo centro, levantando mastros, rezando à luz de velas, ao som da percussão dos catopês, e das cordas dos marujos e caboclinhos.

O batuque dos catopês impregna a alma, o coração muda de compasso, retumba ao sabor das caixas, tambores e pandeiros e leva os montes-clarenses à infância. Só consegue saber o que é ser catopê, quem esperou 15 de agosto, dia de Nossa Senhora do Rosário. As mulheres foram aceitas aos poucos, pois até recentemente, só homens participavam. O terno de João Faria não tem mulheres, mas João Pimenta dos Santos, o Mestre Zanza, com seu boné azul, disse que as mulheres estão brilhando em todos os lugares, e por que não também entre os catopês? Zanza foi imortalizado na música “Montes Claros, montesclareou”, símbolo da cidade, composta por Tino Gomes e Georgino Júnior. Numa entrevista “Mestre Zanza que é cantador” disse que nasceu morrendo há 82 anos, quando sua mãe o consagrou a Nossa Senhora do Rosário e, caso escapasse, seria catopê. E ele cumpre sua sina desde os quatro.

Zé Expedito é o mestre do Terno de São Benedito e Tone Cachoeira é o Mestre da Marujada. Ainda que os catopês sejam os mais fotogênicos da festa, enchendo os olhos com seus trajes brancos, suas fitas multicoloridas, partindo de capacetes bordados tendo ao topo penas de pavão (não é cocar), os caboclinhos, em sua maioria crianças, com suas saias de penas e seus arcos e flechas têm o seu encanto, e são comandados por uma mulher, a Cacicona Socorro, Maria do Socorro Pereira.

Exige-se paixão e resistência férrea, dos meninos aos idosos, para participar de dia e de noite das rezas e cantorias debaixo do sol e dos ventos. Os símbolos sagrados são invadidos pelas câmeras profanas. Os dançantes, como são chamados em conjunto, foram aceitando ajudas, incorporando novidades, adaptando-se às mudanças em seus estilos, e estas chegaram para ficar.

“A marujada vem descendo a rua, suores brilham nos rostos molhados, agosto chega como a ventania, cálice bento e abençoado, a dor do povo de São Benedito, no mastro existe para ser louvada”. Uns de azul, outros de vermelho e ainda outros de branco, os marujos cantam cantigas que todos sabem de cor. Fizeram hoje na concentração em frente ao Automóvel Clube, uma evolução espetacular de giros e rodopios, de vai e vem frenético, tão boa que causou vibração na platéia. A performance se caracterizou por ritmo, agilidade e cronometragem, numa espécie de desafio.

O Mestre João Faria, do Terno de Nossa Senhora do Rosário, cujo batuque é o que mais me contagia pela autenticidade, é só emoção. Quando o meu tio-avô Indalício Narciso morreu no dia 15 de agosto, o mestre, que foi criado em sua fazenda, invadiu a sala do velório com seu terno. Ainda que portassem suas alegres fitas coloridas, ostentavam na manga uma fita preta. Segurando o choro, Mestre João Faria e seu terno, tocaram, cantaram e dançaram em volta do caixão, rodando, indo e vindo em torno do padrinho morto. Lágrimas e suor tomaram conta do lugar, misturando-se às flores e às velas. Mas não fiquem tristes. Ano que vem tem mais. Atrás dos catopês só não vai quem já morreu.

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catopês de João

Mestres João e Zanza

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* Contato: yanmar@terra.com.br

TINTEIROS |Poemas de Diego Mendes Sousa*

TINTEIROS DO TÉDIO

O que sonhamos
além da partitura
– humanos de partida
não será o destino em chispada?

Não, não será…
e vejamos a guinada!
Nossos olhos tristes
(rumorejar distante de tudo)

E o tempo a atropelar
outros destinos
declinados:
choro de Deus
no horizonte
sem pressa
– céus do suspiro,
banjo de dor –
todos os rios
sem rumo
em declive
como a vida
ainda a explodir
cá dentro de nós,
onde a atmosfera
é um raio
de saudade
ensurdecida?
Chuvas do amanhã,
nuvens e pássaros…

Não, a nossa prece
emoção audível
– harpa ao longe
e intercalada
por mistérios
é um rosto reflexo,
aventura íntima
de uma travessia
oceânica
e incompleta.

O homem, à deriva,
o mar, o abismo,
as tréguas da alma:
o sol
fogo em debandada,
punhalada do tédio,
a mapear tinteiros
e poemas
extremamente
azuis.

Ó desesperados
ambulantes do amor
como as fugas
romeiras
na paisagem!

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TINTEIROS DA PASSAGEM

Tinteiros de pena doída
são os meus nervos
de veia e sangue
contraídos

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TINTEIROS DA MÁGOA

Era tarde, nas escrituras da alma,
noite escura de mágoa,
quando escrevi poemas
sobre a dor
– essa sensação que sempre
me persegue recomposta
de luzes súbitas!
Aves arrebatadas de desejos
e os meus livros que são missais
de sonhos desconsolados:
metafísicas, candelabros, gravidades.

A palavra, ora destino,
é a miséria verdadeira
dos caminhos destampados
de tristezas vulcanizadas:
meu ressentimento terrível,
meus versos de música desigual,
minhas notas de uma solidão supina.
Poeta – trovador dos passos –
espantalho na aurora cravejado
de sombras que verdejam.

 

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Poemas de Diego Mendes Souza

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* Contatos: diego_mendes_sousa@hotmail.com https://diegomendessousa.wordpress.com