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Índex* – Setembro, 2012

 

A tragédia é estar juntos, mas distantes, juntos, porém ausentes.

(O sentido da vida, Inácio Larrañaga)

 

Pontes entre Países, Línguas, Gêneros Literários, Idades e… Seres Humanos no Índex de Setembro do blog de Patricia Tenório.

Almas Gêmeas que se encontram em Abrantes, Portugal – Patricia Tenório.

O Susto que vem do Rio Grande do Norte – Clauder Arcanjo.

Tu me lapidas e eu me transformo na crônica de Antônio Alvino da Silva Filho.

Mara Narciso nos alerta: Velho sim, inútil não!

Do Canadá, Flavia Cosma traduzida por Denis Emorine.

José Geraldo Neres nos convida às Palavras de Acordar o Corpo.

E o Convite à Homenagem ao nosso Eduardo Côrtes.

Obrigada aos que participaram com Textos, Convites, Links… Convido todos a participar!

A próxima postagem será no dia 28 de Outubro.

Até lá!

Patricia Tenório.

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Index * –   September, 2012

The tragedy is being together, but apart, together, but absent.

(O sentido da vida (The meaning of life), Ignácio Larrañaga)  

 

Bridges between Countries, Languages, Literary Genres, Ages and … Human Beings in the Index of September of the blog of Patricia Tenorio.

Almas Gêmeas (Soulmates) that meet each other in Abrantes, Portugal – Patricia Tenório.

The Susto (Fright) that comes from Rio Grande do Norte – Clauder Arcanjo.

Tu me lapidas (You lapidas me) and I become the chronicle of Antônio Alvino da Silva Filho.

Mara Narciso warns: Velho sim, inútil não! (Old yes, not useless!)

From Canada, Flavia Cosma translated by Denis Emorine.

José Geraldo Neres invites us to Palavras de Acordar o Corpo (Words to Wake Up the Body) .

And the Invitation to the Homage to our Eduardo Côrtes.

Thank you all who participated with Texts, Invitations, Links … I invite everyone to participate!

The next post will be on 28th October.

Up there!

Patricia Tenório.

 

Pontes…

Bridges…

 

… nos conduzem…

… lead us…

 

… para a Luz.

… to the Light.

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* Índex foi traduzido apenas para o inglês por uma questão de extensão do post.

* Index was translated into English only as a matter of the extension of the post.

** Pontes 1 e 2 de Paris e 3 do jardim de Monet em GivernyFrança.

** Bridges 1 and 2 from Paris and 3 from the garden of Monet at Giverny – France.

Almas Gêmeas | Patricia Tenório*

Abrantes, Portugal

10/09/12

Entre as Torres e eu
Existe um rio
Ele carrega a luz
A vida
O sol
Calor

Entre as Torres em si
Existe o átomo
O núcleo
Da fusão
Do perigo:
A explosão

Entre as Torres e ti
Existe o abismo
Um espaço vazio
De solidão e dor

Quem sabe
Escutes daí
O meu gemido
Meu clamor
Por teu toque
Por tua alma
A tua dor

Que entre mim e ti
Faça sentido:
As Torres Gêmeas da usina nuclear
Me atraírem
Apesar da possível
Contaminação

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* www.patriciatenorio.com.br e patriciatenorio@uol.com.br

** Vista dos Jardins do Castelo de Abrantes.

Susto | Clauder Arcanjo*

 

Desceu a escada, do quarto para a sala, e deu com um corpo. Susto. De bruços, ao pé da escada. Sem movimento algum.

A respiração lhe ficou presa, o ar entalado na garganta. Um rubor na face, gosto de sangue na boca, pernas trêmulas, como se estivessem prestes a perder sustentação. Os olhos arregalados, pânico. Susto.

Teve medo de desmaio, sabia-se fraco; sempre avesso a sangue e a dores, dele e dos outros. “Assaltante? Crime ou queda? Quem seria, se morava sozinho no casarão antigo? Meu Deus!” Susto.

Clamara por Deus apenas levado pelo costume, não pela fé. Nunca professara crença num ser superior, julgava a religião como prima-irmã da superstição. Coisa de primitivo, de quem sempre andava longe dos desígnios da Ciência. Agora… Susto.

Forçou um passo, degrau abaixo, nada. A musculatura rígida, mãos trêmulas. Nervos. Até os olhos se fecharam; na tentativa de abri-los, necessidade de força, persistência. Por entre as pálpebras, semicerradas, constatou: “Um homem, de meia idade. Bem vestido. Calça de linho, camisa de grife, bem passada, sapato de camurça, da moda.” Susto.

De repente, barulho na cozinha. Batida de porta, som de vidraça sendo aberta. Susto.

“O criminoso? Estaria fugindo?” A imagem de um homem, alto e forte, a correr pelo jardim da frente, arma ainda quente, em punho; a deixar, célere e resoluto, a cena do crime. Os olhos calmos de um indivíduo que perpetrara o homicídio friamente premeditado. Longa e detalhadamente estudado. Em todos os menores detalhes e nuanças, sem deixar marcas nem impressões digitais. A certeza de que a justiça nada encontraria. Susto.

De repente, os olhos como se mais turvos, a zanzarem nos bugalhos das órbitas… Algo a espicaçar-lhe a mente. “E se a ideia fosse lhe ter como o homicida?! Como em casa morava só, rapaz velho, de hábitos reclusos… Pronto, a linha do delito. Eu… culpado.” Susto.

As pernas arrastaram o corpo, a escorregar, passo a passo, pelo corrimão de madeira. Meu pai. Susto.

Há tempo não se lembrava da imagem de Seu Joaquim Patrúcio. O velho morrera cedo, e lhe deixara: muitos conselhos, raros vícios, inumeráveis manias e poucos cobres. De conselho, um renitente: distância dos milicos. Entre os vícios, a solidão. Das manias, uma rompera os anos, companheira de velhice: a bisca aos sábados, com os amigos do Mercado. Com os poucos cobres e a sovinice, a compra da casa velha, espólio do viúvo Dalcides Trasmundo, tio ranzinza e distante. Lembrança do velhaco Joaquim Patrúcio… Susto.

— Quem está aí? — pergunta em tom baixo, quase em apelo.

Silêncio. Insuportável silêncio. “Cadáver?!” Susto.

Sirene. Barulheira de guardas a cercarem o terreno. “Por aqui. Por aqui.” Susto.

As pernas… Na verdade, todo o corpo a tremer… “Santa Virgem Maria. Pai. Meu Deus!…”

Porta ao chão. “Polícia! Teje preso!” Susto.

Atrás da polícia, a turma da bisca. E, satisfeito, mais ao fundo, seu Bartolomeu Pratinha, em riso ordinário, vingado pelo não pagamento da conta do mês. “Meus cobres!” Susto.

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* Clauder Arcanjo — Escritor. Contato: clauderarcanjo@gmail.com

Tu me lapidas* | Antônio Alvino da Silva Filho**

 

A sociedade é, em todos os lugares,

uma conspiração contra a personalidade de seus componentes.

(Ralph Waldo Emerson)

 

            Rendo-me às evidências e aos teus argumentos. Durante milhares de anos travamos uma luta árdua e contínua; mas agora entendo claramente o quanto tens razão, e o quanto inutilmente contestei tuas normas e mandamentos. Sou réu, confesso: fui um eterno rebelde, individualista, ingrato também. Resigno-me neste instante.

            A primeira lembrança que tenho de ti remonta ao meu tempo de barriga. Naquele lugar morno, de penumbra, aconchegante, podia sentir já tuas emanações: ruídos, luminosidades, vibrações, emissões alfa, beta, gama e outras do abecedário. Desde ali, estranhei estes teus estremecimentos, já que meus antepassados não me deram conta da tamanha agitação do porvir. Mas compreendo que o progresso impõe a adaptação desde a concepção, e que a natureza ainda não conseguiu – ou não teve tempo de – incorporar o progresso à eternidade.

            Eis que chega a hora de nascer. Como todo ancestral, esperava sair do ventre pela via natural; mas novamente percebo o meu erro, ou antes, a minha ignorância. Raros são os partos naturais. Que vergonha a minha. Partos naturais estão fora de moda, demoram, tomam o escasso tempo dos médicos, diminuem a remuneração destes e dos hospitais, provocam filas e dão escândalos e ainda abalam a estética das mães.

            Alcanço um ano de vida solar. Pasmo ante a grandeza do mundo e o quanto tenho a explorá-lo. Não é à toa que a natureza dotou-me de mãos ágeis e polegares opositores, de curiosidade sem tamanho, de inquietação – de liberdade de movimentos, enfim. Todavia, o aprendiz de mundo moderno desconhecia o preço e o risco da diversidade à frente: o vaso da mamãe; a eletricidade – ainda que perigosas, são tantas tomadas espalhadas pela casa! A pintura das paredes e do carro do papai; os óculos do vovô; os bancos do carro; os copos, pratos, livros, jornais e muitas outras coisas que me cercam e que, no entanto, me são proibidas.

            Não sabia – juro – que estes objetos fossem tão cultuados e intocáveis. Mas tu, porque sábia, me forneceste uma compensação. Já que nesses objetos não posso pegar, me ofertas réplicas coloridas, variadas e perfeitas: brinquedos de plástico os mais diversos abarrotam meu quarto. Com tua perene bondade, me encorajas para que os toque, aperte, morda. Criaste um mundo artificial e em miniatura para mim, substituto do proibido mundo real.

            Chego aos dez anos. Sinto-me plenamente adaptado ao mundo. Teus ensinamentos e restrições mostraram-se eficazes. Lembro como se fosse hoje o brilho dos teus olhos diante da minha serenidade, da minha atitude de menino bem-comportado. Não te fiz passar vexame algum perante amigos e parentes, ainda que em festas de aniversário. Fui plenamente previsível.

            Quando penso que estou integralmente adaptado, vejo que nova fase me empurra para a rebeldia. É chegada a adolescência. A natureza me invade de hormônios, verdadeiras drogas internas a me darem ordens: afronta teus pais, procura o sexo, joga fora o fardamento adquirido pela tua mãe e usa roupas que demonstrem atitudes; sai de casa; busca tua liberdade. Só agora, adulto, percebo o quanto fiz meus pais sofrerem.

            Hoje, sou-te grato pelos conselhos, imposições, regras, punições. Sou pessoa civilizada, inteiramente adaptada ao meio. Por me ter ajustado com perfeição, mas recebo de ti todas as atenções e recompensas. Não mais luto contra ti; em contrapartida, tu me proteges. Aclimatei-me; em compensação, não demonstras tua fúria – és apenas mansidão.

            Não fosse tua atuação sobre mim, eu seria hoje mal educado, violento, resfriado; usaria cabelo comprido, vestiria esquisito; não seria médico ou engenheiro, pessoa cristã e civilizada. Sim, porque afinal me sinto como produto cultural. De herança, somente meu aspecto físico.

            Apesar de me render a ti, algo me intriga: se não nascemos homens e sim nos tornamos homens, por que tu não intercedes perante a natureza de modo a nos fazer nascer já adaptados? Dito de outra forma, por que, aos teus olhos, nascemos bárbaros, oh sociedade modeladora?

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* Antônio Alvino da Silva Filho – brasileiro, nascido e criado no Nordeste, casado, quatro filhos. Tem profissão definida e se encontra preso às teias do mercado. Há tempos empenha o melhor de suas forças na tentativa de escapar da multidão. Ainda não logrou êxito. Contato: alvino62@gmail.com

** Texto extraído de Contrapontos: reflexões a partir da vida em rebanho. Antônio Alvino da Silva Filho. Crônicas. Mossoró, RN: Sarau das Letras, 2012, pp. 25-27.

Velho sim, inútil, não! | Mara Narciso*

16 de setembro de 2012

O dramaturgo Nelson Rodrigues aconselhava aos jovens que envelhecessem o quanto antes. Desde que o ministro do STF Cezar Peluso completou 70 anos e teve a aposentadoria compulsória decretada, muito se tem falado sobre a questão idade. O Dr. Athos Avelino não conseguiu legalizar em tempo hábil sua candidatura a prefeito de Montes Claros, então abriu mão dela em favor do ex-ministro Humberto Souto, de 78 anos, de acordo com a Wikipédia. A partir desses dois casos, pergunto: quando uma pessoa perde a sua capacidade de trabalhar?        

Idosos ficam na fila comum, com receio de os outros saberem que já têm 60 anos. O preconceito contra o velho brota em todo lugar. O que fazer para reduzi-lo? Leis mais duras para quando houver discriminação? Criminalizar quem falar coisas do tipo: “o que você quer, velho esclerosado?” O jovem não pensa na velhice, mas costuma desprezar a opinião dos mais velhos. Quem é velho, em defesa, costuma negá-la, como uma forma de disfarce, para torná-la mais leve. O politicamente correto proíbe falar velho, e assim a palavra a cada dia discrimina mais.

A medicina avança tornando mais fácil se tornar um octogenário. Se no século XIX um sexagenário era um estorvo social, sem serventia, ocasião em que o escravo era alforriado e jogado na rua por não valer a comida que comia, hoje, muitas pessoas passam dos noventa, e até dos cem anos, embora seja um acontecimento notável.

A velhice não é a melhor época da vida, e é uma estupidez dizer que sim, ou fazer piada com os esquecimentos dos velhos. O uso de termos como “idade da prata”, “terceira idade”, “melhor idade” não reduziram a discriminação contra o velho. Dizer “estou ficando velho” no lugar de “sou velho” não melhora a situação.

A mídia com a sua ordem de que é proibido envelhecer, mostrando atrizes de mais de 80 anos com a pele tão lisa como se tivessem 30 é boa para quem? Elas próprias se constrangem em atender a essa proibição, pois caso pudessem, ostentariam suas rugas. As plásticas rejuvenescedoras são tão onipresentes nas telas da TV, mais que no cinema, que quando se apresentam quatro gerações em cena, podem grosseiramente confundir a quem as assistem. Pobres mulheres, que tentam enganar aos outros, mas nunca a si mesmas. Escolha é uma coisa, exigência é outra.

Aos 40 anos, muitas delas já fizeram lifting, para levantar a expressão. E quem tem coragem de não pintar os cabelos? Li, não sei onde, que atitude não é pintar os cabelos e sim deixá-los brancos. Considerado cafona até há pouco tempo, de uns anos para cá, boa parte dos homens também está pintando os cabelos.

Se por um lado há quem não queira contratar um recém-formado devido à falta de experiência, por outro, há quem não aceite o trabalho de um velho, por imaginá-lo superado. Na nossa sociedade do descartável, rugas e cabelos brancos atrapalham profissionalmente. Com a ordem de reciclar, reutilizar, reaproveitar, espero que o velho seja mais bem aceito, e não precise ter vergonha de tomar a vacina da gripe.

O envelhecimento é diverso entre pessoas da mesma idade, de vida semelhante e até entre irmãos, ocorrendo em ritmos diferentes. Caso fosse possível parar o tempo, muitos o congelariam por volta dos 30 anos. No entanto, quando será possível se ver no Brasil pessoas valorizadas pela experiência, sabedoria, equilíbrio, confiança, sensatez, características típicas dos velhos?

Boa parte das pessoas quer viver muito, porém de forma ativa, produtiva, com saúde, viajando, se divertindo, em companhia da família e de amigos, e sendo respeitada. Está se tornando comum, além das festas de 15 anos, as de outras idades, como 70 e 80 anos. Ter orgulho de ter vivido muito é um conceito que vem para ficar?

Não é demérito querer parecer mais jovem, e quem realmente tem essa característica fica feliz em possuí-la. O idoso gosta de ser visto como alguém de voz firme, de pensamento ágil, de memória impecável.

Eu não tenho vergonha de não ter morrido aos 46 anos quando tive um infarto. Assim, com a intenção de diminuir o preconceito contra o velho, pois esconder a idade faz parte do incentivo a essa discriminação, no dia 12 de setembro, dia do meu aniversário, coloquei no Facebook, para a visualização dos meus 2598 contatos a seguinte frase: “Amigos, hoje é meu aniversário. Eu consegui chegar aos 57 anos. Uma benção inesperada. Espero ficar mais velha a cada dia”. Boa parte de quem leu, comentou, e de alguma forma ficou horrorizada.

Entender como insulto ser chamado de velho deveria afetar apenas os que têm vergonha de envelhecer. É liquido e certo: morrer jovem é a única maneira de não ficar velho. Quem se habilita?

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* Enviado por Mara Narciso: yanmar@terra.com.br

Le miel trouble du matin* | Flavia Cosma

 

Traduit du roumain par Denis Emorine

(avec la collaboration de l’auteur)

 

Flavia Cosma est poétesse, auteur et traductrice canadienne d’origine roumaine. Elle a également une maîtrise en ingénierie électronique et a fait des études théâtrales en Roumanie. Son activité de productrice indépendante de documentaires pour la télévision, de réalisatrice et scénariste lui a apporté des prix importants.

Flavia Cosma parle couramment l’anglais, le français, le roumain, et l’espagnol et écrit des oeuvres littéraires originales et des traductions en quatre langues.

Flavia a publié dix-neuf livres de poésie, un roman, un volume de mémoires de voyage et cinq livres pour enfants. Le volume de poésies Leaves of a Diary a été accepté à l’Université de Toronto dans le cadre du programme de littérature canadienne EJ Pratt comme matériel de cours pour l’année scolaire 2007-2008.

Son activité créatrice a été récompensée par plusieurs prix dont les principaux sont énumérés ci-dessous.

Flavia Cosma est membre de l’Union des écrivains du Canada, l’Association des auteurs des Laurentides, Québec, de l’Association britannique de littérature comparée, l’Union des écrivains de Roumanie. Elle est Directrice de l’International Writers’ and Artists’Residency, Val David, Québec, Canada http://www.flaviacosma

Denis Emorine est né en 1956 près de Paris. Il a avec l’anglais une relation affective parce que sa mère enseignait cette langue. Il est d’une lointaine ascendance russe du côté paternel. Ses thèmes de prédilection sont la recherche de l’identité, le thème du double et la fuite du temps. Il est fasciné par l’Europe de l’Est. Poète, essayiste, nouvelliste et dramaturge, Emorine est traduit em une douzaine de langues ; son théâtre a été joué en France, au Canada ( Québec) et en Russie. Plusieurs de ses livres sont traduits et édités aux Etats-Unis. Il collabore régulièrement à la revue de littérature « Les Cahiers du Sens ». Il dirige deux collections de poésie aux Editions du Cygne. En 2004, Emorine a reçu le premier prix de poésie (français) au Concours International Féile Filiochta. L’Académie du Var lui a décerné le « prix de poésie 2009 ». On peut lui rendre visite sur son site: http://denis.emorine.free.fr

 

Extraits

 

Solitude

Je pourrais copier

Des milliers de phrases

Sagement pensées,

Ecrites ou prononcées,

Tout le long de l’histoire.

Je pourrais me nourrir

De la sève de millions de fleurs,

Minutieusement peintes ou sculptées

Dans les jardins du paradis.

Mais je veux inscrire

Sur la feuille blanche

qui m’a été destinée

Des pensées inaccessibles à la poussière

stellaire,

Des murmures rêvés seulement par moi,

Des jours différents, importants,

Mes matins à moi sur le calendrier.

Je veux être seule

Dans l’ombre bleue de la pierre,

Sous des cieux toujours mouvants

Caresser gentiment

Avec la plante de mes pieds nus,

Le crâne des saints dormant en leur prière,

Et qui, quelquefois,

A travers l’air terrien,

Souffleront de la force de leurs esprits,

Sur mon sang sauvage,

Comme une douce brise.

 

Retrouvailles

Toi, tellement inconnu pour moi,

Comme les gouttes de pluie tombant sur les

fleurs bleues,

Toi,

Qui m’est si nécessaire,

Comme l’air pur, glissant doucement dans les

poumons,

Toi,

Si précieux pour moi,

Comme la lumière dorée à travers des vitraux

Se posant sur les mains jointes en prière,

Mains qui invoquent paix, pardon,

Et par-dessus tout, amour,

Toi,

Qui traverserais un jour

Toutes les forêts et la mer;

Tu t’arrêterais fatigué sur le seuil de ma porte,

Et moi je te souhaiterais la bienvenue

Prise d’un frémissement béni,

Avec mes yeux pleins de larmes et mon âme

un nid,

Pour les amours mûrs et tardifs.

Oh, toi le mendiant…

 

www.harmattan.fr

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* Envoyé par Denis Emorine: denis-emorine@orange.fr

PALAVRAS DE ACORDAR O CORPO (25/09): Diálogos com os autores* | José Geraldo Neres – Leo Gonçalves

 

“Palavras de acordar o corpo; influências e provocações durante a escrituração dos livros Olhos de Barro, de José Geraldo Neres e Use o assento para flutuar de Leo Gonçalves, ambos da Editora Patuá.”[1]

Release das obras:

Olhos de barro é o terceiro livro do poeta, ficcionista e produtor cultural paulista José Geraldo Neres, que recebeu “Menção Especial” no 3º Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura (ficção – 2010). É uma coletânea de contos na qual o lirismo tem precedência sobre o enredo, estruturada em cinco livros: Colheita de silêncios, Um pedaço de chuva no bolso, Sol rasgado aos pés da serpente, O silêncio das árvores e A fome dos nomes.

No dizer da renomada poeta e professora titular de Literatura Portuguesa da Universidade Federal de Sergipe, Maria Lúcia Dal Farra, “o barro, aqui, para além de incluir os jogos da infância, as brincadeiras em torno da construção da casa e dos outros, carrega o grão mítico da criação, o que engendra os olhos capazes de inaugurarem um inesperado mundo novo – mercê do nome, mercê dos modos outros de designação. O corpo é o eixo da nomeação. Ele é a casa da palavra, o texto habitável, o teto sob o qual o rito se cumpre pacientemente. Janelas e portas, quarto e cômodos, cortinas e paredes, chão e pedras e chaves (ou corpo, pele, rosto, boca, dentes, riso) – são os pontos cardeais da fortaleza a ser assaltada ou preservada, escapes ou aberturas para a instauração dos nomes e das imagens, conforme se dê o embate com o outro, conforme a palavra de ordem para cada caso, para cada acaso.”

É uma poética de imagens, símbolos e mitos alinhados em construções geométricas que desafiam o leitor, convocam sua mente e sentidos. Nas palavras do premiado escritor mineiro Luiz Ruffato, “Neres submerge na memória, não na dele, mas na de todos nós, desprovido de parafernálias, ciente apenas de seu próprio fôlego, para trazer, do fundo do oceano obscuro, ostras contendo pérolas. Cabe a nós, leitores, abri-las para extasiarmo-nos com os seus poemas em prosa, gênero difícil, porque híbrido, e fascinante, porque completo. Olhos de Barro é isso: uma oferenda ao deus dos leitores inteligentes.” E o poeta, jornalista e professor de língua e literatura hebraica na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, Moacir Amâncio, indaga: “Um trabalho como este traz de volta, em primeiro lugar, a pergunta inaugural: o que é poesia, em que medida ela depende de convenções como a métrica, o verso livre, aliterações, rimas, para definir seus ritmos?”

ISBN: 978-85-64308-44-2

Preço: R$ 28,00

Use o assento para flutuar, terceiro livro de Leo Gonçalves, escrito entre 2005 e 2012, fala de tudo a que a poesia tem direito. “A poesia é palavra calcinada e por isso pode falar de tudo”, comenta Juan Gelman na orelha do livro. Do amor ao humor. Da influência da poesia caribenha e africana a um retrato do mundo pós-queda das torres gêmeas, o livro traz um testemunho do zeitgeist, o espírito da época.

Ao todo, são 40 poemas, entre inéditos e reedições. “WTC Babel S. A.”, por exemplo, publicado anteriormente na forma de plaquete, em edição artesanal organizada pelo próprio autor, reaparece aqui. Há também poemas publicados anteriormente em revistas, jornais literários, sites e blogues. Marca interessante é a diversidade de técnicas e proposições presentes no livro. A unidade fica por conta de uma voz que busca a todo instante elementos de alteridade e diversidade.

Artista de múltiplas ferramentas, Leo Gonçalves é também performer, artista sonoro e visual, além de tradutor, ensaísta e divulgador da poesia do mundo. Traduziu em parceria com Mário Alves Coutinho o livro Canções da inocência e da experiência, de William Blake, obra que ficou entre as 50 indicadas do site Uol em 2005. Em parceria com Andityas Soares de Moura, traduziu Isso, de Juan Gelman, publicada na coleção Poetas do Mundo, da UnB. Traduziu também a peça O doente imaginário, de Molière, atualmente em sua segunda edição. Além dessas obras publicadas em livro, também traduziu para revistas literárias poetas como Aimé Césaire, Léopold Sédar Senghor, William Burroughs, Allen Ginsberg, Heriberto Yépez, Gérard de Nerval, Tristan Tzara e muitos outros.

ISBN: 978-85-64308-62-6

Preço: R$ 28,00

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[1] Editora Patuá (São Paulo, SP: www.editorapatua.com.br).

* Enviado por José Geraldo Neres: outrossilencios@gmail.com

Convite | Eduardo Côrtes

 

Enviado por Eduardo Côrtes: cortesedu@uol.com.br

Lembrete | Patricia Tenório

Contatos: patriciatenorio@uol.com.br e

                  www.bmab.cm-abrantes.pt / Tel. 241 379 990