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Índex* – Setembro, 2014

Traduzir

Um poema

É transformar

Uma pétala

Em flor

Virar

Revirar

Os dois lados

De uma mesma

Moeda

E não encontrar

O sentido

Justo

A palavra

Correta

Apenas

O roçar de letras

Embalsamadas

Em óleos

Ancestrais

 (“Era uma vez… Um nome ou A teoria da tradução”, Patricia Tenório, 06/09/14)

A tradução entre as Artes, entre as Línguas, entre as Nações no Índex de Setembro, 2014 no blog de Patricia Tenório.

Les Cahiers de Val-David | Participation de Patricia Tenório (PE – Brasil) avec “Punctum”.

“Um Livro Cheio de Prosa” e “Futurações do Passado Imperfeito” | Fábio Lucas (MG/SP – Brasil).

Poemas de Mariano Shifman (Buenos Aires – Argentina).

Buenos Aires, 05/09/14: Una Fiesta Porteña | Luis Raúl Calvo (Buenos Aires – Argentina), Amadeo Gravino (Buenos Aires – Argentina), Julio Brepé (Buenos Aires – Argentina), Clauder Arcanjo (RN – Brasil) y Patricia Tenório.

“Baladas para violão de cinco cordas” | Léo Prudêncio (SP/CE – Brasil).

Le X Festival International des Écrivains et Artistes de Val-David (Canadá).

E a entrevista com Luis Raúl Calvo, Clauder Arcanjo e Luzia Arcanjo (RN – Brasil) para Generación Abiertawww.fmradiocultura.com.ar

Agradecemos a participação de todos, a próxima postagem será em 26 de Outubro de 2014, e um abraço bem grande da

Patricia Tenório.

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Index* – September, 2014

Translate

A poem

It’s transform

A petal

In flower

Turn

Return

Both sides

Of the same

Coin

And don’t find

The fair enough

Sense

The correct

Word

Only

The brush of letters

Embalmed

In the ancestral

Oils

 (“Once upon a time… A name or The theory of translation”, Patricia Tenório, 09/06/14)

The translation between Arts, between Languages, between Nations in the Index of September, 2014 in the blog of Patricia Tenório.

Festival of Val-David Notebooks | Participation of Patricia Tenório (PE – Brasil) with “Punctum”.

“A Book Full of Prose” and “Past Imperfect Futurations” | Fábio Lucas (MG/SP – Brasil).

Poems from Mariano Shifman (Buenos Aires – Argentina).

Buenos Aires, 09/05/14: A Porteña Party | Luis Raúl Calvo (Buenos Aires – Argentina), Amadeo Gravino (Buenos Aires – Argentina), Julio Brepé (Buenos Aires – Argentina), Clauder Arcanjo (RN – Brasil) and Patricia Tenório.

“Balades for five-string guitar” | Léo Prudêncio (SP/CE – Brasil).

The Xth International Festival of Writers and Artists of Val-David (Canada).

And the interview with Luis Raúl CalvoClauder Arcanjo and Luzia Arcanjo (RN – Brasil) to Generación Abiertawww.fmradiocultura.com.ar

We appreciate the participation of all, the next post will be on 26th October, 2014, and a big hug from

Patricia Tenório.

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* Índex foi traduzido apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated into English only as a matter of the extension of the post.

**Minha Buenos Aires (Argentina) Querida. My Dearest Buenos Aires (Argentina).

Les Cahiers de Val-David | Participation de Patricia Tenório avec “Punctum”

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Punctum*

Patricia Tenório**

07/06/12

 

O punctum

No meio do mundo

Mordeu minha língua

Extravasou

Meu ser imundo

Lavou-me a alma

Aquietou a calma crescente

De solidão

E dor

 

Queria ser

Aquele ponto

Onde tudo começou

Mudar o destino

Da minha humanidade

Da mãe

Do pai

Dos meus irmãos

Fazendo-nos ser

Família

Fazendo-nos ser

Respeito

Fazendo-nos ser

União

 

O punctum

No meio do mundo

Nunca mais será o mesmo

Nunca mais verei o mar

Tombar os braços nos meus braços

Enxugar as lágrimas de sal

Em ondas no meu rosto

Inundar o peito

De esperança

E cor

 

Para dar luz

A uma nova era

Sem laços

Sem fronteiras

Sem guerras

Nem religiões

Deus passando por mim agora

Fez tudo isso

E disse que era bom

 

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* Segundo Roland Barthes em A câmara clara ((1980) em 2011, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, p. 36), o “punctum de uma foto é esse acaso que, nela, me punge (mas também me mortifica, me fere)”.

** www.patriciatenorio.com.br e patriciatenorio@uol.com.br

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Punctum*

Patricia Tenório**

05/24/13

 

The punctum

In the middle of the world

Has bit my tongue

Overflowed

My unclean being

Washed my soul

Quieted my growing calm

Of solitude

And pain

 

I’d like to be

That point

Where everything started

Change the fate

Of my humanity

From mother

From father

My brothers

Making us being

Family

Making us being

Respect

Making us being

Union

 

The punctum

In the middle of the world

Never more it’ll be the same

Never more I’ll see the sea

Topple its arms into my arms

Wipe the tears of salt

In waves on my face

Flooding the chest

Of hope

And color

 

To give light

To a new era

Without ties

Without borders

No wars

Neither religions

God passing through me right now

He did all of this

And said it was good

 

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* Acording to Roland Barthes in The clear camera ((1980) in 2011, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, p. 36), the “punctum of  a photograpy is this coincidence that, in it, stings me (but that also mortifies me, hurts me)”.

** www.patriciatenorio.com.br and patriciatenorio@uol.com.br

“Um Livro Cheio de Prosa” e “Futurações do Passado Imperfeito” | Fábio Lucas*

Um Livro cheio de Prosa, Fábio Lucas. São Paulo: Giordanus, 2014.

 

Contos

O Natal Milagroso do Ti’Olímpio

 

Ti’Olímpio exemplava de ser homem livre de boca: falava o que viesse à cabeça. Culto-religião não tinha. Talvez por influência do avô, Seu Valeriano, meio maçom, meio positivista. Paixão mesmo era com a Verdade. Não a soubesse, calava. Perguntado, respondia sem rodeios.

A seu tempo, a Medicina era ciência exata. Palavra de médico não se contestava, nem por mera caçoada. Seria o mesmo que negar a existência de Deus, duvidar sobre a virgindade de Maria ou das ocultas sentenças do Criador. Mesmo porque, em termos de Religião e aperreios do corpo, dúvida não havia em Transvalina. Exceto o Ti’Olímpio, único, com a boca solta.

Ideias escalafobéticas. Achava por exemplo que uma coisa é tarde caindo, conforme aqueles poentes majestosos da cidade. Outra coisa seria a chegada da noite. “Tarde” parecia-lhe despedida das luzes. “Anoitecer”, a chegada sorrateira das sombras, império da luxúria, da mentira.

O povo maldava dos seus rompantes, pois ele gostava de corrigir os falantes. Até o mundo, se pudesse. Odiava a palavra “beiço”. Mais ainda se alguém machucava o “beiço de baixo” ou “beiço de cima”. Já viu só? O certo é “lábio inferior” e lábio superior”.

– Se alguém falar errado perto de mim, eu “corrujo”.

O seu ponto fraco estava em não pronunciar corretamente os tempos do verbo corrigir.

Findo o expediente, Ti’Olímpio visitava casa por casa, levando e trazendo as verdades de cada família. Canal vivo da rede de intrigas locais. Somente concedia senhoria à Diretora do Grupo Escolar Professor Firmino, Dona Eulâmpia Maricá. Pesadona, de verdes olhos autoritários, coxas grossas, sapatões e pisadas de estilo militar. Mulher direita, não se escancara em risadinhas, segundo depunha Ti’Olímpio.

Seus olhares não vadiavam sobre as preferidas do erotismo municipal. Bastavam-lhe os obséquios da vida conjugal. Dona Bartira, pejada de filhos, mal se arrumara para a Missa do domingo. Mas a cunhada, igrejeira, era pau para toda obra. Com a vinda do novo Padre Cunegundes, mais chegado a obras sociais, diziam que Carismático, Tarsila vivia de limpar a Igreja, dar aulas de catecismo, ensinar o b-a-bá do culto católico. Sempre de preto, puxava o coro dos cantores. Com o rosto pontilhado de verrugas, mais inspirava a castidade do que volteios demoníacos.

Nos últimos tempos, Ti’Olímpio gastava mais tempo na casa da viúva do Compadre Chico Espanhol, Dona Filó. Grande amigo, o compadre gostava de viajar e contar folias do seu tempo em Sevilha. Dança, música, bebidas, mulheres. Tudo contado a meia-voz, a fim de não magoar os brios de Dona Filó.

Os campos do amor têm muitas flores, coloridas são as vestes dos ciganos, com os seus corações andejos e fervente sangue. Quando Chico Espanhol vinha com suas lorotas, Dona Filó, em muxoxo, desdenhava os vigores do parceiro.

– Quem te viu, quem te vê.

E lançava-lhe o bordão.

Quién fué a Sevilha perdió su silla.

O Compadre Chico Espanhol guardava variada biblioteca cujos livros ia emprestando a Ti’Olímpio. Este gostava mais dos escritos anarquistas, tinha a devoção de Fourier, amava as libertinagens, todos os poemas de maldizer, a fim de não tisnar o perfil de homem reto e inflexível. A bem durar sua vida, não desejava quebra dos princípios éticos.

Nos derradeiros dias de peregrinação diária, fechadas as contas de partidas dobradas do Borrador, feita a limpeza do açougue, ligado o frigorífico, Ti’Olímpio sentia-se mais solto nas visitas a Dona Filó, coitadinha, tão sem rumo. Gozava o aroma do café coado na hora, as quitandas fresquinhas, a prosa cada vez mais picante. Ele não tinha reparado, antanho, nos cabelos negros, na colante saia cinza, com forte abertura do lado, de onde emergiam pernas imortais. Os seios soltos na blusa flácida.

Passou a assuntar discretamente a opinião dos outros, coisa que nunca lhe ocorrera. Seres vulgares, de botecos e sorveterias, viviam de injuriar pessoas abastadas, autoridades e até de manchar a reputação das senhoras da sociedade. O que ouvira, à socapa: diz-que Dona Filó dava mais que chuchu na cerca. Como pode? Cavalheirescamente a acompanhou às barraquinhas, chegou a oferecer-lhe discreta prenda: no alto-falante o disfarçado galanteio: “Vamos ouvir Tenderly que alguém oferece a alguém.”

Até o nome de Dona Bartira entrava na roda da falação. Viram o padre novato, Cunegundes, a galgar com ela pela escada do coro, as mãos apoiadas nos braços soberbos. Ou com os olhos cravados nas pernas de meias negras, a subir rumo ao campanário. Ali tem coisa, repisava o barbeiro Argemiro.

Ti’Olímpio queimava etapas, vociferando insultos aos falastrões. Quer dizer: isso na primeira fase. Diziam que o Padre Cunegundes instruíra Dona Bartira a reconduzi-lo ao Catolicismo. Chegaram a inventar que ele era kardecista, mediúnico, meio holístico, tinha parte com o Demo.

Ti’Olímpio passara a meditar. Quando Dona Bartira desejava visitar Belo Horizonte, fazer compras, a solução era sempre a mesma: vá com Tarsila, a irmã. Ele, por princípio, jamais faria o desplante de sair de Transvalina, sua única e última trincheira.

Agora vinham os poréns. Um dia, Dona Tarsila chegou à casa com novidade: o Padre Cunegundes queria que ela e Dona Bartira ensaiassem o Coro do Natal. Seria a maior festa religiosa de toda a História de Transvalina. Mas precisava de um homem honrado e experiente que fosse à Capital fazer as compras do material festivo, na Casa Cor. E olhou com candura para Ti’Olímpio.

As pontas começaram a juntar-se. Dona Filó, de confidência em confidência, deixou rolar no chão da fantasia a moeda da perdição: que tal, Compadre Olímpio, irmos juntos a BH? Tenho saudade do movimento de lá. O Chico, quando me levava, nas raras vezes, tomava o Oeste Hotel. A gente ia ao Cine-Teatro Glória, ver as peças de sucesso do Rio, com Procópio Ferreira, Eva Tudor, Palmerim. Nada da Pensão Boa Noite, na Lagoinha, Praça Vaz de Melo – e piscava maldosamente os olhos – aquela em que se afundou o Compadre Boanerges.

Caso famoso em Transvalina. Compadre Boanerges perdera a jardineira da Empresa Romeu para a terrinha natal e resolvera dormir perto da rodoviária. Ao acordar no dia seguinte, tinham roubado tudo dele, inclusive as calças. O dono da Pensão Boa Noite emprestara-lhe uma calça velha e o aguerrido oficial da Força Pública tivera de caminhar a pé, de volta, batendo os cinquenta quilômetros da estrada carroçável.

Dona Filó não suportava mais os bons princípios da paróquia. Padre Cunegundes, aquecido pelas suas múltiplas aparências, começou a arquitetar piedosas consolações à sua viuvez. No entender dela, o Ti’Olímpio estaria mais à mão. Prometera a ele seguir pelo ônibus da Empresa Campo Limpo, rumo a BH.

O milagre começara a se desenhar. Pressões de Dona Bartira e de Dona Tarsila moviam o opiniático guardião de princípios à primeira viagem à Capital. Tomado de repentina malícia, Ti’Olímpico se prontificou: poderia viajar sozinho, passar o Natal em BH, ir – imaginem! – até mesmo ao Palácio Episcopal a fim de receber as bênçãos do Senhor Arcebispo. Dona Tarsila agradecia à Virgem tão estrondoso milagre.

No dia aprazado, lá se foi Ti’Olímpio. Dona Filó, induzida por nova satisfação, não tomara a jardineira ajustada. Ficara a arrumar a casa, costurar finas roupas, exceder-se nas pinturas, receber préstimos e cuidados do vigário. Lembrava-se bem de que o Natal, em bom espanhol, poderia ser tanto navidad como nochebuena. Navidad lhe proporcionava Chico Espanhol. Nochebuena, ao que consta, era a especialidade do Padre Cunegundes.

 

Futurações do Passado Imperfeito (digressões de um caniço pensante), Fábio Lucas. São Paulo: Giordanus, 2014.

 

Poemas acontecidos

I

O Futuro

 

Eu quis domesticar

o futuro

talvez retirá-lo

das sombras

Mas continua opaco

não se sujeita

aos meus cálculos

e premissas

Sinto-o pequeno

mofino

Quisera tê-lo

como a noite estrelada

ou palpitante

entre fogos em explosão.

Será pobre

contrafeito

magro

menor que o passado

bem menor

medíocre talvez.

Filho

de uma trajetória

sinuosa

faltam-lhe fôlego

suportes

Caminha

numa estrada

rarefeita

Talvez

eu não o veja

de pé

a acenar para os contemporâneos

a legião de indecisos

Ah! Vê-lo

saltar sobre o impossível

e me devolver

a moeda perdida

os sonhos insuflados

todos aqueles

a quem devo

uma segunda palavra

um gesto

um obséquio

uma palavra

de gratidão.

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* Fábio Lucas é Professor, Crítico Literário, Contista, Poeta e um grande reconhecedor da gratidão humana. Contato: fabiolucas@ipso.org.br

Poemas de Mariano Shifman

DERIVA

 

Millones se persignan ante Cristo,

millones reverencian a Mahoma.

Son legión los devotos de un axioma

o un ideal apenas entrevisto.

 

La muerte es incesante: a diario asisto

a su tenaz oficio de carcoma.

Porque reside en cada cromosoma,

sin algo más me siento desprovisto.

 

Y como tantos, creo que ahora creo

o creo de verdad sin darme cuenta.

¿Quién distingue un abismo de un deseo

 

cuando busca la costa en la tormenta?

Al vaivén de la fe, floto o flaqueo:

¿es su indecisa luz la que me orienta?

 

HISTORIA NATURAL

 

Lejos de la colmena,

surcando los aires de mayo

una abeja acopia néctar

acaso por última vez.

 

Y aun así ¿sería cierto su final?

Yo, fijo en lo que cambia, pienso en mí

y solo concibo el furor del tiempo;

ella, fluye en el dorado instante

junto al dulce ritual del polen.

 

Parece eterno ese sueño otoñal:

sabe ignorar lo que daña

y apenas busca, levedad de levedades,

su exacta porción de miel.

 

(De Material de interiores, Proa Ediciones, Buenos Aires, 2010)

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* MARIANO SHIFMAN es Abogado y Licenciado en Letras.  Ha publicado los libros PUNTO ROJO (1er. Premio XI Certamen Nacional de Poesía, Editorial de los Cuatro Vientos), Buenos Aires, año 2005 y MATERIAL DE INTERIORES, Proa Editores, Buenos Aires, año 2010.  Recibió premios y menciones en diversos certámenes de poesía y de relatos, entre ellos, además del citado anteriormente, los instituidos por las Municipalidades de las ciudades de Tres de Febrero, 25 de Mayo y Morón, Lomas de Zamora y Avellaneda (Provincia de Buenos Aires), por la Fundación “Victoria Ocampo”, por la Asociación “Gente de Letras” y por el Colegio Público de Abogados de la ciudad de Buenos Aires, en este último caso en el género cuento.

Diversos poemas y cuentos de su autoría han sido publicados en revistas literarias, antologías y sitios de Internet tanto del país como del exterior. Algunos de ellos fueron traducidos al francés, inglés, neerlandés, portugués y catalán. Contacto: mariano.shifman@gmail.com

 

Buenos Aires, 05/09/14: Una Fiesta Porteña | Luis Raúl Calvo, Amadeo Gravino, Julio Bepré, Clauder Arcanjo y Patricia Tenório

Foi uma festa portenha a que aconteceu no Café Monserrat, Buenos Aires, na noite de 05 de Setembro de 2014, no lançamento do livro “La Otra Oscuridad/A Outra Obscuridade”, de Luis Raúl Calvo. Em homenagem a esse encontro de irmãos de América Latina, oferecemos alguns poemas, causa e resultados desse encontro.

Era una fiesta porteña que sucedió en el Café Monserrat, Buenos Aires, en la noche del 05 de Septiembre 2014, en la presentación del libro “La Otra Oscuridad/A Outra Obscuridade”, de Luis Raúl Calvo. En honor a esta reunión de hermanos en América Latina, ofrecemos algunos poemas, causa y resultados de esta reunión.

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 La Otra Oscuridad

Luis Raúl Calvo

(Buenos Aires – Argentina)

La otra oscuridad es este pacto labrado

con los sórdidos impostores.

¿Quién transformó los harapos calcinados

en la ensoñación de los dementes?

La rebelión de la piel es un atenuante

a la mentira.

Nosotros, los blancos atrincherados

en las bujías de plomo

descosemos las blusas amarillas

de la mujer amada y reciclamos su aroma

así como otros reciclan las miserias

más humanas.

Este es el estado de las cosas

la fragmentada disolución del alma

en la carne de los desenterrados.

Quizá por eso, este amor con gangrena

sacude a los amantes y nos traslada

a Notredam, allí donde el viejo jorobado

se recompone en los campanarios de plata

y vislumbra enajenado las cuentas pendientes

que en algún momento se ha de cobrar.

Contemplaciones

Amadeo Gravino

(Buenos Aires – Argentina)

estrellas besan

belos olivos viejos

todas las noches

 

NOTICIAS

Julio Bepré

(Buenos Aires – Argentina)

 

Conserva la costumbre de pensar frente al mar

olvidando el corazón opaco de la tierra.

 

También goza la plácida caída de una lluvia

y cree que no existe otro mar como el que mira.

 

Se aleja lentamente pero vuelve al sentir

la furia del oleaje contra toscas y arenas.

 

Recompuesto ante el paso ligero de una brisa,

recibe el milagro de una imprevista calma.

 

Porque los años se volvieron otros

bajo este azul cenit tan leve como un sueño.

 

Provincia robada y nómade

Clauder Arcanjo

(Mossoró, RN – Brasil)

Para Luis Raúl Calvo

 

La lluvia olvida mi província,

y Buenos Aires sangra y canta.

Los poetas y usted, nuestra noche nómade,

no miram el espacio lleno de milagro y adioses,

pero que si: la intimidad del “revés de las cosas”.

“Debe ser verdad aquello de que el amor y la muerte

tienen un mismo destino.”

 

Mi Buenos Aires, dijeron, olvidada y otra vece conternada,

profesa y, quiçá por eso, la revés de la misma oscuridad,

“se recompone en los campanários de plata

y vislumbra enajenado las cuentas pendientes

que en algún momento se há de cobrar”.

 

La lluvia olvida mi província,

y Buenos Aires sangra y canta.

Los poetas y usted, en la otra noche,

miram el espacio grávido de amistad.

 

Com mi ojos en la tierra y mi hermanos

puestos en lo crimen dos degradados, yo sueño:

“Hay distintas formas de ver pasar

la vida, de contemplar lo bello

o lo siniestro, que ha quedado perpetuado

en algún sitio”, son el peso de las palabras

de Roberto Arlt, memoria de Los siete locos:

“A pesar de todo es necesario

injertar una alegría en la vida.

No se puede vivir así. No hay derecho.

Por encima de toda nuestra miseria

es necesario que flote una alegría, qué sé yo,

algo más hermoso que el feo rostro humano,

que la horrible verdad humana.”

 

La lluvia (re)inaugura mi hermosa província esencial,

puesto que mi corázon, robada y nómade Buenos Aires,

sangra y canta, canta y sangra, sangra y canta…

Sín fín, entre el bosque de la misma (y la otra) estupidez.

 

Buenos Aires – Argentina, 06/09/2014

Era una vez… Un nombre o La teoria de la traducción

Patricia Tenório

(Recife, PE – Brasil)

Traducir

Un poema

Es transformar

Un pétalo

En la flor

Girar

Voltear

Ambos lados

De la misma

Moneda

Y no se encuentrar

El sentido

Justo

La palabra

Correcta

Sólo

El roce de letras

Embalsamadas

En los aceites

Ancestrales

 

 

Baladas para violão de cinco cordas* | Léo Prudêncio**

Balada para violão de cinco cordas

I

 

essa é a história de chico

mais um dentre tantos

que ardem por justiça

chico era homem casado

(de uma mulher só)

pai; amigo; xadrezista; filósofo e sonhador

cansou sem grandes alardes da vida

dizia que

– viver é uma atividade repetitiva e cansativa

Um belo dia

disse à mulher e aos filhos que iria se encontrar com

Deus.

no mesmo dia

voltando para casa

chico ao atravessar a avenida

foi engolido por um caminhão

não resistiu

 

Os poetas

(poema redundante)

I

 

os poemas são as chaves para se desvendar

a vida e a vida segue o ritmo das ondas do mar

(clichê não?)

as palavras existem para criar mundos

foi com a palavra que Deus criou o mundo

por falar em Deus

o poeta é um profeta enviado por Jah

 

eu e minha pequena

(na vitrola: George Harrison: I’d Have You Anytime)

I

 

me eternizo nos olhares que deixo

me eternizo nas roupas que visto

e te eternizo por te levar em mim aonde eu vou

(eu e minha pequena

fazendo um doce dueto em um fim de tarde)

agora tem chovido excessivamente ao final da tarde

é por isso eu ouço aquelas velhas canções de roque

 

(dos anos 60)

 

e em cada acorde ouço velhas

rebeldias de jovens (hoje idosos)

carregamos sem querer

a inevitável certeza de que somos

momentâneos

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Poemas extraídos de Baladas para violão de cinco cordas, Léo Prudêncio. Guaratinguetá: Penalux, 2014.

** Léo Prudêncio me foi apresentado pelo Poeta de Meia-Tigela. Contato: poetademeiatigela@yahoo.com.br

Le X Festival International des Écrivains et Artistes de Val-David

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