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Índex* – Dezembro, 2013

Hoje antes do amanhecer subi numa colina e contemplei o céu abarrotado,

E disse a meu espírito, Quando abraçarmos essas esferas, junto com o prazer

e o conhecimento de tudo o que nelas existe, estaremos satisfeitos e realizados?

E meu espírito disse Não, vencemos esta fase só para seguir em frente. 

(Walt Whitman, Folhas de Relva)

A Busca Infinita de Conhecimento & Poesia no Índex do Blog de Patricia Tenório.

O último Revisitando Patricia Tenório (PE-Brasil) Nossa última aula… “A poética do ensaio”, Prof. Lourival Holanda (PE-Brasil) – Junho, 2013.

Poemas Postais | O Poeta de Meia-Tigela (CE-Brasil).

Poemas de Rizolete Fernandes (RN-Brasil).

Doce amargo | Newma Cynthia (PE-Brasil).

Il Convivio | Anno XIV numero 3 Luglio – Settembre 2013 (Itália).

Generatión Abierta – Entrevista a Patricia Tenório | Por Flavia Cosma (Romênia/Canadá) y Luis Raúl Calvo (Argentina).

E os novos links de:

José Neto (PE-Brasil) (http://borapralacomigo.blogspot.com.br/)

Oleg Almeida (DF-Brasil) (https://sites.google.com/site/olegalmeida/).

Agradeço a participação de todos, espero que tenham passado um Feliz Natal e desejo um 2014 de muita Paz, Saúde, Luz, Amor, Alegria & Poesia…

A próxima postagem será em 26 de Janeiro de 2014.

Até lá!

Patricia Tenório.

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Index* – December, 2013

This day before dawn I ascended a hill and looked at the crowded heaven,

And I said to my spirit, When we become the enfolders of those orbs and the pleasure and

knowledge of every thing in them, shaw we be filled and satisfied then?

And my spirit said No, we level that lift to pass and continue beyond.

( Walt Whitman, Leaces of Grass)

 

 

The Infinit Search of Knowledge & Poetry in the Index of the Blog of Patricia Tenório.

The last Revisiting Patricia Tenório (PE-Brasil) Our last class… “The poetics of the essay”, Prof. Lourival Holanda (PE-Brasil) – June, 2013.

Poem Cards | The Poeta de Meia-Tigela (CE-Brasil).

Poems from Rizolete Fernandes (RN-Brasil).

Bittersweet | Newma Cynthia (PE-Brasil).

Il Convivio | Year XIV number 3 July – September 2013 (Italy).

Opened Generation – Interview to Patricia Tenório | By Flavia Cosma (Romania/Canada) and Luis Raúl Calvo (Argentina).

And the new links of:

José Neto (PE-Brasil) (http://borapralacomigo.blogspot.com.br/)

Oleg Almeida (DF-Brasil) (https://sites.google.com/site/olegalmeida/).

I appreciate the participation of all, I hope you spent a Merry Christmas and I wish you a 2014 with a lot of Peace, Health, Light, Love, Joy & Poetry…

The next post will be on January 26, 2014.

Up there!

Patricia Tenório.

Foto Livros

**

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* Índex foi traduzido apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated into English only as a matter of the extension of the post.

** “As esferas” do prazer e conhecimento de 2013, PE-Brasil. “The orbs” of pleasure and knowledge of 2013, PE-Brasil.

Revisitando Patricia Tenório* – Dezembro, 2013

No último Revisitando Patricia Tenório, trazemos à tona a última aula de Prof. Lourival Holanda no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFPE, em Junho de 2013.

Aproveito para agradecer o carinho destes professores maravilhosos que me acolheram e com quem tanto aprendi, e espero aprender ainda mais no próximo ano como aluna “pra valer” do programa…

Muito obrigada, queridíssimos Profs. Maria do Carmo Nino, Lourival Holanda, Anco Márcio Tenório, Antony Bezerra… E aos colegas maravilhosos que tive a honra e privilégio de conhecer neste ano mágico de 2013…

O meu abraço maior que o Mundo, até a próxima,

Patricia Tenório.

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Nossa última aula… “A poética do ensaio”, Prof. Lourival Holanda – 17/06/2013

 Link Permanente http://www.patriciatenorio.com.br/?p=4795

 

12 Us Against the World**

 

(Setembro de 2012, Stade de France, Paris. O grupo de música sai do palco e vai entrando, um a um, no meio da multidão, vão se unindo em uma só voz, e vão crescendo, e crescendo, e são maiores do que si, e são um só. São “Eles contra o mundo”.)

 

Existe uma música do grupo britânico Coldplay chamada “Us against the world” que diz…

 

Oh morning come bursting, the clouds. Amen.

Lift off this blindfold let me see again

And bring back the water, let your ships roll in

In my heart she left a hole

 

A manhã vem surgindo, as nuvens. Amém.

Levante esta venda, deixe-me ver de novo.

E trazer de volta a água, deixe seus navios navegarem.

Em meu coração, ela deixou um vazio

 

“Ela deixou um vazio”… Este é o sentimento após estes 3 meses ao perceber o quanto aprendemos juntos na disciplina (“Ela”) “A poética do ensaio”***, de Prof. Lourival Holanda.

 

Aprendemos com os teóricos, com os poetas, com nós mesmos, e sempre sentindo, experimentando na pele e na alma Montaigne (01/04/13)…

 

O desejo de conhecimento é o mais natural. Experimentamos todos os meios suscetíveis de satisfazê-lo, e quando a razão não basta, apelamos para a experiência.

 

 (MONTAIGNE, Michel Eyquem de. Ensaios. 3º volume. 2ª edição. Tradução de Sérgio Milliet. Brasília: Universidade de Brasília, Hucitec, 1987, p. 348).

 

… sentindo a Poesia atravessar nosso corpo feito uma onda elétrica, os pêlos arrepiando nos versos recitados de Fernando Pessoa pelo Prof. Lourival (22/04/13)…

 

Foi um Momento

O em que pousaste
Sobre o meu braço,
Num movimento
Mais de cansaço
Que pensamento,
A tua mão
E a retiraste.
Senti ou não?

Não sei. Mas lembro
E sinto ainda
Qualquer memória
Fixa e corpórea
Onde pousaste
A mão que teve
Qualquer sentido
Incompreendido.
Mas tão de leve!…

Tudo isto é nada,
Mas numa estrada
Como é a vida
Há muita coisa Incompreendida…

Sei eu se quando
A tua mão
Senti pousando
Sobre o meu braço,
E um pouco, um pouco,
No coração,
Não houve um ritmo
Novo no espaço?
Como se tu,
Sem o querer,
Em mim tocasses
Para dizer
Qualquer mistério,
Súbito e etéreo,
Que nem soubesses
Que tinha ser.

Assim a brisa
Nos ramos diz
Sem o saber
Uma imprecisa
Coisa feliz.

(Fernando Pessoa, in “Cancioneiro”)

 

… ou a pureza de Walter Benjamin em “Rua de Mão dupla” lida por nosso colega Paulo Carvalho (10/05/13)…

 

CRIANÇA LENDO. Da biblioteca da escola recebe-se um livro. Nas classes inferiores é feita uma distribuição. Só uma vez e outra ousa-se um desejo. Muitas vezes vêem-se livros cobiçosamente desejados chegar a outras mãos. Por fim, recebia-se o seu. Por uma semana estava-se inteiramente entregue ao empuxo do texto, que envolvia branda e secretamente, densa e incessantemente como flocos de neve. Dentro dele se entrava com confiança sem limites. Quietude do livro, que seduzia mais e mais.

 

… ou o ser contraditório que somos todos nós em Walt Whitman (01/04/13)…

 

(…)

 

O passado e o presente definham… já os enchi e esvaziei,

Passo a encher minha próxima dobra de futuro.

 

Vocês que me escutam aí em cima! Você aí… algum segredo pra me contar?

Me encare enquanto assopro o discreto poente,

Seja sincero, ninguém está te ouvindo, só vou ficar mais um minuto.

 

Me contradigo?

Tudo bem, então… me contradigo;

Sou vasto… contenho multidões.

 

(…)

 

(Walt Whitman, extraído de “Folhas da Relva – Canção de mim mesmo”)

 

… a honra e o privilégio em dividir o mesmo teto, respirar o mesmo ar de Antonio Ailton, Ricardo Nonato, Fernando de Mendonça (e tantos mais)…

 

Grande é o mundo, nós o dominaremos

com a pequenina flor salpicada de crianças

e vendavais

(Antonio Ailton)

 

Quem parte
Na promessa de voltar
Sabe ser a saudade
Um presente habitado.

(Ricardo Nonato)

 

E cresceu assim, crente de que ‘seria grande’ para ser escritor, de que ‘seria escritor’ para ser grande.

(Fernando de Mendonça)

 

Tento “trazer de volta a água” que nossos “navios navegaram”; ela se esvai no tempo, “amarele-sendo, amarele-sendo” feito a fotografia…

 

1 - foto

Obrigada Prof. Lourival, Priscila, André, Cilene, Ailton, Fernando, Márcia, Ricardo, Cassiana, Roberta, Diogo, Thiago, Hudson, Vinícius, Ingrid, Mirella, Érika, Suelany (e Paulo, e Fátima, e Álisson, e quem mais faltar!) por tudo o que vocês nos ofereceram de maneira tão e tão generosa…

 

E chegamos ao dia 10/06/13, a 14ª aula na contagem do nosso organizadíssimo André Santos.

 

Sentimo-nos sós, fazendo o que não concordamos muito em fazer, mas que o sistema nos exige (Priscila), fazendo milagres (Diogo), tentando quebrar o que é evidente porque “o evidente é perigoso” (Prof. Lourival)…

 

– O ensaio nos põe em movimento. (Prof. Lourival).

 

E este movimento que não permite “a água estagnada”, “apodrecida” você nos ensinou, Prof. Lourival, ou melhor, como tantas vezes insistiu, você nos ajudou a descobrirmos sozinhos, sem estarmos sós, porque “um a um” fomos “entrando no meio da multidão” de teóricos, na imensidão dos poéticos, na infinitude da alma dos colegas que nos “deixavam à vontade”  (Fernando) para navegar de um extremo a outro, da teoria à prática, do estudo da Literatura e Poesia à entrega a Literatura e Poesia, feito o amante se entrega nos braços do ser amado, feito nós estamos talvez não prontos, mas “maiores do que si”, e somos “um só” para dividir poemas, teorias, “ideias sempre em movimento” (Márcia) para não estagnar, “roçando o poema” (Hudson) porque ele sempre nos escapa, tentando sempre “constituir um outro agenciamento deste corpo sem órgãos” (Paulo)…

 

Supondo que digamos sim a um único instante, com isso estamos dizendo sim não só a nós mesmos, mas a toda existência. Pois não há nada apenas para si, nem em nós e nem nas coisas: e se apenas por uma única vez nossa alma tiver vibrado e ressoado de felicidade, como uma corda, então todas as eternidades foram necessárias para suscitar esse evento – e nesse único instante de nosso ‘sim’ toda eternidade terá sido aprovada, redimida, justificada e afirmada.

 

(Friedrich Nietzsche em “A vontade de potência” em “O ensaio como forma” em “Notas de Literatura I”, Theodor W. Adorno, Tradução e apresentação: Jorge M. B. de Almeida, São Paulo: Duas Cidades; Editora 34, 2012 (2ª edição), p. 45).

 

Um até breve, um até logo, um até mais, com todo carinho e gratidão, um abraço bem, bem, bem da colega

 

Patricia Tenório.

 

 

Meu nome contém

Uma ponte intransponível

Patricia

Da pátria

Patricia

Sem pátria

 

De uma margem

A outra do rio

Não me aquieto

Não pouso os pés

 

Quero-me artista

Quero-me entranhada

Nos livros de teoria

 

Mas não me sinto

Em casa

Nem aqui

Nem acolá

 

Ou me sinto

Em casa

Quando estou inteira

Aqui

Quando me deixo banhar

Acolá

 

No rio dos outros mestres

Nas palavras

Dos poetas

Dos teóricos

Mostrando caminhos

Guiando sentimentos

 

Até me encontrar

Sozinha

Com meu nome

E nada mais

 

(Poema sem Pátria, Patricia Tenório, 06/06/13)

 

Intersemiose 2013-2

****

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* Patricia Tenório é escritora desde 2004. Escreve poesias, romances, contos. Tem sete livros publicados: O major – eterno é o espírito, 2005, biografia romanceada, Menção Honrosa no Prêmios Literários Cidade do Recife (2005); As joaninhas não mentem, 2006, fábula, Melhor Romance Estrangeiro da Accademia Internazionale Il Convivio, Itália (2008); Grãos, 2007, contos, poemas e crônicas, Prêmio Dicéa Ferraz – UBE-RJ (2008); A mulher pela metade, 2009, ficção; Diálogos, contos, e D´Agostinho, poemas, 2010; Como se Ícaro falasse, ficção, Prêmio Vânia Souto Carvalho – APL-PE (2011), lançado em novembro de 2012. Acaba de receber o Prêmio Marly Mota da União Brasileira dos Escritores – RJ pelo conjunto de sua obra e lançar em Paris Fără nume/Sans nom (2013), poemas, contos e crônicas em francês e romeno, pela editora romena Ars Longa. Mantém o blog www.patriciatenorio.com.br no qual dialoga com diversos artistas, em diversas linguagens. Atualmente se prepara para o mestrado em Teoria da Literatura, linha de pesquisa Intersemiose, na Universidade Federal de Pernambuco – UFPE. Contato: patriciatenorio@uol.com.br.

** Todos os direitos reservados a Coldplay Live 2012.

*** Disciplina “A poética do ensaio” ministrada pelo prof. dr. Lourival Holanda, no período de março a junho de 2013, no Centro de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Pernambuco.

**** “Os filhos de Maria”. Intersemiose – 2013/2, Prof. Maria do Carmo Nino, Centro de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Pernambuco.

 

 

 

Poemas Postais | O Poeta de Meia-Tigela

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MIRABILIA. MIRAÇÃO

 

Para Analou Benjamin

 

Você me sorri pássaros Me diz

Bálsamos e crisântemos Me ensina

Relâmpagos Me faz sonho raiz

Plantada em nuvem Sândalo neblina

Me transpira poemas tal Hafiz

Me esculpe a face em luz ou vento Assina

Na minh’alma com tinta d’água giz

Assobia azuis sombras opalinas

Me leva a passear em seus quadris

Me perfumam seus olhos Me calcina

Sua presença seu ventre-motriz

Você me voceíza predestina

Me comunga me Francisca de Assis

Me sana milagra desassassina

(Do livro de Sonetos MIRAVILHA

 poetademeiatigela@yahoo.com.br)

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O POETASSILGO

 

O poeta, o que ele é? Uma andorinha.

Parente da cigarra, descendente

da flauta, do trovão, da fontainha.

O poeta é o quê? Som virado gente.

O poeta? Invenção da Carochinha.

História de Trancoso, pretendente

com Dom Ratão à mão da Baratinha.

O poeta é o quê? Cérebro que sente.

Sente dó do diabo e se avizinha

do solitário asceta da montanha.

Convida o Barba Azul prima festinha.

Poeta? Abraça o cacto, acarinha

baiacu, porco-espinho, ouriço, amanha-os.

O poeta, o que ele é? Uma avezinha.

(Do livro de Sonetos MIRAVILHA

 poetademeiatigela@yahoo.com.br)

Poemas* | Rizolete Fernandes

CHRONOS

 

Vai embora

o tempo

inexoravelmente

hora por hora

minuto segundo

feito agora

CRONOS

 

Se marcha

el tiempo

inexorablemente

hora a hora

minuto segundo

sucediendo ahora

VENTO DA TARDE

 

Em tempo próprio de ser

maroto o vento da tarde

entra sem pedir licença

e põe-se a desmantelar

da casa portas e alma

Espalha papéis ao chão

invade secretos nichos

arranca folhas à planta

que verdeja minha sala

Assovia em meus ouvidos

faz folia em meus cabelos

e parte ao sentir a noite

levando consigo a calma

enquanto dura a estação

VIENTO DE LA TARDE

 

Cuando le corresponde ser

travieso el viento de la tarde

entra sin pedir permiso

y se pone a desmantelar

puertas y alma de la casa

Desparrama papeles al suelo

invade lugares secretos

arranca hojas a la planta

que verdea en mi sala

Silba en mis oídos

hace fiesta en mis cabellos

y parte al sentir la noche

llevando consigo la calma

mientras dura la estación

CERTAS PALAVRAS

 

Arrependo-me com freqüência

de certas palavras ter pronunciado

outras vezes o desgosto

é por não as ter falado

doe-me porém a consciência

de muitas outras palavras

jamais haver formulado

CIERTAS PALABRAS

 

Es frecuente que me arrepienta

de haber dicho ciertas palabras

otras veces el disgusto

es por no haberlas pronunciado

me duelen, sin embargo, la consciencia

de muchas otras palabras

que jamás habré formulado

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Extraídos de Vento da Tarde (Viento de La Tarde), Rizolete Fernandes, Editora Sarau das Letras (RN-Brasil) & Trilce Ediciones (Salamanca-Espanha), 2013, Tradução e Prólogo de Alfredo Pérez Alencart (Traducción y prólogo de Alfredo Pérez Alencart). Contato: mrizolete@yahoo.com.br e rizoletefernandes@ig.com.br

Doce amargo* | Newma Cynthia Cunha

colher de sopa

 

SETEMBRO DE 1984. PASSAVA DO MEIO DIA QUANDO Carlos Flosi abriu os olhos naquele início de tarde de um domingo ensolarado. Lembrou-se da menina que beijara na noite anterior: magrinha com curvas perfeitas. Língua diferente das outras mulheres que já havia beijado; um pouco fina, pontiaguda, meio desajeitada. Prometera levá-la à praia quando a deixou de madrugada na porta de casa no subúrbio do Rio. Pensou ser melhor que o acaso se encarregue de promover um novo encontro no pequeno bar do reduto boêmio, mas no final, decidiu não contar com a sorte, inventaria uma desculpa que justificasse o atraso, quem sabe, voltaria a beijar aquela boca rósea quase infantil. Se ainda quisesse seguiriam a praia para que pudesse ver os detalhes do corpo franzinho num pequeno biquíni verde, estampado ou vermelho, cores da estação que combinariam bem com o tom de pele.

Parou em frente da casa, desceu do carro, bateu palmas até que viu surgir uma mulher de meia-idade com aparência cansada, magra, branca, rosto afilado e cabelos finos. Ela não está, foi à praia. Senhor quer deixar algum recado? Falou recuada sob o portão de madeira esfregando as mãos no vestido surrado e olhar baixo, esboçando ar de curiosidade a respeito do jovem bem vestido, de sorriso aberto à procura da filha.

 

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Extraído do primeiro capítulo de Doce amargo, Newma Cynthia Cunha. Editora Bagaço (Recife/PE/Brasil), 2013. Uma pequena “colher de sopa” deste livro que estou devorando, desta escritora que muito iremos ouvir falar… Contato: newminha@hotmail.com

 

Il Convivio* | Anno XIV numero 3 Luglio – Settembre 2013

Dove sei?

di Antonina La Menza

 

Amica di mille parole

amica dei tanti vuoti silenzi

nemica dei miei dubbi.

Ti nascondi? Alle mie strofe?

Bacia il mio pensiero,

germoglia parole,

affaticati nelle pene,

tuffati nel mio sublime…

…esserci…

Dove sei? – dissi.

Trovami in ogni luce di stella –

rispose Poesia.

È l’alba…

di Grazia Guerrera

 

Il treno partiva portandoti lontano.

Ma non vedevo né gente né rotaie.

Reticolati di stelle divennero

               [i tuoi occhi

e mentre ti allontanavi

i miei occhi ti donavano

un’altra carezza…

Era il mio orgoglio a chiederti:

portala con te, dentro il tuo cuore

quando mi penserai, la sentirai

viva e vibrante.

Portati con te i miei occhi stanchi,

stanchi di varcare stinti cieli

e la notte diventava fiume di vetro.

Poi d’improvviso il riverbero

dell’arcobaleno.

Ora che sei tornata, è rinascere

             [alla vita…

Ci scrutiamo nei volti rugosi,

attendiamo ancora l’inizio.

È l’alba…

Madre

di Maria Trovato

 

Quando nelle sere d’estate

il sonno stenta ad arrivare

il pensiero vola a te.

Dove sei oh Madre?

Sopra la nuvola che attraversa

il firmamento, portata dal vento?

O forse sulla bianca luna

che sobrasta i passi del viandante?

O accanto alle stelle

che coprono il cielo,

e ti immergi nel loro chiarore?

Oh Madre,

ti sento sempre vicina,

e, quando un alito di vento

accarezza le mie gote,

un sorriso sfiora le mie labbra

e… … consolata mi addormento.

 ______________________________________ 

www.ilconvivio.org e angelo.manitta@tin.it e enzaconti@ilconvivio.org

Generación Abierta – Año XXV, N. 67 – Entrevista a Patricia Tenório – Por Luis Raúl Calvo y Flavia Cosma

LETRAS

Patricia Tenorio*

 

Espero vivir siempre con alegría la creación de personajes, imágenes y sueños y ser también creada por ellos”

Por Flavia Cosma y Luis Raúl Calvo

 

 

G.A.: Tu obra  en  narrativa, cuento, poesía, ensayo es muy reconocida, ¿a qué edad comenzaste a escribir?

 

P.T.: Empecé a escribir en 2004, con 32 años, casi 33. Pero creo que mi escritura se inaugura sólo con mi primer libro. Todavía soy muy nueva como escritora. Son sólo 9 años en este camino. Me hubiera gustado haber empezado antes, pero así se dieron las cosas.

 

G.A.: ¿Cuál fue el primer libro que publicaste y qué edad tenías?

 

P.T.: Escribí “El Mayor”, a los 33 años, en 2005. Este libro fue parte de la celebración de los 100 años del nacimiento de mi abuelo paterno, José Tenório de Albuquerque Lins, el Mayor. Él llevaba este nombre porque le fue  dado comúnmente a los líderes destacados de la región Nordeste de Brasil en ese momento. El Mayor era político, propietario de una fábrica de azúcar y del agrado de todos. Él alentó a la realización de  eventos culturales en la ciudad donde vivía (Boca da Mata y Atalaya – Alagoas), a pesar de no tener una educación académica completa.

El proceso de creación del libro fue bien rápido: dos meses para los cuestionarios y recepción del material (documentos, fotos, etc) con familiares y amigos; dos meses por escrito; dos meses para la revisión. Después de mi revisión, todavía faltaba todo el proceso de diseño, una nueva revisión y la impresión del libro. El día de nacimiento de mi abuelo es el 5 de noviembre, por lo que se inició el proceso en enero y terminó casi en la víspera del lanzamiento.

 

G.A.: ¿De dónde nace tu inspiración cuando escribes?

 

P.T.: La inspiración viene de todas partes, en todas las situaciones: sueños, pinturas en los museos, fotografías, historias que escucho en las calles o que leo en los periódicos. Me siento como predispuesta a escribir, como en un período de gestación. A veces la escritura viene de manera dolorosa y más rápida, como en la poesía. A veces viene sin problemas, como en el caso de los cuentos. Pero lo más difícil es la ficción larga. A veces me faltan fuerzas para construir los personajes, habitar en ellos, construir una relación, que, para mí, es verdaderamente la relación entre la madre y el niño.

 

G.A.: ¿Qué te llevó a fundar la web cultural y multilengual “Patricia Tenorio”?

 

P.T.: El escritor es muy solitario. Él o ella necesitan del otro en el proceso de creación. No sólo en cuanto al reconocimiento a su trabajo, sino sobre todo en la construcción del mismo. Creo que no hay un trabajo original, todos los escritos se entrelazan, se influyen. Pero también creo en la propia voz, en eso que llamamos estilo, y esto sólo se consigue después de mucho estudio y trabajo, por supuesto, el talento.

Mi página de la web nació con este propósito: tratar de unir a los escritores, artistas, fotógrafos, cineastas, finalmente, artistas de diferentes áreas y también diferentes idiomas, juntos para tratar de construir un arte en común.

 

G.A.: Como la Revista “Generacion Abierta” cumple en septiembre de 2013 25 años de vida, nos gustaría que nos digas cual es tu balance de la literatura y de las artes en Brasil en este último cuarto de siglo.

 

P.T.: Porque fue colonizado, Brasil tiene una historia relativamente reciente en la literatura y en las artes en general. Se señala la Semana de Arte Moderno (1922), cuando, sobre todo, se trataba de construir un nuevo lenguaje: el lenguaje de Brasil. Desde entonces tenemos escritores verdaderamente independientes de otras culturas y países, entre ellos: Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, João Guimarães Rosa, Cecília Meireles y Clarice Lispector. En las artes visuales se destacan Tarsila do Amaral, Victor Brecheret, Vicente do Rego Monteiro, Cícero Dias, entre muchos otros.

G.A.: Has conocido a grandes personalidades de las letras y de los artes no solo de Brasil, sino también de América Latina y otros países del mundo. ¿Cuál de ellos más te marco?

 

P.T.: Fue un placer conocer y aprender con nombres como el poeta francés Yves Bonnefoy, el Premio Nobel de Literatura, el escritor turco Orhan Pamuk, los poetas brasileños que admiro, como Adelia Prado, Ferreira Gullar, César Leal, poetas y escritores italianos, como Alfredo Tagliavia, Marisa Provenzano y Alessandro Baricco, poetas franceses como Isabelle Macor-Filarska y Denis Emorine, la poeta rumana Flavia Cosma y, más recientemente, el poeta argentino Luis Raúl Calvo.

 

G.A.: ¿Cómo transcurre la vida de una mujer escritora en Brasil? ¿Se le presentan muchos obstáculos para poder desarrollar su profesión?

 

P.T.: Sí, todavía aún tenemos muchos problemas en Brasil por ser mujer- escritora, algo que también se da en cualquier otro ámbito profesional.

Del mismo modo que con cualquier minoría – que no es la minoria – ellas son excluidas de la sociedad,  incluso por las propias mujeres. No creo en la literatura/poesía femenina, gay, negra, de clase social. Yo creo en la buena literatura, en la buena poesía, y esta no tiene raza, color o sexo.

 

G.A.: Sabemos que has participado recientemente en el VII Festival Internacional de Escritores y Artistas de Val-David, provincia de Quebec, Canadá. ¿Cuáles son tus impresiones sobre este festival?

 

P.T.: La sensación que tengo  es  como si hubiéramos estado viviendo la canción de John Lennon “Imagine”: “Imagina que no hay países…” … No hubo límites de idioma, cultura, países, religiones… Estuvimos allí tratando de compartir entre nosotros el placer estético que la poesía nos da, y también  la experiencia estética entre sí. ¡Fue mágico!

 

G.A.: ¿Cuáles son tus mayores deseos y expectativas como escritora?

 

P.T.: Sueño escribir cada vez más y mejor, hasta ser muy anciana, a olvidar las palabras y los nombres y que ellos me absorban.

Espero vivir  siempre con alegría  la creación de personajes, imágenes y sueños y ser también creada por ellos. También quiero seguir estudiando, siempre es necesario estudiar.

 

 

G.A.: Sabemos que conoces y admiras Argentina y su gran literatura. ¿Hay algo que querrías transmitirle a los lectores de “Generación Abierta” en este 25ª aniversario de  su fundación?

 

P.T.: Que mantengan siempre este maravilloso trabajo de “Generación Abierta”, sin darse por vencidos, que siempre insistan. Y que sigan revelando el Arte, la Literatura y la Poesía del mundo entero.

 

 

 

*Patricia Tenorio: Nació en 1969 y vive en Recife – PE, Brasil. Poeta, novelista y cuentista. Tiene siete libros publicados: “O Major – eterno é o espírito” (“El Major – eterno es el espíritu”) de 2005, biografía romántica, Mención de honor en Premios Literarios de la Ciudad de Recife (2005); “As joaninhas não mentem” (“Los escarabajos no mienten”), 2006, fábula, Mejor Romance Extranjero de la Accademia Internazionale Il Convivio, Italia (2008); “Grãos” (“Granos”), 2007, cuentos, poemas y ensayos, Premio Dicéa Ferraz – UBE-RJ (2008); “A mulher pela metade” (“La mujer en la mitad”), de 2009, ficción; “Diálogos”, cuentos, y “D’Agostinho” (“D’Agustín”), poemas, 2010; “Como se Ícaro falasse”, (“Como se Ícaro hablaba”), ficción, Premio Vânia Souto Carvalho – APL-PE (2011), publicado  el 21 de noviembre de 2012. Acaba de recibir el Premio Marly Mota de UBE-RJ por el conjunto de su obra cultural.

 

 

 

D´Agostinho*

 

 

Os lábios sussurram beijos

De um beija-flor

Assustado com os próprios olhos

Nas pétalas do girassol

Girou em si

E não percebeu

O pôr do sol longínquo e reticente

 

Às margens de mim

Persigo a imagem

Do que fui um dia

Para beber da sabedoria

Na audácia de uma criança

 

Cubro-me em púrpura –

Desvendar olhos alheios

E fazê-los enxergar o que em parte sinto

Mas bato o pó das sandálias

E caminho até a eternidade

 

 

D´Agustín*

(Traducción de Patricia Tenório & Luis Raúl Calvo)

 

Los labios susurran besos
De un colibrí
Asustado con sus propios ojos
En pétalos de girasol
Volvió en sí
Y no percibe

La puesta de sol distante y reticente

A orillas mío

Persigo la imagen
De lo que una vez fui
Para beber la sabiduría
en la audacia de un niño

Me cubro de púrpura –

Desvelando los ojos de los demás
Y haciéndoles ver lo que siento en parte

Pero toco el polvo de las sandalias
Y camino hacia la eternidad

 

* Poema extraído de D’Agostinho, Patricia Tenório, 2010, Editora Calibán, Rio de Janeiro – RJ – Brasil. Poema extracto de D’Agustín, Patricia Tenório, 2010, Calibán Editorial, Rio de Janeiro – RJ – Brasil.