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Índex* – Junho, 2014

Digamos que um dia

Eu queira e me cale

Tudo que eu não fale

Será Poesia

O Poeta de Meia-Tigela

Quando o silêncio fala mais no Índex de Junho, 2014 no blog de Patricia Tenório.

“Como se Ícaro falasse” | Patricia Tenório (PE-Brasil).

Flavia Cosma (Canada) : Poèmes inédits en français (traduits du roumain par Dana Shishmanian).

Danuza Lima (PE-Brasil) | Poemas inéditos.

Círculo Poético de Xique-Xique (BA-Brasil) – Maio, 2012 | July Ane (BA-Brasil).

Convite de Luiz Rufatto (SP-Brasil) | “Flores Artificiais”.

ANTOLOGÍA EN HOMENAJE A ANTÓNIO SALVADO (Salamanca-Espanha).

E o novo link do Poeta de Meia-Tigela (CE-Brasil):  http://opoetademeiatigela.blogspot.com.br/

A nova postagem será em 27 de Julho de 2014.

Obrigada pela participação de todos(as), um abraço bem grande da

Patricia Tenório.

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Index* – June, 2014

Let’s say that one day

I’ll want and shut up

All I won’t speak

It will be Poetry

The Poet of Half Bowl

 

When silence speaks more in the Index of June, 2014 on the blog of Patricia Tenorio.

“Like Icarus speaks” | Patricia Tenorio (PE-Brasil).

Flavia Cosma (Canada): Unpublished Poems in French (translated from Romanian by Dana Shishmanian).

Danuza Lima (PE-Brasil) | Poems unpublished.

Poetic Circle of XIQUE-XIQUE (BA-Brasil) – May, 2012 | July Ane (BA-Brasil).

Invitation from Luiz Rufatto (SP-Brasil) | “Artificial Flowers”.

ANTHOLOGY EN HOMENAJE A ANTÓNIO SALVADO (Salamanca, Spain).

And the new link from The Poet of Half Bowl (CE-Brasil): http://opoetademeiatigela.blogspot.com.br/

The new post will be on July 27, 2014.

Thank you for the participation of all, a big hug from

Patricia Tenório.

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EDSON NERY E CÉSAR LEAL

 Até breve, caríssimos Edson Nery da Fonseca (1921-2014) e César Leal (1924-2013)

See you soon, dearests  Edson Nery da Fonseca (1921-2014) and César Leal (1924-2013)

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* Índex foi traduzido apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated into English only as a matter of the extension of the post.

 

“Como se Ícaro falasse” | Patricia Tenório

“Ícaro, sentes a largura em tuas asas? Sentes que podes percorrer o mundo com elas e não mais voltar?

Não importa como aqui chegamos ou aonde vais. O que importa é o bater das asas, acelerar o pulso.

Queres o outono das estações, tolo que és! Apreende o instante, isso basta. Não mais augúrios de Minotauro nem sonhos, para que sonhar? Esquece ao que vens, te encerres no exato instante em que te encontras. Não penses em nada, por que pensar?

Não percas tempo em pensamentos, sai de ti, sai de ti, eu sairei de mim agora.”

Dédalo arrasta o filho para a beira do abismo – ele dorme. Despe-o com cuidado.

Levanta-o.

As asas, em seu devido lugar.

As feridas cicatrizadas, não curadas ainda: curadas com o levantar do voo, o passar do vento.

“Ícaro, sentes a largura em tuas asas?”

O pai alisa o corpo nu do filho em pé. Abre os olhos ao infinito.

“Sentes que podes percorrer o mundo com elas e não mais voltar?”

As penas de gaivota, protege da umidade do mar com a cera de abelha.

“Não importa como aqui chegamos ou aonde vais.”

O céu propício. Poucas nuvens, uma leve brisa.

“O que importa é o bater das asas, acelerar o pulso.”

Se chuva, geada ou neve, tudo perdido.

“Queres o outono das estações, tolo que és!”

A flor move as pétalas.

“Não mais augúrios de Minotauro…”

O corvo se aproxima, grasna.

“… nem sonhos…”

A flor gira o caule.

“… para que sonhar?”

O corvo plana sobre Ícaro.

“Esquece ao que vens, te encerres no exato instante em que te encontras.”

A brisa para.

“Não penses em nada, por que pensar?”

Prismas de gotas do mar sobem.

“Não percas tempo em pensamentos…”

Lento.

“… sai de ti…”

Denso.

“… sai de ti…”

Musgo.

“… eu saio de mim agora.”

Dédalo o empurra como a si mesmo, como se Ícaro fosse maior que o pai, como se Ícaro pudesse voar… 

 

Capa Como se Ícaro falasse - Patricia Tenório

 

 

Como se Ícaro falasse*

Patricia Tenório

Ficção, 2012

ISBN: 978-85-60650-38-5

Preço: R$ 30,00

136 páginas

 

Sétimo livro da escritora pernambucana Patricia Tenório, vencedor do prêmio Vânia Souto Carvalho em ficção da Academia Pernambucana de Letras em 2011 e trazendo o selo da Editora Sarau das Letras – RN, Como se Ícaro falasse revive através do mito grego um dos mais antigos desejos da humanidade: o desejo de voar. Ambientado na ilha de Creta, esse “poema-narrativa” nos traz (e faz) questionamentos quanto ao amor, identidade, autonomia e liberdade.

 

* Prêmio Vânia Souto Carvalho em Ficção – Academia Pernambucana de Letras – PE (2011)

Flavia Cosma* : Poèmes inédits en français (traduits du roumain par Dana Shishmanian)

Gestes

Arroser les plantes,
Nourrir le chat,
Me laver le visage, les mains,
Me peigner – surtout me peigner,
Sortir les poubelles,
Balayer la neige devant la maison

Avant de marcher dans le vide.

En tâchant de rejoindre l’autre côté,
En espérant que ta main, ton doigt indicateur
Me montrera la voie jusqu’au
Refuge.
Jusqu’au matin trouble
au bout de la nuit qui s’attarde
suspendue bruyamment,
entre de larges continents.

O ! La fatigue des yeux après une nuit blanche !
Les plis des lèvres, du front, de la pensée !
La raison qui s’égare sur des allées d’hospice,

L’abandon, les adieux, les revenirs trompeurs,
Le feu au ventre et le nuage de flocons
Arrachés à l’aile d’or de la sagesse.


***

Nous

Nous sommes les montagnes parallèles, d’albâtre,
Inébranlables dans la fournaise, sous le gel,
Nous sommes l’embrassement primordial,
Le rêve inconnu de l’enfance
Devenu vide,
Obsession,
Pathologie.

Nous sommes la respiration saccadée
Toujours en contretemps,
Le gémissement sauvage
Réverbéré au travers des couloirs de la mémoire,
Les pierres blanches
Au visage tailladé
Se cherchant l’une l’autre, partout, perpétuellement.
Les végétations naines, pleurant
Sans larmes,
Les forêts de cactus géants
Aux arbres oubliés en bord de route,
Imitant la mort.

Nous –
L’immortalité et le non-être
Fondus l’une dans l’autre,
Les nuages devenus fauves
Entrecroisés sur le firmament,
Les sentiers d’un esprit impénétrable,
Rebelle.

***

Faux jours de repos

Des journées de repos lourdes où
L’éloignement devient élastique,
La torpeur du midi, accablante,
Quand dans les parcs les chiens aux tâches de rousseur
S’avancent solennellement sur de minces bandeaux d’herbe desséchée,
La viande des chevaux sauvages provoque
Des scandales internationaux,
Les moteurs des grands containers frigorifiés sont en panne,
Mettant en danger la santé de la moitié
de la population du globe,
L’ascenseur s’immobilise entre les étages,
Et toi, si près maintenant,
T’éloignes de plus en plus.

Des oiseaux exotiques s’enroulent en criant obstinément
Au-dessus de l’hôpital d’en face ;
Un voyage long comme une saison
Cligne des yeux avec impatience,
Les heures se détachent des cadrans,
Glissant comme des escargots, lentement,
Sur les surfaces en aluminium
Des petites tables des bistrots,
Exposées au soleil.

***

Jeu tardif

Tout est un jeu :
Nous jouons aux forêts noires,
A la mort.
Nous nous déguisons en vent, ébruitant les branches,
Nous nous habillons en rouge, nous agrippant aux larmes pour
Ne pas tomber dans le vide,
Nous nous débarrassons de vieilles habitudes,
Nous mourrons dans la pensée,
Nous nous dissipons,
Vieillissons, oublions,
Les autres nous applaudissent à scène ouverte ;
Nous finissons par nous cacher le visage
Sous de lourdes capes collantes.

L’amour triste et pudique
Ignoré,
Glisse dans le sommeil
Cherchant un autre maître.

(Extraits de son dernier recueil, Zgârieturi pe faţa oglinzii /
Griffures sur le miroir, éditions Ars Longa, Iassy, Roumanie, 2013)

Flavia Cosma

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

* Flavia Cosma, poétesse canadienne de renommée internationale, également productrice indépendante, réalisatrice et scénariste, est directrice de la fondation de La Résidence Internationale des Écrivains et Artistes”, Val David, Québec, Canada et organisatrice du Festival International biannuel pour écrivains et artistes. (la 8ème Edition, octobre 2013 et la 9ème, se tiendra en juin 2014.) Elle a publié vingt-quatre livres de poésie, un roman, un volume de mémoires de voyage et cinq livres pour enfants. Dernière parution en France : Le miel trouble du matin, L’Harmattan, 2012.
Visiter son site Flavia Cosma.com
Français – English – Espagnol  et roumain,

Danuza Lima* | Poemas inéditos

Persistência

 

Exercitando o prazer da espera, cozinhava as pedras daquele reino em banho-

maria pra fazer mingau.

Já era de manhã quando o dia amanheceu líquido, em pasta.

 

II

De Dentro

 

cansaço de olhar, sob as pernas acesas, o descanso das mãos ilegítimas

uma faca centrada na espera:

o prazer é uma coceira na palma do pé sob o sol de queimar os cascos

– meio-dia –

ele amolou a injeção proibida de alumínio e partiu seu coração ao meio,

deixando os pedaços no chão ardente.

 

XI

Exercícios de espera

 

A falta é esta linha de arame furando os olhos quando em vez

A falta: linha de arame rasgando os olhos e costurando a cru o peito necrosado.

Sob a necrose da ferida exposta, a geografia da distância inscreve com linhas de arame a palavra: ausência

 

XII

Schiele

 

“A exatidade da aurora inaugurou mistérios, adestrando o prazer quente do inverno ao polimorfismo do desejo”

Assim, recostado sobre o ombro frio do corpo morto, definiu o cadáver da mulher, preso à tela com pregos fictícios.

 

XVI

 

Cravou-se no olho, o arame da discórdia. Penetrado o artifício, queimam-se faíscas apagadas num ardor feito insetos sob ferida exposta.

No globo:

A gleba,

O esbranquiçamento.

Intimidade é o globo ocular permitir-se à leitosidade da catarata viva.

 

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* Contato: danuzakryshna@gmail.com

Círculo Poético de Xique-Xique (BA) – Maio, 2012 | July Ane

Desalento

 

Tanto de mim

Tantos versos.

Eu, aquela moça que nem sabe.

 

As palavras são um porto

Que aprisionam sentimentos

Trajetórias e retornos

De caminhos inseguros.

 

Unhas roendo a cova

De batalhas invencíveis,

 

Vencíveis

São os ossos

De tragédias tão curtas.

 

Roubada de mim

 

Quero lavar o rosto,

Esconder as feridas.

 

Quero sentir o gosto,

Quero viver mais vida.

 

E aquele retrato, e aquele medo

E o gozo que antes tinha?

 

O tempo roubou-me a filha

O direito,

A menina.

 

 

Do meu não-lugar…

 

Do desassossego

Brotam-se palavras,

Dos versos,

Insinua uma vida.

 

E desta casa tão grande…

 

Só ouço os espaços percorridos

As lembranças forjadas…

 

O eco de partilhas

Sonhos estraçalhados,

O sol descendo na tarde,

E lá se vai…

Mais um dia.

 

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* Enviado por Ricardo Nonato: ricnonato2000@yahoo.com.br

Convite de Luiz Rufatto | “Flores artificiais”

convitedigital_flores

ANTOLOGÍA EN HOMENAJE A ANTÓNIO SALVADO (enlace)*

Queridos (as) poetas:

 

Les envío el enlace del acto de pre-lanzamiento de la antología dedicada a António Salvado. El lanzamiento oficial será el mes de octubre, en Castelo Branco, con un importante coloquio en torno a su obra,

 

http://www.crearensalamanca.com/un-extenso-continente-llamado-antonio-salvado-dia-de-portugal-en-la-universidad-de-salamanca/

 

Abrazos siempre fraternos,

 

Alfredo

 

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* Enviado por Rizolete Fernandes: rizoletefernandes@ig.com.br