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Índex* – Outubro, 2013

Hoje vemos por um espelho, confusamente, mas então veremos face a face.

Hoje conheço em parte, mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido.

(I Cor 13, 12)

A visão em parte no Índex do blog de Patricia Tenório.

Revisitando Patricia Tenório (PE)  em Contradições – Outubro, 2010.

Prêmios UBE-RJ – 2013.

Sans nom/ Fără nume” | Patricia Tenório.

Citind Zgârieturi pe faţa oglinzii de Flavia Cosma (Romênia/Canadá).

VIII Festival Internacional de Artistas y Escritores | Ana López (Argentina).

Há noites… | Clauder Arcanjo (RN).

A biblioteca de bichos | Jair Farias (RN).

A próxima edição será em 24 de Novembro de 2013.

Obrigada pela participação de todos e até breve!

Patricia Tenório.

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Index* – Octobre, 2013

 

Today we see in a mirror, confusedly, but then we’ll see face to face.

Now I know in part, but then I shall know fully, as I am known.

(I Cor 13, 12)

The vision in part in the Index of the blog of Patricia Tenório.

Revisiting Patricia Tenório (PE)  in Contradictions – October, 2010.

Awards UBE-RJ – 2013.

Sans nom/ Fără nume” | Patricia Tenório.

Citind Zgârieturi pe faţa oglinzii from Flavia Cosma (Romania/Canada).

VIII International Festival of Artists & Writers | Ana López (Argentina).

There are nights… | Clauder Arcanjo (RN).

The library of animals  | Jair Farias (RN).

The next edition will be 24th November, 2013.

Thank you for the participation and see you soon!

Patricia Tenório.

 reproduction-prohibited-19371

**

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* Índex foi traduzido apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated into English only as a matter of the extension of the post.

** Reprodução proibida, René Magritte. 1937. Óleo em tela, 81.3 cm × 65 cm (32.0 in × 26 in), Museu Boijmas Van Beuningen, Roterdam. Not to be reproduced, René Magritte. 1937. Oil on cavas, 81.3 cm × 65 cm (32.0 in × 26 in), Museum Boijmas Van Beuningen, Rotterdam.

 

Revisitando Patricia Tenório* – Outubro, 2013

Nesta edição, revisito (novamente – vale a pena!) Contradições de Outubro de 2010.

Link permanente: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=409

Patricia Tenório.

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Contradições

 

          Sempre me faço perguntas de vida e morte às vésperas do meu aniversário.

          “Nada há de gratuito exceto a morte” (Freud, extraído de O prazer do texto, Roland Barthes)

            Varro os fatos de outros tempos, as fotos do aqui e agora e não posso supor, não posso imaginar o que me aguarda, o que me surpreenderá.

            “O prazer do texto é esse momento em que meu corpo vai seguir suas próprias ideias, pois meu corpo não tem as mesmas ideias que eu.” (O prazer do texto, Roland Barthes)

            Aguardo uma outra estrada, um país diverso onde possa espalhar sementes de alegria e colher ramalhetes de amizades…

 

 

 Mãe Natureza – D´Agostinho (CD com Carlos Ferrera & Karynna Spinelli)

 

 Mãe natureza

Patricia Tenório

(Extraído de D´Agostinho, 2010)

 

Gosto do cheiro

De terra molhada

Da única escolha –

Ficar lendo livros

Ouvindo a chuva cair

Forte

Grossa

Violenta

Deixo-me banhar

Pelas lágrimas

Que clamam

– Patricia, Patricia! Por que me abandonastes?

 

Lendo Mãe natureza

Stella Leonardos

Setembro/2010

 

À Patricia Tenório

 

Sinto esse cheiro

De ideia molhada

Viver sortilégio

Ficar lendo livros

Ouvindo irmã água

Leve

Fértil

Fraterna.

Entendo essa chuva

Riso e lágrima.

Segreda

– Patricia! Patricia do coração poeta!    

       

          Procuro descobrir nos acontecimentos o sentido perdido nos textos, nas pessoas, na vida.

          “Quando o trabalho que você faz tem vinculação com seu percentual de humanidade, você se conecta ao outro”. (Ismael Caldas, artista plástico em “Das sutilezas e fraquezas humanas”, Viver, Diário de Pernambuco, 08 de Setembro de 2010)

        “O que ao leigo pode parecer uma obra-prima nunca chega a representar para o criador uma obra de arte completa, mas, apenas, a concretização insatisfatória daquilo que tencionava realizar; ele possui uma tênue visão da perfeição, que tenta sempre reproduzir sem nunca conseguir satisfazer-se.” (Sigmund Freud em “Leonardo da Vinci – uma lembrança da sua infância”)

           Tento seguir o que em mim pulsa, o que em mim se parece com a Verdade e a sinto eclodir por todas as minhas células.

        “A filosofia natural apaziguará os conflitos e as dissensões de opinião que atormentam, dilaceram e devastam a alma sem trégua. Mas ela os apaziguará, ordenando-nos não esquecer que a natureza nasce da guerra e que ela é, por tal razão, chamada por Homero de luta.” (“Oratio de dignitate hominis” Giovanni Pico della Mirandola)

        “A diferença não é aquilo que mascara ou edulcora o conflito: ela se conquista sobre o conflito, ela está para além e ao lado dele”. (O prazer do texto, Roland Barthes)

        Tomo do lápis e papel e derramo todo o meu Ser Humana em palavras e contradições, na esperança que a Arte se faça, me salve. Exprima.

        “… o texto: ele produz em mim o melhor prazer se consegue fazer-se ouvir indiretamente…” (O prazer do texto, Roland Barthes)

        “… estamos sempre demasiadamente prontos a esquecer que, de fato, o que influi em nossa vida é sempre o acaso, desde nossa gênese a partir do encontro de um espermatozóide com um óvulo – acaso que, no entanto, participa das leis e necessidades da natureza, faltando-lhe apenas qualquer ligação com nossos desejos e ilusões.” (“Leonardo da Vinci – uma lembrança da sua infância”, Sigmund Freud)

        Renasço a cada instante meu, a cada sorriso dado, a cada momento de partilha, experimentado, sem medos e vaidades, o que em mim possuo apesar de todos os detalhes…

Rinascimento**, Patricia tenório

Filmado em Câmera Cannon 7D. Editado em Final Cut Program.

 

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* Patricia Tenório é escritora desde 2004. Escreve poesias, romances, contos. Tem sete livros publicados: O major – eterno é o espírito, 2005, biografia romanceada, Menção Honrosa no Prêmios Literários Cidade do Recife (2005); As joaninhas não mentem, 2006, fábula, Melhor Romance Estrangeiro da Accademia Internazionale Il Convivio, Itália (2008); Grãos, 2007, contos, poemas e crônicas, Prêmio Dicéa Ferraz – UBE-RJ (2008); A mulher pela metade, 2009, ficção; Diálogos, contos, e D´Agostinho, poemas, 2010; Como se Ícaro falasse, ficção, Prêmio Vânia Souto Carvalho – APL-PE (2011), lançado em novembro de 2012. Mantém o blog www.patriciatenorio.com.br no qual dialoga com diversos artistas, em diversas linguagens. Atualmente se prepara para o mestrado em Teoria da Literatura, linha de pesquisa Intersemiose, na Universidade Federal de Pernambuco – UFPE. Contato: patriciatenorio@uol.com.br.

** Apresentado na X Setimana della Lingua Italiana nel Mondo – “L´Italiano nostro e degli altri”, 18 a 24 Outubro 2010 – Dante Alighieri – Recife – PE – Brasil.

Prêmios UBE – RJ 2013

Aconteceu na última sexta-feira, 25/10/13, na Academia Brasileira de Letras, a entrega dos Prêmios UBE-RJ 2013.

Segue a lista dos premiados e a programação do evento.

Toda a gratidão a Stella Leonardos, Márcia Barroca & Lucia Regina Lucena, abraço bem grande,

Patricia Tenório.

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Prêmio Guilherme de Almeida – Paulo Bomfim

Prêmio Guimarães Rosa – Fábio Lucas

Prêmio Fernando Pessoa -Antônio Carlos Secchin

Prêmio União Brasileira de Escritores – Antônio Miranda

Prêmio Lacyr Schettino – Elizabeth Rennó

Prêmio Mario Moreyra – Grecianny Carvalho Cordeiro

Prêmio Adonias Filho – Olívia Barradas

Prêmio Vinícius de Morais – Elisa Flores

Prêmio Machado de Assis – Miguel Jorge

Prêmio Paul Valéry – Jean Paul Mestas

Prêmio Jean Paul Mestas- Cyro de Mattos e Pedro Vianna

Prêmio Monteiro Lobato – Laura Sandroni

Prêmio Murilo Mendes – José Sebastião Ferreira

Prêmio Adalgisa Nery – Andréia Donadon Leal

Prêmio Henriqueta Lisboa – Yeda Prates Bernis

Prêmio José Afrânio Moreira Duarte – Vivaldino Pereira Ferreira

Prêmio Antônio Olinto – Eduardo D’Alba, Ronaldo Cagiano e Whisner Fraga, Matusalém dias de Moura

Prêmio Chico Buarque de Holanda – Colbert Helsinborg

Prêmio Walmir Ayala – Juçara Valverde

Prêmio Christiane Mestas – Yara Tupinambá

Prêmio Helena Ferreira – Vera Tavares

Prêmio Astrid Cabral – Almir Gomes de Castro

Prêmio Cyl Gallindo – Lourdes Sarmento

Prêmio Cassiano Ricardo – Leila Echamíe

Prêmio Marly Mota – Patrícia Tenório

Prêmio Zila Mamede – Elizabeth Marinheiro

Prêmio Mario Cabral – Ana Maria Fonseca Medina

Prêmio Benedito Nunes – Olga Savary

Prêmio Margaret Mee – Evandra Rocha

Prêmio Aluysio Mendonça Sampaio – Wagner Ribeiro

Prêmio Hernani Donato – Fernando Py

Prêmio Clarice Lispector –  Beatriz Rosa Dutra

Prêmio Paulo Rónai – Lívia Paulini

Prêmio Peregrino Júnior – Nelson Patriota

Prêmio Barbosa Lima Sobrinho – Cícero Sandroni

Prêmio Alice da Silva Lima – Tania Zagury

Prêmio Sigmund Freud – Luiz Gondim de Araújo Lins

Prêmio Clementino Fraga – Abílio Kac

Prêmio Reverie – Dorée Camargo

Prêmio Historiador Antônio Vieira dos Santos – Sonia Sales

Prêmio Maria Amélia Amaral Palladino – Anderson Braga Horta

Prêmio João Cabral de Melo Neto – Marcus Vinicius Quiroga

Prêmio Wanda Fabian – Tadiane Tronca

Prêmio Adélia Prado – Maria Amélia Amaral Palladino

Prêmio Manoel Proença – Ivan Cavalcante Proença

Prêmio Castro Alves – Diego Mendes Souza

Prêmio Florbela Espanca – Idalina P. A. Gonçalves

Prêmio Sophia de Melo Andresen – Gonçalo Salvado – Portugal

Prêmio Eugénio de Andrade – Victor de Oliveira Mateus – Portugal

Prêmio Joaquim de Montezuma de Carvalho – Pedro Miguel Salvado – Portugal

Prêmio José Saramago – Miguel Barbosa- Portugal

 

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UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES – UBE/RJ

Fundada em 27 de agosto de 1958

Integrante da Fede ração Latinoamericana de Sociedade de Escritores

 

 

C O N V I T E

 

A Diretoria da UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES – UBE/RJ

tem a honra de convidar V. Sa. e família para a

SESSÃO FESTIVA

de sua premiação anual.

 

Entrega dos PRÊMIOS DA DIRETORIA

 

Entrega dos PREMIOS DO CONCURSO INTERNACIONAL DE LITERATURA

 

Entrega da Medalha ANTONIO OLINTO

Medalha CECILIA MEIRELES

Medalha VINÍCIUS DE MORAIS

Medalha CLARICE LISPECTOR

Medalha TEIXEIRA DE FREITAS

e as de MÉRITO CULTURAL

 

HOMENAGEM AO CENTENÁRIO DO POETA VINÍCIUS DE MORAES

                                                                                                                                                                                            

 “Liricidade” de STELLA LEONARDOS

 

MARCIO GOMES  –  canto

MOISÉS PEDROSA – teclado

 

 

Data:  sexta-feira 25 de outubro de 2013.

Horário:  15 horas (pontualmente).

Local:  ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS (Teatro R. Magalhães Júnior)

            Av. Presidente Wilson, 203. Centro.

Traje:  passeio completo.

 

“A SUA PRESENÇA É SEMPRE

MUITO IMPORTANTE PARA A CULTURA!”

 

 

STELLA LEONARDOS                                            

      Secretária Geral  

LUCIA REGINA DE LUCENA

        Presidente                

 

 

“Sans nom / Fără nume” | Patricia Tenório

convite web

 

Préface*

 

La micro-anthologie de textes intitulée d’une manière inspirée Sans nom/ Fără nume appartenant à la brésilienne Patricia Tenório, une femme écrivain dont  les œuvres lui ont valu une bien méritée renommée internationale, offre au lecteur de partout un voyage initiatique vers les sources d’une humanité profondément personnalisée et dépourvue d’artificiel, au long duquel, parmi des jeux de lumières et d’ombres, on voit surgir avec force l’intensité des sentiments authentiques où l’amour et la vérité se combinent dans une axe de l’univers intérieur et extérieur de l’être.

L’écriture apparemment directe et simple, parfois austère du point de vue de la métaphore, dévoile, avec subtilité, une profondeur du sens qui ne se laisse pas facilement découvrir, mais qui devient une source de mé­ditation ultérieure: « Le temps passe vite sur ma tête/Son visage m’éclaire/Je sens un toucher doux/M’arriver et il suit en vain/L’absence me remplit tout de suite/J’enferme ce sentiment dans mes doigts fins/J’enferme étroitement jusqu’à l’insupportable/La douleur enflamme ma chair blanche/Le sang saute, les veines pulsent/Mon cœur s’arrête/Et sur la fenêtre/Loin, loin et qui me brûle/Je sens la vérité transpercer mes chakras » (Chakras).

D’autres fois, le discours devient une plaque tournante réunissant le rêve et la réalité, où la ligne de démarcation entre l’abstrait et le concret s’estompe petit à petit, apportant au premier plan les angoisses de l’être humain qui cherche à s’échapper au tourbillon d’un quotidien souvent déséquilibré et dépersonnalisé.

Le passé, le présent et le futur font leur apparition, tour à tour, sur la scène du microcosme existentiel révélé avec une finesse et une sensibilité à part par Patricia Tenório, dialoguant à la recherche d’un point d’appui archimédien, le seul capable de soulever le monde et de faire monter à la surface la lumière de « l’autrui », en tant que condition essentielle de l’altérité, mais aussi du Graal intérieur, trop souvent perdu dans la broussaille des faux labyrinthes d’une condition humaine superficielle, même pervertie, plus ou moins volontairement, par la réalité immédiate: « Donne-moi ta main, je te donne la mienne/Reçois la lumière de l´étoile-guide/Qui nous appelle à une promenade céleste/Et ouvre l´espace à nos rêves//Je voulais dans mon innocence inspirée/Dans tes yeux couverts de cristal/Trouver quelque fragment de moi perdu/Et m´accueillir dans tes bras longs//Alors je n´aurais plus besoin de moi-même/En m’abandonnant dans cette rivière tiède/Je ferais une promenade par tes chakras ouverts/Tes poids, tes légèretés/Pour pouvoir te sentir entier/Et de cette même main faire la mienne/Qui écrit et rêve avec un ballon doré/En parcourant un monde d´autres temps/D´autres vies/L´autre/Moi » (L’autre Moi).

Dans un paysage quotidien terne, souvent faux et manipulateur de consciences, les écrits de Patricia Tenório  surprennent, dans la meilleure acception du mot, par délicatesse, mais aussi par sincérité et par la ténacité de la recherche de la beauté et de la vérité depuis longtemps chassées, mais pas impossible à retrouver.

Christian Tămaş

 

Prefácio*

A micro-antologia de textos intitulados de uma forma inspirada Sans nom/ Fără nume da brasileira Patricia Tenório, uma escritora cuja obra já lhe rendeu uma reputação internacional merecida, oferece ao leitor de toda parte uma viagem iniciática ao encontro das fontes de uma humanidade profundamente personalizada e desprovida de artificialidade, ao longo do qual, por entre jogos de luzes e sombras, vemos emergir energicamente a intensidade de sentimentos genuínos quando o amor e a verdade se combinam em um eixo do universo interior e exterior do ser.

A escrita aparentemente direta e simples, às vezes austera em termos de metáfora, revela, com sutileza, uma profundidade de significado que não se permite facilmente descobrir, mas que se torna uma fonte de meditação ulterior: « O tempo passa rápido pela minha cabeça/Seu rosto me clareia/Sinto um toque doce/Chegar e ele segue nulo/A ausência me preenche de repente/Fecho este sentimento nos meus dedos finos/Fecho estreitamente quase ao insuportável/A dor queima minha carne clara/O sangue salta, as veias pulsam/Meu coração pára/E sobre a janela/Longe, longe e que me queima/Sinto a verdade atravessar meus chakras. » (Chakras).

Outras vezes, o discurso torna-se um centro que reúne o sonho e a realidade, onde a linha entre o abstrato e o concreto se desvanece gradualmente, trazendo à tona as angústias do ser humano que busca escapar do turbilhão do dia a dia muitas vezes desequilibrado e despersonalizado.

O passado, o presente e o futuro fazem sua aparição, por sua vez, no palco do microcosmo existencial revelado com uma delicadeza e uma sensibilidade à parte por Patricia Tenório, dialogando em busca de um ponto de apoio arquimediano, o único capaz de elevar o mundo e de fazer subir à superfície a luz do «outro», tanto como  condição essencial da alteridade, mas também do Graal interior, muitas vezes perdido no emaranhado de falsos labirintos de uma condição humana superficial, até mesmo pervertida, mais ou menos voluntariamente, pela realidade imediata: « Me dê sua mão, eu lhe dou a minha/Receba a luz da estrela guia/Que nos chama a um passeio celeste/E abre espaço aos nossos sonhos//Pudera na minha inocência inspirada/Nos seus olhos cobertos de cristal/Achar aquele pedaço de mim perdido/E me acolher nos seus braços longos//Então não mais de mim precisaria/Me abandonando neste rio morno/Passearia por suas chagas abertas/Seus pesos, suas levezas//Para poder lhe sentir inteiro/E daquela mesma mão fazer a minha/Que escreve e sonha com um balão dourado/Percorrendo um mundo de outros tempos/Outras vidas / Outro / Eu»  (Outro Eu).

Numa paisagem cotidianamente monótona, muitas vezes falsa e manipuladora de consciências, os escritos de Patricia Tenório surpreendem, no melhor sentido da palavra, pela delicadeza, mas também pelas sinceridade e tenacidade da busca da beleza e da verdade por um longo tempo procuradas, mas não impossíveis de se encontrar.

Christian Tămaş

 

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* La version française de la Préface appartient à son auteur.

* A versão (dos versos) em francês do Prefácio pertence à (foi traduzida por) sua autora.

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Sans nom/ Fără nume

De Patricia Tenório

 

O oitavo livro da escritora brasileira Patricia Tenório vem para consolidar seu caminho pelo mundo das palavras desde 2004, há quase 10 anos. Desta vez, contos, poemas e crônicas publicados, na maior parte, em seus sete livros anteriores aparecem aqui em outras línguas: o francês (tradução efetuada pela própria autora com a colaboração da tradutora e poetisa francesa Isabelle Macor-Filarska) e o romeno (traduzido pela tradutora e poetisa romena Flavia Cosma).

Com o selo da editora romena Ars Longa, Sans nom/ Fără nume vem ao encontro do desejo de todo artista de se comunicar com o Outro, com “diversos artistas”, em “diversas linguagens”.

 

A autora

 

Patricia Tenório nasceu (1969) e vive em Recife – PE, Brasil. Escreve poesias, romances e contos desde 2004. Tem sete livros publicados: O major – eterno é o espírito, 2005, biografia romanceada, Menção Honrosa nos Prêmios Literários Cidade do Recife (2005); As joaninhas não mentem, 2006, fábula, Melhor Romance Estrangeiro da Accademia Internazionale Il Convivio, Itália (2008); Grãos, 2007, contos, poemas e crônicas, Prêmio Dicéa Ferraz – UBE-RJ (2008); A mulher pela metade, 2009, ficção; Diálogos, contos, e D´Agostinho, poemas, 2010; Como se Ícaro falasse, ficção, Prêmio Vânia Souto Carvalho – APL-PE (2011), lançado em 21 de novembro de 2012.  Acaba de ganhar o Prêmio Marly Mota da União Brasileira dos Escritores – RJ (Outubro, 2013) pelo conjunto de sua obra. Mantém o blog www.patriciatenorio.com.br no qual dialoga com diversos artistas, em diversas linguagens. Contato: patriciatenorio@uol.com.br

 

 

Lançamentos: SANS NOM/ FĂRĂ NUME

Data: 30 de Outubro de 2013              Hora: 21h30

Local: Club des Poètes  – 30 Rue de Bourgogne – Métro Assemblée Nationale – Paris

Data: 31 de Outubro de 2013              Hora: 20h00

Local: La Lucarne des Écrivains  – 115 Rue de L’Ourcq 75019 – Paris

Gênero: Poesia, Contos e Crônica

Preço: 10 euros                                               100 páginas

Informações: Brandusa Tămaş (Editora Ars Longa)                        

                         brandusatamas@gmail.com

                        Isabelle Macor-Filarska

                        isabelle.macorfilarska@gmail.com

 

 

 

 “Sans nom/ Fără nume

De Patricia Tenório

 

Le huitième livre de l’écrivain brésilien Patricia Tenorio vient consolider son chemin à travers le monde des mots, depuis 2004, il y a presque dix anns. Cette fois-ci, des histoires, des poèmes et des chroniques publiées, la plupart, de ses sept livres précédents apparaissent ici dans d’autres langues: en français (traduction faite par l’auteur en collaboration avec la traductrice et poète française Isabelle-Macor Filarska) et en roumain (traduit par la traductrice et poète roumaine Flavia Cosma).

Avec l’empreinte de la Maison d’Edition Roumaine Ars Longa, Sans nom/ Fără nume vient pour répondre au désir de chaque artiste de communiquer avec l’Autre, avec “différentes artistes” dans “différentes langues”.

 

L’auteur

 

Patricia Tenório est née (1969) et vit à Recife – PE, Brésil. Elle écrit des poésies, des romans, des contes depuis 2004. Elle a publié sept livres: O major – eterno é o espírito (Le major – eternel est l’esprit), 2005, biographie romancée, Mention d’honneur dans les Prix littéraires de la Ville de Recife (2005) ; As joaninhas não mentem (Les coccinelles ne mentent pas), 2006, fable, Meilleur Roman Étranger de l’Accademia Internazionale Il Convivio, Italie (2008); Grãos (Grains), 2007, des contes, des poèmes et des chroniques, Prix Dicéa Ferraz – UBE-RJ (2008) ; A mulher pela metade (La femme à moitié), 2009, fiction ; Diálogos (Dialogues), petites histoires, et D´Agostinho (D’Augustin), poèmes, 2010; Como se Ícaro falasse (Comme sIcare parlait), fiction, Prix Vânia Souto Carvalho – APL-PE (2011), publié le 21 Novembre 2012. Elle vient de gagner le Prix Marly Mota – UBE (Union Brésilienne des Écrivains) – RJ (Octobre, 2013) pour l’ensemble de son travail culturel. Elle a un blog www.patriciatenorio.com.br dans lequel elle dialogue avec différentes artistes dans différentes langues. Contact: patriciatenorio@uol.com.br  

 

Lancements: SANS NOM/ FĂRĂ NUME

Date: Le 30 Octobre, 2013                 Heure: 21h30

Local: Club des Poètes  – 30 Rue de Bourgogne – Métro Assemblée Nationale – Paris

Date: Le 31 Octobre, 2013                 Heure: 20h00

Local: La Lucarne des Écrivains  – 115 Rue de L’Ourcq 75019 – Paris

Genre: Poésie, Contes et Chroniques

Prix: 10 euros                          100 pages

Informations: Brandusa Tămaş (Maison d’Edition Ars Longa)                         

                          brandusatamas@gmail.com

                         Isabelle Macor-Filarska

                         isabelle.macorfilarska@gmail.com

Citind Zgârieturi pe faţa oglinzii de Flavia Cosma*

 

coperta zgarieturi buna

 

Citind Zgârieturi pe faţa oglinzii de Flavia Cosma

 

Câştigătoarea ‘Premiului pentru Excelenţă’ pentru contribuţia sa la îmbogăţirea şi promovarea Literaturii şi culturii române în spaţiul european şi mondial (la cea de-a XXIX-a ediţie a Festivalului Lucian Blaga, în 2009), Flavia Cosma este autoarea a nu mai puţin de 24 de cărţi de poezie.

Din 1976, de când trăieşte între Toronto şi Val-David, activitatea poetei canadiane de origine română a cunoscut destule momente de vârf. Unul din ele ar putea fi legat de introducerea cărţii, Leaves of a Diary (‘File de jurnal’), aparută la Variety Crossing Press din Toronto, 2006, ca material didactic de studiu, la Universitatea din Toronto, Canada.

Fidelă propriei concepţii potrivit căreia poezia cere o dăruire necondiţionată şi o sinceritate totală, Flavia Cosma i se dedică în întregime, preferând dăinuirii limitate între îngustimile spaţiului mundan contemporan, fals şi ipocrit, o trăire autentică, în universul adevărurilor creatoare absolute.

Zgârâieturi pe faţa oglinzii ar putea fi cartea metaforă ce ilustrează acest concept, dat fiind că ea pune faţă-n faţă trăirea în trup cu vieţuirea întru spirit, versurile fiind un permanent mono-dialog al eului liric ce pendulează între esenţă şi aparenţă, între omenesc şi nelumesc.

Chiar şi atunci când dialoghează cu Sinele, poeta o face cu nedisimulată detaşare. Energiile trupului şi cele emoţionale sunt sublimate, într-o sinteză spirituală, potrivit viziunii sale unice, cunoscută deja din volumele anterioare.

Starea poetică a Flaviei Cosma dezbracă, pe rând, cuvintele de haina efemerului, făcându-le părtaşe secretului său, Secret, pe care numai Dumnezeu îl ştie, anume: „dorul de iubire”, dor prezent până şi în trilul unei păsări (E greu de crezut).

Iubirea, despre care între timp a învăţat câte ceva, după cum afirmă în dedicaţia ce deschide volumul, este cea pe care poeta o caută mereu, aievea sau în vis (Ouăle) pentru că nu încetează să creadă în sensul şi împlinirea ei. De aceea când Veni şi ora… emoţia trăirii clipei face să dispară noţiunea timpului din „calendarul comun”. Ora aşteptată, ora petrecută, clipa trecută, se va pierde curând în noianul aceluiaşi timp sub care stă scrisă, ca de atfel şi poezia în sine. Aşa se face că „Inima înfrântă se-ascunde ruşinată-ntr-un colţ,/ Şi în sfârşit se lasă / Pradă durerii” (Frigul pietrelor).

Alteori „Timpul,/ Acest hermafrodit întins pe pat/ Intre noi” face parte din triunghiul amoros, transformând fiinţele, cu iubire cu tot, „In amintiri sfâşietoare,/ Dureroase” (Tu, eu şi timpul).

Însuşi titlul poemului, Zgârâieturi pe faţa oglinzii este o metaforă nu doar a dualităţii fiinţei, ci şi a timpului de care vorbeam. Căci el este acela care de fapt lasă urmele;  zgărâieturile pe faţa (oglinzii) fiind  (în)semnele sale.

Dual şi el ca tot ce-i lumesc, şi necruţător pe deasupra, se face simţit pândind „netrebnic, hain,/ Nerăbdător”, ceea ce o determină pe iubită să implore chiar şi din profunzimi de blestem, cerşind clipe, desigur, în numele iubirii: „Lăsaţi-mi câteva ore plăpânde/ La marginea cerului” (Aşteptare din nou).

Legate de timp, şi anotimpurile atrag atenţia prin  ‘semnele’ lăsate, în special când vine vorba de momentul regenerării, ca în Primăvara timpurie, sau al hibernării (Iarna la ferestre), când iubiţii stau „Numărand fiecare secundă ce trece, fiecare minut,/ Ca pe o nouă victorie”.

Aşadar printre temele şi motivele poetice prezente aici, în afară de cel legat de amintitul timp, mai distingem, motivul apei şi al oglinzii, precum şi al principiului yin/yang, cu metaforele lor cu tot.

Încercând să definească fiinţa umană, fluiditatea yin-yangului său energetic, poeta găseşte că suntem construiţi pe baza unui amestec al contrariilor; elemente concrete şi abstracte, pământesc şi dumnezeiesc laolată: „Noi— / Nemurirea şi nefiinţa/ Topite una într-alta,/ Norii sălbăticiţi/ Incrucişaţi pe boltă,/ Căile gândului impenetrabil,/ Rebel” (Noi).

Omul de rând îşi priveşte „pe furiş faţa în oglindă” (Peisaj urban),  oglindă văzută şi ca spaţiu şi loc, ca joc al apelor în care „iubitul zace înecat”. Nu mai puţin ea este şi reflexie a petrecerii temporale, a ‘pre’trecerii către o altă dimensiune, făcând trimitere la magicul, oniricul şi inefabilul vieţii.

Deşi îi place uneori să viseze, ori să creadă alteori în minciună —ca realitate ‘alterat’personalizată—, iubita din poemele Flaviei Cosma este în permanenţă lucidă (Odihnă) ştiind când şi cum să întrerupă jocul.

Însă şi uşurinţa cu care scrie este ‘oglinda’ libertăţii cu care scriitoarea a ales să trăiască, fapt ce a marcat traiectoria sa literară internaţională, de la publicarea primului volum de poezii, în 1992 (în Texas, SUA) şi până astăzi.

Cunoaşterea poetică presupune vibraţie, rezonanţă cu adâncul profund al naturii, de aceea afirmaţia Flaviei Cosma care dă titlul poeziei sale N-am răspunsuri, cu referire la problemele vieţii, este pe deplin îndreptăţită.

După cum mărturiseşte într-un recent interviu[1], poezia este din punctul său de vedere, un dialog între creator şi receptorul care îmbunătăţeşte cu propriile trăiri pe cele ale poetului. Aşa se face că, opera este rezultatul acestei fericite întâlniri necesare.

Doar că amintita formă de comunicare este posibilă, credem, atâta vreme cât, şi unii şi alţii sunt racordaţi la structurile şi energiile cosmosului, căci, după Flavia Cosma, poezia există de când lumea, având legătură cu misterele, cu magia şi cu tot ce nu poate fi explicat ştiinţific. În cuvintele scriitoarei, ea este „un dar a lui Dumnezeu oferit umanităţii într-un moment de graţie, un mod de a ajunge la conştiinţa universală”[2].

Prin extindere, am putea spune că incantaţia provocată de o anume rostire a versului, proiectează realităţile terestre direct pe cerul universal, ca o „mare răsturnată” oglindind într-un fel imaginea abisului feminin, lunecos şi trivial, „cu poalele-i largi date peste cap” (Mare răsturnată).

Motivul apei din Sezonul ploilor vine însoţit de cel al morţii, al putreziciunii, al fluidelor în destrămare. Ca proiecţie în expansiune, îi corespunde imaginea în mişcare a fulgilor „murdari”, a ploii „cu picuri mari”, sau a lacrimei, toate aceste lichide amestecate „cu plânsul pe feţe”. Cu puterea ei de transformare, apa este însă şi întruchiparea staticului când: „o paralizie, un îngheţ/ Pune stăpânire pe noi.”

Dar, cum poeta este o optimistă, nu se lasă prinsă în „braţele toamnei”, cu atât mai puţin în melancolia ei, odată ce „soarele covârşitor înaintează anevoie pe boltă” schimbând îndată tonul şi tonusul creaţiei Flaviei Cosma.

În treacăt fie spus, până şi imaginea morţii e lipsită de obişnuitele ei atribute întunecate, căci „Sub soarele blând / Moartea se îmbracă în veşminte de aur”, deloc înfricoşătoare ba dimpotrivă, figura ei e de-a dreptul solară: „Galbenă/ Elegantă / Răbătoare/ Atoateştiutoare” (Calea spre nefiinţă).

Interesant ni se pare ciclul de Elegii, (cu subtitlul „Urcând din treaptă în treaptă până la etajul IX”). Probabil, nu întâmplător treptele ajung la etaje fără soţ. Se remarcă cel notat cu cifra simbolică şapte, cifră care, printre altele, dă sens alegoric şi nivelului al treilea: „Etajul trei face parte din cele şapte luni de absenţă”.

Cele trei ipostaze ale etajului şapte (a, b, c) au cheia metaforică a închiderii/ deschiderii, sugerată de prezenţa ferestrei şi a peretelui (alb), între care se consumă experienţa unei iubiri care inversează sensurile elementelor. Această stare de lucruri se va confirma îndată ce ajungem la următorul şi, ultimul nivel: „La etajul nouă/ Miroase a aer stătut şi încins”.

E treapta conştientizării, a asumării experienţei, marcată de „fereastra care nu se poate deschide”. Asta o face pe iubită să înţeleagă nimicnicia zbaterilor fiinţei, acel vanitas vanitatum, omnia vanitas… respectiv că „toate-s derizorii şi patul murdar/ Se lasă într-o parte”.

Gândul o duce la evadarea din acel spaţiu socotind că „drumul cel mai scurt înspre eliberare” înseamnă să coboare „treptele celor nouă etaje/ Una câte una”.

Dar vine vremea sa lasăm autoarei binemeritatul răgaz de Odihnă. O vedem cum, după această serie de reflecţii poetice, „Transfigurată de flăcările mari/ De sete, depărtări şi neputinţe”, intră delicată, să se-nchidă, de bună voie, după cum singură mărturiseşte, într-un poem al iubitului, „scris în nopţi de veghe” şi rămas „Intre filele împrăştiate pe pat”.

Restul e Joc târziu, magie, iubire şi altă poezie…

 

 Ofelia M. Uta Burcea, Madrid, 2013


 

[1] La poesía es una calle con doble dirección, un diálogo entre el poeta y los lectores

 http://www.surysur.net/2011/10/la-poesia-es-una-calle-con-doble-direccion-un-dialogo-entre-el-poeta-y-los-lectores/

[2]Idem (tad. n.)

 * flaviacosma@rogers.com

VIII Festival Internacional de Artistas y Escritores | Ana López

 

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            Dos veces al año la Residencia Internacional de Escritores y Artistas de Val-David, en Québec celebra su Festival de Artistas y Escritores.

            Flavia Cosma abre las puertas y recibe a poetas, escritores, músicos y artistas plásticos de todo el mundo y llena los bosques de Val-David de poemas, relatos, artes plásticas y música.

            El VIII Festival Internacional de Artistas y Escritores “La moisson lyrique des baies sauvages” se llevó a cabo el 5 y 6 de octubre con la colaboración de L´Association des auteurs des Laurentides y el apoyo de la municipalidad de Val-David (Québec).

            En la jornada del sábado se presentaron los trabajos del prestigioso poeta y académico estonio Jüri Talvet, de los poetas Louise Carson

(Saint-Lazare-de-Vaudreuil, Québec), N. A. Yara Stein (Estados Unidos), Ana López (Argentina), David Brême (Francia/ Montréal), Flavia Cosma (Val-David, Québec), Carmen Doreal (Deux Montagnes, Quebec), nuestra invitada sorpresa de lujo, Paul Ruíz (Italia) y, virtualmente, Luis Raúl Calvo (Argentina).

            También hubo espacio para la música, en la voz de Jeremiah Wall, cantautor de Val-David, Quebec.

            La jornada del domingo se inició con la conferencia del poeta y editor Michel Mirolla “La nueva Guernica y la publicación de libros en el siglo XXI”, seguido por la de Jüri Talvet, quien presentó su libro sobre el poeta estonio Juhan Lliv y por Flavia Cosma, que dio cuenta de la experiencia de la Editorial Cervena Brava Press.

            Por la tarde, Paul Ruíz realizó la presentación de la retrospectiva del pintor Rito Caltabiano, a 10 años de su fallecimiento, seguido por las lecturas de Diane Robert Dit Lafontaine (Montréal), Louis Philippe Hébert (Saint-Sauveur, Québec), Talleen Hacykyan (Montréal), Anna Louise Fontaine (Laurentides, Québec),  Connie Guzzo-McParland (Montreal/Italia), Eve Duhaime (Laurentides, QC), Roger Lauzon (Morin Heights, Québec), Eva Halus (Montréal), Maria Caltabiano (Montréal).

            El cierre, pleno de música, estuvo a cargo de Sharl, cantautor de Laurentides, Québec.

            Durante ambas jornadas el espíritu del encuentro fue el de compartir la producción y la experiencia y sumar amigos en un ambiente fecundo y cordial, en el que se destacaron las cuadros expuestos de Rito Caltabiano, Morelia Flores, Carmen Doreal, Talleen Hacikyan, Eva Halus, Roger Lauzon, Paul Ballard, Anna Louise Fontaine y Sharl.

            En lo personal, el encuentro fue una puerta abierta al trabajo de importantes artistas de todo el mundo con quienes durante los dos días compartimos el placer de la poesía y del arte en un clima fraternal de hermandad entre personas de sitios distantes.

 

Ana López, escritora

Buenos Aires, Argentina                            Val-David, 9 de octubre de 2013.

Há noites… | Clauder Arcanjo*

Hemos visto noches de miradas eternas.

Luis Raúl Calvo

 

Há noites que cansam a eternidade

Descambam para o sutil anonimato

Solapam a fúria, amasiam-nos com a iniquidade.

Há noites que casam com a sordidez

Descascam as feridas pútridas do passado

Cavoucam-nas, rasgam-nas… empurrando-nos, arrastando-nos

Decretando a nossa infausta e maior insanidade.

 

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* clauderarcanjo@gmail.com

A biblioteca dos bichos* | Jair Farias**

“O que não está nos livros me aborrece”, dizia Juan.

“É por isso que eu mantenho meus bichinhos por perto”, completava. Por seus bichinhos, ele queria dizer toda aquela variedade de animais que dava forma ao quintal de sua propriedade. Diziam na cidade que até um lobo-guará ele criava lá dentro.

            Mas a verdade é que em cidade pequena se diz muita coisa. O que se sabe mesmo é que o velho Juan era um homem de hábitos noturnos, por isso ninguém o via, e assim ninguém também o chamava. Seu apelido era coruja-das-torres, ou mais popular Juan rasga-mortalha, tanto por ter os hábitos corujescos quanto por parecer fisicamente com uma, mais precisamente a das-torres, que os de crença mais mística chamavam de rasga-mortalha, e acreditavam ter uma presença mágica.

            Juan rasga-mortalha, como o povo dizia, não teve filhos. Enviuvou-se cedo, e aí seu isolamento agravou-se. Mas quem conviveu com ele antes da morte de sua esposa pôde contemplar sua biblioteca, maravilhosamente ordenada, por gênero e ordem alfabética, que ocupava mais da metade do espaço da casa. Era onde ele passava a noite.

            Mas depois da tristeza que o acometeu, não abriu mais a biblioteca aos amigos, ou a possíveis amigos, mesmo que desse para ver as luzes acesas à noite, e o barulho do homem a mudar os livros ou a folheá-los. Em cidade pequena, ouve-se muito também.

            O problema é quando as coisas passam do limite, quando se começa a ouvir além da conta. Juan não trabalhava, ninguém sabia de onde tirava seu sustento, sua comida, e o que mais o povo queria saber, a comida de seus animais. Muitas bobagens eram ditas sobre o ermitão, mas daí a se ouvir que durante o dia ele assumia a forma de animal para caçar e assegurar seu alimento e a porção de seus bichos, as coisas estavam indo longe demais.

            Isso tudo começou quando um fazendeiro local contava, surpreso, a história de como um carcará invencível tinha caçado alguns de seus coelhos. Para daí a no mesmo dia, à noite, se sentir o cheiro de coelho assado saindo da propriedade do velho rasga-mortalha. Outros já comentavam também de uma jaquatirica que aparecera caçando galinhas dos galinheiros da cidade, sempre de dia, e com freqüência uns coelhos sumiam novamente. Pelo visto é o que o velho gosta, carne de coelho, comentavam.

            Com a nova lenda se espalhando entre todos da cidade, agora que ninguém se arriscava a tentar contato com Juan, que outrora fora um bom amigo da comunidade. Os mais velhos muito bem se lembravam do homem culto, reservado, que entendia dos animais, não ia muito à igreja ou às festas, mas trazia bons músicos de outras cidades, e chamava quase todos que conhecia para assistir. “Era uma música diferente, que não tem por aqui, mas era bonita. A gente esperava até a próxima vê que ele fosse trazer os músicos de novo”, assumia um velho conhecido.

            O último contato a ser feito com a comunidade, anos depois, foi quando já não podia cuidar bem de seus bichos. Contratou dois homens para ficar na propriedade. Um o ajudaria a manter o seu quintal e o jardim, e o outro a biblioteca, quem sabe assim não poderia esticar por mais uns anos sua vida, e passar por eles lendo, ou em meio aos animais.

            Só deu um aviso, “quando eu morrer e vierem me enterrar, vocês trancam a biblioteca e deixam o quintal do jeito que ta, com meus bichinhos”, falou sério, “do jeito que ta, sem nada menos ou nada mais, de lá arranjo um jeito de voltar pra terminar o que comecei.”

            Nas conversas entre os dois empregados de Juan, o assunto era sempre o mesmo, a que ponto chegou a loucura do velho, “olha esse tanto de bicho”, “deixar os livros aqui”, “voltar dos mortos!”.

            Mas enfim chegou o dia, não muito tempo depois, em que o velho Juan morreu, e uma comitiva de outra cidade, seus parentes distantes, veio buscar seu corpo para enterrá-lo. “Um bando de coruja-das-torres, meu Deus, que coisa, como são parecidos”, observou uma dessas senhoras que só sabem comentar a vida alheia, principalmente quando acontece coisa ruim. Certeza que Juan a chamaria de urubu da fala.

            Os parentes nem quiseram saber de nada da terra do falecido Juan. De certo não era momento para isso, pensaram os empregados. Na semana seguinte, deram início a uma limpeza na casa, menos na biblioteca, que estava sempre muito limpa e ordenada.

            Passaram-se os dias, semanas, os homens sem nada fazer, com as chaves em seus bolsos, tiveram a ideia de pôr alguns livros em caixotes e doá-los, já que nenhum parente aparecia. Que pertencessem à escola da cidade, que tinha uma biblioteca menor que aquela, e poderia estar precisando. Quanto aos bichos, pensariam neles depois.

            Passaram um dia encaixotando livros, que não deram nem uma parte considerável da biblioteca, e foram dormir no quarto do velho emprego, já que no outro dia prosseguiriam com a tarefa.

            Acordaram, os dois, com bicadas de uma ave imponente, parecia um falcão. Era certamente um carcará, que pousou no alto do quarto olhando para os dois homens, de cima. Confusos, não sabiam o que fazer, mas ao perceberem as manchas de sangue ao redor, levantaram-se. Foi quando finalmente tiveram a total percepção das coisas, e viram dois coelhos ensangüentados jazidos no chão do quarto.

            Antes de saírem correndo da propriedade, sabiam do que tinham que fazer. Desencaixotaram os livros e os puseram na ordem em que estavam. Fecharam a biblioteca na chave e a jogaram fora.

            Com o passar dos anos desde a morte de Juan – todos que o conheceram há haviam falecido –, as lendas só cresciam em torno de quem ele fora e de sua propriedade, sua casa, seu quintal cheio de animais, sua biblioteca. De tanto se juntarem os falatórios, criou-se uma lenda só, a da biblioteca dos bichos.

            Que o velho Juan rasga-mortalha tinha realmente ficado aqui, entre os vivos, só que no corpo de seus animais, para continuar usufruindo de sua biblioteca, montando nela um ecossistema bizarro. Todo mês surgia um menino que se gabava de ter entrado lá, na biblioteca. Um dizia ter visto um sapo do tamanho de um cachorro pequeno, passando as páginas de um livro, lendo em voz alta, para todos os outros animais ouvirem as histórias.

            Outro dizia, numa versão mais realista, somente que os animais tinham ocupado a biblioteca e que lá havia se criado o maior fedor, com excremento por toda parte. Plantas cresciam, e ele tinha bastante certeza de alguns dos animais destruíam os livros, quando não comiam os papéis. Foi quando vociferou “é demais!” um jovem universitário da cidade que não aguentava mais ouvir histórias acerca da biblioteca dos bichos. E convocou uma assembléia para tanto.

            O palavreado era cheio, mas entre as coisas que disse na assembléia, em sua conclusão, o jovem bradou, “é um caso de saúde pública. Precisamos entrar lá com a polícia para averiguar se não há perigo para a população. Se todas essas histórias forem só lendas, bem, que os livros deste homem falecido há tantos anos sirvam para educação ou o lazer das novas gerações. Só não vejo o porquê de tanto falatório em torno de algo que ninguém nunca viu. Se é coisa que pode ser boa, e se pode ser ruim, é nosso dever eliminá-la.”

            Todos aplaudiram o jovem, mas o pensamento geral na assembleia foi “se és tão corajoso, vais tu!”. E ele captou a mensagem, apenas solicitou um policial com as ferramentas necessárias para o arrombamento. E sabia que precisaria se proteger caso houvesse algum animal feroz habitando aquele lugar.

            No outro dia, no fim da tarde, partiram no carro para fazer a vistoria da biblioteca dos bichos. Era simples, havia a entrada da casa, que era a porta, e a dois metros da porta uma entrada direta para a biblioteca, que ficava na antiga propriedade de Juan Aguirre, num lugar meio isolado da cidade.

            Já no local, o policial abriu a porta com um machado. Um tanto receosos, o policial mais que o moço, deram um passo para a frente, cada um acendeu sua lanterna, o que iluminou uma enorme biblioteca, incrivelmente limpa, com livros maravilhosamente ordenados, por gênero e ordem alfabética. Aquela visão os fez correrem de volta ao carro e acelerar na direção de onde vieram.

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* Extraído de Virando cachorro a grito, 2013, Editora Sarau das Letras.

** Jair Farias nasceu em Natal-RN. É formado em Direito. Virando cachorro a grito é seu primeiro livro, publicado pela editora Sarau das Letras. Contato: jair.farias.oliveira@gmail.com