Posts com

Índex* – Julho, 2013

Reconocer en su vientre

territorios aún

inexplorados.

 

Reconocer en los orígenes

de su piel

a Eros, invocando.

 

E inaugurar de madrugada

la fascinación de un amor

preñado por la ausencia.

 

(“Invocación de Eros”, La Otra Oscuridad, Luis Raúl Calvo, Traducción Patricia Tenório, En Prensa, Sarau das Letras, 2013)

 

Reconhecer em seu ventre

territórios ainda

inexplorados.

 

Reconhecer nas origens

de sua pele

a Eros, invocando.

 

E inaugurar de madrugada

a fascinação de um amor

prenhe de ausência.

 

(“Invocação a Eros”, A Outra Obscuridade, Luis Raúl Calvo, Tradução Patricia Tenório, No Prelo, Sarau das Letras, 2013)

 

A ausência que é presença no Índex de Julho do blog de Patricia Tenório.

Revisitando “O enigma de Kasper Hauser” | Patricia Tenório (PE).

Poemas de Luto Doce | Tatiana Morais (RN).

A crônica Coordenando multidões | Mara Narciso (MG).

Convite | Um Detalhe em H | Fernando de Mendonça (SP/PE).

Três textos de Isabelle Macor-Filarska (França) (Trois Textes d’Isabelle Macor-Filarska (France)).

Sans Nom/Fără nume | Patricia Tenório | Traducere română Flavia Cosma (Romênia) | Collaboration à la traduction en français Isabelle Macor-Filarska (França).

Cartas de Stella Leonardos (RJ)… Prêmio Marly Mota (PE).

E os novos Links de Rodrigo Malagodi (RJ) e Selma Vasconcelos (PE): www.rodrigomalagodi.com.br e www.otabladosv.blogspot.com.br     

 A próxima postagem será em 25 de Agosto de 2013.

Até lá!

Patricia Tenório.

__________________________________________

 

Index* – July, 2013

Recognize in her womb

territories still

unexplored.

 

Recognize in the origins

of her skin

Eros, invoking.

 

And usher in the dawn

the fascination of a love

pregnant of absence.

 

(“Invocation to Eros”, The Other Obscurity, Luis Raúl Calvo, Traduction Patricia Tenório, In Press

Sarau das Letras, 2013)

The absence that is presence in Index of July in the Blog of Patricia Tenorio.

Revisiting “The Enigma of Kasper Hauser” | Patricia Tenorio (PE).

Sweet Poems of Grief | Tatiana Morais (RN).

The chronic Coordinating crowds | Mara Narciso (MG).

Invitation | A Detail in H | Fernando de Mendonça (SP / PE).

Three texts from Isabelle Macor-Filarska (France) (Trois-Textes d’Isabelle Macor Filarska (France)).

Sans Nom / Fără nume| Patricia Tenorio | Traducere română Flavia Cosma (Romania) | Collaboration à la traduction en français Macor-Filarska Isabelle (France).

Letters from Stella Leonardos (RJ) … Award Marly Mota (PE).

And new links from Rodrigo Malagodi (RJ) and Selma Vasconcelos (PE): www.rodrigomalagodi.com.br  and www.otabladosv.blogspot.com.br
 
The next post will be on August 25, 2013.

Up there!

Patricia Tenorio.

Constantin Brancusi - Le Baiser

**

__________________________________________

* Índex foi traduzido apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated into English only as a matter of the extension of the post.

* Le Baiser (O Beijo), Constantin Brancusi (1876-1957). 1923-1925. Pedra Calcária Marrom. 36,5 x 25,5 x 24 cm. Centro Georges Pompidou – Paris – França. The Kiss, Constantin Brancusi (1876-1957). 1923-1925. Limestone Brown. 36,5 x 25,5 x 24 cm. Center Georges Pompidou – Paris – France.

Revisitando Patricia Tenório* – Julho, 2013

O Revisitando deste mês volta 01 ano no tempo para reler “O enigma de Kasper Hauser”.

Link Permanente: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=3706

 

O enigma de Kasper Hauser

“Não escuta esse terrível pranto ao seu redor? Esse pranto que os homens chamam silêncio?”

(WERNER HERZOG, 1974)

 

Um homem-menino trancado em uma alta torre desde o nascimento, não conhece outros homens nem seus hábitos, costumes. Ele e seu brinquedo de madeira, um cavalo que para ele não é um animal, é um joguete-espelho onde reflete o seu próprio ser, na necessidade de vesti-lo, na necessidade de fazê-lo imagem e semelhança sua. Veste-o com trapos, tal se veste de trapos. Não sabe o que é um sonho. É preso por uma corrente ao chão: não eleva-se, não anda, não sabe da sua natureza humana. Pronuncia gemidos, grunhidos. Não sabe o nome das coisas. Não sabe ao menos o que significa um nome. Desconhece a existência da Palavra.

“Em sentido estrito, a linguagem é, em sua essência, discursiva. Ela possui unidades de significado permanentes que podem ser ligados a outras unidades de significado ainda maiores. Ela contém equivalências fixas, que tornam definições e traduções possíveis. Suas conotações são de caráter geral, de forma que atos não-verbais, como apontar, olhar, modificar a voz, são necessários para que denotações específicas sejam atribuídas a suas expressões. Todas estas características ressaltadas a distinguem do simbolismo “sem palavras”, que não é discursivo nem traduzível, não permite nenhuma definição dentro de seu próprio sistema e não é capaz de transmitir o geral diretamente. Os significados transmitidos pela língua são entendidos um após o outro e, então, resumidos em um todo por um processo conhecido como discurso. Os significados de todos os outros elementos simbólicos que formam juntos um símbolo maior e articulado somente são entendidos através do significado do todo, através de suas relações na estrutura holística. O fato de que eles, de algum modo, funcionem como símbolos é explicado por eles pertencerem todos a uma apresentação simultânea e integral. Chamaremos esse tipo de semântica de “simbolismo apresentativo” a fim de caracterizar a diferença da sua essência da do simbolismo discursivo, isto é, da “linguagem” real.” (LANGER in SANTAELLA e NÖTH, 2010, p. 44);

É com a palavra que é libertado por seu “pai”. “Se escrever bonito ganha um cavalinho”. O homem-menino aprende a duras penas a escrever. Tem sentido? Não para ele, talvez para o seu “pai”. Talvez para os homens que vem a conhecer quando é deixado na praça pública da cidade, diante de uma árvore com uma vaca amarrada, vaca tão parecida com ele preso no interior de si mesmo.

“Piaget (1964: 97) define a imagem interior como “esquema representativo” de um acontecimento externo e vê nela uma “imitação interiorizada” e uma transformação de tal acontecimento.(…) A imagem mental é, assim, um veículo do signo que representa o objeto de referência externo.” (SANTAELLA e NÖTH, 2010, p. 30);

O silêncio a que se coloca diante dos “gritos” alheios, “gritos” ao que não estava acostumado na alta torre. A imagem que faz de si é toda coerente, que, ao se transformar em “ser de cultura”, lhe cobra um retorno a sua própria essência, o “tecedor” de roupas (para si mesmo?), a pele que precisa construir para se proteger da violência civilizatória.

“Mãe, estou tão longe de tudo!” (WERNER HERZOG, 1974)

Não tem medo do perigo. Nem das interferências no seu pensar. Descobre que o pensamento é maior do que o que vê. “As pessoas são como lobos para mim.” Está em contato direto com o mundo, e o mundo não lhe absorve.

“Os signos e, entre eles, as imagens são mediações entre o homem e o mundo. Devido à sua natureza de ser simbólico, ser de linguagem, ser falante, ao homem não é nunca facultado um acesso direto e imediato ao mundo. Tal acesso é inelutavelmente mediado por signos.” (SANTAELLA e NÖTH, 2010, p. 131);

Ao tocar o fogo, o bebê em seu colo, o faz como um ser integrado, não como uma parte, porque sente tudo de maneira imediata. A Palavra revela a fenda de acesso ao mundo, mas, de algum modo, Kaspar Hauser aceita esta dor do nome, aceita revelar-se, entregar-se a esse contato, a deixar a alma transbordar através das lágrimas, tão próximas de si quanto as palavras que escreve, quanto o seu nome na relva.

“Há alguns dias peguei umas sementes de agrião e plantei-as com meu nome. E ficou muito bonito. Fez-me tão feliz que quase não podia falar.” (WERNER HERZOG, 1974)

Percebe que seu nome está ligado à vida, e ao ser “apagado da relva” deixa de existir como escrita, como cultura, como ser que se expressa.

Kasper induz respostas, com a lógica que não é a do mundo (“o mundo não lhe absorve”), mas a do sentimento. O afeto foi constituinte do seu novo ser. O afeto em comunhão com a Palavra.

“(…) as imagens atuam mais fortemente de maneira afetivo-relacional, enquanto a linguagem apresenta mais fortemente efeitos cognitivos-conceituais. (…) Imagens fomentam atenção e motivação, são mais apropriadas à apresentação de informação especial e facilitam, em certo grau, determinados processos de aprendizagem. (…) A eficácia emocional das imagens cresce com o grau de sua iconicidade.” (SANTAELLA e NÖTH, 2010, p. 44);

O aprendizado do menino-homem vai se dando em saltos, não percebidos, não assimilados por si. Ele se sente sempre aquém da sociedade. A sociedade que por sua vez o exclui ao tomá-lo como “excêntrico”, “um peso” e ao mesmo tempo “um bom selvagem”. Um experimento para tentar entender a origem da própria espécime, sem lembrar das particularidades de um ser que cresceu num ambiente sem nenhumas das condições básicas para ser humano.

“(…) as próprias mudanças materiais ou instrumentais são provocadas por necessidades que nem sempre são materiais, especialmente quando se trata de um processo de produção de linguagem, seja esta verbal, visual ou sonora. Neste caso, há uma espécie de força interior ao signo para produzir determinações no seu processo evolutivo, em uma espécie de tentativa ininterrupta e inatingível de toda e qualquer linguagem para superar seus limites.” (SANTAELLA e NÖTH, 2010, p. 158);

É pela própria superação que Kasper Hauser se atinge. Passa de “experimento” dos outros a “experimento” de si mesmo. Desvenda a partir da sua própria biografia que escreve, no ato da escrita, o que aos outros não pode ser revelado, pois misterioso, e parte invisível do ser.

“Senhor, não há nada dentro de mim exceto minha vida!” (WERNER HERZOG, 1974)

“(…) o verdadeiro conteúdo do real se encontra menos na aparência do mundo externo do que na representação fortemente sentida que aquela desperta no artista.” (SANTAELLA e NÖTH, 2010, p. 178);

httpv://www.youtube.com/watch?v=nRWtvT7vzFc

 ______________________________

 * Autora: Patricia Tenório : www.patriciatenorio.com.br e patriciatenorio@uol.com.br.

Referências Bibliográficas

 [1] SANTAELLA, Lucia e NÖTH,Winfried. Imagem: cognição, semiótica, mídia.  São Paulo: Iluminuras, 2010.

 Referências Cinematográficas

 [1] O enigma de Kaspar Hauser. Alemanha Ocidental, 1974. 110 minutos. De Werner Herzog. Com Helmut Döring, Bruno S., Walter Ladengast, Brigitte Mira, Willy Semmelrogge, Michael Kroecher, Hans Musaeus e Volker Prechtel.

Luto Doce* | Tatiana Morais**

Volúvel

 

Sua devoção é água

Escorregadia e fluida

Às vezes compreensão

Às vezes nada

Muito breve

Renega

Limpa

E se encolhe

E eu

Ilha e terra

Sofro os desentendimentos

Dessa obscura arquitetura

Lançada em um labirinto

Severamente perverso

Rio

Mar

Cachoeira

Lago

Queria perder-me.

 

Destroços

 

Sinto dormências de um corpo sem retoques

Sem manchas reparáveis

Não dobra

Não flexiona

 

Diante de um breve vento

Pedaços e cacos de mim mesma

Não tenho imagem

Só recortes

 

E assim

Soterrada por meus destroços

Tuas preces ainda me tocam

Tua boca ainda me alivia

Os seios murchos

O ventre seco

O couro de velha

O cheiro de tempo

O peito em ti…

 

Impossibilidades

 

Compor o amor no barulho

Alinhar o afeto no som

Tecer os amantes em formas retilíneas

Quando pousar

Fraturar os dedos

Punir os desejos

Em cada recanto do despudor

Não mais restando acalantos

Era para ser suspensão…

 

________________________________

* Poemas extraídos de Luto Doce, Tatiana Morais, Sarau das Letras, 2013.

**Tatiana Morais nasceu em Assu, no Rio Grande do Norte. É autora de “Os Círculos do Inverno” (Ed. Sebo Vermelho), publicado em 2009. Este é seu segundo livro, “Luto Doce”, publicado pela Editora Sarau das Letras. Contato: tatiana_morais@ymail.com

Coordenando multidões* | Mara Narciso

20 de junho 2013

Os físicos olham para o céu, embasbacados com a imensidão do universo, e com a descoberta das leis universais colocam tudo em seus devidos eixos, determinando a ordem e a direção da expansão das estrelas e seus anexos. Entendem que há uma fuga lógica, e estes estudiosos descobrem que desde o big-bang nascem e morrem estrelas e ainda, galáxias e buracos negros se deslocam buscando seu destino. Nossa insignificante Terra vai junto. Leis naturais regem o universo, buscando organizar o caos, desde quando “Fez-se a luz”.

Os apaches eram alvos preferenciais dos mocinhos, e ao receberem um tiro de rifle faziam da sua queda espetacular por sobre o cavalo malhado, o grande show do cinema, sob os gritos dos meninos que vibravam com a morte daqueles índios. A incipiente vingança vinha através do galope do bisão. Uma manada de milhares de animais enfurecidos, tocada pelos índios partia em direção do acampamento dos brancos, pisoteando e triturando objetos e pessoas. Os indígenas norte-americanos conheciam a arte de dominar feras em grande número.

            Três leões aproximam-se de um vistoso rebanho de búfalos, escolhem sua vítima, um filhote pequeno e frágil, e têm certeza de que não haverá embate, pois a presa já está vencida. O alvo berra acuado, enquanto a manada foge dos invasores em bloco. Um búfalo, possivelmente o macho dominante, avalia a situação, e com um grito de guerra e numa curva perfeita, faz a família retornar para esmagar os leões, que largam o objeto do desejo e escapam amedrontados.

            Numa metrópole o trânsito de uma via de oito pistas está estrangulado, ou anda lentamente, numa mão de direção, seguindo a vontade de chegar, que deve ser de todos. Boa parte dos que estão trafegando sabe o que quer e para onde vai. Têm um destino, embora não consigam nem chegar perto dele.

Certas doenças psiquiátricas cursam com aceleração de pensamentos, que chegam aos milhares, esgotam o indivíduo fazendo dele um trapo, pois trazem intenso sofrimento psíquico. Infelizes dos que vivem esse caótico momento. Até a loucura precisa se organizar. E há medicamentos para isso. Nada funciona sem uma ordenação.

Os caminhos por onde passam as informações da internet nada mais são do que ruas e avenidas virtuais. Por elas trafegam incontáveis informações, em harmonia. Quando os vírus desorganizam o sistema emitindo ordem para que um único site seja acessado simultaneamente por milhões de computadores, o sistema cai. O caminho se entope e não passa mais nada. O mundo virtual é regido por suas próprias leis.

Na grande Maratona de Nova Iorque, a maior de todas, com seus 48 mil corredores previstos para o ano de 2013, há um ponto de partida e outro de chegada. A direção é uma só, e boa parte dos participantes quer chegar, mesmo aqueles que não podem completar os 142 km e 136 m. Na largada dos que não são de elite, estabelece-se uma ligeira confusão, pode haver quedas, fantasias, palhaçadas, mas há um mesmo objetivo: avançar. Um deles será o vencedor.

Um grupo de jovens, terminadas as aulas, sai da escola, e apenas quer voltar para casa, mas um espírito do mal instiga algum deles a fazer uma malvadeza. É o que basta para que todo o grupo seja impregnado e cometa erros e até barbaridades. Os pais custam a acreditar quando a polícia e as imagens mostram o que aconteceu. Gente em grupo pode tomar atitudes monstruosas.

Podem-se passar décadas estudando o comportamento de grandes agrupamentos humanos, e em se tratando de gente é comum a desobediência das regras quando se está anônimo na multidão. A internet, entrando em todas as frestas faz a chamada. Os grupos se formam. “Ordem e Progresso”. Essa pode ser a intenção. Como Caetano já disse um dia que “a Praça Castro Alves é do povo”, agora o Brasil todo é. “O Brasil é nosso”.

Não se consegue parar grandes números de corpos e de objetos, sejam eles estrelas ou bisões, bytes ou multidões. A população decidiu cobrar a conta toda de uma só vez. A direção possível é do tamanho do sonho de cada um. Nas linhas de frente, batalhas, e nas linhas de retaguarda guerras de ideias e de ideais. Multidões não gostam das lógicas que regem o universo, e o ruim: costumam ser impacientes.

_______________________

* Enviado por Mara Narciso: yanmar@terra.com.br

Convite | “Um Detalhe em H” | Fernando de Mendonça

 convite

Trois Textes d’Isabelle Macor-Filarska

Dans ma valise

 

Ma valise sera légère et je te le dis tout net, toi, je ne t’emporterai pas. Tu es bien trop lourd. Et toi non plus, trop lourd aussi. Non, je n’emporterai pas non plus de livres, trop lourds également, j’emporterai une pensée, essentielle à mon âge, la pensée du carpe diem.

J’emporterai le sourire de la gitane au coin de la rue, celle à qui je rends visite chaque jour pour faire un brin de causette, celle qui me salue comme sa bonne copine et elle l’est devenue. Elle est venue de loin, elle ne possède rien mais elle a un sourire pour ceux qui fraternisent, qui voient bien qu’elle existe et qu’elle en a le droit.

J’emporterai Le fou de Leila, Majnûn Leïla, et je me chanterai ces vers :

Ce n’est pas pour son enveloppe extérieure que je l’aime

Elle est comme la coupe que je tiens dans laquelle je bois le vin

Je suis amoureux du vin de la coupe à laquelle je m’abreuve

Or toi, tu ne vois que la coupe et oublies de goûter le vin…

Je rêverai dans le désert, dans les bois, la nature, près des rivières, au bord des mers. Sans fardeau d’aucune sorte. Le chant et la flûte seuls accompagneront mon voyage, ils seront ma seule ivresse, ivresse d’infini, ivresse d’éternité. Grâce et dénuement. Dépouillement, vivre léger, c’est si facile. C’est délicieux. On a besoin de si peu… d’attention à l’espace, à la terre que j’éprouve sous mes pieds, au ciel qui est partout, aux éléments simples, l’eau, le feu, l’air. La valise peut être légère, tout est donné en chemin : le vin, le pain, le sel. Les fruits, tu les cueilleras aux arbres, le vin, tu le boiras à la coupe que te tendra l’étranger et tu le dégusteras sans te laisser aveugler par la coupe. Les étoiles guideront tes pas et t’offriront le plus beau des spectacles dans les nuits silencieuses, faisant pleuvoir la lumière du ciel.

Ne prendre dans la valise que ce que l’on peut partager, dépenser. Ainsi le chant du poète, et la flûte, le ruissellement de lumière auquel on s’abreuve dans l’épaisseur obscure des vies communes. Dans ma valise, il y aura le vent qui me soufflera une chanson d’amour, et cela suffira. Quand j’ouvrirai la valise à l’escale, le vent s’échappera et  répandra son chant sur toutes choses. Alors nous serons comblés des dons de la vie. Ma valise sera de plus en plus légère à mesure que j’avancerai. Plus elle sera légère et plus je serai riche de joie et d’amour. Pour les disperser au vent.

Ce que j’aurai dans ma valise est le bien le plus précieux, un rien qui est tout. Des paysages intérieures, des réminiscences d’instants, de vies vécus ou pressentis, des souvenirs qui ne pèsent pas. Et des rêves. Des rêves d’ailleurs, mais ailleurs c’est maintenant, tandis que je marche avec une valise vraie ou imaginaire.

J’emporte donc avec moi un tableau rêvé où le poète en son jardin dort sous un arbre opulent, un arbre de vie aux hautes frondaisons, dans une lumière jaune d’or ou jaune soufre très douce traversée d’oiseaux de toutes les couleurs. A ses côtés les êtres se réjouissent dans une innocence toute fictive qu’il nous plaît d’appeler innocence ou joie d’être.

Qu’emporterai-je encore ? Eh bien, voyons, la chanson de Khalil Gibran que j’aime tant et que tu me chantais autrefois de ta voix rauque dans une langue rugueuse et mélodieuse, d’une sensualité que n’ont pas les langues trop bien élevées, dont la mienne, cette chanson dont quelques phrases berceront la suite de mon voyage :

Et celui-là seul est grand qui transforme la voix du vent en un chant

rendu plus doux par son propre amour.

Emplissons la coupe l’un de l’autre, sans boire à la même coupe.

Car le chêne et le cyprès ne croissent pas dans l’ombre l’un de l’autre.

 

L’amour ne possède ni ne veut être possédé.

L’amour suffit à l’amour.

 

L’amour … comme gerbes de blé, il t’emporte.

Te bat afin de te mettre à nu.

Te broie jusqu’à la blancheur.

Te pétrit jusqu’à ce que tu sois souple.

Puis te livre au feu, afin que tu deviennes pain, merveille du festin.

 

Tu connaîtras alors tous les secrets de ton coeur et tu vivras au coeur de la vie, dans la joie et l’amour, t’étant dépouillé de tes bagages, de tes entraves. Et je ferai de même. J’ôterai tout ce qui m’alourdit : pensées nocives, personnes importunes, désirs inutiles. C’est pourquoi j’ai entrepris le voyage. Avec dans ma valise, pour tout bagage,  ce qui ne pèse rien et qui est tout.

A la fin du chemin, lasse et heureuse du voyage, j’entends ce vers qui m’enchante:

 

Nêtre plus quun ruisseau coulant qui chante sa mélodie la nuit.

 

Ce que j’emporte dans ma valise, je vous le donne à l’arrivée ou au départ.

 

Isabelle Macor-Filarska

 

Lucarne 15avril-2013

 

Le Journal des poètes- Wislawa szymborska par Isabelle Macor-Filarska mars 2013

IMGP3187 Pequeno                                                                                                                                                                                   

 

 Isabelle Macor-Filarska en Arles, France.

Contact: isabelle.macorfilarska@gmail.com

Sans Nom/Fără nume* | Patricia Tenório | Traducere română Flavia Cosma | Collaboration à la traduction en français Isabelle Macor-Filarska

Linho

                                                     

       Outubro 2006

 

Extraído de « Grãos », Editora Calibán, Brasil, 2007

  

            Ela rasgou todas as cartas possíveis e jogou no fogo da lembrança. Quisera tirar do peito um gosto forte de mate escuro, denso, que toda vez que o esquecia teimava arrancar do céu da boca.

            Uma lágrima se juntou à letra trêmula, recém escrita, que não levava mais do que sentia, uma seca despedida com gosto de recomeço. Porque não o queria distante, mas se amparava na tristeza da quietude.

            Um pássaro lhe bicou o ombro anunciando a hora certa: amarrou suavemente o papiro nas patas finas e envelhecidas. Para bem longe levaria pequenas palavras de impossibilidade, uma certeza que aplacava abismo rasgando entranhas e os soluços deixavam-na ainda mais calma e serena sobre os lençóis de linho da cama desfeita.

 

Les Draps*

           

            Elle a déchiré toutes les lettres possibles et joué dans le feu de la mémoire. Elle avait voulu tirer du cœur un fort goût de maté noir, dense, qui toutes les fois qu’elle l’oubliait, s’entêtait arrachant le palais de la bouche.

            Une larme s’est ajoutée à la lettre en tremblant, nouvel-écrit, qui n’amenait plus que ce qu’elle sentait, un sec adieu avec un goût de recommencement. Parce qu’elle ne le voulait pas loin, mais se soutenait en la tristesse de la quiétude.

            Un oiseau lui a becqueté l’épaule annonçant l’heure certaine: suavement elle a attaché le papyrus aux pattes fines et vieilles. Bien loin il emporterait de petits mots d’impossibilité, une certitude qui apaisait l’abîme qui lui déchirait les entrailles, et les sanglots la laissaient plus calme et sereine sur les draps du lit défait.

 

Octobre 2006

 

Traduit de « Grãos », Maison d´Edition Calibán, Brésil, 2007

 

Lenjeria de pat*

  

Ea rupsese toate scrisorile posibile şi se juca în focul memoriei. Voise

să-şi scoată din piept gustul puternic de mate neagră, densă, şi care de fiecare dată când uita, se încăpăţâna, smulgându-i cerul gurii.

O lacrimă se adaugă la scrisoarea scrisă-proaspăt, tremurătoare, scrisoare care nu mai exprima ceea ce ea simţea, un adio sec cu gust de reînceput. Pentru că ea nu vroia

să-l îndepărteze, dar se susţinea în tristeţea tăcută a prezentului.

O pasăre îi ciuguli umărul anunţându-i că sosise ora: ea ataşă cu delicateţe papirusul de picioruşul fin şi bătrân. Pasărea va duce foarte departe bileţelul, cuvintele firave ale imposibilităţii, o certitudine care potolea abisul ce-i deşira viscerele, iar hohotele de plâns o vor lăsa mai calmă şi mai liniştită pe cearceafurile de in ale patului desfăcut.

 

Octombrie 2006

 

Nome

Outubro 2006

 

Extraído de « Grãos », Editora Calibán, Brasil, 2007

 

Eu queria prender teu nome   

E guardar na profundidade de mim  

Onde eu possa procurar teu sentido e descobrir

Porque não sais de meus pensamentos

Encontrando um lugar tranqüilo            

Para ali deixar anônimo

Eu pergunto e não respondes

Porque tu sabes, oh, meu querido

Tu sabes que não existe a verdade.

 

Nom

  

Je voudrais prendre ton nom

Et le cacher dans la profondeur de moi-même

Où je peux chercher ton sens et découvrir

Pourquoi tu ne sors pas de mes pensées

Trouver un lieu tranquille

Pour l’y laisser anonyme

Je demande et tu ne réponds pas

Parce que tu sais, oh, mon cher

Tu sais qu’il n’y a pas de vérité.

 

Décembre 2006

 

Traduit de « Grãos », Maison d´Edition Calibán, Brésil, 2007

 

 

Un nume

  

Vroiam să iau numele tău

Şi să-l ascund în adâncul cel mai adânc al fiinţei mele

Unde pot să-ţi caut rostul şi să descopăr

De ce nu-mi ieşi din gânduri

Să găsesc un loc liniştit

Unde să-l las în anonimat

Eu întreb şi tu nu răspunzi

Pentru că tu ştii, oh, dragostea mea

Tu ştii că nu există adevăr.

 

Decembrie 2006

 

 

Sem nome

 

Março 2009

 

A menina buscava a palavra perfeita

Que lhe roçara a pele num sonho

 

Os poros exalavam aroma de jasmim

E as letras embalsamadas nos óleos ancestrais

Tombaram em seu colo

Pedindo ninar, contar histórias

 

Para dormir um sono novo

Sonhar estrelas, galáxias perdidas

E a palavra perfeita vagando pelo espaço

 

Sans nom

 

Mars 2009

 

La petite fille cherchait le mot parfait

Qui lui avait effleuré la peau dans un rêve

 

Ses pores exhalaient l´arôme du jasmin

Et les lettres embaumées dans les huiles ancestrales

Tombèrent sur son cou

Lui demandant de la bercer,

De lui raconter des histoires

 

Pour dormir d’un sommeil nouveau

Rêver des étoiles, des galaxies perdues

Et le mot parfait vaquait dans l’espace

 

Fără nume

  

Fetiţa căuta cuvântul perfect

Care în treacăt i-a atins pielea într-un vis

 

Pe când porii ei răspândeau aroma de iasomie

Şi literele îmbălsămate în uleiuri ancestrale

Cădeau pe gâtul ei

Cerându-i să le legene,

Să le lase să-i spună poveşti

 

Pentru a adormi într-un somn nou

Pentru a visa stele, galaxii pierdute

Şi acel cuvânt perfect, rătăcitor prin spaţiu

 

Martie 2009

 

 

* Textos traduzidos do francês para o romeno por Flavia Cosma com a colaboração na tradução francesa de Isabelle Macor-Filarska em Sans Nom/Fără nume, no prelo, a ser lançado em Outubro/2013, pela editora romena Ars Longa. Textes traduits du français vers le roumain par Flavia Cosma, avec la collaboration dans la traduction française d’Isabelle Macor-Filarska dans Sans Nom/Fără nume, dans la presse, qui sera publié en Octobre/2013 par la Maison d’Edition Roumaine Ars Longa.

 

Cartas de Stella Leonardos… Prêmio Marly Mota – UBE/RJ

Todo carinho e gratidão para Stella Leonardos, Marly Mota, Luzilá Gonçalves & Márcia Barroca…

 Um abraço bem, bem grande da

 Patricia Tenório.

 

 

Prêmio Marly Mota

 digitalizar0003