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Índex* – Outubro, 2012

 

Tudo o que é belo é uma alegria para sempre:

O seu encanto cresce; não cairá no nada;

Mas guardará continuamente, para nós,

Um sossegado abrigo, e um sono todo cheio

De doces sonhos, de saúde e calmo alento.

(Endimião, John Keats em

Ode sobre a melancolia e outros poemas)

 

Um novo ciclo se inicia no Índex de Outubro no blog de Patricia Tenório.

O convite da Editora Sarau das Letras e Livraria Cultura para o lançamento de Como se Ícaro falasse de Patricia Tenório.

Clube de suicidasPatricia Tenório – PE – Brasil.

Incerto caminhar David Leite – RN – Brasil.

Suppliques (Súplicas) – Urszula Koziol – Polônia – Poemas traduzidos por Isabelle Macor-Filarska e Agata Kozak – França.

O triálogo entre Felipe Ferreira, Fred Jordão e Patricia Tenório – PE – Brasil.

Excepcionalmente não haverá postagens em Novembro, apenas o Lembrete do Lançamento de Como se Ícaro falasse. A próxima postagem será no dia 24 de Dezembro, 2012.

Agradeço aos que participaram com textos, fotos, convites, links

Até a próxima!

Patricia Tenório.

 

Index* – October, 2012

 

A thing of beauty is a joy for ever;

Its loveliness increases; it will never

Pass into nothingness; but still will keep

A bower quiet for us, and a sleep

Full of sweet dreams, and health, and quiet breathing.

(Endymion, John Keats in

Ode on melancholy)

 

A new cicle begins in Index of October in the blog of Patricia Tenório.

The invitation from Editora Sarau das Letras and Livraria Cultura to the launch of Como se Ícaro falasse (As Icare talks) from Patricia Tenório.

Clube de suicidas (Suicide club) – Patricia Tenório – PE – Brasil.

Incerto caminhar (Uncertain walk) David Leite – RN – Brasil.

Suppliques (Supplications) – Urszula Koziol – Poland – Poems translated by Isabelle Macor-Filarska and Agata Kozak – France.

The trialogue between Felipe Ferreira, Fred Jordão and Patricia Tenório – PE – Brasil.

Exceptionally it won´t have posts in November, only the Reminder of the Launch of Como se Ícaro falasse (As Icare talks). The next post will be on December 24, 2012.

I thank those who participated with texts, photos, invitations, links

Until next time!

Patricia Tenório.

**

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* Índex foi traduzido apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated into English only as a matter of the extension of the post.

** As Orquídeas do meu Pai – Maceió – ALBrasil.

** The Orchids of my Father – Maceió – AL – Brasil.

Editora Sarau das Letras & Livraria Cultura convidam | “Como se Ícaro falasse”, de Patricia Tenório

 

Como se Ícaro falasse

Patricia Tenório.

 

Editora Sarau das Letras

Gênero: Ficção

ISBN: 978-85-60650-38-5

136 páginas

R$ 30,00

Sétimo livro da escritora pernambucana Patricia Tenório, vencedor do prêmio Vânia Souto Carvalho em ficção da Academia Pernambucana de Letras em 2011 e trazendo o selo da Editora Sarau das Letras – RN, Como se Ícaro falasse revive através do mito grego um dos mais antigos desejos da humanidade: o desejo de voar. Ambientado na ilha de Creta, esse “poema-narrativa” nos traz (e faz) questionamentos quanto ao amor, identidade, autonomia e liberdade.

Sarau das Letras Publisher

Genre: Fiction

ISBN: 978-85-60650-38-5

136 pages

R$ 30,00

Seventh book of the writer from Pernambuco Patricia Tenório, winner of the Vânia Souto Carvalho Award in fiction of Academia Pernambucana de Letras (Academy of Arts of Pernambuco) in 2011 and bringing the seal of  Sarau das Letras Publisher – RN, Como se Ícaro falasse (As Icarus talks) revives through the Greec myth one of the oldest desires of humanity: the desire of flying. Set on the island of Crete, this “narrative poem” brings us (and does) questions about love, identity, autonomy and freedom.

Clube de suicidas* | Patricia Tenório**

 

No princípio era para ser um clube de suicidas. Se chegava, cadastrava, se pulava do décimo terceiro andar, no décimo terceiro prédio, da Avenida Treze de Maio.

Ou nos degraus da escadaria do Cristo Redentor, na frente dos trilhos, o bondinho da floresta, na Tijuca, Santa Tereza, no Palácio do Catete onde Getúlio se matou.

Mas se José chegasse, cadastrasse e pulasse tudo assim continuaria, tudo assim permanecia um eterno se matar. Porque José chegou com sonhos, desses que não se vendem, se dão. Desses que não se têm, se imaginam. E alguns dos suicidas, ao invés de se jogar, iam lá, bem de mansinho, ouvir os sonhos de José, os sonhos que ele não sabia escrever, só falar; não sabia o porquê, só o lembrar.

E não esquecia, nenhum dos sonhos se esvaía de sua mente criativa. Que se assustava às vezes de tanto muito pensar, por achar tão reais os personagens, senhores de si e dele mesmo. O mandavam caminhar todos os dias do Flamengo até a Urca, dar comida aos macaquinhos e voltar para o seu lar. Não tinha mais o emprego, pois da noite eles fugiam, os personagens, para no dia atrapalhar, com sono e cansaço o emprego do José.

Tinha visto de um tudo: cachorro mandando em dono e velhinho abandonado, sentado na barraquinha de coco para ao neto obedecer, porque iam aparecer uns amigos em sua casa.

– Vai passear, avô! Que mico eu ter de ter um velho em minha casa…

E José viu o velhinho, sentado, abandonado na barraquinha de coco.

Mas um menino, pixotinho, bonitinho, veio em sua direção. Alisou o rosto, enrugado, tão cansado, de falta de amor, respeito, e também compreensão. O menino pequenino, como se adivinhando, como se acarinhando o rosto do velhinho e de José, soltou umas palavrinhas, sem sentido e ao mesmo tempo tudo se esclareceu, tudo então se converteu num alegre Carnaval.

– O que perde, grande é. O último será o primeiro, vovozinho e seu José. Vão contar para o mundo inteiro que o mundo continua, a vida não acabou…

… E o sonho é de quem sonha, mas também de quem acredita, e insiste, e desiste de chegar, se cadastrar, e pular do décimo terceiro prédio, da Avenida Treze de Maio, na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

__________________________

* Texto publicado na Revista Oeste – RN, Setembro de 2012, Nº 16.

** www.patriciatenorio.com.br e patriciatenorio@uol.com.br

Incerto caminhar* | David Leite

 

Sinestesia

 

As imagens (agradáveis)

do sonho colorido,

despertam sentimentos

que dormitavam

na memória.

As recordações, recostadas

nas fímbrias do coração,

suscitam sonhos,

avivando lembranças.

 

Sinestesia

 

Las imágenes (agradables)

del sueño colorido,

despiertan sentimientos

que dormitaban

em la memória.

Los recuerdos, recostados

en las cenefas del corazón,

suscitan sueños,

avivando remembranzas.

 

Paradoxo

 

Fotografias amareladas

nunca (re)vistas.

Guardadas na caixa do sapato

que não é mais usado.

Aquela cena atormenta.

E vem a vontade de

prosseguir o momento vivido…

A saudade acalenta.

Será melhor rasgá-las?

Ou emoldurá-las?

 

Paradoxo

 

Fotografias amarillentas

que nunca se volverán a ver.

Guardadas em la caja de zapatos

que no se usarán jamás.

Aquella escena atormenta.

Y viene la voluntad de

proseguir el momento vivido…

La añoranza pone calma.

¿Será mejor romperlas?

¿O enmarcarlas?

 

Incerto caminhar

 

Na mesma estrada longa e sinuosa,

seguindo por estorvos, descaminhos

– ao lado a companhia generosa -,

agruras transformadas em carinhos.

 

A estrada, que se faz ida e retorno,

transporta realidade e desvario.

Há vida no seu leito e em seu entorno,

assim como no curso de algum rio.

 

Também há o andarilho solitário,

disperso em seu mundo sempre errante,

sem data, sem agenda, sem horário.

 

A estrada é esta vontade de chegar…

E é o passo que transforma a todo instante

a vida num incerto caminhar.

 

Incierto caminar

 

En la misma carretera larga y sinuosa,

Salvando estorbos y dificultades,

– al lado la compañia generosa –

amarguras transformadas en cariños.

 

La carretera, que se hace ida y retorno,

transporta realidad y desvarío.

Hay vida em su cauce y en su entorno,

así como en el curso de um río.

 

También está el caminante solitário,

absorto em su mundo siempre errante,

sin fecha, sin agenda, sin horario.

 

La carretera es esta voluntad de llegar…

Y es el paso que transforma a todo instante

la vida em um incierto caminar.

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* Incerto caminhar, David de Medeiros Leite. 2ª edição. Mossoró – RN: Sarau das Letras, 2012.

** David de Medeiros Leite (Mossoró – RN, 1966) é professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN. Doutor em Direito Administrativo pela Universidade de Salamanca – USAL. Contato: davidleite@hotmail.com

Suppliques | Urszula Koziol | Traduit du polonais par Isabelle Macor-Filarska et Agata Kozak

 

éditions grèges 14 rue émile zola 34000 montpellier

 

avis de parution

 

septembre 2012

 

Urszula Koziol

 

Suppliques

 

Traduit du polonais par Isabelle Macor-Filarska et Agata Kozak.

 

Ce recueil d’Urszula Koziol qui paraît près de dix ans après La grande Pause (1996), en 2005, à Wroclaw, est le premier de ses trois derniers recueils (Przelotem/De passage, 2007 ; Horrendum, 2010) que relient une thématique, le passage du temps, et une tonalité, l’émerveillement, la célébration de la vie avec en contrepoint le désarroi, la stupeur et l’effroi face à ce constat : la vie s’achève, l’homme est expulsé du temps qui lui a été imparti et il s’éloigne inexorablement de la rive. Le recueil Suppliques a été nominé pour le Prix Nike 2006, l’un des prix les plus prestigieux en Pologne. L’auteur y développe un adieu bouleversant à la vie au moyen d’une poétique subtile, raffinée, se référant à la mémoire intime, à la description des phénomènes, de la nature, à l’histoire, aux poètes et aux philosophes qui l’ont précédée. Elle élabore un processus d’apprivoisement de la mort, elle se prépare, elle revisite l’expérience de vivre, ses liens avec les êtres, ses attentes et ses déceptions, elle célèbre le miracle de la vie et s’interroge sur l’absurde de la condition humaine. Elle acquiesce et se révolte encore, s’émerveille et désespère au sein d’une poétique complexe, éblouissante, qui puise à une métrique variée, travaille et stylise la métaphore en se nourrissant de diverses strates du langage, archaïsmes, conventions romantiques, recherches formelles d’avant-garde, variations sur la polysémie, citations. Au long du recueil se déploie une réflexion sur le temps qui passe, la beauté de la vie saisie dans l’instant qui ne se répète pas, unique et fugace. La contemplation de l’instant, des paysages, la méditation y occupent une place singulière exposant le rapport qui se tisse entre le sujet du poème et les éléments naturels par le moyen du vers, de la parole poétique, de l’image et de la musique. La réflexion menée en maints poèmes sur le processus de création poétique se double d’une réflexion sur le processus de vivre ou plus exactement « le métier de vivre ». Le ton du recueil est aussi dramatique qu’ironique et malicieux, vif tout autant que nostalgique. Le contenu de cette poésie réflexive semble se rassembler dans le long poème qui clôt le recueil : Extinction.

Urszula Koziol  est née en 1931. Poète, romancière, dramaturge, rédactrice du mensuel littéraire et artistique « Odra », chroniqueuse, auteur de livres pour enfants, elle a reçu de nombreux prix tels le Prix Koscielski de Genève, le Prix du PEN CLUB, Le Premier Prix de la Culture de Silésie de la Région de Basse Saxe ; en Allemagne le prix Eichendorff (2002) lui a été attribué et en 2003, elle a obtenu le titre de Docteur Honoris Causa de l’Université de Wroclaw. Elle a publié une douzaine de recueils de poésie, tous inédits en français : Au rythme des racines (1963), La traînée de lumière et le rayon (1965), Liste de présence (1967),  Au rythme du soleil (1974), Carnet de regrets (1989), Les stations du mot (1994), La grande pause (1996), En l’état fluide (1998), Suppliques (2005),  De passage (2007).  Elle est l’auteur de deux romans : Les stations de la mémoire (1964) et  Des oiseaux pour la pensée (1971). En France, des poèmes et fragments de prose sont dispersés dans diverses revues.

Suppliques

500 exemplaires sur centaure naturel 110 g

72 pages au format 16 x 22 cm

isbn : 978-2-915684-33-9

Prix public : 12 €

Felipe Ferreira, Fred Jordão e Patricia Tenório

 

Patricia Tenório*

Traças ou O Tempo.

O Tempo

Martela a cabeça

Com as palavras que você me deu

Assim

Tão solto

Assim

Espesso

Que não percebi

As frestas de cores do seu olhar

 

Caiu em mim

As Traças

Da madeira dos seus sonhos

Roeu

Ruiu

O pensamento de lhe acolher

Um dia

Num ponto

De interrogação

 

Para falar assim

Esguio

Para sentir assim

Profundo

Com as imagens que você me deu

Tão próximas

São líquidas

 

Que habitam em mim agora

E matam a minha sede

 

Felipe Ferreira**

 

Fred Jordão***

 

O que há de distinto entre o “olhar” de um passante e o “ver” de um fotografo?

 

É neste limiar entre olhar e ver que Felipe Ferreira nos apresenta esta série de oito fotografias recolhidas de uma paisagem urbana qualquer. Ao se deparar com uma parede, uma porta ou janela de uma rua de uma cidade comum, o fotografo provoca seu olhar e vê o que talvez não exista, ou não se revele com facilidade. O que por certo estava oculto.

 

Então se processa a busca pela descoberta do plano fotográfico. Não há uma realidade única nas imagens forjadas pelo que o fotografo vê, e sim esta busca incessante pelas formas e texturas de uma nova verdade que só se estabelece no encontro da procura e das escolhas. Felipe marca seu território de trabalho neste espaço quase banal de uma noite comum ou na penumbra de uma sombra. Objetos corroídos e marcados pelo uso diário, que por capricho do cotidiano findariam esquecidos e estáticos em uma rua qualquer de um bairro comum. Mas eis que se dá a química imprescindível do olhar fotográfico quando se depara com o que não pode ser deixado invisível ou encoberto. É embarcando na sutileza do detalhe que Felipe nos transporta para esse universo misterioso e singular, cuja única verdade ou certeza que resta, é a inevitável presença do TEMPO.

 

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* Patricia Tenório escreve desde 2004 poesias, romances, contos. Tem 06 livros publicados e 01 no prelo: O Major – Eterno é o Espírito, 2005, Biografia Romanceada, Menção Honrosa nos Prêmios Literários Cidade do Recife (2005); As joaninhas não mentem, 2006, Fábula, Melhor Romance Estrangeiro da Accademia Internazionale Il Convivio, Itália (2008); Grãos, 2007, Contos, Poemas e Crônicas, Prêmio Dicéa Ferraz – UBE-RJ (2008); A mulher pela metade, 2009, Ficção; Diálogos, Contos e D´Agostinho, Poemas, 2010; Como se Ícaro falasse, Ficção, Prêmio Vânia Souto Carvalho – APL-PE (2011), a ser lançado em 21 de Novembro de 2012. Mantém o blog www.patriciatenorio.com.br onde dialoga com diversos artistas, em diversas linguagens. Contato: patriciatenorio@uol.com.br

** Felipe Ferreira.  Publicitário de formação, especializado em fotografia pelo Australian Center for Photography. Um curioso ”caçador” de luz que adora desafios. Atua no campo desde 2003. Durante esse período participou de exposições coletivas e realizou uma solo, publicou imagens em jornais e revistas e teve um artigo selecionado para uma coletânea sobre arte e tecnologia editado pela Fundação Joaquim Nabuco. Oito das doze fotos acima fazem parte da exposição solo de Felipe Ferreira realizada no Bar Burburinho, Recife – PE, em 2010, no evento de literatura Free Porto. Contatos: www.fffotografia.com e fffotografia@gmail.com

*** Fred Jordão. Fotógrafo com formação em jornalismo, atua há mais de 20 anos como profissional em Recife. Contatos: www.fredjordao.com.br e fred_jordao@hotmail.com