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Índex* – Fevereiro, 2013

 

O amor nasce das excelências interiores.

(Amar, verbo intransitivo, Mário de Andrade)

 

O Amor nascendo de diversas formas, inúmeras línguas, culturas, continentes no Índex do blog de Patricia Tenório.

Neste mês, Revisitando Patricia Tenório (PE – Brasil) traz Conversações I: Com Victor Brecheret e Quatro pequenos contos, de Junho e Agosto de 2011.

O que andam “falando” de “Ícaro” – Diversos Autores (Brasil).

Denis Emorine (França) com dois poemas de Les Yeux de l’Horizon (Os Olhos do Horizonte).

A poesia de Sônia Carneiro Leão (PE – Brasil) com Mulher Pernambucana.

Trecho de “Em despropósito”, o novo romance de Abílio Pacheco (PA – Brasil).

Convite de Bernadete Bruto e Jair Martins para Amor na Literatura – UBE-PE-Brasil.

E o link para o site do poeta, escritor e tradutor bielorusso Oleg Almeida  que mora no Brasil deste 2005 (www.olegalmeida.com).

Agradeço a cada texto, link, convite enviado… Continuem participando!

A próxima postagem será em 24 de Março de 2013.

Até a próxima!

Patricia Tenório.

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Index – February, 2013

 

Love is born in inner excellences.

(Amar, verbo intransitivo – Love, intransitive verb, Mário de Andrade)

Love born in different ways, many languages, cultures, continents in the Index of the blog of Patricia Tenório.

This month, Revisiting Patricia Tenório (Revisitando Patricia Tenório) (PE – Brasil) brings Conversations I: With Victor Brecheret and Four short stories (Conversações I: Com Victor Brecheret e Quatro pequenos contos), from June and August 2011.  

What they are “talking” about “Icarus” (O que andam “falando” de “Ícaro”) – Various Authors (Brasil) (Diversos Autores (Brasil)).

Denis Emorine (France) with two poemes from The Eyes of the Horizon (Les Yeux de l’Horizon).

The poetry of Sônia Carneiro Leão (PE-Brasil) with Woman from Pernambuco (Mulher Pernambucana).

Excerpt from “In nonsense” (Trecho de “Em despropósito”), the new novel from Abílio Pacheco (PA – Brasil).

Invitation from Bernadete Bruto and Jair Martins (Convite de Bernadete Bruto e Jair Martins) to Love in Literature (Amor na Literatura) – UBE-PE-Brasil.

And the link to the website of the poet, writer and translator from Belarus Oleg Almeida  who lives in Brasil since 2005 (www.olegalmeida.com).

I thank each text, link, invitation sent… Continue to participate!

The next post will be on March 24, 2013.

Until next time!

Patricia Tenório.

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* Índex foi traduzido apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated into English only as a matter of the extension of the post.

** Fotografias de Abu Dhabi (1-5) e Dubai (6-9), Emirados Árabes Unidos (EAU).

** Photos from Abu Dhabi (1-5) and Dubai (6-9), United Arab Emirates (UAE).

Revisitando Patricia Tenório* – Fevereiro 2013

 

Na edição deste mês, em homenagem à Semana de Arte Moderna que aconteceu há 91 anos, de 11 a 18 de Fevereiro de 1922, revisito dois posts que tratam de artistas (Victor Brecheret e Vicente do Rego Monteiro) do Movimento Modernista, que também será abordado no Convite de Bernadete Bruto e Jair Martins para o bate-papo do qual farei parte sobre Amar, verbo intransitivo, de Mário de Andrade.

 

Conversações I: Com Victor Brecheret**:

Link permanente: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=2152

(Junho 2011)

 

Mãe Índia, Victor Brecheret

 

“Além da terra cota, Brecheret utilizou-se de pedras. Pedras que vieram do mar. Um tesouro que as ondas não quiseram mais e depois de descobertas nas areias da praia, foram levadas para o atelier: pedras que durante séculos viveram sob o dorso verde do oceano. Esculpindo-as, Brecheret deu-lhes uma história. Marcou ali, em traçados rústicos, a figura de uma índia, de um peixe. E suas pedras criaram vida.” (Victor Brecheret Filho)

 

 

Bartira, Victor Brecheret

 

bARtira

Patricia Tenório

10/06/11

dez anos casados

dez anos separados

e os anos vão

desanuviando espaços

cavando buracos

cravando feridas

onde não mais passo

crateras da vida

estão lá

tontas

feito meu pensamento

ocas

feito um coração partido

sérias

de considerações

e a partir de mim

a partir de ti

partir no navio

mais longínquo

mais agudo

mais aguado

de sal e mar

de sol e terra

de ar

e Ar

e AR

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Quatro pequenos contos*** – Patricia Tenório

Link permanente: http://www.patriciatenorio.com.br/?p=2408

(Agosto 2011)

 

\ XII /

            Dez para as doze ou doze e dez? Rezo com o sol a pino ou espero o entardecer?

            Do outro lado, sob o quadro O Lobo e a Ovelha, de Vicente do Rego Monteiro, encontra-se ele, unhas grandes, a barba extensa, lobo que atravessará a mesa do café para me engolir? Bem que minha mãe falou às escondidas para eu não falar às claras com estranhos, porque quando falo mostro o branco dos dentes, lábios tremem, os olhos piscam.

            Não quero acordar daqui a mil anos numa praia deserta, o corpo enrugado de ondas e grãos de areia. Pudera esquecer que um dia ele se disse inteiro e eu percebi, lá no fim do túnel, um diamante bruto, usei das frases e coragem para ir limando, limando. Às vezes ele me escrevia versos, oferecia flores, apontava estrelas – me prometia algumas, iria buscar com Adão e Eva, ou nos braços da Deusa-Mãe de todos os homens.

            Quem dera eu ainda acreditasse em contos de Natal, ele desenhasse meu rosto com a ponta dos dedos e me fizesse mulher numa tarde de sábado; viria a noite, a madrugada, detentora das angústias, pesadelos, ele não estaria lá, sob o quadro O Lobo e a Ovelha, de Vicente do Rego Monteiro, do outro lado da mesa do café, unhas grandes, a barba extensa, lançando em meus olhos raios e trovões, jogando por sobre a rede de sentimentos uma história construída a quatro mãos, seis estrelas, dez para as doze ou doze e dez.

 

Déjà-vu

            Parece mentira o que vou lhe contar. Uma verdade captada por uma pessoa distraída feito eu?

            Dizem que a amiga de uma amiga minha – será Rita o nome dela? – conheceu em Paris Vicente do Rego Monteiro. E tem mais: casaram-se às escondidas, apenas ele, ela e o padre de testemunhas na Eglise St-Julien-le-Pouvre, uma das mais antigas da cidade. É bem pequena, feita de madeira no estilo barroco, quase vejo anjos querubins abençoando os noivos, sonhadores, com uma vida toda pela frente para que ele a tatuasse inteira, uma flor de lis no pulso e…

            Tatuasse? Pelo que ouvi falar, Vicente foi pintor, poeta, escultor, tipógrafo, editor, mas tatuador? Não sei se um riscava no outro provas de amor eterno, como se amar provasse alguma coisa. Amar não se prova, se sente. E o amor não é sentimento, é uma atitude. E atitudes não se dizem, se fazem. E por que estou escrevendo tudo isso para alguém que não conheço, que talvez nem saiba dessa história de Maria Rita e Vicente, que tatuava a esposa em Paris, e de repente morreu um dos maiores artistas brasileiros de todos os tempos.

            Será que era isso mesmo o que eu queria dizer?

 

Musselina

            Escrevo no escuro palavras germinais. Elas preenchem a folha em branco, fluindo de um lado ao outro até desembocar na cachoeira do mais profundo eu.

            Escolho versos soltos, eles pintam céus, Adoração dos Magos, ave-marias, e a Santa Mãe me acolhe nos braços virgens, não me sinto só.

            A cada letra desenhada entendo um pouco mais, pois preciso encontrar sentido para continuar caminho. Depois do sentido, aceitação, depois a morte, e um outro alvorecer.

               Deslizo da tela para o caderno na esperança de me fazer são, lúcido, prestes a descobrir um novo signo envolto na musselina rubro-azul do manto de Maria.

            Naquela estrada, uma montanha, verei A Assunção da Virgem do texto à última pincelada, onde encontrará o Filho amado, Reino dos Céus, e uma coroa de espinhos de quem escreve no escuro palavras germinais.

 

Óculos

Para Thomaz Lôbo

            Ele acendeu o Jardin du Luxembourg na memória.

            Às vezes lembrava o que não havia acontecido com uma certeza que transparecia cores, aromas, frioquente.

            Um canteiro de papoulas róseas deitadas sobre a grama fresca. Ali cavava o solo escuro até encontrar uma fresta para o outro lado do mundo.

            Quando queria o ocre buscava no deserto do Saara, piscava areia, piscava oásis, e a cor de telha explodia no olho. Ficou parado por um tempo de recomeço, e saiu do lugar porque um vaga-lume enverdeceu a mão esquerda, aquela que tomou a tela e pincel para manifestar o arco-íris.

            Não havia prece ao partir o pão, e os trabalhadores esfomeados surgiam de todos os cantos, trazendo os músculos salientes, a força emanava dos pulmões arquejantes, em arco poliam os céus com flechas de fogo e por centelhas de instantes procuravam a paz no coração dos homens de boa vontade.

 

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Patricia Tenório escreve poesias, romances, contos desde 2004. Tem sete livros publicados: O major – eterno é o espírito, 2005, biografia romanceada, Menção Honrosa nos Prêmios Literários Cidade do Recife (2005); As joaninhas não mentem, 2006, fábula, Melhor Romance Estrangeiro da Accademia Internazionale Il Convivio, Itália (2008); Grãos, 2007, contos, poemas e crônicas, Prêmio Dicéa Ferraz – UBE-RJ (2008); A mulher pela metade, 2009, ficção; Diálogos, contos, e D´Agostinho, poemas, 2010; Como se Ícaro falasse, ficção, Prêmio Vânia Souto Carvalho – APL-PE (2011), lançado em 21 de novembro de 2012. Mantém o blog www.patriciatenorio.com.br no qual dialoga com diversos artistas, em diversas linguagens. Contato: patriciatenorio@uol.com.br

** Victor Brecheret (Farnese, Província de Viterbo, na Itália, 22 de fevereiro de 1894 — São Paulo, 17 de dezembro de 1955) foi um escultor ítalo-brasileiro, considerado um dos mais importantes do país. É dele a famosa escultura “Monumento às bandeiras” que fica em frente ao Palácio Nove de Julho em São Paulo.

*** Textos extraídos e participantes do livro Quatro faces de um encontro – Vicente do Rego Monteiro, 2008, Editora Calibán.

**** Rita, A Assunção da Virgem e Mesa com vaso de orquídea – Telas de Vicente do Rego Monteiro.

O que andam “falando” de “Ícaro”

 

Uma escritora a quem admiro muito me diz que “escrever para ninguém ler é o fantasma de quem escreve”… Sinto que o(a) escritor(a) é muito só. Precisa, com todas as forças, do olhar do Outro, o tão ansiado e amado Outro…

Por isso, tomei a liberdade de selecionar alguns trechos e até mesmo leituras inteiras do que escritores para quem enviei “Como se Ícaro falasse” andam falando deste livro… Porque também não posso deixar de agradecer as palavras de carinho e de incentivo de cada um deles…

O meu infinito obrigada!

Patricia Tenório.

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“Usando toda uma simbologia, ambientando a narrativa num espaço carregado de historicidade e de mitologias, tudo vertido numa linguagem densa, você consegue construir uma ficção que se comunica com a poesia.

Contra a tendência nacionalizante da literatura brasileira, você se vale de questões, linguagem e ambientação universais, ampliando assim as nossas fronteiras literárias. E seus temas são também os mais válidos. Os símbolos não deixam nunca de nos falar.

É livro que se lê com vivo interesse.”

(Miguel Sanches Neto, Ponta Grossa – Paraná, 10/02/2013)

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““Como se Ícaro falasse” deu-me vontade de possuir mais conhecimento para, além de admirar, compreender tudo que se desenrolava nas páginas da edição primorosa, numa encadernação caprichada. Mas minha capacidade de elaborar sonhos é escassa. Não tenho grandes recursos para imaginar o impossível, tornado possível na prosa poética e graciosa de Patricia Tenório. Lembrou-me o pequeno Príncipe com o romance do corvo Graco e da flor Isabel, habitante de uma rocha à beira do penhasco. De lá podia ver o mundo, e, embora presa ao solo, entendia coisas humanas e profundas do céu, da água, da terra e do ar, e compreendia o amor e a liberdade. Ela se faz e se desfaz (despetala e se contorce), sabendo coisas de longe através das asas do corvo Graco.

Ícaro é levado, algo passivo, escolhido, sem muito escolher, capturando penas brancas e cera de abelha, não vendo muito sentido naquilo. Anda pela Ilha de Creta, um paraíso, como se estivesse em férias, observando com olhos questionadores o que vai encontrando. Logo fica amigo da flor e do corvo. O seu pai, Dédalo, o convence a voar, dando conselhos para não se aproximar do sol e nem do mar.

A prostituta sagrada ao sol, Laura, com vestimenta vermelha com estrelas prateadas, tem com Ícaro um encontro amoroso, e dele nasce um filho. Mas quando isso acontece, é tarde demais. O vôo inaugural ocorre, mas a sensação de liberdade é tamanha que desobedece ao pai, e as asas enfiadas em suas costas à custa de sangue e dor, se soltam pelo calor e pela cera derretida. Morre Ícaro, fica o pai, que, com asas amarradas, voa até Tebas. Nesse ínterim, o neto de Dédalo que nasceu alado, numa estranha herança de característica adquirida, aparece voando, enquanto o corvo Graco se arrepende de ter ensinado Ícaro a voar. O que acabou levando-o à morte.

Cito, por curiosidade, o fato de haver mais de um narrador, sendo Ícaro o mais presente, seguindo de Laura, Dédalo e por último, um narrador onipresente. Como numa fábula, animais e vegetais falam e filosofam. O mais lindo foi a explicação de como a flor Isabel descobria coisas. Simples: suas raízes estavam incrustadas na terra. E de dentro dela vinha todo o saber.

Tão leve quanto a liberdade, tão suave quanto o amor, a obra “Como se Ícaro falasse” traz informação, poesia e sonho nas medidas certas para o encantamento. É libertador voar com Ícaro, mesmo que seu destino seja a morte. Mas quando ela chega, não é triste. Liberta o herói dos seus questionamentos e angústia. O clímax fica por conta do grandioso encontro do filho de Ícaro com a princesa virgem, filha do rei de Tebas, que se entrega ao sacrifício para agradar ao deus sol.

Muito profundas as explicações filosóficas sobre o amor, a morte e a liberdade, cujo objetivo pareceu-me o alvo da obra. Num paradoxo complexo e instigante, o livro é leve e profundo, numa sensualidade quase infantil. Parabéns, Patricia Tenório!”

(Mara Narciso, Montes Claros – MG, 06/02/2013) 

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“Terminei a vigem, melhor dizendo, o voo que é a leitura do seu “Como se Ícaro falasse”. Na verdade, estou relendo capítulos e a cada vez me deparo com novas possibilidades de interpretação. Trata-se de um belo livro com enfoque no amor e na liberdade, tendo como ponto de partida – e de chegada – a mitologia a respeito do nosso ancestral desejo de voar.”

(Maria Rizolete Fernandes, Natal – RN, 08/01/2013) 

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“Muito interessante o livro, bom mesmo. Interessante a voz de um personagem masculino sendo “dita” pelo olhar/escrita de uma mulher, de uma “escrita feminina”. Para mim é uma belíssima demonstração de prosa poética e filosófica.

“- Como dói o amar…” contudo, ” A lua cresce e ilumina toda a ilha” , e como Djavan nos diz: ” um cheiro de amor empestado no ar… porque seu coração é uma ilha…”

(Luciano Bonfim, Sobral – CE, 09/01/2013)

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“Chego de BH (…) e encontro “Como se Ícaro falasse”. Que beleza de temas, que festa para os olhos, que abundância de sugestões para a inteligência. Se alguém pensou que você tivesse abandonado a Literatura em favor de outras aventuras do espírito, certamente não conhecia o seu salto imortal, nem as asas de sua imaginação. Você trata de mistérios, de labirintos e de recantos inatingíveis pela inteligência chã, limitada. Felicito-a pela cobiça de atingir o inatingível, pela ousadia do voo, pelo desafio de desvendar a estrada do absoluto.”

(Prof. Fábio Lucas, São Paulo – SP, 03/01/2013)

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“Seu (você diz, sempre, “nosso” – e esse pronome possessivo que finda por nos unir num mesmo objeto também sempre me alegra!) Ícaro chegou, e está tão bonito, tão bonito! Faz-lhe jus, parabéns, Patricia!”

(Poeta de Meia-Tigela, Alves de Aquino, Fortaleza – CE, 25/12/2012)

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“Seus livros me fazem bem, sim, na plenitude do estilo, na beleza da linguagem e no modo singular como ficam os temas depois de escritos.”

(Jorge Tufic, Fortaleza – CE, 24/12/2012)

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“Muito bonito o teu Ícaro!”

(Cíntia Moscovitch, Porto Alegre – RS, 24/12/2012)

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“Grata pela gentileza do envio de seu novo livro, Como se Ícaro falasse. Gosto muito do que você escreve, um texto dotado de lirismo, e um trabalho minucioso com as palavras.”

(Ana Miranda, Aquiráz – CE, 20/12/2012)

Les Yeux de l’Horizon (Os Olhos do Horizonte) | Denis Emorine*

 

Lorsque j’ai murmuré

Denis Emorine

            Extrait de Les Yeux de l’Horizon, poèmes  (Editions du Cygne, 2012)

 

                                   A Anne-Virginie

 

Lorsque j’ai murmuré ton nom

Un cri a retenti tout proche.

Qui marchait ainsi sur nos traces

A la recherche d’un amour perdu?

Nous nous sommes enfuis

D’autres cris et des coups de feu retentissaient.

Ainsi le monde nous avait retrouvés

Ainsi nous reprochait-on quelque part

L’insouciance qui parfois s’accroche

A notre chemin

Et pourtant je n’oublie

Ni le fracas des mots

Ni le fracas des armes.

Je sais que le sang couronne toujours

La perte de l’amour

 

***

 

La rue où tu habites

Denis Emorine

Extrait de Les Yeux de l’Horizon, poèmes  (Editions du Cygne, 2012)

 

                                               A Tatiana Samoïlova

 

La rue où tu habites est

De plus en plus étroite

Elle étouffe le pas des promeneurs

perdus dans le passé.

Un petit garçon s’est égaré lui aussi

Dans la neige salie qui a envahi

Ton quartier.

Tu as beau essuyer

Les vitres embuées de ta maison

On ne distingue plus rien dehors.

Parfois un passant solitaire ralentit le pas

Mais d’un geste de la main

Tu l’effaces de ton horizon.

 

Tatiana,

Il vaudrait mieux ne plus chuchoter ton nom

Puisque le petit garçon ne te reconnaît plus.

Ta vie s’essouffle

Le silence est un royaume incompris

Tu cherches la bouteille de l’oubli

Mais quelqu’un l’a volée

Au lieu de te prendre la main

 

Moscou disparaît lorsque le soir tombe

N’ouvre pas la fenêtre, Tatiana,

Tu ne vois pas qu’ils sont tous partis

En emportant ta beauté loin d’ici?

Tu ne prendras plus jamais ton envol

Laisse le petit garçon

Pleurer sur son passé

Le tien a disparu depuis si longtemps

Tu as beau essuyer

Les vitres embuées de ta vie

L’horizon s’efface 

Sous la pression de ta main

 

 ***

 

Desde que eu murmurei

Denis Emorine

            Extraído de Les Yeux de l’Horizon (Os Olhos do Horizonte), poemas (Editions du Cygne, 2012)

Tradução: Patricia Tenório

Revisão: Ana Lucia Gusmão e Sandra Freitas**

                                  

Para Anne-Virginie

 

Desde que eu murmurei teu nome

Um grito foi contido muito próximo.

Quem caminhava assim sobre nossos traços

Em busca de um amor perdido?

Nós fugimos

De outros gritos, e tiros ressoavam.

Assim o mundo nos havia encontrado

Assim nos censurou em algum lugar

A imprudência que às vezes trava

O nosso caminho

E, no entanto, eu não esqueço

Nem o fracasso das palavras

Nem o fracasso das armas.

Sei que o sangue ainda coroa

A perda do amor

 

***

 

A rua onde tu habitas

Denis Emorine

Extraído de Les Yeux de l’Horizon (Os Olhos do Horizonte), poemas (Editions du Cygne, 2012)

Tradução: Patricia Tenório

Revisão: Ana Lucia Gusmão e Sandra Freitas**

 

                                               Para Tatiana Samoïlova

 

A rua onde tu habitas é   

Cada vez mais estreita

Ela impede o passo dos caminhantes

Perdidos no passado.

Um menino se desviou demais

Na neve suja que invadiu

Teu bairro.

Tu bem limpaste     

Os vitrais enevoados da tua casa

Não distinguimos mais nada fora.

Talvez um passante solitário diminua o passo

Mas com um gesto da mão  

Tu o apagas de teu horizonte.

 

Tatiana,

Ele gostaria de não mais sussurrar teu nome

Porque o menino não te reconhece mais.       

Tua vida se esvai

O silêncio é um reino incompreendido             

Tu procuras a garrafa do esquecimento

Mas alguém a roubou

Em vez de te prender a mão   

 

Moscou desaparece enquanto a noite cai

Não abras a janela, Tatiana,

Tu não vês que eles todos partiram   

Levando tua beleza para longe daqui?

Tu não tomarás nunca mais teu voo

Deixa o menino

Chorar sobre seu passado

O teu desapareceu há muito tempo      

Tu bem limpaste  

Os vitrais enevoados da tua vida

O horizonte se apaga 

Sob a pressão de tua mão

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* Denis Emorine est né en 1956 près de Paris.

Il a avec l’anglais une relation affective parce que sa mère enseignait cette langue. Il est d’une lointaine ascendance russe du côté paternel. Ses thèmes de prédilection sont la recherche de l’identité, le thème du double et la fuite du temps. Il est fasciné par l’Europe de l’Est. Poète, essayiste, nouvelliste et dramaturge, Emorine est traduit en une douzaine de langues ; son théâtre a été joué en France, au Canada ( Québec) et en Russie. Plusieurs de ses livres ont été édités aux Etats-Unis. Il collabore régulièrement à la revue de littérature “Les Cahiers du Sens”. Il dirige deux collections de poésie aux Editions du Cygne. En 2004, Emorine a reçu le premier prix de poésie (français) au Concours International Féile Filiochta. L’Académie du Var lui a décerné le «prix de poésie 2009».

On peut lui rendre visite sur son site: http://denis.emorine.free.fr

* Denis Emorine nasceu em 1956, próximo a Paris.

Emorine tem com a língua inglesa uma relação afetiva, porque sua mãe ensinava este idioma. Possui uma distante ascendência russa por parte de pai. Seus temas prediletos são a busca da identidade, o tema do duplo e a fuga do tempo. É fascinado pelo Leste Europeu. Poeta, ensaísta, novelista e dramaturgo, Emorine foi traduzido para uma dúzia de línguas; seu teatro foi apresentado na França, no Canadá (Québec) e na Rússia. Muitos de seus livros foram editados nos Estados Unidos. Denis colabora regularmente com a revista de literatura “Os Cadernos do Sentido”. Dirige duas coleções na Editions du Cygne. Em 2004, Emorine recebeu o primeiro prêmio francês de poesia no concurso internacional Féile Filiochta. A Académie du Var lhe concedeu o “prêmio de poesia 2009”.

Podemos visitá-lo no seu site: http://denis.emorine.free.fr

** Ana Lucia Gusmão cursou Comunicação Social, com ênfase em Jornalismo, na PUC do Rio de Janeiro. Alguns anos depois, fez pós-graduação em Língua Portuguesa e há cerca de 10 anos entrou para a área editorial, fazendo revisão e copydesk para várias editoras cariocas. Contato: algcm.machado@gmail.com

Sandra Freitas é formada em jornalismo pela PUC/RJ. Trabalhou sempre como redatora e revisora em jornais e agências de publicidade do Rio e da Bahia, onde morou durante muitos anos. De volta ao Rio, especializou-se em Língua Portuguesa pela Faculdade de São Bento e trabalha desde então para revistas e editoras cariocas. Contato: sandracolodetti@gmail.com

 

Mulher Pernambucana | Sônia Carneiro Leão*

 

A mulher pernambucana, quase uma santa

alimenta a sua prole com seu sangue

quando seca o mangue.

 

Não dá mole, não faz por pouco.

Espera a vez e dá o troco.

 

Atenta, tinhosa, ardilosa.

Bordadeira habilidosa.

Cozinheira de mão cheia.

Vai fazer seu pé de meia.

 

Enxerga as astúcias, sem pranto.

Penélope bordando o manto

confiando no amanhã.

 

Encara a seca mais braba, a ventania.

Pega na enxada, tange o gado.

Faz cafuné.

Faz poesia,

e tudo de muito bom grado.

 

Mas, não vai mexer com ela

pois ela vira serpente,

uma Eva em desvario

ou uma fêmea no cio,

paixão acesa e ardente.

 

Depois é só caridade

num veneno de cigana.

A mulher pernambucana:

Amor, Coragem, Vontade.

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* Sônia Carneiro Leão é, entre inúmeras atividades, escritora e poetisa. Contato: scarneiroleao@gmail.com

Trecho de “Em despropósito” | Abílio Pacheco*

O trecho abaixo é do novo romance de Abílio Pacheco que encontra-se no prelo.

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Capítulo I

Parti de Marabá rumo a Belém num ônibus das 22 horas que saiu quase meia-noite.
Muitas das histórias desse trecho, tão repetido por mim, são pouco agradáveis de se contar. Delas, das genéricas, pouco ou nada devo explanar aqui; apenas digo ser devido a elas eu não costumar dormir antes de chegar a Jacundá. Quem tem costume nestas plagas sabe que entre uma e outra cidade a distância é de 150 km, cerca de hora e meia, e, no permeio, duas paradas: a primeira em Morada Nova, ainda Marabá, mas a 12 km da sede do município, ou antes, a 12 km da ponte sobre o Rio Tocantins. A segunda parada é em Nova Ipixuna, onde minha alma gêmea, Irma, morou – como ela diz – um curto-longo tempo, intermináveis cento e dois contados dias. Lá nos conhecemos e namoramos de início…

Leia mais n o link: www.abiliopacheco.com.br

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*Abílio Pacheco é professor, escritor e grande incentivador cultural… Contato: abilioescritor@uol.com.br

Convite Bernadete Bruto* e Jair Martins | AMOR NA LITERATURA

 

 “O projeto tem por finalidade apresentar as diversas formas de amor presentes na literatura. Acontecerá uma vez por mês, sendo convidado um escritor e/ou especialista para dialogar com um leitor obre o tema. O evento será dividido em dois momentos: o primeiro tratará sobre o tema e mostrará a visão do escritor e leitor convidados, dando também oportunidade ao público de dialogar sobre o assunto. No segundo momento, o escritor convidado será apresentado ao público e falará sobre sua obra. O evento está aberto ao público e terá a participação de alunos de escolas convidadas, no sentido de estimular os jovens no gosto da leitura, literatura e artes afins, bem como aproximar o leitor do escritor.”

Local: UBE – PE – Rua Santana, 202 – Casa Forte. Fone: (81) 3441-7488

Horário: 17h00 às 19h00

 

MARÇO – 14/03
AMAR VERBO INTRANSITIVO 
PALESTRANTE: PATRICIA TENÓRIO
LEITOR: LUMA LOPES
LIVRO: “AMAR VERBO, INTRANSITiVO” – MÁRIO DE ANDRADE

ABRIL – 04/04
TIPOS DE AMOR NA LITERATURA
PALESTRANTE: PEDRO HENRIQUE LACERDA DE MELO
LEITOR:
LIVRO: “DOM QUIXOTE” – CERVANTES

MAIO – 09/05 

CASAIS NA LITERATURA UNIVERSAL
PALESTRANTE: MARGARETT LEITE DE OLIVEIRA
LEITOR:
LIVRO: “TRISTÃO E ISOLDA”

JUNHO – 06/06
O AMOR NA LITERATURA DE CORDEL
PALESTRANTE: ALTAIR LEAL 
LEITOR:
LIVRO: 

JULHO – 04/07
A VISÃO DO AMOR NA ANTIGUIDADE 
PALESTRANTE: ANNA MARIA CESAR
LEITOR:
LIVROS: “O BANQUETE” – PLATÃO
“A ARTE DE AMAR” – OVÍDIO

AGOSTO  – 01/08

CARTAS DE AMOR NA LITERATURA
PALESTRANTE: MELCHIADES MONTENEGRO
LEITOR:
LIVRO: “CARTAS DE ABELARDO E HELOÍSA”

SETEMBRO – 05/09
CONTOS DE AMOR NA LITERATURA MUITAS VERSÕES
PALESTRANTE: MIRIAM CARRILHO
LIVRO: “8 CONTOS DE AMOR” – LYGIA FAGUNDES TELLES

OUTUBRO – 03/10
VERSOS DE AMOR NA LITERATURA
PALESTRANTE: LUIS EDUARDO GARCIA AGUIAR
LIVRO: “20 POEMAS DE AMOR E UMA CANÇÃO DESESPERADA” – PABLO NERUDA

NOVEMBRO – 07/11
UMA VISÃO DE AMOR JUDAICO
PALESTRANTE: ONILDO MORENO
LIVRO: “CÂNTICO DOS CÂNTICOS” – SALOMÃO
LEITOR: ISIANE SILVA

DEZEMBRO – 05/12
UMA MENSAGEM DE AMOR
NOSSAS MENSAGENS
UMA ATRAÇÃO

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* Contato: bernadete.bruto@gmail.com e 81-9743-0777